12 de jun de 2012

Arquiteta alerta para impacto ambiental gerado por prédios

Viviane Cunha, responsável por selo ambiental, diz que é errada a ideia de que produto sustentável é mais caro
Viviane Cunha, responsável por selo ambiental, diz que é errada a ideia de que produto sustentável é mais caro

Grande parte do impacto ambiental gerado pelos prédios é causado pela falta de conhecimento de arquitetos e engenheiros. A análise é da arquiteta Viviane Cunha, 48, responsável por avaliar edifícios que ambicionam o selo inglês Breeam, primeiro certificado ambiental do mundo, criado logo após a Eco-92.

"As faculdades não tinham e, muitas, ainda não têm esse tipo de informação. Se juntar dez arquitetos para explicar o que é madeira certificada, aposto que nove não vão saber. Ou vão dizer que sabem e vão falar absurdos. Geramos muito impacto por ignorância", disse ela.

Na sua avaliação, as pessoas ignoram o impacto que os materiais produzem. "Não sabem, por exemplo, que o cimento está relacionado com a emissão de CO2. E todo mundo usa. Quem faz uma obra em casa sem cimento?"

Cunha é uma das escolhidas para falar no máximo 18 minutos no TEDxRio+20, que ocorre nesta segunda (11) e terça-feira (12) no Forte de Copacabana, no Rio. O encontro terá como tema central o poder humano e como ele pode ser usado para solucionar problemas do mundo.

Para ela, a forma de produção de prédios no Brasil não ajuda a construção sustentável. Ao comparar o trabalho do arquiteto inglês Norman Foster, responsável pela torre Gherkin em Londres, ela diz que o processo de criação brasileiro "dá pena".

"[O Gherkin] Tem todos os losangos da janelas do mesmo tamanho, para facilitar a produção. Existe toda uma técnica. Estamos em outro patamar, é para humilhar a gente. [Aqui] Você acaba o estudo, o cliente já quer começar a obra. Detalha tudo enquanto a obra está começando, muda as coisas no meio."

Apesar disso, Cunha é otimista. Ela diz ver aumento no interesse por prédios sustentáveis. Para ela, grandes empresas buscam selos verdes para suas sedes para obter "credibilidade à imagem". "Não é o motivo ideal. Mas o importante é que estão procurando", afirma ela.

A arquiteta foi a primeira na América Latina a se tornar avaliadora do Breeam (Método de Avaliação Ambiental do Estabelecimento de Pesquisa para Edifícios).

A certificação ambiental considera nove pontos das construções para avaliar sua sustentabilidade. As principais são uso da energia, saúde e bem estar no imóvel, e materiais utilizados.

Para Cunha, professora da FGV-RJ (Fundação Getúlio Vargas), o principal empecilho para a tecnologia verde é a falsa ideia de que a sustentabilidade é cara.

"Se os produtos não sustentáveis estão gerando impacto, isso tem um custo depois indiretamente. E não anda demorando a aparecer. Há hotéis imensos que não usam a fama de sustentável que estão trocando as lâmpadas para LED, reuso de água de chuva, porque a médio prazo são mais econômicos", afirmou.

RIO+20

Cunha afirma estar otimista com a realização da Rio+20. Ela diz não esperar resultados práticos, mas que o debate estimule o surgimento de iniciativas verdes.

Ela elogiou a intenção da Prefeitura do Rio de dar isenção fiscal a construções que cumpram quesitos sustentáveis. Mas afirma que o país ainda tem muito o que avançar na legislação.

"A Inglaterra está muito além da gente. Os critérios de certificação [ambiental] estão dentro da legislação. Todos os prédios públicos, de prisão a colégio, têm que ter certificação em nível excelente."

Fonte: Folha.com
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