31 de jul de 2012

UFRJ transforma o bagaço de cana em fibra de carbono


Editoria de arte/Folhapress

Peças de carro, materiais da indústria de petróleo e até armações de óculos podem estar prestes a se juntar a etanol, cachaça e açúcar como produtos derivados da cana.


Cientistas brasileiros desenvolveram um jeito de transformar os resíduos da planta em fibra de carbono, material um bocado valorizado pela indústria.


Hoje, o bagaço da cana-de-açúcar é o principal resíduo do agronegócio brasileiro. Uma tonelada da planta usada para fazer etanol produz, em média, 140 kg de bagaço.

Boa parte desses restos acaba queimada nas próprias usinas como forma de gerar energia, mas é uma destinação que ainda não consegue absorver todos os resíduos gerados. Se armazenados incorretamente, eles podem se tornar um fator sério de poluição ambiental.

Foi pensando nisso que um grupo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) decidiu agir e dar uma destinação mais nobre ao "lixo".

Eles desenvolveram um método que extrai a lignina -uma importante molécula "estrutural" dos vegetais, responsável, entre outras coisas, pela sustentação- do bagaço da cana e a trata para que ela seja transformada em fibra de carbono.

"Não é como transformar garrafa pet em tapete ou em árvore de Natal. É uma reciclagem com alto valor agregado, que pode gerar boas oportunidades, porque o Brasil ainda não tem produção industrial de fibra de carbono", diz Veronica Calado, coordenadora do trabalho e também do Núcleo de Biocombustíveis, de Petróleo e de seus Derivados da UFRJ.

Na verdade, o grupo de Calado aproveita o "lixo do lixo" da cana-de-açúcar. Novas técnicas já permitem que o bagaço da produção de etanol seja tratado quimicamente e usado para dar origem a mais álcool, o chamado etanol de segunda geração.

ÚLTIMA ETAPA
A fibra de carbono é obtida depois que o bagaço já passou por esse segundo processo. A lignina extraída do bagaço é processada e passa por vários processos, que vão aumentando o teor de carbono. No fim, obtém-se a fibra, que é laminada e pode ser vendida para as mais diversas aplicações.

Dez vezes mais forte do que o aço, mas ainda maleável e com elevada resistência à temperatura, a fibra de carbono é um material muito valorizado no mercado, com preços que podem variar entre US$ 25 e US$ 120 por kg.

A principal maneira de obtê-la hoje é derivá-la do petróleo, com muitos aditivos.

"A fibra de carbono pelo reaproveitamento da cana também é sustentável nesse sentido, porque vai diminuir a dependência do petróleo para mais um uso", avalia Verônica, da UFRJ.

No mundo, já existem outras iniciativas para transformar a lignina em fibra de carbono. Todos esses projetos estão também em fase experimental. O grupo brasileiro, porém, orgulha-se de conseguir fazer o trabalho com menos aditivos, obtendo ainda um "extrato" de lignina mais puro e com maior potencial de transformação.

O trabalho carioca ainda está restrito aos laboratórios, mas a técnica já se mostrou funcional. A coordenadora do estudo diz que não há ideia do preço final da fibra, mas que "com certeza ela será mais barata do que a vinda do petróleo".

Agora, os cientistas estudam a melhor maneira de patentear o projeto.

Fonte: Folha.com

26 de jul de 2012

Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais, aponta estudo

Biodiversidade (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)
Reservas são o último refúgio de espécies ameaçadas (Foto: Christian Ziegler/ZieglerPhotos.com/Nature)

Metade das áreas protegidas de florestas tropicais do mundo está sofrendo um declínio na biodiversidade, segundo uma análise feita em 60 reservas e publicada na edição desta semana da revista “Nature”.

Para avaliar como esses locais estão funcionando, o pesquisador William Laurance e outros autores estudaram um grande conjunto de dados sobre as mudanças ocorridas ao longo dos últimos 20 a 30 anos.
A avaliação revela uma grande variação no estado dessas reservas, e 50% vivenciam perdas substanciais na variedade de animais e plantas. Perturbação do habitat natural, caça e exploração das florestas são os maiores fatores para esse declínio.
As reservas tropicais representam um último refúgio para espécies ameaçadas e processos naturais dos ecossistemas, em uma época que cresce a preocupação quanto ao impacto do homem sobre o crescimento da biodiversidade.
O estudo indica que, muitas vezes, áreas protegidas estão ecologicamente ligadas aos habitats ao redor, razão pela qual o destino delas é determinado por mudanças ambientais internas e externas.
Portanto, os pesquisadores afirmam que os esforços para manter a biodiversidade não devem se limitar a reduzir os problemas dentro das reservas, mas promover mudanças também fora dessas áreas.
Fonte: G1

24 de jul de 2012

Coleta de lixo tóxico ainda é desafio para o Brasil


Foto: Reprodução

O descarte de lixo passível de liberar substâncias tóxicas ainda é um problema para o país, apesar de já haver legislação regulamentando o assunto. De acordo com a Lei n°12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os fabricantes, importadores e revendedores de produtos que podem causar contaminação devem recolhê-los. Mas dois anos após a regra estar em vigor, os cidadãos dispõem de poucos locais adequados para jogar fora pilhas e baterias; pneus; lâmpadas fluorescentes e embalagens de óleo lubrificante e de agrotóxicos.
A lei recomenda que haja acordos setoriais e termos de compromisso entre empresários e o Poder Público para implantar o sistema de devolução ao fabricante no país, prática conhecida como logística reversa. O primeiro passo nesse sentido foi dado apenas no final do ano passado. Em novembro de 2011, o Ministério do Meio Ambiente publicou edital de chamamento para propostas referentes ao descarte de embalagens de óleo. No início deste mês, o órgão lançou mais dois editais: um diz respeito a lâmpadas fluorescentes e o outro a embalagens em geral. No caso das embalagens de óleo, as sugestões continuam sendo debatidas. Quanto aos outros dois editais, segue o prazo de 120 dias para que entidades representativas, fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores enviem propostas à pasta.
Enquanto não há um sistema estruturado para destinação de resíduos perigosos, os consumidores continuam fazendo o descarte junto com o lixo comum ou são obrigados a recorrer a iniciativas pontuais de organizações não governamentais (ONGs) e empresas para fazer a coisa certa.
“Alguns pontos comerciais se preocupam em fazer pequenos ecopontos para receber pilhas e baterias, mas é muito diminuto”, avalia João Zianesi Netto, vice-presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP). De acordo com Netto, houve um movimento da própria indústria no sentido de fazer o recolhimento antes de haver legislação específica, pois a maior parte dos produtos é reaproveitável e tem valor agregado. Mas, na opinião dele, a informação sobre como realizar a devolução não é satisfatoriamente repassada às pessoas. “Eu não estou vendo que estejam procurando instruir o cidadão”, avalia.
A pesquisadora em meio ambiente Elaine Nolasco, professora da Universidade de Brasília (UnB), diz que as atitudes de logística reversa no Brasil são dispersas. “Está dependendo de algumas localidades. Geralmente são ONGs e cooperativas que têm esse tipo de iniciativa. Em alguns casos há participação do Poder Público, como no Projeto Cata-Treco, em Goiânia”, exemplifica ela, referindo-se a um programa da prefeitura daquela cidade em parceria com catadores de lixo.
O governo do Distrito Federal também instituiu um sistema para recolhimento de lixo com componentes perigosos. O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) disponibiliza 13 pontos para entrega de pilhas e baterias, espalhados por várias regiões administrativas do DF. A relação de endereços está disponível na página do órgão na internet.
Elaine Nolasco lembra que o risco trazido pelo descarte inadequado de pilhas, baterias e lâmpadas está relacionado aos metais pesados presentes na composição desses produtos – desde lítio até mercúrio. “Pode haver contaminação do solo e do lençol freático”, diz.
A Lei n° 12.305 estabelece, de forma genérica, que quem infringir as regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos pode ser punido nos termos da Lei n° 9.605/1998, também conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Assim, elas podem ser denunciadas às delegacias de meio ambiente das cidades ou ao Ministério Público. 
Fonte: Ambiente Brasil

23 de jul de 2012

Maior parte dos estados e municípios não tem Plano de Gestão de Resíduos Sólidos


Foto: Resprodução

A maior parte dos estados e municípios brasileiros ainda não elaborou seu Plano de Gestão de Resíduos Sólidos, apesar de o prazo para concluir o projeto – que deve indicar como será feito o manejo do lixo em cada localidade – estar próximo do fim. A partir de 2 de agosto, a cidade que não tiver o planejamento fica impedida de solicitar recursos federais para limpeza urbana. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, até o momento houve apenas 47 pedidos de verba para construção dos planos, entre solicitações de administrações municipais e estaduais.
Como não é obrigatório pedir auxílio da União para elaborar os planejamentos, pode haver projetos em curso dos quais o ministério não tenha ciência. Mas a avaliação do órgão é a de que o interesse pela criação dos planos de gestão é baixo, mesmo que se leve em conta estados e municípios atuando por conta própria. “O pessoal tinha outras demandas e foi deixando de lado. Agora o prazo está se esgotando e a maioria não elaborou [o projeto]”, diz Saburo Takahashi, gerente de projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.
As cidades e unidades da Federação tiveram dois anos para construir seus planos de manejo de resíduos, cuja criação está prevista na Lei n° 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. As consequências do pouco comprometimento com a exigência federal poderão ser sentidas cedo por estados e municípios. “De acordo com a legislação, até 2014 devem ser eliminados todos os lixões do Brasil. Para isso, será preciso implantar aterros sanitários, o que não se faz da noite para o dia. As cidades e estados que não tiverem plano de gestão não vão poder solicitar recursos para fazer isso”, destaca Takahashi.
O represente do ministério reconhece, porém, que a verba disponível para ajudar municípios e unidades da Federação a elaborar os planos é escassa. No ano passado, houve destinação de R$ 42 milhões para essa finalidade, dos quais R$ 36 milhões foram usados. Este ano não foi disponibilizado dinheiro, e o governo federal limitou-se a liberar os R$ 6 milhões que não haviam sido executados em 2011.
Saburo Takahashi ressalta, no entanto, que o ministério redigiu um manual de orientação para ajudar prefeitos e governadores na elaboração do plano, disponível no site do órgão (www.mma.gov.br). Além disso, a pasta firmou convênio com a e-Clay, instituição de educação a distância que pode treinar gratuitamente gestores para a criação do plano de manejo. Interessados devem entrar em contato pelo telefone (11) 5084 3079.
A pesquisadora em meio ambiente Elaine Nolasco, professora da Universidade de Brasília (UnB), considera positiva a capacitação a distância, mas acredita que para tornar a gestão de resíduos uma realidade é preciso mais divulgação desse instrumento, além da conscientização sobre a importância do manejo do lixo. “Tem que haver propaganda, um incentivo para as pessoas fazerem isso [o curso]”, opina. Elaine acredita que a dificuldade para introdução de políticas de manejo – como reciclagem e criação de aterros sanitários – atinge sobretudo os municípios pequenos, com até 20 mil habitantes. “Faltam recursos e contingente técnico nas pequenas prefeituras”, destaca.
O vice-presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), João Zianesi Netto, também avalia que faltou capacitação e conscientização. “Alguns [Não criaram o plano] por ignorância, outros por desconhecimento técnico. Em muitos municípios de pequeno e médio porte, a destinação dos resíduos é gerenciada por pessoas que não têm a formação adequada. Além disso, há uma preocupação de que quando você começa a melhorar a questão ambiental você aumenta os custos”, afirma.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziluldoski, reclama da falta de auxílio financeiro para que as prefeituras cumpram as determinações da Lei n°12.305. Segundo ele, são necessários R$ 70 bilhões para transformar todos os lixões em aterro sanitário, até 2014. “Isso equivale à arrecadação conjunta de todos os municípios do país. Quando acabar o prazo, os prefeitos estarão sujeitos a serem processados pelo Ministério Público por não terem cumprido a lei”, disse. De acordo com ele, a estimativa da CNM é que mais de 50% das cidades brasileiras ainda não elaboraram os planos de gestão de resíduos. 
Fonte: Ambiente Brasil

20 de jul de 2012

Vaso sanitário transforma dejetos em adubo e combustível



Um grupo de cientistas de Cingapura criou um vaso sanitário ecológico que transforma a urina e as fezes em adubo e combustível através de um sistema que ainda economiza até 90% de água.
Os pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang anunciaram que o protótipo do No-Mix Vacuum começará a ser utilizado em 2013 nos banheiros da instituição acadêmica de Cingapura, um dos países mais desenvolvidos da Ásia.
“A Universidade está produzindo seu próprio vaso sanitário para o ano que vem. Várias companhias, incluindo imobiliárias e até um parque temático já mostraram interesse no sistema de evacuação desde que foi anunciado (no final de junho)”, contou à Agência Efe Lester Kok, do Departamento de Comunicação do centro.
O vaso ecológico é equipado com dois recipientes que recolhem separadamente os dejetos líquidos e sólidos, além de um sistema de sucção similar ao utilizado em aviões.
A urina é transportada a uma câmara onde se decompõe em nitrogênio, fósforo e potássio, utilizados como adubo, enquanto os excrementos chegam a um biorreator que os processa e transforma em biocombustível de metano.
“O sistema No-Mix Vacuum não exige que o vaso sanitário esteja conectado aos encanamentos da rede de hidráulica e ao esgoto”, explicou Kok.
O vaso sanitário usa apenas 200 ml de água para evacuar a urina e um litro para os dejetos, o que representa 90% de economia em relação ao sistema convencional, que utiliza de quatro a seis litros a cada vez.
Com uma média de cem usos por dia, o banheiro idealizado pelos pesquisadores de Cingapura utiliza 160 mil litros a menos em um ano, suficiente para encher uma piscina de 160 metros cúbicos.
O professor Wang Jing-Yuan, diretor do projeto, afirma que o sistema que leva o material, que também transforma as sobras de comida e outros resíduos orgânicos em fertilizante e energia, representa um método de reciclagem mais eficiente e barato, já que realiza esse processo de forma automática.
“Separando os dejetos humanos domésticos e processando-os in situ, economizaremos a verba dos processos tradicionais de reciclagem, já que o sistema inovador utiliza um método mais simples e barato para produzir fertilizantes e combustível”, defende Wang, doutor em tecnologia ambiental pela Universidade da Carolina do Norte (Estados Unidos).
A universidade singapuriana negocia agora com as autoridades da cidade-Estado a instalação de protótipos nas casas de uma área residencial que se planeja construir e acredita que cidadãos de outros países possam adotar os banheiros ecológicos nos próximos três anos.
Segundo os pesquisadores, o sistema também foi pensado para hotéis e construções afastadas que não contam com rede hidráulica e saneamento e precisam de certa autonomia.
O dispositivo No-Mix Vacuum faz parte de um programa iniciado há dois anos com um financiamento de dez milhões de dólares singapurianos, (cerca de US$ 7,8 milhões), concedido pela Fundação Nacional de Pesquisa de Cingapura.
A Universidade Tecnológica de Nanyang apresentou o projeto na feira de ciência e tecnologia WasteMet Asia 2012 em 4 de julho em Cingapura e assinou um acordo de colaboração com o Centro de Engenharia da Terra da Universidade de Colúmbia (Estados Unidos). 
Fonte: Portal iG

18 de jul de 2012

Reduzir desperdício e comprar produtos da estação podem ter impacto importante no sistema alimentar global


Foto: Reprodução

Estudo divulgado hoje (18) pela organização não governamental Oxfam indica que pequenas mudanças no consumo dos alimentos, como reduzir o desperdício, comprar produtos da estação e cozinhar de forma eficiente, podem provocar impactos gigantescos no atual sistema alimentar global.
A pesquisa ouviu mulheres residentes em cidades de seis países: Brasil, Índia, Filipinas, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos. O documento propõe novas maneiras de se consumir alimentos com base em princípios que incluem também o apoio a agricultores familiares.
A coordenadora da campanha Cresça da Oxfam no Brasil, Muriel Saragoussi, lembrou que um terço dos alimentos produzidos no mundo vai parar no lixo, enquanto cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome no planeta. “Isso não faz sentido”, disse. Um dos exemplos citados no estudo trata do consumo de maçãs – cerca de 5,3 bilhões de unidades estragam todos os anos apenas nos seis países onde as entrevistas foram feitas.
Reduzir o consumo de carne e de derivados do leite também é uma alternativa indicada pela ONG, em razão da frequente prática da pecuária extensiva (criação de bovinos em grandes terrenos, mas com baixa produção). “Nossa ideia é empoderar [fortalecer] as mulheres consumidoras como autoras das mudanças nos padrões de consumo e de desperdício”, explicou Muriel.
O Brasil aparece no levantamento como um país onde 70% dos alimentos consumidos são fruto da agricultura familiar. “É dela que vem o alimento que está na sua mesa e na minha mesa, mas eu preciso saber como isso é feito e me importar em apoiar o agricultores familiares”, destacou a coordenadora da Oxfam. Segundo ela, um alimento orgânico vendido em supermercados brasileiros chega a ser até 400% mais caro em relação aos comercializados em feiras de produtores.
“No Brasil, as mulheres parecem bastante conscientes e desejosas de aumentar sua capacidade de poder escolher. Elas querem saber como economizar, como comprar no comércio justo e buscam informações”, disse. Entre as entrevistadas, 57% das brasileiras declararam que se chateiam quando jogam alimento fora, contra 39% no Reino Unido, por exemplo.
Fonte: Dourado News

17 de jul de 2012

Transformação verde de Nova York é exemplo a ser seguido


Foto: Reprodução

Sempre que você duvidar que o futuro possa ser melhor que o passado ou que o governo possa exercer um papel crucial nesse processo, pense e alegre-se com o extraordinário processo de verdeio de Nova York.

Esta cidade não se parece em nada, nada mesmo, com o que era uma década e meia atrás. É um lugar de calçadões agora belíssimos de frente para o mar, de árvores, gramíneas altas e flores que ocupam terrenos e penínsulas de concreto --até mesmo trechos de trilhas férreas antes em desuso ou decadentes. Trata-se de uma resposta fértil ao pessimismo de nossa era, de uma prova verdejante de que o crescimento continua a ser possível, pelo menos desde que estejam presentes a vontade necessária e as estratégias corretas.

A transformação de Nova York se deu incrementalmente --um ano o High Line, outro ano o Brooklyn Bridge Park--, tanto que muitas vezes não chega a ser plenamente apreciada. Mas representa um avanço notável, que justifica esperança.

Além disso, é emblemática de um padrão de dedicação intensificada aos parques urbanos, algo que está presente de costa a costa dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que uma parte tão grande da vida americana neste momento é marcada pelo espectro do declínio, muitas cidades estão florescendo, e Nova York vem servindo de inspiração crucial.

"Nova York representa um grande exemplo, porque é a maior área urbana do país", disse Ken Salazar, o secretário do Interior americano, falando ao telefone na sexta-feira e sugerindo que, se Nova York consegue criar espaços verdes em meio às suas expansões cinzentas, qualquer cidade pode fazer o mesmo. Salazar pretende visitar Nova York na terça-feira para discursar numa conferência internacional, que já está ocorrendo, intitulada "Maiores e Mais Verdes: Reimaginando Parques para Cidades do Século 21".

O fato de a conferência ser realizada em Nova York é uma homenagem proposital aos avanços feitos por esta cidade, boa parte deles sob a administração Bloomberg, que levou adiante os planos que herdou, ampliando alguns deles, e também criou vários planos próprios.

Embora o prefeito Michael Bloomberg tenha enfrentado fracassos e falhas diversas em suas tentativas de aprimorar o ensino público e aliviar os congestionamentos no Midtown de Manhattan, por exemplo, em se tratando do verde ele vem tendo grandes êxitos. Um dos maiores legados de sua longa prefeitura será uma cidade que, em determinados locais encantados, em determinados dias encantados, pode passar uma impressão tão descontraída, despreocupada e abençoada pela natureza quando um dos enclaves ecologicamente vaidosos do noroeste do Pacífico. À agitação do trânsito, Bloomberg acrescentou mais ciclovias, mais árvores e mirantes com vistas belíssimas.

"Os parques foram prioridades para este prefeito e para a vice-prefeita, Patti Harris, e acho que é a primeira vez que isso acontece na história da cidade", comentou Adrian Benepe, que vai deixar em breve o cargo de comissário de parques da prefeitura Bloomberg, após dez anos.

"Grandes coisas aconteceram na prefeitura de La Guardia, em grande medida devido à Administração do Progresso de Obras e da habilidade de Robert Moses em fazer uso desses recursos. Mas acho que o prefeito atual tem sido singular por não apenas apreciar parques, como compreender o valor deles de tantas maneiras diferentes", disse Benepe, acrescentando que Bloomberg adere "à ideia de que a cidade pode e deve ser bela e bem projetada".

Eu desprezaria esses comentários como puro puxa-saquismo, não fosse por vários fatores. 

Um: Benepe não hesita em dizer que parte do trabalho pelo qual Bloomberg é elogiado foi iniciado por prefeitos anteriores e defendido especialmente por George Pataki, fervoroso partidário dos parques, na época em que foi governador do Estado.

Dois: os elogios que Benepe faz a Bloomberg são repetidos por muitas pessoas que não estão na prefeitura.

Três: seus elogios condizem com minhas próprias observações gratas. Vivo nesta cidade, de modo intermitente, há 25 anos, e nunca antes senti tanta vontade de sair para o ar livre, nem me senti tão recompensado quando o faço quanto me sinto hoje.


Hoje uma parte espantosa da área de Manhattan de frente para os rios Hudson e East é pontilhada de píeres verdejantes, com praias, ciclovias e trilhas para caminhadas. E, para quem ainda não o viu, Brooklyn Bridge Park é uma revelação, com vista para o centro de Manhattan, o porto de Nova York e a Estátua da Liberdade.

"É notável que a cidade tenha feito esse investimento", comentou o paisagista Michael Van Valkenburgh, cuja firma foi responsável por criar o parque, que custou mais de US$350 milhões. A prefeitura contribuiu com quase dois terços desse valor. "Existe no momento um interesse enorme e muita atividade na criação e recriação de parques urbanos. Acho que é porque reinvestimos na ideia de viver nas cidades."

Igualmente animadora e instrutiva é a maneira como Nova York buscou os recursos necessários para os parques novos e os já existentes. A High Line, construída principalmente com recursos públicos, é mantida principalmente com recursos privados. O plano para o Brooklyn Bridge Park é que sua operação e manutenção seja paga por avaliações dos imóveis desenvolvidos em torno do parque.

Em troca do alvará de construção, os construtores de novos imóveis residenciais nas redondezas tiveram que criar para a cidade o Riverside Park South, uma trança bela de praças de frente para a água, trilhas e píeres partindo das ruas West 60s em Manhattan. Esse arranjo foi muito anterior à administração Bloomberg, mas, sob a administração dele, um arranjo semelhante vai resultar num parque de frente para a água em Williamsburg, um bairro do Brooklyn.

O histórico de Bloomberg no quesito dos parques não é imaculado. Holly M. Leicht, diretora executiva do grupo Nova-Iorquinos em Favor de Parques, disse que a criação de novos parques nem sempre foi acompanhada pela manutenção adequada dos parques já existentes. "Há uma disparidade de condições", disse ela.

Mas, para seu crédito, a prefeitura vem gastando fartamente com parques em todos os distritos de Nova York, não apenas em Manhattan e Brooklyn. Um dos projetos mais ambiciosos é a conversão do aterro sanitário Fresh Kills, em Staten Island, no parque Freshkills, que será quase três vezes maior que o Central Park.

A história de Nova York se repete em outras partes do país.


Um complexo revitalizado de parques, o Myriad Botanical Gardens, surgiu recentemente no centro de Oklahoma City. No centro de Houston há o Discovery Green. Dallas está construindo um parque sobre uma via elevada no centro, e Los Angeles estuda maneiras de verdejar um velho leito de rio concretado.

"Vivemos na era da reurbanização", comentou Catherine Nagel, diretora executiva da Aliança de Parques da Cidade, que está promovendo a conferência em Nova York. E o aumento da densidade demográfica significa que "precisamos de espaço verde".
Surpreendentemente, estamos recebendo esses espaços: porque os cidadãos o reivindicaram; porque os governos priorizaram esse assunto; porque foram cultivadas parcerias público-privadas. Nova York é a flor bela a coroar esse processo.

Fonte: Folha.com

Tribe 50 Edições e Evento Limpo





O Projeto Evento Limpo esteve presente no evento Tribe 50 Edições, que mesmo com chuva, teve um público de mais de 30 mil pessoas.

O evento realizado na cidade de Campinas, interior de São Paulo - próximo ao aeroporto de Viracopos, comemorou sua quinquagésima edição e mais uma vez levou a Physis SDA com o projeto Evento Limpo para fazer o Gerenciamento de Resíduos durante a festa.


Lixeiras utilizadas no evento  
No Centro de Triagem de Resíduos (CTR), todos os resíduos do evento coletados pela equipe de limpeza, foram triados pelos nossos Agentes Ambientais e acondicionados em Big Bags. 

Centro de Triagem de Resíduos

O evento Tribe 50 Edições, através do projeto Evento Limpo, reduziu um volume de 80% de resíduos que deixaram de ser enviados ao aterro sanitário e foram encaminhados para a reciclagem. Todos os Agentes Ambientais foram contratados na região do evento, contribuindo também para a redução dos impactos ambientais gerados pelo transporte destes colaboradores, além do fortalecimento da renda local. 










16 de jul de 2012

Cousteau Jr. defende projeto para Ilhabela


Foto: Yacht Club de Ilha Bela
Possíveis soluções para a preservação dos oceanos e a iniciativa de transformar o arquipélago de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, na primeira ilha sustentável do mundo foram algumas das bandeiras defendidas ontem pelo ativista norte-americano Philippe Cousteau Jr., durante participação na Semana Internacional de Vela de Ilhabela
Considerado uma das maiores lideranças mundiais em sustentabilidade, o neto do lendário pesquisador francês Jacques Cousteau debateu sobre aquecimento global e quais os caminhos que podem ser seguidos para frear esse processo por meio de mudanças de comportamentos e desenvolvimento de novas tecnologias.
Convidado pela Green Building Council Brasil (GBC-Brasil), Cousteau Jr. disse que é necessário repensar o planejamento urbano de Ilhabela. Segundo ele, a ocupação desordenada, a pesca excessiva, o despejo de resíduos sólidos e a emissão de carbono são responsáveis por prejudicar o ecossistema do local.
"Uma ilha é mais fácil de preservar, ao contrário do continente, onde é possível jogar lixo por toda a parte", disse. "É um problema grave. Não temos fiscalização e hoje é possível jogar lixo e pescar sem punição."
Exemplo. Cousteau, que também é correspondente internacional da rede de televisão CNN, disse que há interesse da GBC- Brasil em transformar Ilhabela em um laboratório de sustentabilidade.
A fundadora da organização, Thassanee Wanick, explica que pretende exportar o modelo para outros países, replicando esse exemplo.
"Se não conseguirmos realizar esse feito numa pequena ilha com uma população de 30 mil habitantes, não teremos esperança para transformar o mundo com 7 bilhões de pessoas em um lugar sustentável", afirmou ela.
O ativista foi questionado sobre sua posição com relação ao projeto do governo do Estado de ampliar o porto da vizinha cidade de São Sebastião, cujo processo de licenciamento ambiental está em curso.
"Já tenho conhecimento sobre o projeto do porto e acredito que não basta apenas bater o pé e dizer não. É necessário que se criem diálogos entre todos os segmentos envolvidos, agindo de forma positiva. A falta de uma visão conjunta gera conflitos. E o momento para agir é justamente agora."
Alcatrazes. Durante a 39.ª Semana Internacional de Vela, os velejadores também assinaram a petição pública para a recategorização do Arquipélago dos Alcatrazes, em São Sebastião. O objetivo é transformá-lo em um Parque Nacional Marinho.
A petição está sendo organizada pela organização não governamental Vivamar. O processo está em tramitação em Brasília.
O Arquipélago dos Alcatrazes, monitorado pela Marinha do Brasil, fica a 33 quilômetros da costa de São Sebastião e é considerado o maior reduto de aves marinhas do sudeste brasileiro. Por lá habitam espécies como fragatas, atobás, albatrozes e gaivotas. Há também diversas espécies endêmicas, como a perereca-de-alcatrazes.
O arquipélago também é rota de baleias de varias espécies, entre elas as baleias-de-bryde, que habitam o litoral paulista e ainda não foram devidamente estudadas pelos pesquisadores.
Fonte: Estadão Online

13 de jul de 2012

Renova Energia inaugura o maior complexo eólico da América Latina



Formado por 14 parques e 184 aerogeradores, o Alto Sertão I vai gerar 294MW de energia e recebeu investimento de R$ 1.2 bilhão.

A Renova Energia (RNEW11), primeira empresa dedicada à geração de energia renovável listada na BM&FBovespa, inaugurou no dia 09 de julho (segunda-feira), o Complexo Eólico Alto Sertão I. Considerado o maior do gênero na América Latina, o empreendimento irá gerar 294MW de energia, o que representa um incremento de 29,4% na matriz eólica do país, atualmente na ordem de 1GW.

O evento contou com a presença do governador do Estado da Bahia, Jacques Wagner, que ressaltou a importância de empreendimentos como o Complexo para aumentar a competitividade do Estado e se mostrou confiante na consolidação da Bahia como pólo de produção de energia eólica. “Esse é o maior parque eólico da América Latina, já nascemos grandes. Estamos em primeiro lugar na qualidade de vento, em produtividade e em aproveitamento”, destacou o governador.

O diretor presidente da Renova Energia, Mathias Becker, agradeceu o acolhimento das famílias das três cidades que detém os parques (Caetité, Guanambi e Igaporã) e ressaltou que os projetos para a região são de longo prazo. “Não vamos parar por aqui. Queremos contribuir para transformar a vocação natural da região em desenvolvimento econômico e social. Prova disso são as obras do próximo Complexo Eólico, que devem começar já em setembro deste ano. Além disso, estamos estudando um projeto para desenvolver energia solar complementar à eólica, que pode se tornar um caso pioneiro em todo o mundo”, afirmou Becker.

Localizado no sudoeste da Bahia nos municípios de Caetité, Guanambi e Igaporã, o empreendimento teve investimentos de R$ 1,2 bilhão e é composto por 14 parques, que tiveram sua energia comercializada para a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), no Leilão de Reserva de Energia (LER) de 2009. São 184 aerogeradores de 1,6MW e cada parque irar gerar, em média, até 30MW.

O complexo foi construído em 17 meses e foram envolvidos mais de 1.300 empregados, entre próprios e terceirizados. Foram pavimentados 68km de vias de acesso, implantadas 184 subestações unitárias de 690V/34.5kV, 104km de redes coletoras 34,5kV, além de 77,5 km de linha de transmissão 69Kv. A energia gerada pelo Complexo Alto Sertão I é suficiente para garantir o consumo de uma cidade com 540 mil residências ou cerca de 2,16 milhões de habitantes, considerando quatro pessoas por residência.

Compromisso – O Complexo Eólico Alto Sertão estava apto para operar em 1º de julho de 2012, mas antes da data todos os parques estavam prontos entrar em funcionamento. “Consideramos o empreendimento um case de sucesso em execução porque além de termos conseguido antecipar a data da entrega, o projeto teve rentabilidade acima da estimada inicialmente”, afirma Mathias.

Com a entrega destes parques, a Renova se prepara para mais uma etapa de obras e investimentos na Bahia. Em pouco mais de dois anos, outros 15 parques eólicos serão inaugurados: seis em 2013, com capacidade de 163MW de potência instalada; e nove parques em 2014, com capacidade para gerar até 212MW. Os parques foram contratados pela Renova durante os leilões de 2010 e 2011, respectivamente, e os contratos, formalizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), têm prazo de 20 anos.

Sustentabilidade - A chegada da Renova à região impulsionou a economia local, tanto pelo aumento dos tributos arrecadados, como pela geração de receita com a mão de obra utilizada na construção do empreendimento. Além disto, como parte de sua política de responsabilidade social e ambiental, a empresa desenvolveu um portfólio de projetos que vão garantir o desenvolvimento sustentável dos negócios, ao mesmo tempo em que traz benefícios para toda a sociedade. Para colocar em prática esta política, a Renova Energia está investindo R$9,4 milhões no Programa Catavento, iniciativa que reúne 20 projetos sociais.

O Catavento nasceu a partir da execução dos projetos socioambientais que permeiam a implantação dos parques eólicos há dois anos, como o Programa de Educação Ambiental Território do Saber. A iniciativa é resultado do engajamento da companhia nas causas de interesse público em toda a área que compreende as três cidades, apoiada em uma rede de colaboração responsável pela elaboração e andamento de todas dos 20 projetos que compõem o programa.

A primeira fase da iniciativa prevê investimentos ao longo do biênio 2012-2013, nas áreas socioeconômica, cultural, de meio ambiente e de desenvolvimento organizacional. O recurso, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), será investido em ações gradativas, priorizando as áreas de implantação dos Parques, estendendo-se à percepção territorial.

Além de criar novas propostas para as comunidades que estão recebendo os parques eólicos, o Catavento também dará continuidade a ações já existentes nessas áreas - em processo de planejamento ou de execução. A intenção é somar esforços e viabilizar o que já foi diagnosticado e organizado pela própria comunidade, para materializar as ações com mais celeridade.

Entre os projetos abarcados nesta primeira fase do Programa Catavento, estão o Plano Museológico Museu de Arqueologia do Alto Sertão da Bahia (MASB), o Festival de Artes Cênicas da Casa Anísio Teixeira (Festcasa), oficinas de música e teatro, capacitação profissional, recuperação e preservação de mananciais de abastecimento público, compostagem, um plano de desenvolvimento de cadeias produtivas locais, construção de usina para beneficiamento de culturas regionais e apicultura, construção de um laboratório fitoterápico, ações de empreendedorismo e assessoria técnica rural, entre outros.

A Renova Energia é uma das maiores companhia de geração de energia por fontes renováveis do Brasil. A empresa é líder em energia eólica contratada com 1.069MW, sendo 669MW de capacidade contratada no mercado regulado e 400MW no mercado livre. A Renova está construindo no interior da Bahia o maior complexo eólico do País.

A Renova desenvolve projetos de forma integrada, desde a prospecção até a implantação e operação de seu parque gerador. Nos seus 11 anos de existência, o Grupo Renova investiu na formação de uma equipe multidisciplinar e altamente capacitada formada por profissionais com grande experiência do setor de energia do Brasil.

Em julho de 2010, a Renova fez seu IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) tendo sido listada no Nível 2 de governança corporativa da BM&FBovespa onde atua sob o código RNEW11. É a única empresa dedicada à geração energia renovável do Brasil a negociar ações no mercado de capitais. Desde seu IPO até janeiro de 2012 as ações da Renova tiveram uma valorização de cerca de 74,3%. Segundo notícia veiculada em novembro de 2011 por revistas especializadas, foi uma das dez ações da BM&FBovespa que mais se valorizaram após o IPO.

Fonte: Portal Fator Brasil

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Desmatamento na Amazônia - Divulgação
Desmatamento na Amazônia. Foto: Reprodução
As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.
Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.
É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.
Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma –, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.
Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”
Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.
Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.
Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.
Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”
Fonte: Estadão Online

12 de jul de 2012

Brasil tem o equivalente a duas Franças em áreas degradadas, diz Ministério do Meio Ambiente


Foto: Reprodução

Se o Brasil recuperasse suas áreas degradadas – terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas – não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para a agropecuária. A avaliação é de técnicos e pesquisadores reunidos nesta quarta-feira (11), durante o 9º Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (9º Sinrad), que ocorre no Rio até dia 13.
O diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernando Tatagiba, estimou em até 140 milhões de hectares o total de terras nessa situação no país, área superior a duas vezes o tamanho da França. O ministério está finalizando seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas.
“Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade. Não existe um número preciso [de terras degradadas], mas gira em torno de 140 milhões de hectares. É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural”, disse Tatagiba.
Segundo o diretor, existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país. “Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre]”, explicou.
Tatagiba considerou que se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada.
“Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare]”, comparou Tatagiba.
Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradação das terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária.
“Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo.” 
Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil

11 de jul de 2012

País carece de lei para serviços ambientais

Cachoeira do Macaco, Estação Ecológica Jureia, no litoral sul de São Paulo - Sebastião Moreira/AE
Cachoeira do Macaco, Estação Ecológica Jureia, no litoral sul de São Paulo.  Sebastião Moreira/AE 
O Brasil está relativamente bem servido de iniciativas estaduais de pagamento por serviços ambientais (PSA), mas carece de uma lei federal que dê segurança jurídica e padronização técnica a essas iniciativas. Essa é a mensagem de um estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), com um levantamento de todas as leis já vigentes ou em processo de elaboração sobre PSA no Brasil (veja aqui a íntegra do estudo "Marco Regulatório sobre Pagamento por Serviços Ambientais no Brasil"). Olhando especificamente para serviços ambientais relacionados a florestas (como conservação da biodiversidade, armazenamento de carbono, proteção de nascentes e produção de chuvas), os pesquisadores identificaram 28 iniciativas legislativas, sendo 8 federais e 20 estaduais, distribuídas por oito Estados.

“É muito positivo ver tantos Estados com projetos nessa área”, diz o coordenador do Programa de Política e Economia Ambiental do GVces, Guarany Osório. “Mas a ausência de um marco federal causa uma certa insegurança.”
Das oito iniciativas federais, apenas duas são leis – a do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima e a do Programa Bolsa Verde –, acompanhadas de seus respectivos decretos. As outras quatro são projetos de lei – entre eles, apenas um que trata de PSA de forma mais abrangente, o PL 792/2007, que criaria a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais.
Segundo a pesquisadora Priscilla Santos, do Imazon, é essencial que as discussões sobre leis federais “dialoguem” com aquilo que já está acontecendo nos Estados. Tanto no sentido de incorporar boas experiências quanto de evitar erros e corrigir eventuais deficiências, sem criar conflitos de poderes.
Especialmente considerando que as iniciativas estaduais são bastante variadas em escopo e formatação. “As abordagens são diferentes porque as realidades são diferentes”, diz Priscilla. “Não há fórmula única, mas deve haver critérios mínimos a serem respeitados.” Por exemplo, com relação a fontes orçamentárias, salvaguardas socioambientais e critérios técnicos de validação e verificação dos projetos.
Exemplo paulista. Várias das iniciativas de PSA estaduais estão ligadas a políticas de clima e conservação florestal. São Paulo, por exemplo, não tem uma política específica de PSA, mas inclui o pagamento por serviços ambientais como um dos instrumentos de ação da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), de 2009.
O primeiro projeto criado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) nessa área é o Mina D’Água, lançado em 2011, que prevê o pagamento pela conservação de nascentes importantes para o abastecimento público. Segundo Helena Carrascosa, assessora técnica da Sema, o Estado está trabalhando com 21 prefeituras, várias das quais já estão assinando contratos com proprietários de terras interessados no benefício.
Mais de R$ 3 milhões estão reservados para o projeto, oriundos do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop). O valor que cada proprietário poderá receber varia de R$ 75 a R$ 300 por nascente/ano, dependendo da importância e do estado de conservação da nascente. “Não estamos pagando pela água produzida”, explica Carrascosa. “Estamos pagando pelo serviço de manter a nascente funcionando.”
O valor é pequeno, reconhece ela, mas pode ser maior do que o recebido pelo arrendamento de um hectare para pastagem de gado, por exemplo.
Outro projeto que está sendo desenvolvido envolve pagamento pelos serviços ambientais de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que são áreas protegidas de caráter privado, criadas de maneira voluntária. Cada proprietário poderá receber entre R$190 e R$ 300 por hectare/ano, com base na identificação de ameaças à RPPN e na elaboração de um plano de ação para evitá-las.
A ideia é que o projeto ajude na conservação das reservas existentes e sirva de incentivo econômico para a criação de mais RPPNs, segundo a diretora adjunta da Fundação Florestal, Wanda Maldonado. O primeiro edital, o valor de R$ 4,1 milhões, deverá ser lançado até outubro.

Fonte: Estadão Online

10 de jul de 2012

Pesca excessiva ameaça 30% das populações de peixes, afirma ONU


Pescadores trabalham na Indonésia nesta segunda-feira (9). Segundo relatório da FAO, pesca excessiva já afeta 30% das populações de peixes no mundo. (Foto: Sonny Tumbelaka/AFP)
Pescadores da Indonésia coletam exemplares de atum nesta segunda-feira (9). Segundo relatório da FAO, pesca excessiva já afeta 30% das populações de peixes no mundo. (Foto: Sonny Tumbelaka/AFP)

Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) informou que a comunidade internacional tem que fazer mais para garantir a pesca sustentável no mundo e alertou que quase 30% das populações de peixes correm risco de desaparecer devido à pesca excessiva.
No documento, divulgado nesta segunda-feira (9), a entidade afirma que muitas das populações marinhas, mesmo aquelas já monitoradas pela FAO, continuam sofrendo uma grande pressão. “A superexploração não afeta somente de forma negativa o meio ambiente, mas também reduz a produção pesqueira, com efeitos negativos sociais e econômicos”.
Segundo a agência da ONU, para aumentar a contribuição da pesca marinha à segurança alimentar, às economias e ao bem-estar das comunidades costeiras, é necessário aplicar planos eficazes para reestabelecer as populações de peixes afetados pela sobrepesca.
De acordo com estatísticas apresentadas pelo órgão, cerca de 57% dos peixes estão totalmente explorados (ou seja, o limite sustentável já está próximo de ser atingido) e apenas 13% não estão totalmente explorados. “É necessário fortalecer a governança e ordenar de forma eficaz a pesca”, disse.
Dados da FAO de 2012 mostram que o setor pesqueiro produziu a cifra recorde de 128 milhões de toneladas de pescado para consumo humano – uma média de 18,4 kg por pessoa – proporcionando 15% da ingestão de proteína animal a mais de 4,3 milhões de pessoas. Além disso, o setor emprega atualmente 55 milhões de pessoas.
O relatório da ONU sustenta que o fomento à pesca e à piscicultura sustentáveis pode incentivar a administração de ecossistemas em larga escala e defende mecanismos como a adoção de um sistema de pesca e aquicultura mais justos e responsáveis.
Proteção dos oceanos foi tema da Rio+20
A proteção à biodiversidade marinha foi um dos principais temas debatidos pelos 188 países reunidos durante a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho.

Um dos resultados definidos no documento “O futuro que queremos”, fruto das negociações diplomáticas, é a adoção de um novo instrumento internacional sob a Convenção da ONU sobre os Direitos do Mar (Unclos), para uso sustentável da biodiversidade e conservação em alto mar.
O documento prevê ainda, entre outras medidas, a criação de um fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável dentro da ONU, além de reafirmar um dos Princípios do Rio, criado em 1992, sobre as “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”. Este princípio significa que os países ricos devem investir mais no desenvolvimento sustentável por terem degradado mais o meio ambiente durante séculos.
Outra medida aprovada é o fortalecimento do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma) e o estabelecimento da erradicação da pobreza como o maior desafio global do planeta. Para isso, o documento recomenda que “o Sistema da ONU, em cooperação com doadores relevantes e organizações internacionais”, facilite a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento.
Esse sistema atuaria para facilitar o encontro entre países interessados e potenciais parceiros, ceder ferramentas para a aplicação de políticas de desenvolvimento sustentável, fornecer bons exemplos de políticas nessas áreas e informar sobre metodologias para avaliar essas políticas
Fonte: G1


Nordeste terá 1ª indústria do Brasil de combustível feito com algas


Alga genéticamente modificada (Foto: Divulgação/See Algae Technology)
Bioquímicos de algas geneticamente modificadas ajudam a reduzir as emissões de carbono para a atmosfera (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

O estado de Pernambuco, no Nordeste, deve receber a partir do último trimestre de 2013 a primeira planta industrial de biocombustível produzido com algas marinhas, que promete contribuir na redução do envio de CO2 à atmosfera.
O projeto, uma parceria entre o grupo brasileiro JB, produtor de etanol no Nordeste, e a empresa See Algae Technology (SAT), da Áustria, contará com investimento de 8 milhões de euros (R$ 19,8 milhões) para montar em Vitória de Santo Antão – a 53 km de Recife -- uma fazenda vertical de algas geneticamente modificadas e que vão crescer com a ajuda do sol e de emissões de dióxido de carbono (CO2)

Segunda a empresa, é a primeira vez no mundo que este tipo de combustível será fabricado e comercializado. Atualmente, a tecnologia só é desenvolvida para fins científicos. Laboratórios dos Estados Unidos e até mesmo do Brasil já pesquisam a respeito.

No caso da usina pernambucana, o biocombustível será produzido com a ajuda do carbono proveniente da produção de etanol, evitando que o gás poluente seja liberado na atmosfera e reduzindo os efeitos da mudança climática.
De acordo com Rafael Bianchini, diretor da SAT no Brasil, a unidade terá capacidade de produzir 1,2 milhão de litros de biodiesel ou 2,2, milhões de litros de etanol ao ano a partir de um hectare de algas plantadas.
O produto resultante poderá substituir, por exemplo, o biodiesel de soja, dendê, palma ou outros itens que podem ser utilizados na indústria alimentícia aplicado no diesel -- atualmente 5% do combustível é biodiesel.
“É uma reciclagem [do CO2 emitido] e transformação em combustível. Um hectare de algas consome 5 mil toneladas de dióxido de carbono ao ano. O CO2, que é o vilão do clima, passa a ser matéria-prima valorizada”, explica Bianchini.
Mas como funciona?
Em vez de criações de algas expostas, a SAT planeja instalar módulos fechados com até cinco metros de altura que vão receber por meio de fibra óptica a luz do sol (capturada por placas solares instaladas no teto da usina). Além disso, há a injeção de CO2 resultante do processo de fabricação do etanol de cana.

De acordo com Carlos Beltrão, diretor-presidente do grupo JB, a previsão é que projeto comece a funcionar a partir de 2014 e seja replicado para outra unidade, instalada em Linhares, no Espírito Santo. “Hoje nossa missão é tentar trabalhar e chegar ao carbono zero. Nós produzimos CO2 suficiente para multiplicar esse investimento em dez vezes”, disse Beltrão.

O biocombustível de algas ainda precisa ser aprovado e validado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Bioquímicos
Além dos combustíveis, outros produtos resultantes do processamento de algas marinhas geneticamente modificadas são os bioquímicos como o ácido graxo ômega 3, utilizados pela indústria alimentícia e de cosméticos

O ômega 3, que contribui para reduzir os níveis de colesterol no corpo humano e combate inflamações, é normalmente encontrado em óleos vegetais ou em peixes.
Com a extração desse ácido das algas processadas e comercialização com empresas brasileiras, Bianchini espera contribuir com a redução da pesca de espécies marinhas que já sofrem com o impacto das atividades predatórias. “Seria uma alternativa para reduzir a sobrepesca e também para não haver mais dependência somente do peixe”, disse
Fonte: G1



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