31 de mai de 2012

IPT testa degradação de sacolas de supermercado


Sacola plástica descartada na natureza
Resultado apresentou a porcentagem que cada material biodegradou: as de papel biodegradaram cerca de 40%; as de plástico comum 30%


Nenhuma das amostras analisadas será degradada rapidamente na natureza, apontam testes feitos com quatro tipos diferentes de sacolas vendidas ou distribuídas


São Paulo - O Centro Tecnológico de Processos e Produtos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) realizou um estudo para comparar a biodegradação de quatro diferentes embalagens vendidas ou dadas em supermercados.
Os testes foram encomendados pela Rede Globo de Televisão. O resultado apresentou a porcentagem que cada material biodegradou: as de papel biodegradaram cerca de 40%; as de plástico comum 30%; as de amido de milho (feita a partir de fontes retornáveis) 15%; e as oxidegradáveis (que recebem aditivos para se degradarem mais rápido) apenas 2%. A margem de erro é de 10%.
De acordo com o IPT, de modo geral, nas condições do teste realizado no Laboratório de Biotecnologia Industrial, nenhuma das amostras analisadas pode ser considerada como de fácil biodegradação, isto é, não serão degradadas rapidamente na natureza.
O IPT destaca, entretanto, que existem diversos fabricantes de sacolas no mercado e o teste foi realizado em apenas uma amostra de cada material. “A conscientização do consumidor em contribuir com a redução dos lixos, coleta seletiva e reciclagem pode ser tão importante quanto os novos materiais no mercado”, disse a pesquisadora Maria Filomena Rodrigues.
Segundo a determinação do “Teste da Biodegradabilidade Imediata pela Medida do Dióxido de Carbono Desprendido em Sistema Aberto”, facilmente biodegradável é todo material cujo conteúdo orgânico se transforma em água e gás carbônico (mínimo 60%) em até 28 dias.
Compostável, por sua vez, é o material que se biodegradou e gerou húmus com ausência de metais pesados e substâncias nocivas ao meio ambiente, que permitem a germinação e o desenvolvimento normal de plantas.
O ensaio realizado no IPT consistiu em submeter os diferentes tipos de embalagens em uma solução mineral para que elas sejam consumidas por microrganismos naturais, retirados da natureza (solo, lago, lodo), simulando com maior intensidade o que pode ocorrer no meio ambiente.
No ensaio, as sacolinhas são a única substância orgânica fonte de “alimento” para as bactérias. A avaliação da biodegradabilidade foi realizada em condições similares, tanto quanto possível, às do ambiente de destinação.
A biodegradação leva à formação de dióxido de carbono (CO2), água e biomassa. A porcentagem de CO2 apresentado pelo material estudado, em relação ao total de CO2 teoricamente esperado para a completa oxidação do conteúdo de carbono da amostra (CO2 – teórico), informará se a sacola é biodegradável ou biorresistente, determinada nessa metodologia por 28 dias.
No Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas foram realizados os ensaios para identificação química das sacolas plásticas. Por meio dessa técnica, foi identificado que as sacolas “oxidegradável” e “convencional” são constituídas de polietileno, um dos tipos de plástico mais comum.
Na sacola de “amido” foi identificada a presença de um constituinte polimérico quimicamente diferente das outras duas citadas, um polímero do tipo poliéster, que inclui produtos químicos presentes nas plantas.
Segundo o IPT, é importante ressaltar que as técnicas empregadas não permitem identificar a presença de possíveis aditivos nas sacolas, como os oxidegradáveis. Ainda, não é possível avaliar origem do material polimérico, se é proveniente de uma fonte renovável ou não.
Fonte: Exame Meio Ambiente

30 de mai de 2012

Mata Atlântica perdeu 133 km² de vegetação em um ano, afirma censo


Área de Mata Atlântica no estado do RJ. Censo ajudará na criação de políticas de preservação (Foto: Divulgação/Governo do Rio de Janeiro)
Foto: Divulgação / Rio de Janeiro

O bioma Mata Atlântica perdeu 133 km² de área em um ano no Brasil, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica divulgado nesta terça-feira (29) pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) e pela Fundação SOS Mata Atlântica, que analisou o período entre 2010 e 2011.
O ritmo de desmatamento caiu 57% se comparado com o período 2008 - 2010, quando o bioma perdeu ao todo 311 km².
No novo período medido, Minas Gerais liderou o desmatamento, com 63 km². A Bahia ficou na segunda posição, com desflorestamento de 46 km². Na sequência estão o vêm Mato Grosso do Sul (5,8 km²), Santa Catarina (5,6 km²), Espírito Santo (3,6 km²), São Paulo (2,1 km²) e Rio Grande do Sul (1,1 km²). Rio de Janeiro, Paraná e Goiás registraram desmatamento inferior a 1 km²
Os Estados de Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo foram avaliados parcialmente no estudo, por causa da cobertura de nuvens que prejudicou a captação de imagens por satélite. O estudo analisou dez dos 17 Estados que possuem o bioma, que representam 93% da área total de Mata Atlântica.
Desmatamento estável

"Embora tenha tido uma leve queda, provavelmente o índice apresentado hoje seria maior se não tivéssemos problemas com nuvens. O (ritmo de) desmatamento continua estável, o que é preocupante", disse a coordenadora do Atlas pelo SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, em referência a Minas Gerais e Bahia, que encabeçam o ranking dos que mais desmataram no período.

Em relação aos municípios, os pesquisadores alertam para a região que chamam de "triângulo do desmatamento", entre Bahia e Minas Gerais. No ranking dos municípios, cidades dos dois Estados ficam no topo.
Nos últimos 25 anos, a Mata Atlântica perdeu 17.354 km² (quase três vezes o tamanho do Distrito Federal) ficando reduzida a 7,9% de sua área original, se considerados os remanescentes florestais em fragmentos acima de 100 hectares, representativos para a conservação de biodiversidade.
Fonte: G1

29 de mai de 2012

Coleta seletiva: 86 municípios terão apoio


foto: Reprodução

Oitenta e seis municípios, dos 153 pré-selecionados, que apresentaram projetos de coleta seletiva e foram aprovados (48 municípios) ou estão com alguma pendência (38) têm até o dia 8 de junho para mostrar como pretendem implantar o serviço. A partir daí, o Ministério do Meio Ambiente concluirá a avaliação e enviará os aprovados à Caixa Econômica Federal, que repassará os recursos destinados ao planejamento do programa.
Os municípios receberão ajuda financeira para elaborar, complementar ou atualizar seus planos de coleta seletiva, abrangendo toda a questão operacional. O apoio inclui, ainda, análise da inclusão produtiva dos catadores e das estruturas municipais necessárias para maior eficiência da prestação do serviço à população, educação ambiental e a logística reversa.
Outra finalidade da ajuda é habilitar os municípios prioritários para contratação dos projetos básicos e executivos das principais unidades de manejo de resíduos sólidos: galpões de triagem equipados, veículos para cooperativas de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, pontos de entrega voluntária, pátios de compostagem, áreas de transbordo e transporte para resíduos da construção e demolição e aterros para resíduos da construção e demolição.

Critérios - A seleção dos municípios prioritários com base em três critétrios. Os que fazem parte das regiões metropolitanas que sediarão a Copa do Mundo de 2014, as regiões prioritárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o grupo G1 do Ministério das Cidades, que envolve municípos com mais de 70 mil habitantes nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e com mais de 100 mil habitantes no Sul e Sudeste. Destes, foram selecionados os que declararam ter aterro sanitário Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008.
Os municípios com até 100 mil habitantes poderão receber até R$ 100 mil; os com população entre 100 mil e 500 mil, até R$ 220 mil e as cidades com mais de 500 mil moradores terão direito a até até R$ 600 mil.
Fonte: Ambiente Brasil

Megalixão no Rio fecha sem dados sobre dano ambiental

Daniel Marenco/Folhapress
Após 34 anos recebendo todo o tipo de resíduo, o lixão de Gramacho --considerado o maior da América Latina-- será desativado na sexta-feira (1) sem uma avaliação que aponte o real tamanho da sua contaminação ambiental.


Instalado sobre um mangue às margens da baía de Guanabara e na confluência dos rios Sarapuí e Iguaçu, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), o aterro recebeu ao menos 70 milhões de toneladas de lixo sem qualquer proteção.

Segundo o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), não há análises da contaminação e as áreas de mangue ainda necessitam de estudos detalhados para um diagnóstico conclusivo. Somente assim será possível a correta remediação da área.

Antes mesmo de chegar ao lixão, na rua, já é possível ver e sentir a contaminação e a degradação gerada pela destinação inadequada dos resíduos. Porcos, urubus e lixo se misturam aos catadores de materiais recicláveis que tiram dali seu sustento.

Detectar a contaminação de Gramacho ao meio ambiente é ainda mais difícil porque ao redor dele existem ao menos 42 lixões clandestinos, sendo 21 ainda ativos. A meta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio é desativar todos neste ano.

De acordo com o Inea, somente com o fim dessas áreas será possível continuar estudos para gerar mais subsídios para a correta remediação dos danos causados por Gramacho, principalmente à fauna e flora no entorno da baía de Guanabara.

Para o gestor e ex-conselheiro ambiental do Rio, Sérgio Ricardo de Lima, o lixão é uma das maiores fontes de contaminação da baía. "Esse é um passivo ambiental que vai demorar anos para se resolver e precisa de uma atenção especial", disse.

A direção da Comlurb (companhia municipal de limpeza urbana do Rio), responsável pelo lixão, afirmou que não há contaminação ambiental porque o aterro está controlado e sobre uma camada de 17 metros de argila naturalmente impermeável.

Especialistas consultados pela Folha, no entanto, contestaram a afirmação. "Não há argila que seja 100% impermeável. Não existe", diz o professor de engenharia geotécnica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Cláudio Mahler.

ANÁLISES
De acordo com o Inea, análises do solo e água subterrânea feitas pelo consórcio contratado pela própria Comlurb para administrar o lixão apontam a presença de metais como chumbo, crômio, ferro e níquel que seriam apenas dos lixões clandestinos.
Além dos metais, foram detectados nitrogênio amoniacal (que indica presença de matéria orgânica e mata os peixes por asfixia) e coliformes totais e termotolerantes (também indicam contaminação por matéria orgânica).


O secretário de Conservação e Serviços Públicos da Prefeitura do Rio, Carlos Osório, afirmou que não tem "dado específico do grau de contaminação gerado por Gramacho". A Comlurb é subordinada à secretaria.
Osório disse ainda que o risco de contaminação da baía está descartado com as ações de prevenção de contaminação feitas pela empresa contratada pela Comlurb para administrar o lixão.

Por dia, o lixão de Gramacho chegou a receber 9.000 toneladas de lixo do Rio e de ao menos oito municípios da região metropolitana: Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis, Queimados, Mesquita, Nova Iguaçu, Guapimirim e Petrópolis.
O CTR (Centro de Tratamento de Resíduos) de Seropédica, a 50 km do Rio, para onde o lixo passará a ser levado, tem capacidade para 10 mil toneladas diárias. A estimativa é de que o CTR tenha vida útil de 17 anos.

Para a desativação do lixão de Gramacho, a Prefeitura do Rio já desembolsou ao menos R$ 93,1 milhões entre indenização aos catadores e o montante repassado desde julho de 2007 ao consórcio responsável pelo gerenciamento da área em Duque de Caxias.

Fonte: Folha.com


24 de mai de 2012

Emissões de CO2 atingem recorde em 2011, diz agência


Ambientalistas chineses fazem protesto em Pequim, em abril (Foto: Reuters/Greenpeace/Lu Guang/Divulgação)
Ambientalistas chineses fazem protesto em Pequim, em abril (Foto: Reuters/Greenpeace/Lu Guang/Divulgação)

As emissões globais de dióxido de carbono (CO2) pela queima de combustível fóssil atingiram um recorde de 31,6 bilhões de toneladas, informou um balanço preliminar publicado nesta quinta-feira (24). Foi um aumento de 3,2% em relação ao ano passado, que detinha a maior marca da história até agora.
O levantamento foi feito pela Agência Internacional de Energia (AIE), uma organização autônoma sediada em Paris, que tem como objetivo pesquisar fontes de energia confiáveis, baratas e limpas para seus 28 países membros – o Brasil não faz parte do grupo.
Segundo o levantamento, a principal fonte do CO2 emitido em 2011 foi a queima de carvão, que respondeu por 45% desse tipo de poluição. Em seguida, aparecem o petróleo, com 35%, e o gás natural, com 20%.
Reduzir as emissões é essencial para controlar o aquecimento global, já que o gás é um dos principais responsáveis pelo fenômeno. Segundo o estudo, o máximo que as emissões podem atingir por ano são 32,6 bilhões de toneladas, pico que deve ocorrer em 2017, para que o aumento da média da temperatura global não ultrapasse 2ºC.
China puxa a alta
A China foi a principal responsável pela alta nas emissões globais. Ela sozinha aumentou suas emissões em 720 milhões de toneladas – o aumento absoluto global foi de 1 bilhão de toneladas. Percentualmente, o país, que é o principal emissor de CO2 do mundo, teve aumento de 9,3%. No entanto, o relatório ressalta que a China tem adotado medidas para aumentar sua eficiência energética, e que as emissões estão crescendo menos que a economia, o que é positivo.

A Índia também teve um aumento significativo. O país emitiu 140 milhões de toneladas a mais que em 2010, um crescimento relativo de 8,7%.
Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que inclui EUA, Canadá, Austrália, Japão e a maioria dos países europeus, houve redução de 0,6% das emissões.
As emissões norte-americanas caíram 1,7% em 2011, principalmente pela substituição de usinas a carvão para gás natural e também por um inverno mais brando que reduziu a demanda por aquecimento, segundo a AIE.
Apesar dos números, as emissões per capita dos dois países mais populosos do mundo ainda está bem abaixo dos países ricos. Cada chinês emitiu, em média, 63% do que emitiu um morador dos países da OCDE. Na mesma comparação, um indiano emitiu 15% da média da OCDE.
Fonte: G1


23 de mai de 2012

Aluguel de bicicleta em SP começa amanhã



São Paulo vai inaugurar seu primeiro sistema de empréstimo de bicicletas de larga escala amanhã. Dez estações já estarão em funcionamento, cada uma com cerca de dez bikes disponíveis. O bairro que receberá as primeiras será a Vila Mariana, na zona sul. A ideia é que, nos próximos três anos, 300 estações coloquem à disposição dos paulistanos 3 mil bicicletas para aluguel.

O sistema será operado pelo Itaú - que já tem um sistema com 600 bicicletas no Rio - e recebeu o nome de Bike Sampa. Os paulistanos vão poder checar pela internet e no celular qual é o bicicletário mais próximo, com aparelhos disponíveis para uso. As viagens de até 30 minutos são gratuitas - paga-se R$ 5 pela hora excedente. Para usar o sistema, também é necessário ter passe mensal - com mensalidade de R$ 10.

Quando todo o sistema estiver concluído, o objetivo é que a cidade tenha uma rede de estações de empréstimo em uma distância de um quilômetro entre uma e outra. Assim, será possível pegar uma bicicleta perto do metrô, do ponto de ônibus ou de casa, por exemplo, e deixá-la na estação mais próxima do trabalho. A Secretaria de Transportes também fará ciclorrotas em áreas próximas de estações - uma já está sendo pintada e sinalizada na região da Vila Mariana.

As primeiras estações já estavam sendo concluídas na noite de ontem. Elas estarão posicionadas na frente de pontos de interesse, como o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, o Sesc Vila Mariana e a Cinemateca Brasileira, que atraem centenas de visitantes todos os dias. Estações de metrô no bairro, como a Vila Mariana e Ana Rosa, também terão bicicletários próximos.

O retorno financeiro para o banco é feito por meio da publicidade estampada nas estações e em cada uma das bikes - brecha prevista na Lei Cidade Limpa, de 2007. Na visão da empresa, essa será uma das poucas possibilidades no curto prazo para expor sua marca pela capital. A exploração publicitária vai ocorrer da seguinte forma: duas placas de 3 centímetros cada na parte dianteira da bicicleta e duas placas na parte traseira, de 10 centímetros cada.

Mudanças. Segundo Regina Monteiro, presidente da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana da Prefeitura (CPPU), algumas modificações foram feitas em relação às bicicletas que são emprestadas na capital fluminense. "Houve pequenas modificações no formato do banco e no sistema de freio. Eles (o banco) nos garantiram que o modelo paulistano será o mais moderno possível", afirmou a arquiteta.

Para Thiago Bennichio, diretor-geral da Associação Ciclocidade, a ideia é boa, mas é necessário maior investimento em infraestrutura para garantir a segurança do ciclista em São Paulo. "Seria preciso fazer mais ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas para garantir a segurança do usuário do sistema. A Secretaria de Transportes está apostando mais nas ciclorrotas (ruas onde são colocadas sinalização advertindo para o fluxo das bicicletas), mas cada tipo de via precisa de um tipo de infraestrutura diferente", afirmou o ativista.

Segundo Bennichio, também são necessárias campanhas de educação permanentes para que se diminua o risco de acidentes com o provável aumento no número de ciclistas na cidade.

Outros planos. Além do Itaú, pelo menos mais três empresas têm planos de criar sistemas de empréstimo de bicicletas. O Bradesco já apresentou proposta à CPPU, para colocar à disposição 300 bicicletas no entorno das Ciclofaixas de Lazer. A AES Eletropaulo e a Ambev ainda estudam o modelo que será utilizado.

Fonte: Estadão.com

22 de mai de 2012

Maioria dos micro-ondas é jogada fora por estética e polui, diz estudo



Mais da metade dos fornos de micro-ondas descartados no Reino Unido são jogados fora por razões estéticas. A estimativa é de uma pesquisa da Universidade de Manchester, publicada nesta semana pela revista científica “Journal of Cleaner Production”.
O lixo eletrônico é um problema ambiental crescente. Em todo o mundo, o descarte de aparelhos soma entre 20 milhões e 50 milhões de toneladas de lixo a cada ano, e o número cresce na taxa de 4% por ano.
Os pesquisadores avaliaram 189 micro-ondas que estavam em centros de recolhimento de lixo. Destes, 54% tinham sido jogados fora sem nenhum defeito grave, e provavelmente teriam sido descartados por questões estéticas.
Ao todo, 85% dos aparelhos analisados poderiam ser consertados sem problemas, e algumas das falhas apresentadas poderiam ter sido evitadas com pequenas mudanças no projeto inicial.
Segundo Azadeh Dindarian, autora do estudo, o resultado mostra que a maioria dos produtos de linha branca que vão para o lixo ainda tinham uso, e que faltam rotas alternativas para reaproveitá-los. Em breve, a equipe pretende fazer estudos semelhantes com máquinas de lavar e geladeiras. 
Fonte: Globo Natureza

21 de mai de 2012

ONU lista 56 recomendações para um mundo sustentável


A ONU lançou na sexta (18), no Rio, a versão em português de um relatório com 56 recomendações para que o mundo avance em direção ao desenvolvimento sustentável.
O documento, elaborado por 22 especialistas ao longo de um ano e meio, traz sugestões mais ousadas do que aquelas que devem ser acordadas na Rio+20, a conferência da ONU sobre o tema que ocorre em junho na cidade.
Entre as propostas estão o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e a precificação do carbono, com a cobrança, por exemplo, de impostos sobre as emissões de gases do efeito estufa.
Espera-se assim estimular a disseminação de tecnologias verdes. “É um relatório com frases e recomendações muito diretas”, diz o embaixador André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil para a Rio+20.
Para ele, o documento final do encontro de cúpula da ONU deverá trazer formulações “mais sóbrias”.
Outras medidas sugeridas são a criação de um fundo apoiado por governos, ONGs e empresas para garantir acesso universal à educação primária até 2015 e a inclusão dos temas consumo e desenvolvimento sustentáveis nos currículos escolares.
As recomendações são divididas em três grupos, de acordo com seus objetivos principais. O primeiro visa a capacitar as pessoas a fazerem escolhas sustentáveis; o segundo, a tornar a economia sustentável; e o terceiro, a fortalecer a governança institucional para o desenvolvimento sustentável.
“As pessoas participaram desse painel a título pessoal, ou seja, elas não estavam representando governos. Isso dá mais força [ao documento], porque o painel pode dizer certas coisas que não são consenso [entre os mais de 190 países da ONU]“, diz Corrêa do Lago.
O coordenador do relatório, porém, disse esperar que as recomendações sejam levadas em consideração pelos negociadores da Rio+20.
Janos Pasztor citou o estabelecimento de metas numéricas para o desenvolvimento sustentável como uma sugestão que pode ser adotada no curto prazo. O tema está em discussão na Rio+20.
A ex-primeira-ministra da Noruega Gro Brundtland, considerada “mãe” do conceito de desenvolvimento sustentável, participou da elaboração do relatório.
O documento completo pode ser acessado pelo site www.onu.org.br/docs/gsp-integra.pdf. 
Fonte: Folha.com

17 de mai de 2012

Cartões de crédito sem utilidade ou vencidos podem ser reciclados



Estações de metrô Sé, Conceição e Tietê têm trituradores de plásticos.
Cartões deixados ali são picotados e destinados a reciclagem.


O cartão de crédito ou de débito que perdeu a validade pode ser reciclado e virar outro cartão. Estações de metrô já têm trituradores que vão dar novo destino ao plástico.
Apesar de ser feito de PVC, material que pode durar até 500 anos, o prazo de validade que vem estampado no cartão é bem menor. E muitas pessoas quebram, cortam com tesoura e jogam no lixo comum, o que é um erro, pois o material é reciclável.
A solução pode estar no caminho de casa. Três estações do metrô, Sé, Conceição e Tietê, receberam máquinas que qualquer um pode usar. Basta colocar o cartão, girar a manivela, e o cartão é picotado e não pode mais ser utilizado.
O cartão em pedaços volta para a indústria, é triturado, derretido e transformado em uma placa de plástico novamente. A diferença está na cor. Em vez de branca, ganha tons de rosa ou verde. Por enquanto, a reciclagem é mais cara que a fabricação a partir da matéria-prima virgem, mas, com o tempo, isso pode mudar.
“A gente está provando que é possível fazer produto de qualidade, com todas as informações e características técnicas que se exige de material pós-uso. O dia em que esse resíduo alimentar uma indústria que produz um bem durável, ele começa a ter valor", afirma Renato de Paula, diretor da empresa recicladora.
Fonte: G1

10 de mai de 2012

Destino de lixo é inadequado, apesar de lei


Foto: Reprodução


Estudo mostra que metade dos resíduos de 2011 acabou em lixões ou aterros controlados; 60% dos municípios não seguem política de resíduos sólidos


Apesar de a Política Nacional de Resíduos Sólidos estar em vigor desde o final de 2010, ela ainda não está produzindo efeitos práticos na destinação do lixo gerado no País. Essa é a principal conclusão do levantamento anual da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
Em 2011, das 55,5 milhões de toneladas de resíduos coletadas no ano, 58,06% (32,2 milhões) foram destinadas corretamente - em aterros sanitários. O restante (23,3 milhões) segue indo para lixões e aterros controlados, que não têm tratamento de chorume ou controle dos gases de efeito estufa produzidos em sua decomposição.
Em relação a 2010, houve uma melhora de meio ponto porcentual na destinação correta dos resíduos, mas, como os brasileiros aumentaram sua geração de lixo em 1,8% em relação ao ano anterior, na prática, 2011 observou um aumento na quantidade de resíduos jogados em lixões e afins. A geração per capita média do País foi de 381,6 quilos por ano, 0,8% superior ao do ano anterior.
Dos 5.565 municípios, 60,5% deram destino inadequado a mais de 74 mil toneladas de resíduos por dia. Em todo o País, mais de 6,4 milhões de toneladas sequer foram coletadas no ano, indo parar em terenos baldios, córregos etc. Os dados, que serão lançados hoje, fazem parte da última edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil.
Meta até 2014. A produção de resíduos subiu menos que entre 2009 e 2010, quando o salto foi de 6,8%. "Mas ela continua crescendo. Foi o dobro do quanto cresceu a população no mesmo período", afirma Carlos Silva Filho, diretor da Abrelpe. "Esperávamos já ver algum reflexo da política. Mas, se continuar neste ritmo, não vamos conseguir acabar com os lixões até 2014", diz.
A meta a que ele se refere é uma das estabelecidas pela lei, que também define que, do material coletado, somente os rejeitos devem ir para os aterros - o que exclui tudo o que possa ser reaproveitado como, por exemplo, com compostagem, e reciclado. Mas nesse quesito também não houve muito avanço. Dentre os municípios brasileiros, 58,6% disseram ter coleta seletiva - só 1% a mais que em 2010.
O problema é que as soluções para a questão do lixo demandam muito tempo. Para criar um aterro sanitário é preciso de espaço, de licenciamento ambiental. Segundo Silva Filho, leva, em média, três anos. "E mesmo eles sendo criados, se não mexer na quantidade de geração (de resíduos), a vida útil do aterro cai."
Para Elisabeth Grimberg, coordenadora da área de resíduos sólidos do Instituto Pólis, esse quadro só vai mudar quando aproveitamento e reciclagem estiveram funcionando. Ela menciona a logística reversa, que prevê que cabe a produtores e comerciantes cuidar do descarte de seus produtos e embalagens. "Onde está o modelo disso? É preciso implementar que os devidos responsáveis assumam suas atribuições."
Um dos gargalos ainda é a falta de investimento. Segundo o panorama, em 2011, a média mensal dos gastos dos municípios brasileiros com serviços de limpeza urbana foi de R$ 10,37 por habitante por mês - 4% maior na comparação com 2010.
Silva Filho estima que precisaria ser no mínimo o dobro para resolver o déficit na coleta e na destinação, considerando que metade dos resíduos tem destino inadequado (somando também o que não é coletado).
"Não dá mais para considerar que é possível resolver a custo zero, como acontecia com os lixões. E isso envolve também cobrar o serviço da população. Uma taxa básica, que aumente, por exemplo, se a pessoa não separa os recicláveis, mas diminua se ela o fizer", propõe.
Ninguém do Ministério das Cidades, responsável pela aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, foi encontrado para comentar a pesquisa.


Fonte: Estadão.com.br

4 de mai de 2012

Planeta não é sustentável sem controle do consumo e população, diz relatório


Foto: Reprodução

O consumo excessivo em países ricos e o rápido crescimento populacional nos países mais pobres precisam ser controlados para que a humanidade possa viver de forma sustentável.
A conclusão é de um estudo de dois anos realizado por um grupo de especialistas coordenados pela Royal Society (associação britânica de cientistas).

Entre as recomendações feitas pelos pesquisadores, estão a disponibilização de um planejamento familiar à todas as mulheres, o abandono da utilização do PIB como um indicativo de saúde econômica e a redução do desperdício de comida.

O relatório da associação será um dos referenciais para as discussões da Rio+20, cúpula que acontecerá na capital fluminense entre os dias 13 e 22 de junho.

"Este é um período de extrema importância para a população e para o planeta, com mudanças profundas na saúde humana e na natureza", disse John Sulston, presidente do grupo responsável pelo relatório. O cientista ganhou renome internacional ao liderar a equipe britânica que participou do Projeto Genoma Humano e por ganhar, em 2002, o Nobel de Medicina, junto com outro perquisador.

"Para onde vamos depende da vontade humana - não é algo predestinado, não é um ato de qualquer coisa fora (do controle) da humanidade, está em nossas mãos", afirmou.

CONTROLE FAMILIAR

Segundo a projeção "média" da ONU, a população do planeta, atualmente com 7 bilhões de pessoas, atingiria um pico de pouco mais de 10 bilhões no final do século e depois começaria a cair.

"Dos três bilhões extra de pessoas, a maioria virá dos países menos desenvolvidos", disse Eliya Zulu, diretora executiva do African Institute for Development Policy (Instituto Africano para Políticas de Desenvolvimento), em Nairóbi, no Quênia. "Só na África, a população deve aumentar em 2 bilhões".

"Temos de investir em planejamento familiar nesses países. Desta forma, damos poder às mulheres, melhoramos a saúde da criança e da mãe e damos maior oportunidade aos países mais pobres de investir em educação".

O relatório recomenda que nações desenvolvidas apoiem o acesso universal ao planejamento familiar - o que custaria US$ 6 bilhões por ano, de acordo com o estudo.

Se o índice de fertilidade nos países menos desenvolvidos não cair para os níveis observados no resto do mundo - alerta o documento - a população do planeta em 2100 pode chegar a 22 bilhões, dos quais 17 bilhões seriam africanos.

PASSANDO DOS LIMITES

O relatório diz que a humanidade já ultrapassou as fronteiras planetárias "seguras" em termos de perda de biodiversidade, mudança climática e ciclo do nitrogênio, e está sob risco de sérios impactos futuros.

Segundo a Royal Society, além do planejamento familiar e da educação universal, a prioridade deve ser também retirar 1,3 bilhão de pessoas da pobreza extrema.

Eliminar o desperdício de comida, diminuir a queima de combustíveis fósseis e substituir economias de produtos por serviços são algumas das medidas simples que os cientistas sugerem para reduzir os gastos de recursos naturais sem diminuir a prosperidade de seus cidadãos.

"Uma criança no mundo desenvolvido consome entre 30 e 50 vezes mais água do que as do mundo em desenvolvimento", disse Sulston. "A produção de gás carbônico, um indicador do uso de energia, também pode ser 50 vezes maior".

"Não podemos conceber um mundo que continue sendo tão desigual, ou que se torne ainda mais desigual".

Países em desenvolvimento, assim como nações de renda média, começam a sentir o impacto do excesso de consumo observado no Ocidente. Um dos sintomas disso é a obesidade.

PIB

A pesquisa diz também que é fundamental abandonar o uso do PIB como único indicador da saúde de uma economia. Em seu lugar, afirma que os países precisam adotar um medidor que avalie o "capital natural", ou seja, os produtos e serviços que a natureza oferece gratuitamente.

"Temos que ir além do PIB. Ou fazemos isso voluntariamente ou pressionados por um planeta finito", diz Jules Pretty, professor de meio ambiente e sociedade na universidade de Essex, no Reino Unido.

"O meio ambiente é de certa forma a economia... e você pode discutir gerenciamentos econômicos para melhorar as vidas de pessoas que não prejudique o capital natural, mas sim o melhore", completa.

O encontro do Rio+20 em junho deve gerar um acordo com uma série de "metas de desenvolvimento sustentável", para substituir as atuais metas de desenvolvimento do milênio, que vem ajudando na redução da pobreza e melhoria da saúde e educação em países em desenvolvimento.

Fonte: Folha.com
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