29 de jun de 2012

Ministra do Meio Ambiente defende usinas hidrelétricas na Amazônia


Barragem construída pela Norte Energia corta Rio Xingu, na região de Altamira, no Pará (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)
Barragem construída pela Norte Energia corta Rio
Xingu, na região de Altamira, no Pará
(Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu nesta quarta-feira (27) as hidrelétricas construídas na Amazônia como meio de tornar a matriz energética brasileira mais limpa.
"Somos um país de matriz limpa e renovável, e isso não pesa nada [em termos de competitividade global]. O governo estimula esses investimentos, para aproveitar potencial hídrico na Amazônia, e somos condenados em todos os fóruns. Tem empresa do setor que está sendo condenada por ser sócia de empreendimento hidrelétrico na Amazônia. Isso não tem sentido", afirmou a ministra durante debate sobre economia verde no 23º Congresso Brasileiro do Aço, em São Paulo. "Se não está bem feito, aí é outra questão, que precisa ser analisada", disse.
Em outro momento da palestra, Izabella ressaltou que o debate sobre a necessidade de promover estímulos para aqueles que emitem menos gases poluentes, em vez de apenas taxar os maiores emissores, não alcançou a sociedade brasileira.
"Em vez disso preferiram discutir se estamos ampliando ou reduzindo unidades de conservação. Se somados, ampliamos mais do que diminuímos [as unidades] para aumentar potencial de energia renovável", afirmou. Recentemente, unidades de preservação foram reduzidas na Amazônia para permitir a execução do projeto da usina de Tapajós.
Critérios ambientais globais devem ser adaptados ao país
Para Izabella, é necessário estabelecer parâmetros globais para que o Brasil possa saber como vai competir em um mundo em que o debate ambiental é global.

A tendência, disse, é que cada vez mais na legislação brasileira esteja presente exigência de que importações obedeçam aos mesmos critérios ambientais observados no Brasil.
Mas, ressalvou ao comentar a questão das hidrelétricas, é preciso ter cuidado com barreiras tarifárias, para não deixar que sejam usadas como instrumentos de proteção comercial, alheios "ao que é determinante nesse projeto de capitalismo sustentável".
Fonte: G1

São Paulo teria poluição 75% maior se metrô parasse um ano, diz estudo


Movimento tranquilo no trecho da Linha 1 - Azul do Metrô que funcionou na manhã desta quarta-feira (Foto: Juliana Cardilli/G1)
Se São Paulo ficasse sem metrô durante um ano, número de mortes por poluição aumentaria, assim como gasto público com saúde. (Foto: Juliana Cardilli/G1)

Pesquisa realizada por especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que se o metrô de São Paulo deixasse de funcionar durante um ano inteiro, a concentração de poluentes na capital paulista aumentaria 75% e as mortes causadas por problemas cardiorrespiratórios cresceriam entre 9% e 14%. Além de todos esses problemas, o município teria que desembolsar US$ 18 bilhões com investimentos voltados à saúde pública.
Para chegar a estes dados, cientistas compararam o nível de poluição no ar de São Paulo em dias normais e em dias de greve de metroviários – uma que ocorreu em 2003 e outra em 2006. Também analisaram as mortes adicionais nos dias de paralisação e calcularam a perda de produtividade que isso representa.
Em 2003, a concentração de poluentes em um dia normal foi de 41 microgramas por metro cúbico (µ/m³). No dia da greve o número saltou para 101,49 µ/m³. Foi encontrado o equivalente a oito mortes adicionais associadas à poluição durante a paralisação, o que representa aumento de 14% e um custo de US$ 50 milhões.
No ano de 2006, o impacto encontrado foi menor. A concentração de poluição saltou de 43.99 µ/m3 no dia controle para 78.02 µ/m³ durante a greve. As mortes adicionais foram seis, o que corresponde a um aumento de quase 9% e a uma perda de produtividade de US$ 36 milhões.
Com base nesses resultados, os pesquisadores fizeram uma estimativa do custo para a saúde caso o metrô ficasse um ano inteiro sem funcionar. O resultado foi de US$ 18 bilhões.
Transporte público x Transporte individual
Segundo dados do Instituto Nacional de Análise Integrada do Risco Ambiental (Inaira), 90% da poluição atmosférica em São Paulo é gerada por carros, motos e caminhões. O transporte individual é responsável por 45% dos deslocamentos na cidade, enquanto o transporte público corresponde a 55%.

Entre os meios de transporte de massa, os ônibus são responsáveis por levar 71% dos passageiros, o metrô fica com 24% e o trem, com 5%. De acordo com os pesquisadores, enquanto três pistas de carro em uma avenida como a marginal do rio Tietê têm capacidade de transportar 5,45 mil passageiros por hora, uma pista de ônibus leva até 6,7 mil pessoas e um trilho de metrô, 60 mil.
Fonte: G1

28 de jun de 2012

Educação ambiental é falha no Brasil


foto: reprodução


Quem não ouviu falar da Rio+20? Por duas semanas, representantes do mundo todo estiveram no Brasil discutindo soluções para problemas como a emissão de gases poluentes, o desmatamento, a carência de água potável e o descarte de lixo, entre outros temas cuja resolução depende, fundamentalmente, da formação de cidadãos conscientes e comprometidos.
Mas o que as escolas têm ensinado sobre o assunto? Apesar de haver legislação sobre educação ambiental e materiais específicos produzidos pelo Ministério e pelas Secretarias de Educação, será que o conteúdo é trabalhado em sala de aula?
Foi com essa inquietação que a bióloga Claudia Ferreira, também professora de metodologia de ensino ambiental, saiu a campo em escolas públicas de São Paulo.
"Minha constatação foi de que no papel é tudo bonito, mas, na da sala de aula, o material é deixado de lado. Seja pela falta de habilidade e conhecimento do professor, seja pela infraestrutura do sistema", afirma a pesquisadora, que defendeu sua tese de doutorado sobre o tema neste ano na Faculdade de Educação da USP.
Durante dois anos, 2009 e 2010, ela frequentou três escolas estaduais da capital paulista: acompanhou reuniões de planejamento pedagógico, conversou com pais, entrevistou docentes e assistiu a aulas que dão o cenário da situação.
Exemplos. Numa sala de 8.ª série (9.º ano do ensino fundamental), a professora de geografia pediu que os alunos lessem um texto sobre o Fórum Social Mundial e escrevessem sobre o tema. Em outra escola, a docente de ciências desistiu de levar os alunos da 5.ª série (6.º ano) ao jardim interno da escola, apesar da recomendação do material didático. Alegou que dava muito trabalho retirar 47 alunos da sala.
Há casos, é claro, de professores que se esforçam bastante, explica a pesquisadora, mas mesmo assim não conseguem abordar o tema de forma que instigue os alunos. E o motivo não é o desinteresse prévio dos estudantes, mas o tipo de abordagem.
"A criança e o adolescente são muito interessados, mas querem atividades que façam sentido", afirma Claudia. Na pesquisa, ela narra o caso de uma aluna que levou um caranguejo morto à aula de ciências. A partir do inusitado, a professora decidiu falar sobre os crustáceos e recebeu total audiência da sala.
Infraestrutura. O caso aponta a um outro problema frequente: a carência de laboratórios e de biblioteca com acervo diversificado. Sem esse aparato, dizem os professores, eles acabam por tratar o conteúdo de forma teórica e em salas superlotadas, que chegam a abrigar 50 alunos.
Para mudar isso, diz a educadora, é preciso, antes de tudo, que os órgãos governamentais capacitem os professores e produzam os materiais pedagógicos tendo em vista as sugestões desses profissionais que vivem o dia a dia da sala de aula.
Em segundo lugar, é preciso garantir que o tema perpasse o conteúdo de todas as disciplinas, conforme prevê a lei. "O diretor e o coordenador pedagógico não podem ignorar o tema. Eles precisam se responsabilizar em incluí-lo no planejamento anual", afirma.
Por último, o aluno deve ser convidado para essa conversa, para que isso faça sentida na vida dele. O indicado é que a equipe administrativa e de professores, com a participação dos estudantes, faça uma sondagem de situações-problemas, de necessidades e de interesses específicos daquela comunidade escolar no que se refere ao temas ambientais. A partir daí, é natural que os desafios se traduzam em ações conscientes.
"Em uma das escolas que visitei, um pai me disse: 'Meu filho aprendeu na aula e me ensinou como economizar energia no banho'. É isso. Quando faz benfeito, a escola afeta a comunidade, contamina todo mundo", conclui a pesquisadora.
Fonte: Estadão.com

27 de jun de 2012

Governo muda limites de unidades de preservação para viabilizar usinas

Usina Hidrelétrica Santo Antônio está gerando energia desde março deste ano (Foto: Divulgação/Santo Antônio Energia)
Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia (Foto: Divulgação/Santo Antônio Energia)



O Diário Oficial da União desta terça-feira (26) publicou uma alteração nos limites de oito unidades de preservação ambientais localizadas na região da Amazônia. Um dos objetivos da mudança é viabilizar a construção de usinas hidrelétricas no Complexo do Tapajós, no Pará, e também da usina de Santo Antônio, em Rondônia.

Com a redefinição dos limites, áreas que antes eram protegidas por lei poderão ser alagadas pelas represas dessas usinas. Em contrapartida, as unidades de preservação serão ampliadas em outros pontos.


Na soma das oito unidades remarcadas, 164.480 hectares perderam o status de área protegida, mas 185.419 hectares foram incorporados. Ou seja, as áreas protegidas tiveram um aumento líquido de 20.939 hectares.
“Nós não iríamos autorizar sem que houvesse a redefinição dos limites”, garantiu Roberto Vizentin, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente que participou do processo de redefinição dos limites. “É uma perda calculada, a gente perdeu de um lado e ganhou do outro”, definiu.
Segundo Vizentin, foi feito um estudo de campo para garantir que as novas áreas incorporadas às unidades de preservação tenham biodiversidade semelhante à das áreas inundadas, para evitar a perda de espécies ameaçadas.
Além da construção das hidrelétricas, a presença de trabalhadores rurais na região também motivou a alteração dos limites. Vizentin contou que comunidades tradicionais ocupavam a área havia muito tempo, antes mesmo da demarcação das unidades de preservação, e que essas áreas deixaram de ser protegidas para permitir a regularização das terras.
“É uma medida de natureza mais social que qualquer outro tipo de flexibilização para legalizar grilagem de terras em unidades de conservação. Não se confundem as coisas”, afirmou o presidente da ICMBio.
As unidades afetadas pela medida que entrou em vigor nesta terça são os Parques Nacionais da Amazônia (PA e AM), dos Campos Amazônicos (AM, RO e MT) e Mapinguari (RO), as Florestas Nacionais de Itaituba I (PA), Itaituba II (PA), do Crepori (PA) e do Tapajós (PA) e a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (PA).
Fonte: G1

26 de jun de 2012

Evento Limpo e Respect Lost Festival 2012

Centro de Triagem de Resíduos (CTR)
A Physis SDA esteve presente no evento Respect Lost Festival 2012 levando o projeto Evento Limpo® que teve como objetivo destinar corretamente todos os resíduos gerados durante o evento. 

Além de montar o Centro de Triagem de Resíduos (CTR), o Festival também teve ações de educação ambiental através da distribuição de cinzeiros portáteis, distribuição de sementes (Plante Árvores do Brasil), decoração com reaproveitamento de materiais, construção das estruturas do evento com materiais biodegradáveis, dentre outros. 

Durante todo o evento o CTR esteve em ação com a participação da Cooperativa de Cananéia, todos os resíduos gerados foram triados e armazenados para serem encaminhados à Cooperativa. Foram envidados para a reciclagem um total de 300kg de material reciclável.


composteira
O óleo de cozinha gerado pelos restaurantes também foi encaminhado para a reciclagem e os resíduos orgânicos gerados na cozinha comunitária do camping foram colocados na composteira, ao lado da própria cozinha, pra virar adubo.



O evento também contou com a distribuição de cinzeiros portáteis para todos os participantes. Esta ação evitou que as bitucas fossem jogadas na praia.

Cinzeiros portáteis
Os cinzeiros foram entregues sem tampa para que o público reaproveitasse as tampas de garrafas d´água consumidas durante a festa.





Estrutura feita com materiais biodegradáveis (Foto: Isaac Braga)







Decoração com reaproveitamento de materiais





















22 de jun de 2012

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20 de jun de 2012

Público não sabe diferenciar lixo reciclável e orgânico na Rio+20


Lixeiras e setas no chão indicam os caminhos no Parque  (Fabrizia Granatieri)

Lixeiras espalhadas em diferentes pontos da cidade confundem quem não está acostumado a separar resíduos sólidos

A cena se repete diversas vezes ao longo dos dias no Parque dos Atletas, no Rio. Ao se direcionarem até as lixeiras, muitas pessoas ficam na dúvida onde devem jogar o seu lixo. A de cor azul é a para material reciclável e a de cor cinza para o não reciclável.
Na teoria, a primeira deveria receber papeis, vidros e plástico enquanto que a segunda, apenas material orgânico. Mas o que se percebe é que muita gente não faz ideia do que possa ser reaproveitado. “Deveria ter pessoas da Comlurb aqui para nos ensinar a separa o lixo corretamente”, disse a estudante Aline Matias, de 18 anos
A auxiliar de limpeza do Parque dos Atletas Ana Beatriz do Rosário conta que copos plásticos e pratos usados na alimentação pó estarem sujos não podem ser depositados na lixeira destinada aos recicláveis. “Não há coleta seletiva para a população do Rio. Por isso, esta confusão. Realmente não estamos habituados a encarar o lixo de forma diferenciada”, disse.
Fonte: IG

14 de jun de 2012

Bicicletas de bambu são a novidade nas ruas de São Paulo


As bicicletas de bambu começaram a andar pela cidade de São Paulo. Elas fazem parte do "Escolas de Bicicleta", um projeto criado pela Secretaria Municipal de Educação que tem como proposta formar ciclistas urbanos.

Bambu móvel
Lilian Borges/Divulgação
Detalhe do 'quadro' das bikes sustentáveis feitas de bambu
Detalhe do 'quadro' das bikes sustentáveis feitas de bambu
O bambu é um dos materiais mais sustentáveis do mundo. Bonito, resistente e renovável, já conquistou seu espaço em grandes construções e começa a ser
pensado também como alternativa para outros meios.
Curioso pensar, contudo, que no distante ano de 1995 (quando não se discutia diariamente o futuro do planeta) o designer brasileiro Flávio Deslandes criou os quadros (a estrutura central da bicicleta) de bambu.
Além de incentivar o uso de um material natural, a ideia já estimulava que a população andasse menos de carro, produzisse menos poluição e consequentemente, tivesse uma vida mais saudável.
As bicicletas, atualmente, estão sendo construídas dentro do Centro Educacional Unificado (CEU) Jardim Paulistano.

Lilian Borges/Divulgação
Alunos e monitor fazem percurso casa-CEU-casa com segurança em bikes de bambu
Alunos e monitor fazem percurso casa-CEU-casa com segurança em bikes de bambu
Escolas de Bicicleta
O projeto "Escolas de Bicicleta" é destinado a estudantes dos CEUs que tenham entre 12 e 14 anos.
O programa visa ensinar e preparar os jovens a se locomoverem no percurso casa-CEU-casa sem correr nenhum tipo de risco.
Acompanhados por um monitor, os grupos são formados por cerca de 15 alunos. Depois de um mês de aula, eles recebem um certificado que os aprova a fazer o trajeto com os colegas.
Além das bicicletas e do certificado, os alunos recebem um kit com capacete, iluminação, colete refletivo, bagageiro e alforje (um tipo de sacola), buzina, retrovisor e cadeado.
O dinamarquês Mikael Colville-Andersen, especialista em mobilidade urbana, é um dos responsáveis pelo sucesso da proposta. Ele criou o conceito em seu país natal e espera inspirar outras cidades do mundo.

Futuro
O desejo do projeto é, até dezembro de 2012, equipar todos os CEUs da cidade e formar cerca de 4,6 mil novos ciclistas.

Fonte: Folha.com

13 de jun de 2012

Pesquisa diz que agricultura orgânica não é 'necessariamente sustentável'


Plantação de orgânicos na França (Foto: Hauser Patrice/Hemis.fr/AFP/arquivo)
Plantação de orgânicos na França (Foto: Hauser Patrice/Hemis.fr/AFP/arquivo)

Produção é menor, logo a área ocupada é maior, diz estudo.
Técnica não usa agrotóxicos e tem a defesa do solo como objetivo.


A agricultura orgânica, que não utiliza agrotóxicos nem a modificação genética das espécies cultivadas, não é necessariamente a forma mais sustentável de plantio, segundo uma pesquisa.
Essa conclusão pode parecer um contrassenso, já que um dos objetivos da técnica é proteger o meio ambiente. “A agricultura orgânica é um sistema de produção que sustenta a saúde dos solos, dos ecossistemas e das pessoas”, define a Federação Internacional dos Movimentos pela Agricultura Orgânica.
O processo, no entanto, não tem a mesma produtividade que a agricultura convencional, o que pode ser problemático. Uma pesquisa britânica feita recentemente mostrou que a produção orgânica pode ser até 50% menor, logo ocupa maior área de terra para obter os mesmos resultados.
Tim Benton, da Universidade de Leeds, foi um dos autores da pesquisa, e não está convencido de que os orgânicos sejam o futuro da agricultura. Ele participou de um debate sobre segurança alimentar no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), às vésperas da Rio+20.
“Ela [a agricultura orgânica] não é necessariamente mais sustentável do que a agricultura convencional, se você administrar a agricultura convencional corretamente”, afirmou Benton.
“Se a demanda cresce ou se mantém a mesma, e você reduz a produção, você precisa de mais terra para produzir a mesma quantidade de comida. Essa terra a mais tem um custo ecológico. Se as terras agrícolas já estão ocupadas, será preciso derrubar as florestas, o que se torna completamente contraprodutivo. Essa é a base do argumento”, explicou.
O pesquisador ressaltou, no entanto, que um tipo de agricultura não é necessariamente mais sustentável que o outro, e que cada caso é um caso. É preciso avaliar a dimensão do ganho de produtividade obtido por tipo de fertilizantes ou defensivos agrícolas que poluem a terra, assim como a quantidade de combustível queimado no transporte dos alimentos, entre outros fatores.
No futuro, Benton acredita que os orgânicos deixarão uma herança para a agricultura convencional, mas não tomarão o lugar dela.
“Imagino uma situação, dentro de 20 ou 30 anos, em que a agricultura convencional será muito mais verde do que é hoje, mas mantendo a alta produtividade, enquanto, na direção contrária, a agricultura orgânica atingir a alta produtividade vai ser realmente difícil”, previu o pesquisador.
Como a escolha pelos alimentos cabe ao consumidor, ele é uma parte importante do processo para tornar a agricultura mais sustentável. Segundo Benton, há várias pesquisas que tentam encontrar uma dieta que seja, ao mesmo tempo, saudável e sustentável.
“A questão não é qual é a dieta ideal, mas como incentivar as pessoas a comer a dieta ideal. O que tendemos a fazer é maximizar nosso prazer. Não tomamos decisões racionais. Muitos de nós fazemos coisas que sabemos que não são saudáveis: bebemos demais, comemos demais, fumamos e não fazemos exercícios”, ponderou o pesquisador.
Fonte: G1

12 de jun de 2012

Arquiteta alerta para impacto ambiental gerado por prédios

Viviane Cunha, responsável por selo ambiental, diz que é errada a ideia de que produto sustentável é mais caro
Viviane Cunha, responsável por selo ambiental, diz que é errada a ideia de que produto sustentável é mais caro

Grande parte do impacto ambiental gerado pelos prédios é causado pela falta de conhecimento de arquitetos e engenheiros. A análise é da arquiteta Viviane Cunha, 48, responsável por avaliar edifícios que ambicionam o selo inglês Breeam, primeiro certificado ambiental do mundo, criado logo após a Eco-92.

"As faculdades não tinham e, muitas, ainda não têm esse tipo de informação. Se juntar dez arquitetos para explicar o que é madeira certificada, aposto que nove não vão saber. Ou vão dizer que sabem e vão falar absurdos. Geramos muito impacto por ignorância", disse ela.

Na sua avaliação, as pessoas ignoram o impacto que os materiais produzem. "Não sabem, por exemplo, que o cimento está relacionado com a emissão de CO2. E todo mundo usa. Quem faz uma obra em casa sem cimento?"

Cunha é uma das escolhidas para falar no máximo 18 minutos no TEDxRio+20, que ocorre nesta segunda (11) e terça-feira (12) no Forte de Copacabana, no Rio. O encontro terá como tema central o poder humano e como ele pode ser usado para solucionar problemas do mundo.

Para ela, a forma de produção de prédios no Brasil não ajuda a construção sustentável. Ao comparar o trabalho do arquiteto inglês Norman Foster, responsável pela torre Gherkin em Londres, ela diz que o processo de criação brasileiro "dá pena".

"[O Gherkin] Tem todos os losangos da janelas do mesmo tamanho, para facilitar a produção. Existe toda uma técnica. Estamos em outro patamar, é para humilhar a gente. [Aqui] Você acaba o estudo, o cliente já quer começar a obra. Detalha tudo enquanto a obra está começando, muda as coisas no meio."

Apesar disso, Cunha é otimista. Ela diz ver aumento no interesse por prédios sustentáveis. Para ela, grandes empresas buscam selos verdes para suas sedes para obter "credibilidade à imagem". "Não é o motivo ideal. Mas o importante é que estão procurando", afirma ela.

A arquiteta foi a primeira na América Latina a se tornar avaliadora do Breeam (Método de Avaliação Ambiental do Estabelecimento de Pesquisa para Edifícios).

A certificação ambiental considera nove pontos das construções para avaliar sua sustentabilidade. As principais são uso da energia, saúde e bem estar no imóvel, e materiais utilizados.

Para Cunha, professora da FGV-RJ (Fundação Getúlio Vargas), o principal empecilho para a tecnologia verde é a falsa ideia de que a sustentabilidade é cara.

"Se os produtos não sustentáveis estão gerando impacto, isso tem um custo depois indiretamente. E não anda demorando a aparecer. Há hotéis imensos que não usam a fama de sustentável que estão trocando as lâmpadas para LED, reuso de água de chuva, porque a médio prazo são mais econômicos", afirmou.

RIO+20

Cunha afirma estar otimista com a realização da Rio+20. Ela diz não esperar resultados práticos, mas que o debate estimule o surgimento de iniciativas verdes.

Ela elogiou a intenção da Prefeitura do Rio de dar isenção fiscal a construções que cumpram quesitos sustentáveis. Mas afirma que o país ainda tem muito o que avançar na legislação.

"A Inglaterra está muito além da gente. Os critérios de certificação [ambiental] estão dentro da legislação. Todos os prédios públicos, de prisão a colégio, têm que ter certificação em nível excelente."

Fonte: Folha.com

6 de jun de 2012

País começa a explorar energia limpa das ondas



Dois flutuadores formam o primeiro módulo da usina de ondas da América Latina
Foto: Divulgação

RIO - O país começa este mês sua primeira grande experiência para aproveitar a energia das ondas do mar. A primeira usina de ondas da América Latina funciona no porto do Pecém, a 60 quilômetros de Fortaleza e será lançada oficialmente durante a Rio+20. Para os pesquisadores, o local é um laboratório em escala real onde serão ampliados os horizontes da produção energética limpa e renovável.

O potencial é grande, asseguram. O litoral brasileiro, de cerca de 8 mil quilômetros de extensão, é capaz de receber usinas de ondas que produziriam 87 gigawatts. Na prática, de acordo com especialistas da Coppe, que desenvolve a tecnologia, é possível converter cerca de 20% disto em energia elétrica, o que equivaleria a 17% da capacidade total instalada no país.
Fronteira estratégica para a tecnologia

Antes de pensar em mais usinas no litoral brasileiro, porém, é preciso testar conceitos e comprovar tanto a viabilidade quanto a confiabilidade do projeto, que é financiado pela Tractebel Energia através do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica, com o apoio do governo do Ceará.

Dois enormes braços mecânicos foram instalados no píer do porto do Pecém. Na ponta de cada um deles, em contato com a água do mar, há uma bóia circular. Conforme as ondas batem, a estrutura sobe e desce. O movimento contínuo dos flutuadores aciona bombas hidráulicas, que fazem com que a água doce contida em um circuito fechado, no qual não há troca de líquido com o ambiente, circule em um ambiente de alta pressão.

— Fazendo uma analogia com uma usina hidrelétrica, em vez de termos uma queda d’água, temos isso de forma concentrada em dispositivos relativamente pequenos, onde a pressão simula cascatas extremas de 200 a 400 metros — explica Segen Estefen, professor de Engenharia Oceânica da Coppe. — A água sob pressão vai para um acumulador, que tem água e ar comprimidos em uma câmara hiperbárica, que é o pulmão do dispositivo.

O mar tem sido encarado pelos pesquisadores da Coppe como uma fronteira estratégica na qual o Brasil pode ser o líder tecnológico. Somente no projeto da usina de ondas, foram investidos R$ 15 milhões em quatro anos.

O Ceará não foi escolhido aleatoriamente. Sua grande vantagem estratégica é a constância dos ventos alísios, resultado da rotação da Terra. O movimento do ar gera ondas regulares no mar brasileiro. Elas não são grandes, mas estão sempre batendo. Poder contar com o movimento praticamente o tempo todo aumenta a eficiência da nova usina.

— Há alguns anos, o Brasil, por suas características, não era incluído em debates ou fóruns internacionais. Hoje, entendemos que não basta ter ondas grandes. Elas atuam em somente 20% do ano. Já as nossas batem de forma constante em mais do que 70% do ano — afirma Estefen. — Desenvolvemos o domínio tecnológico para atividades que, nas próximas décadas, vão acontecer cada vez mais no mar, que cobre 71% das superfície do planeta.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido para que as usinas de onda passem a fazer parte da paisagem brasileira. Os especialistas evitam compará-las às hidrelétricas, que, em geral, têm custo de produção quatro vezes menor.

Na corrida pela viabilidade desta tecnologia, o vento é o principal concorrente. A energia eólica costuma ter a metade do custo. No entanto, os especialistas esperam uma redução de custos com aumento da escala de produção das usinas de ondas.

— Em alguns locais, há grande vantagem estratégica para a usina de ondas. Por exemplo, há estudos para o arquipélago de Fernando de Noronha, onde a energia vem da queima de diesel. Isso leva a riscos ambientais, inclusive em relação ao transporte do combustível — ressalta o especialista da Coppe.

Estação abastecerá o próprio porto de Pecém

Por outro lado, barreiras legais, além do custo, se interpõem no caminho das usinas de ondas. Algumas das localidades consideradas de grande potencial energético são preservadas por leis ambientais. Nestes casos, seria necessário alterar a legislação, num processo que costuma suscitar muita polêmica e, muitas vezes, resistência de associações locais.

— Há limitações para colocar dispositivos de conversão em áreas de preservação ambiental. Temos que levar em conta os benefícios da usina de ondas e os riscos ambientais que já existem hoje — alerta Estefan. — Dependendo do local, apesar do custo de implantação, a usina de ondas se torna mais competitiva. O Reino Unido entra com força nesta tecnologia porque julga fundamental ter fontes de energia alternativas ao petróleo. Daqui a dez anos, eles querem garantir que 20% de suas fontes sejam renováveis.

A energia gerada em Pecém será consumida no próprio porto. Mas já há planos de ampliação da quantidade de braços mecânicos com bóias, que captam a energia do mar convertida em eletricidade. Toda a estrutura é feita em módulos, que podem ser acrescentados para aumentar a potência. Basta acrescentar flutuadores.

Fonte: O Globo


5 de jun de 2012

Navios deixam cair mais de 600 contêineres no mar a cada ano


Contêiner encontrado no fundo do Oceano Pacífico e analisado por pesquisadores americanos. (Foto: Divulgação)
Contêiner encontrado no fundo do Oceano Pacífico e analisado por pesquisadores americanos. (Foto: Divulgação)

Quando o mar está muito agitado ou quando empresas declaram peso menor que o real para os contêineres que estão despachando, acidentes podem acontecer e essas grandes caixas de aço, usadas para transporte em navios em todo o mundo, podem se soltar e cair no mar.
De acordo com levantamento do World Shipping Council, grupo que congrega empresas de navegação que fazem mais de 90% do transporte de carga marítima internacional, em média 675 contêineres por ano acabam no fundo do oceano. Considerando que, em 2010, esse setor deslocou 100 milhões dessas unidades, o índice de perda parece pequeno.
Mas o fato é que, a cada ano, em centenas de pontos pelo mundo, o chão dos oceanos é “presenteado” com imensas caixas metálicas, às vezes com conteúdo poluente, e o efeito disso ainda é pouco conhecido.
“Os navios de contêineres normalmente não têm guindastes ou outros dispositivos que permitiriam recuperá-los do mar. Geralmente, eles descem até o fundo. Mas em casos em que as condições permitem, tentamos recuperar”, diz Anne Kappel, vice-presidente do WSC.
Os pesquisadores americanos Andrew DeVogelaere e Jim Barry coordenam um trabalho para entender melhor qual é o efeito dos contêineres sobre o ambiente marinho. Os cientistas enviaram um submarino robotizado até um deles, perdido a 1.281 metros de profundidade no Oceano Pacífico, a oeste da costa da Califórnia.
A pesquisa ainda não foi encerrada, mas eles já verificaram que o aparecimento do bloco metálico alterou a ecologia no local. Em volta do contêiner perdido, foram encontradas espécies diferentes das que normalmente habitam as imediações, já que ali há apenas um fundo arenoso. Os pesquisadores acreditam que, além dessa alteração, o contêiner ainda pode servir de “parada” para seres vivos que estão migrando para outros pontos, oferecendo um substrato sólido para se fixarem, o que, de outra forma, não aconteceria no chão de areia.
O levantamento ainda é preliminar, mas já está claro que esse tipo de acidente tem seus efeitos sobre a vida no mar.
Poucos dados
A falta de informação sobre os oceanos é um dos principais problemas para que se possa tomar medidas para proteger esses importantes ecossistemas, aponta o oceanógrafo José Muelbert, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que coordenou até o ano passado uma comissão para a implantação de um sistema de observação global de regiões costeiras.

Os oceanos são um dos temas a serem debatidos na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, que acontece este mês, no Rio de Janeiro.
Para Muelbert, o rascunho do documento internacional que deve resultar da conferência contém avanços singificativos nessa área. “Os estados devem reconhecer que os oceanos são críticos para os sustentos vitais da terra. É algo que não tem tido muito reconhecimento”, observa.

“Outro aspecto importante é o reconhecimento de que se precisa implementar um processo regular, ou seja, um painel internacional para verificar regularmente a saúde dos oceanos”, acrescenta.
Acidificação
O professor chama atenção ainda para a intenção de se criar um sistema de obervação da acidificação da água marinha. “Acho que é um ponto que é um pouco tímido. A acidificação é apenas um dos assuntos que mostram a agressão aos oceanos. Tinha que haver um sistema mais amplo, que incluísse, por exemplo, as chamadas 'zonas mortas', onde há falta de oxigênio na água”, defende.

Também a pesca é questão importante para ser discutida na Rio+20, já que em vários pontos pelo mundo as populações de determinadas espécies de peixes estão se esgotando. “Os estados devem ser instados a restaurá-las a níveis sustentáveis”, comenta Muelbert. A ONU estima que mais de 3 bilhões de pessoas dependam da biodiversidade marinha para viver.
“O importante é que exista uma conscientização da sociedade da importância dos oceanos. Eles são responsáveis pela vida e pelo clima que temos hoje. Se os alterarmos, nosso habitat terrestrre vai ser afetado e isso vai afetar as gerações futuras”, conclui Muelbert.
Fonte: G1

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