13 de jun de 2012

Pesquisa diz que agricultura orgânica não é 'necessariamente sustentável'


Plantação de orgânicos na França (Foto: Hauser Patrice/Hemis.fr/AFP/arquivo)
Plantação de orgânicos na França (Foto: Hauser Patrice/Hemis.fr/AFP/arquivo)

Produção é menor, logo a área ocupada é maior, diz estudo.
Técnica não usa agrotóxicos e tem a defesa do solo como objetivo.


A agricultura orgânica, que não utiliza agrotóxicos nem a modificação genética das espécies cultivadas, não é necessariamente a forma mais sustentável de plantio, segundo uma pesquisa.
Essa conclusão pode parecer um contrassenso, já que um dos objetivos da técnica é proteger o meio ambiente. “A agricultura orgânica é um sistema de produção que sustenta a saúde dos solos, dos ecossistemas e das pessoas”, define a Federação Internacional dos Movimentos pela Agricultura Orgânica.
O processo, no entanto, não tem a mesma produtividade que a agricultura convencional, o que pode ser problemático. Uma pesquisa britânica feita recentemente mostrou que a produção orgânica pode ser até 50% menor, logo ocupa maior área de terra para obter os mesmos resultados.
Tim Benton, da Universidade de Leeds, foi um dos autores da pesquisa, e não está convencido de que os orgânicos sejam o futuro da agricultura. Ele participou de um debate sobre segurança alimentar no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), às vésperas da Rio+20.
“Ela [a agricultura orgânica] não é necessariamente mais sustentável do que a agricultura convencional, se você administrar a agricultura convencional corretamente”, afirmou Benton.
“Se a demanda cresce ou se mantém a mesma, e você reduz a produção, você precisa de mais terra para produzir a mesma quantidade de comida. Essa terra a mais tem um custo ecológico. Se as terras agrícolas já estão ocupadas, será preciso derrubar as florestas, o que se torna completamente contraprodutivo. Essa é a base do argumento”, explicou.
O pesquisador ressaltou, no entanto, que um tipo de agricultura não é necessariamente mais sustentável que o outro, e que cada caso é um caso. É preciso avaliar a dimensão do ganho de produtividade obtido por tipo de fertilizantes ou defensivos agrícolas que poluem a terra, assim como a quantidade de combustível queimado no transporte dos alimentos, entre outros fatores.
No futuro, Benton acredita que os orgânicos deixarão uma herança para a agricultura convencional, mas não tomarão o lugar dela.
“Imagino uma situação, dentro de 20 ou 30 anos, em que a agricultura convencional será muito mais verde do que é hoje, mas mantendo a alta produtividade, enquanto, na direção contrária, a agricultura orgânica atingir a alta produtividade vai ser realmente difícil”, previu o pesquisador.
Como a escolha pelos alimentos cabe ao consumidor, ele é uma parte importante do processo para tornar a agricultura mais sustentável. Segundo Benton, há várias pesquisas que tentam encontrar uma dieta que seja, ao mesmo tempo, saudável e sustentável.
“A questão não é qual é a dieta ideal, mas como incentivar as pessoas a comer a dieta ideal. O que tendemos a fazer é maximizar nosso prazer. Não tomamos decisões racionais. Muitos de nós fazemos coisas que sabemos que não são saudáveis: bebemos demais, comemos demais, fumamos e não fazemos exercícios”, ponderou o pesquisador.
Fonte: G1
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