16 de jul de 2012

Cousteau Jr. defende projeto para Ilhabela


Foto: Yacht Club de Ilha Bela
Possíveis soluções para a preservação dos oceanos e a iniciativa de transformar o arquipélago de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, na primeira ilha sustentável do mundo foram algumas das bandeiras defendidas ontem pelo ativista norte-americano Philippe Cousteau Jr., durante participação na Semana Internacional de Vela de Ilhabela
Considerado uma das maiores lideranças mundiais em sustentabilidade, o neto do lendário pesquisador francês Jacques Cousteau debateu sobre aquecimento global e quais os caminhos que podem ser seguidos para frear esse processo por meio de mudanças de comportamentos e desenvolvimento de novas tecnologias.
Convidado pela Green Building Council Brasil (GBC-Brasil), Cousteau Jr. disse que é necessário repensar o planejamento urbano de Ilhabela. Segundo ele, a ocupação desordenada, a pesca excessiva, o despejo de resíduos sólidos e a emissão de carbono são responsáveis por prejudicar o ecossistema do local.
"Uma ilha é mais fácil de preservar, ao contrário do continente, onde é possível jogar lixo por toda a parte", disse. "É um problema grave. Não temos fiscalização e hoje é possível jogar lixo e pescar sem punição."
Exemplo. Cousteau, que também é correspondente internacional da rede de televisão CNN, disse que há interesse da GBC- Brasil em transformar Ilhabela em um laboratório de sustentabilidade.
A fundadora da organização, Thassanee Wanick, explica que pretende exportar o modelo para outros países, replicando esse exemplo.
"Se não conseguirmos realizar esse feito numa pequena ilha com uma população de 30 mil habitantes, não teremos esperança para transformar o mundo com 7 bilhões de pessoas em um lugar sustentável", afirmou ela.
O ativista foi questionado sobre sua posição com relação ao projeto do governo do Estado de ampliar o porto da vizinha cidade de São Sebastião, cujo processo de licenciamento ambiental está em curso.
"Já tenho conhecimento sobre o projeto do porto e acredito que não basta apenas bater o pé e dizer não. É necessário que se criem diálogos entre todos os segmentos envolvidos, agindo de forma positiva. A falta de uma visão conjunta gera conflitos. E o momento para agir é justamente agora."
Alcatrazes. Durante a 39.ª Semana Internacional de Vela, os velejadores também assinaram a petição pública para a recategorização do Arquipélago dos Alcatrazes, em São Sebastião. O objetivo é transformá-lo em um Parque Nacional Marinho.
A petição está sendo organizada pela organização não governamental Vivamar. O processo está em tramitação em Brasília.
O Arquipélago dos Alcatrazes, monitorado pela Marinha do Brasil, fica a 33 quilômetros da costa de São Sebastião e é considerado o maior reduto de aves marinhas do sudeste brasileiro. Por lá habitam espécies como fragatas, atobás, albatrozes e gaivotas. Há também diversas espécies endêmicas, como a perereca-de-alcatrazes.
O arquipélago também é rota de baleias de varias espécies, entre elas as baleias-de-bryde, que habitam o litoral paulista e ainda não foram devidamente estudadas pelos pesquisadores.
Fonte: Estadão Online
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