31 de out de 2011

Lixo 'útil' poupa recursos naturais e energia, mas importação ainda é tabu


Tipos de lixo não aproveitáveis e proibidos entram no País 'disfarçados' de recicláveis e atrapalham importação de material reutilizado na cadeia produtiva da indústria; em 2010, o Brasil importou 201 mil toneladas de resíduos para reúso


A importação de resíduos é estratégica para alguns setores industriais brasileiros, com destaque para a siderurgia, a indústria do alumínio, do papel e do PET. A indústria usa as sobras do processo produtivo em sua cadeia novamente, o que reduz a quantidade de matéria-prima retirada do planeta e as emissões relativas a esse processo. Mas o tráfico ilegal de lixo considerado perigoso, que entra junto com alguns tipos de resíduo, atrapalha a indústria da reciclagem e perpetua o preconceito contra a importação desse material, considerado pela indústria como insumo.
O País importou no ano passado 201.075 toneladas de sucata de ferro, aço e alumínio, resíduos de PET em flocos e aparas de papel. Segundo o relatório Lixo Sem Fronteiras na União Europeia, de 2009, a produção de alumínio com base em matéria reciclada usa 5% da energia necessária para a obtenção do produto partindo da bauxita. A produção de 1 quilo de papel a partir do papel reciclado gasta a metade da energia.
"Sucata de aço e ferro é considerada matéria-prima importantíssima. Seu uso reduz as emissões de CO2 e o consumo de recursos como água e energia", afirma Cristina Yuan, diretora de assuntos institucionais e sustentabilidade do Instituto Aço Brasil. Segundo ela, tudo pode voltar para a cadeia produtiva. "De prego a restos de navios. É a nossa vantagem sobre outros materiais."
Cristina afirma que, além de aproveitar as sobras do processo produtivo e de comprar no mercado brasileiro, às vezes é preciso importar sucata. "Geralmente trazemos de países da América Latina. Quanto mais perto, mais barato", resume.
No caso do alumínio, exemplo bem-sucedido de reciclagem no Brasil, as latinhas representam 50% dos resíduos importados.
"Há 3 anos, importávamos 100 mil toneladas de sucata por ano. No ano passado, foram 52 mil", afirma Henio De Nicola, coordenador da comissão de reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Ele diz que a projeção para 2011 é de importação de 40 mil toneladas.
"Nós estamos trazendo da Colômbia e de países da América Central, como o Panamá. E também da Malásia, da Coreia, da Inglaterra e da Alemanha", esclarece De Nicola.
Grande produtora de chapas e folhas de alumínio, a Novelis confecciona, no Brasil, 400 mil toneladas por ano. "Disso, 50% é feito de alumínio reciclado. Até 2020, teremos de confeccionar 80% da produção com reciclados", diz Carlos Roberto de Morais, diretor de reciclagem. Dos reciclados usados pela empresa, 15% são importados.
Outro resíduo que entrou a uma média de 10 mil toneladas por ano nos últimos três anos são os flocos de PET. As empresas recicladoras no Brasil trabalham com capacidade ociosa de 30%, pois, com o deficiente sistema de coleta seletiva do País, a matéria-prima não chega a elas.
Contaminantes. 
Embora o comércio transfronteiriço de resíduos seja vital para esses setores, é quase inevitável não conectá-lo a uma cena que se tornou frequente na mídia nos últimos tempos: a entrada de contêineres com todo tipo de lixo, incluindo lixo doméstico e hospitalar, etiquetados como aparas para reciclagem.
Segundo a Receita Federal, boa parte do "lixo proibido" disfarçado de resíduos para reciclagem entra no País como apara de plástico, de resíduo têxtil, de papel e de borracha.
"Esse tipo de conduta passa pelo operador do mercado nacional. Quando ele começa no mercado, tem um período de quarentena. O desvio de conduta começa depois da quarentena", explica Dario da Silva Brayner Filho, coordenador-geral de administração aduaneira da Receita Federal.
Silva afirma que os casos de entrada de lixo proibido junto com resíduos destinados à reciclagem são pontuais e acontecem pouco. Mas Auri Marçon, da Abipet, discorda.
"Desde 2008, esse tráfico ilegal começou a crescer de forma descontrolada. Sabemos que muita coisa entra como resíduos de PET. Venho reclamando há pelo menos cinco anos", diz ele. Marçon afirma que não existe uma orientação clara para os órgãos de fronteira de que esse tipo de material tem de ter autorização prévia do governo.
"Qualquer resíduo sólido cujas características possam causar dano ao meio ambiente ou à população é proibido", afirma Fernando da Costa Marques, diretor de qualidade ambiental do Ibama, citando a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O Brasil proíbe a importação de resíduos que considera perigosos desde 1996, por uma resolução do Conama. A PNRS instituiu a proibição por força de lei.
Henio De Nicola, da Abal, afirma que no ramo da sucata de alumínio a presença de contaminantes é pequena. "É um mercado maduro, a gente já sabe de quem compra. Agora, é preciso exigir do fornecedor um grau mínimo de pureza e especificar a maneira pela qual essa carga deve chegar aqui. Se o comprador não exige, Deus sabe o que pode vir junto com aquilo que ele pediu", explica.
Ele lembra que no passado teve problemas com contaminantes. "Antigamente, às vezes vinha chumbo nas latinhas, para fazer peso. Mas hoje o preço do chumbo na bolsa de Londres está quase alcançando o do alumínio, não vale mais a pena."
Na Novelis, os caminhões carregados com resíduos passam, antes da descarga, por um sistema de detecção de resíduos perigosos, incluindo os radioativos. "Temos um sistema muito eficaz", diz Carlos Roberto de Morais. "Se algo é detectado, a carga nem é aberta."
"O Césio 137 foi encontrado num depósito de sucata", lembra De Nicola, da Abal. "Aquilo foi um alerta. Toda a indústria de alumínio que usa resíduos hoje toma esse tipo de cuidado."
 
Legislação rígida  favorece ‘tráfico de lixo’. 
Crescimento do comércio mundial para reciclagem levou países a buscar alternativas para driblar proibição de manuseio de resíduos perigosos
O crescimento do comércio transnacional de resíduos para reciclagem e reúso do lixo "útil" acabou gerando um problema: o tráfico ilícito de resíduos considerados perigosos.
A iniciativa de controle do movimento transfronteiriço surgiu primeiramente nos países da União Europeia, nos anos 90.
"Os países desenvolvidos queriam reaproveitar sucatas que continham gases tóxicos, como motores de geladeiras, por exemplo. Então, como tinham leis impedindo o manuseio desses gases, mandavam para países subdesenvolvidos desmontarem os aparelhos. É o chamado tráfico", explica a consultora Ângela Cardoso, gestora da unidade de segurança e meio ambiente da Key Associados.
Ângela diz que resíduo é diferente de lixo. "O lixo é o último estágio de um produto. O resíduo é reaproveitável", completa.
O lixo recolhido nas casas que, vez por outra, entra no País disfarçado de resíduo para reciclagem é considerado, pela Convenção da Basileia, como resíduo que requer especial atenção. A convenção é um acordo global, ratificado por mais de cem países-membros, para regular os problemas do comércio transnacional de resíduos - sobretudo aqueles considerados perigosos.
A convenção distingue os tipos de operações de eliminação em dois: recuperação/reciclagem e disposição final.
O último relatório mundial publicado sobre movimentos transfronteiriços de resíduos pela Convenção da Basileia mostrou que, em 2006, 80% do lixo não perigoso que circulava pelo mundo tinha como fim a reciclagem e/ou a reutilização.
Eletrônicos. 
Hoje, a comunidade internacional está particularmente preocupada com os resíduos eletroeletrônicos, que crescem com grande rapidez. Somente na Europa, 8 milhões de toneladas são descartadas todo ano.
O Brasil produz entre 500 e 680 gramas per capita por ano, sendo o maior produtor per capita de resíduos eletrônicos entre os países emergentes, segundo recente estudo da ONU. Boa parte nós exportamos.
"O Brasil exporta eletroeletrônicos para países como Bélgica, China, Cingapura e Índia", diz o consultor Adriano Assi, um dos organizadores da Exposucata, feira de negócios de material pós-consumo. "Sucata eletrônica é reciclável e tem alto valor de mercado. Eu, como reciclador de eletrônicos, adoraria importar. Mas é um vespeiro: de um lado interessa economicamente; do outro, tem a Convenção da Basileia", resume.
Artesanal. A cidade chinesa de Guiyu é considerada a capital mundial do lixo eletrônico. "A China tem um processo de reciclagem altamente arcaico e poluente", diz Assi. No entanto, recebe lixo eletrônico dos EUA, da Europa, Canadá, Japão e de emergentes, como o Brasil.
 
PARA LEMBRAR - Lixo proibido vem de longe
Em agosto de 2009, 2 toneladas de resíduos sólidos não tratados da Grã-Bretanha vieram parar no Brasil. Os contêineres, interceptados em portos no RS e em SP, estavam identificados como polímeros de etileno e resíduos plásticos para reciclagem. Mas eram fraldas usadas, pilhas, seringas usadas, lixo doméstico... A história se repetiu em agosto de 2010 e no mês passado, com uma carga vinda da Espanha para o Porto de Itajaí (SC). Em todos os casos, a carga estava identificada como aparas de plástico para reciclagem.
"Multamos a empresa que importou, a que transportou e mandamos a carga de volta. O ônus é de quem trouxe", diz Fernando da Costa Marques, do Ibama. A carga britânica, por exemplo, foi multada em R$ 3 milhões. "É difícil haver casos de reincidência", diz Dario da Silva, da Receita Federal.
Fonte: Estadão.com

26 de out de 2011

Rio fará contagem regressiva dos lixões do estado


Começa a funcionar nesta segunda-feira (24), no Rio de Janeiro, o Contador Regressivo de Lixões, uma iniciativa que objetiva viabilizar o registro detalhado dos lixões que estão sendo ou serão desativados no estado, dos aterros sanitários implantados e do cronograma de conclusão do programa Lixão Zero.

O Contador Regressivo dos Lixões do estado do Rio será apresentado pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, e pela presidenta do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos.

Durante a apresentação, o secretário Carlos Minc detalhará o avanço do programa Lixão Zero nos municípios fluminenses e que já levou, somente este ano, à desativação de 16 lixões pelo governo estadual.

“Nos dados a serem apresentados, de forma transparente, constarão os lixões desativados de 2009 a 2010, o lixões já desativados em 2011 e os que serão interrompidos nos próximos anos”, informou a Secretaria do Ambiente, em nota. Ainda segundo a secretaria, o objetivo do detalhamento das ações de desativação dos lixões é fazer com que a sociedade acompanhe de perto o que vem sendo feito com o programa Lixão Zero, que visa a desativar todos os lixões do Rio. “Em cada caso citado, serão detalhadas a data da desativação, as toneladas de lixo retiradas e a destinação correta para aterros sanitários em diversos municípios”.

Fonte: AmbienteBrasil

25 de out de 2011

Caminhões de lixo são os que mais emitem dióxido de carbono


Estudo realizado com 15,7 mil veículos em todo o Brasil constatou que o transporte de lixo é o que mais emite dióxido de carbono por quilômetro rodado. De acordo com o levantamento feito por uma empresa de gerenciamento de frotas, caminhões de coleta de lixo emitem cerca de 1,24 kg de CO2 por quilômetro rodado. Em segundo lugar, estão os usados pelo setor químico, que emitem, em média, 1,11 kg do gás por km, e em terceiro lugar, as máquinas agrícolas e pesadas, com 1,02. Os que emitem menos são os veículos usados em emergências médicas, com 0,36 kg de CO2 por km, e os do setor de mineração, com 0,34 kg por km.

Rodrigo Somegyi, gerente de inovação e sustentabilidade da EcoFrotas, que realizou o estudo, acredita que a alta emissão de CO2 dos caminhões de lixo esteja mais relacionada com a característica da operação e do uso de diesel do que com a gestão de manutenção dos veículos. “É uma atividade onde muitas vezes o caminhão não passa da segunda marcha, o que gera um consumo elevado. O caminhão anda e para para que o lixeiro recolha o lixo em todos os pontos”, disse Somegyi ao iG.

O sistema de coleta de lixo é feito desta maneira em todo o mundo. “A solução para a questão do lixo é produzir menos resíduo. Porém, o fato de produzir menos lixo, não quer dizer que o caminhão vai parar de coletar. É importante ressaltar que embora o lixo produza metano, outro gás do efeito estufa, a coleta seletiva é uma forma de reduzir esta produção”, disse Gina Rizpah Besen da Faculdade de Saúde Pública da USP. No Brasil a média é de 1 a 1,2 kg de lixo produzido por pessoa a cada dia.

Somengyi afirma que a manutenção dos veículos é uma boa maneira de reduzir gastos e emissões. Ele explica que mantendo os pneus calibrados é possível reduzir o consumo de combustível em 5%, diminuindo também as emissões de CO2.

Ao dirigir 105 quilômetros com a pressão correta dos pneus é possível evitar a emissão de 1 kg de CO2 na atmosfera. Ao percorrer um trajeto a 80 km/h gasta-se 25% menos combustível do que dirigir a mesma distância a 112 km/h.

“Notamos que no segmento de transportes há uma lacuna no processo de monitoramento para gases do efeito estufa. Há medição de gases poluentes mas pouco gerenciamento para os gases do efeito estufa. Mesmo em países desenvolvidos, que precisam elaborar metas de redução das emissões, isto ainda é incipiente”, disse Somengyi.

Os dados do estudo foram conseguidos entre os caminhões das empresas para quem a EcoFrotas presta consultoria. Foram quase 40 segmentos estudados, nos quais foram analisados tipo de combustível, consumo por quilômetro rodado para, então fazer o cálculo das emissões de CO2.

Fonte: Portal iG

24 de out de 2011

Buraco na camada de ozônio chega a nível máximo nesta temporada


O buraco na camada de ozônio no hemisfério sul chegou a seu nível máximo anual em 12 setembro, ao alcançar 16 milhões de quilômetros quadrados, o 9º maior dos últimos 20 anos. As informações são da Nasa (agência espacial americana) e da Noaa (Administração Atmosférica e Oceânica dos EUA).

A camada de ozônio protege a vida terrestre ao bloquear os raios solares ultravioleta e sua redução adquire especial importância nesta época do ano, quando o hemisfério sul começa a ficar mais quente.

A Nasa e a Noaa utilizam instrumentos terrestres e de medição atmosférica aérea a bordo de globos e satélites para monitorar o buraco de ozônio no polo Sul, os níveis globais da camada de ozônio na estratosfera e as substâncias químicas artificiais que contribuem para a diminuição do ozônio.

"As temperaturas mais frias na estratosfera causaram neste ano um buraco de ozônio maior que a média", disse Paul Newman, cientista-chefe do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa.

"Embora fosse relativamente grande, a área do buraco de ozônio neste ano estava dentro da categoria que esperávamos, dado que os níveis químicos de origem humana persistem na atmosfera", lamentou.

O diretor da divisão de Observação Mundial da Noaa, James Butler, afirmou que o consumo dessas substâncias que destroem o ozônio diminui pouco a pouco devido à ação internacional, mas ainda há grandes quantidades desses produtos químicos causando danos.

No entanto, a maioria dos produtos químicos permanece na atmosfera durante décadas.

A Noaa esteve monitorando o esgotamento do ozônio no mundo todo, incluindo o polo Sul, de várias perspectivas, utilizando globos atmosféricos durante 24 anos para recolher os perfis detalhados dos níveis de ozônio, assim como com instrumentos terrestres e do espaço.

Fonte: Folha.com

20 de out de 2011

Estados da região Norte discutem Plano Nacional de Resíduos Sólidos


Os governos dos estados do Pará, Amazonas, Tocantins, Rondônia, Roraima e Acre iniciaram nesta terça-feira, 18, em Belém, as discussões para proposições ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) do Pará, a Audiência Pública da Região Norte será realizada até quarta-feira, 19. As contribuições estarão prontas para ser sistematizadas e apresentadas em Brasília, no próximo mês.

Silvano da Costa, representante da MMA na audiência, parabenizou a mobilização no evento, que mostra a importância que os governos dão ao tema e à preocupação com a resolução do problema dos resíduos sólidos. ”Há algum tempo, num evento como esse, era possível contar o número de pessoas. Hoje, já conseguimos reunir muita gente” , comemorou.

Ele também reforçou que o Plano pretende vincular o Governo Federal aos governos estadual e municipal. ”Não dava para a União fazer um plano sem considerar os estados. Outro ponto a ser destacado é que o Plano não é de resíduos sólidos urbanos, mas de todos os resíduos, e ainda estabelece as ferramentas e estratégias para a efetiva implementação da Política Nacional ”, complementou.

A titular da Sema do Pará, Teresa Cativo, reforçou o compromisso que o estado tem com a questão, assim como os representantes dos outros estados, e disse que é preciso mostrar as singularidades de cada um. “Precisamos observar o que acontece nos municípios. Os estados amazônicos precisam discutir e propor ideias para que o Plano consiga resolver o problema de gestão de resíduos sólidos”.

Os demais participantes também destacaram em discurso similar que os estados garantem maior aplicabilidade do Plano. No caso do Amazonas, por exemplo, dos 62 municípios existentes, em apenas cinco é possível chegar de carro, o restante só por meio fluvial ou aéreo.

O promotor de justiça do Ministério Público do Pará, Raimundo Moraes, pediu a todos para não esgotar os assuntos na audiência, mas que aproveitassem o momento para destacar a divisão de tarefas dos estados e a participação da sociedade. “O Plano não pode interferir na coleta de lixo dos municípios, mas deve tratar da reutilização de materiais que vão afetar a ponta nos custos finais, sim”. O fomento das atividades [dos catadores de lixo, por exemplo], que são relevantes para a sociedade é outro ponto que merece atenção, segundo o promotor.

Lançado no dia 1º de setembro, pelo MMA, a Consulta Pública para a versão preliminar do Plano será discutida em todas as regiões do Brasil. Nos dois dias do evento, em Belém, serão divididos grupos para debater os seguintes temas: Resíduos Sólidos Urbanos e Inclusão de Catadores de Materiais Recicláveis; Resíduos de Serviços de Saúde, Portos, Aeroportos e Terminais Rodoviários; Resíduos Industriais; Resíduos de Mineração; Resíduos Agrossilvipastoris; e Resíduos da Construção e Demolição. No momento da inscrição, o interessado deve optar por participar de um dos grupos.

A Audiência servirá para a implementação da PNRS com a apresentação da situação macroeconômica e institucional, diretrizes, estratégias e as metas para o manejo adequado de resíduos sólidos no Brasil. O acesso público ao documento preliminar está disponível no sítio eletrônico do MMA, que receberá contribuições da sociedade até o dia 7 de novembro de 2011

Fonte: MMA

Pernambuco avalia medidas para evitar que importação ilegal de lixo hospitalar prejudique trabalhadores e consumidores

Foto: R7.com

Diante da repercussão da compra irregular de lixo hospitalar norte-americano por uma empresa têxtil do estado, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), convocou uma reunião com representantes dos vários órgãos envolvidos com o caso.

Segundo a assessoria do governo, serão definidas as providências a tomar para garantir a segurança e a integridade dos trabalhadores e consumidores pernambucanos. Eduardo Campos também pretende atenuar eventuais impactos sobre o setor produtivo, atingido pelas denúncias, que envolvem, até o momento, uma única empresa, a Na Intimidade. Ela funciona com o nome fantasia Império do Forro de Bolso.

Coordenada pelo secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, o encontro começou as 13h30 (hora local, já que o estado não entrou no horário de verão), no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual.

Além de diversos secretários de estado, como o de Saúde, Antônio Figueira, participam da conversa os prefeitos de Santa Cruz de Capibaribe e de Toritama, além do vice-prefeito de Caruaru, cidades onde três estabelecimentos foram interditados nos últimos dias por guardar ou comercializar tecidos com as logomarcas de hospitais norte-americanos. Os três locais pertence a Império do Forro.

As autoridades encontraram nos estabelecimentos pedaços de tecido e forros de bolso prontos para a venda. Além da logomarca de hospitais norte-americanos, as peças tinham manchas que podem ser de sangue. Todo o material apreendido nos três locais guarda semelhanças com as 46 toneladas de lençóis, fronhas, toalhas de banho, batas, pijamas e roupas de bebês retidas na semana passada, no Porto de Suape, em Pernambuco.

Também participam da reunião representantes da Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco, da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), da Receita Federal e do polo de confecções do Agreste pernambucano.

Fonte: AmbienteBrasil 

19 de out de 2011

Comércio excessivo de atum-rabilho pode diminuir população da espécie


Quantidade vendida no mercado em 2010 foi 140% superior à permitida.
Entre 1998 a 2010, comércio da espécie movimentou US$ 13 bi no mundo.


Levantamento realizado pela organização ambiental Pew Environment Group, dos Estados Unidos, aponta que a comercialização do atum-rabilho (Thunnus thynnus) em 2010 foi 140% superior à cota permitida pela Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT na sigla em inglês), fato que pode ser uma ameaça à preservação da espécie.


De acordo com a análise, em 2010 o mercado poderia comercializar apenas 13.525 toneladas deste peixe, muito utilizado na Europa e na Ásia (principalmente na produção de sushi), mas foram vendidas 32.564 toneladas. Estes índices não levam em consideração os exemplares capturados e ofertados pelo mercado negro.

Entre 1998 e 2010, foram comercializadas 490 mil toneladas de atum-rabilho (negociações estimadas em US$ 13,5 bilhões). Entretanto, no período a cota permitida era de 98 mil toneladas.
Para a organização ambiental, se os limites de comercialização do atum-rabilho, também conhecido como atum-de-barbatana-azul-do-Atlântico, não forem respeitados, a chance de aumentar a população da espécie até 2022 cai em 24%, segundo uma avaliação feita por cientistas a pedido da ICCAT.
Chefs de sushi tentam erguer um enorme atum-rabilho antes de cortá-lo em pedaços no centro de Seul, na Coreia do Sul. Com 350 kg e 2,7 metros de comprimento, este foi o maior atum-rabilho já pescado no país, e seu preço é avaliado em cerca de US$ 23 mil. (Foto: Lee Jin-man/AP)
Exemplar de atum-rabilho capturado na Coreia do Sul. Espécie pode ser uma das primeiras a desaparecer devido à sobrepesca (Foto: Lee Jin-man/AP)

Risco de desaparecer
Este peixe corre risco de extinção de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN da sigla em inglês). O atum-rabilho chega a ter quatro metros de comprimento e pesar 250 quilos. Devido à ocorrência de sobrepesca (retirada acima do que é permitido por órgãos ambientais) em algumas regiões, a espécie pode ser uma das primeiras a desaparecer.
O estudo da Pew Environment Group aponta que se os países membros da comissão internacional não desenvolverem um sistema de documentação eletrônica para controlar a venda da espécie, o combate à pesca ilegal ficará mais difícil. Além disso, a ONG cobra medidas punitivas para práticas ilegais.
Fonte: G1

18 de out de 2011

Recursos naturais podem ter colapso em 40 anos, dizem especialistas

Foto: G1.com

Uma previsão catastrófica do planeta Terra para os próximos 40 anos foi divulgada nesta segunda-feira (17) por especialistas da área de clima e saúde reunidos em uma conferência em Londres, no Reino Unido.

Segundo os pesquisadores, recursos naturais da Terra como comida, água e florestas, estão se esgotando em uma velocidade alarmante, causando fome, conflitos sociais, além da extinção de espécies.

Nos próximos anos, o aumento da fome devido à escassez de alimentos causará desnutrição, assim como a falta de água vai deteriorar a higiene pessoal. Foi citado ainda que a poluição deve enfraquecer o sistema imunológico dos humanos e a grande migração de pessoas fugindo de conflitos deverá propagar doenças infecciosas.

Tony McMichael, especialista em saúde da população da Universidade Nacional Australiana, afirmou que em 2050, somente a região denominada África Subsaariana seria responsável por aumentar em 70 milhões o número de mortes.

Outro ponto citado se refere ao aumento dos casos de malária entre 2025 e 2050 devido às alterações climáticas, que tornaria propícia a reprodução do mosquito transmissor da doença. “A mudança climática vai enfraquecer progressivamente o mecanismo de suporte de vida da Terra”, disse McMichael.

Aumento populacional – De acordo com os especialistas, o aumento da população (estimada em 10 bilhões em 2050) vai pressionar ainda mais os recursos globais. Outra questão citada são os efeitos nos países ricos, principalmente nos da Europa.

“O excesso de consumo das nações ricas produziu uma dívida ecológica financeira. O maior risco para a saúde humana é devido ao aumento no uso de combustíveis fósseis, que poderão elevar o risco de doenças do coração, além de câncer”, afirmou Ian Roberts, professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Além disso, o Velho Continente estaria sob risco de ondas de calor, enchentes e mais doenças infecciosas para a região norte, disse Sari Kovats, uma das autoras do capítulo sobre a Europa no quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que será lançado entre 2013-2014.

Espécies em risco – De acordo com o Paul Pearce-Kelly, curador-sênior da Sociedade Zoológica de Londres, cerca de 37% das 6 mil espécies de anfíbios do mundo podem desaparecer até 2100. Os especialistas afirmam que na história do planeta ocorreram cinco extinções em massa, entretanto, atualmente a taxa de extinção é 10 mil vezes mais rápida do que em qualquer outro período registrado.

“Estamos perdendo três espécies por hora e isso antes dos principais efeitos da mudança do clima”, disse Hugh Montgomery, diretor do Instituto para Saúde Humana e Performance da University College London.

Fonte: G1

17 de out de 2011

Reservas no Pantanal são utilizadas como campo para pesquisas

RPPNs conservam a natureza e a descoberta de novas espécies. 

Embrapa trabalha em uma das maiores planícies inundáveis do planeta.


Uma imensidão onde o verde das matas se mistura ao azul das baías. São milhares espalhadas pelos 140 mil quilômetros quadrados do Pantanal brasileiro, uma área equivalente à do estado do Ceará.
A planície pantaneira abriga mais de duas mil espécies de plantas, 580 espécies de aves e 152 espécies de mamíferos. Um lugar onde a vida se adapta aos ciclos de seca e cheia todos os anos.
O Pantanal abriga 28 reservas RPPNs, Reservas Particulares do Patrimônio Natural que ajudam a conservar essa riqueza. Na região da Nhecolândia, em Mato Grosso do Sul, a fazenda Nhumirim, tem 862 hectares e pertence à Embrapa Pantanal. São cerca de 20% do total da fazenda. A Embrapa é uma empresa e por isso pode criar áreas de RPPN.
Marcos Tadeu, supervisor da fazenda, diz que tudo começou há 24 anos. “Nossa RPPN foi criada em 1987, claro que ela é anterior a figura da RPPN, ela era uma estação ecológica, e até antes disso tinha já essa preocupação da Embrapa de ter um espaço que diferenciasse das outras ivernadas da fazenda, ou seja, tirar o boi o cavalo daqui”, explica.
Nos pastos nativos são criados 100 cavalos pantaneiros e mais 100 bois pantaneiros, que são objetos de estudo na fazenda, mas esses animais são impedidos de entrar na RPPN. Essa grande área de conservação recebe pesquisadores de todo o Brasil e do exterior.
José Maurício Barbanti, médico veterinário e doutor pela Unesp de Jaboticabal em São Paulo, levou para a fazenda uma equipe de alunos para desenvolver uma pesquisa sobre o comportamento dos veados catingueiros. E não escolheu o Pantanal por acaso. “Aqui é o único lugar onde a gente consegue fazer as capturas do veado catingueiro, porque nós temos esse mosaico de áreas abertas e fechadas, e quando ele sai em um ambiente aberto, é que a gente consegue visualizar e consegue ter acesso para fazer a aplicação do dardo anestésico nele”, afirma. O trabalho de captura exige paciência e ocupa praticamente todo o dia dos pesquisadores. Uma coleira permite aos pesquisadores rastrear os animais via satélite.
A fazenda Nhumirim revela uma fauna riquíssima, principalmente de pássaros. É possível ver caturritas em busca de gravetos para fazer o ninho, pato do mato, quero-quero e marrecos buscando comida, além do papagaio galego e das araras vermelhas. A quantidade de aves e o estado de conservação do Pantanal são tão grandes que permitem a aproximação de animais como o carcará. Em outras regiões do Brasil não é tão fácil chegar perto dessa ave.
Todos esses animais têm a garantia de que dentro da RPPN, a natureza cresce intocada. “O fato de preservar uma região como um todo, nos dá a segurança de que a interação entre as espécies e toda a evolução do sistema, seja conservada para que ela possa seguir o seu curso”, declara Ubiratan Piovezan, zootecnista.
As reservas são importantes não só na preservação da flora, mas também das aves, como a arara-azul, por exemplo. Na mata fechada é mais fácil encontrar o Manduvi, a árvore é a preferida da arara-azul para fazer os ninhos. Só que para atingir as condições ideais para a ave, ela precisa estar com mais de 60 anos, algumas tem aproximadamente 15 metros.
O biólogo Alessandro Pacheco, estuda aves do Pantanal há dez anos. Já registrou mais de 300 espécies só na região da Nhumirim. Ele explica que a arara-azul gosta do Manduvi por causa do tronco que é mais macio para cavar e fazer os ninhos. “Antes tem todo um processo de quebra do galho, o pau faz um oco, ai vem um periquito, um papagaio, até chegar a arara. É uma dinâmica bem longa”, explica.
Na reserva da Nhumirim estão 20 das cerca de 100 baías da fazenda. Nelas, famílias inteiras de tuiuiús, ave símbolo do Pantanal, se alimentam longe de ameaças. Na hora de alçar vôo, o tuiuiú exibe toda sua beleza: asas que podem chegar a dois metros de uma ponta a outra.
As salinas, lagoas de água salgada, servem de fonte de alimento por causa da grande quantidade de larvas de insetos e crustáceos que vivem nesses locais. Aves migratórias, como o pernilongo, pássaro de pernas longas do sul do Brasil e outras espécies de muito mais longe se deliciam nesse banquete.
“Forma uma massa viva de invertebrados, está fervendo vida mesmo nas bordas da salina. Essas espécies que vem da América do Norte, elas passam um tempo aqui, ou os indivíduos mais jovens permanecem aqui um tempo até ficarem maduras e voltar para América do Norte ou são indivíduos mais adultos que estão de passagem aqui para a Patagônia”, explica o biólogo.
A região é tão importante para a preservação das aves que foi incluída na lista de áreas de conservação da organização não-governamental Birdlife International, reconhecida mundialmente.
E não são apenas os pássaros que fazem a riqueza do lugar. A reserva revela surpresas até hoje para os pesquisadores. “Dentro da RPPN da fazenda Nhumirim foi pego em uma rede um morcego, considerado o maior das Américas, em torno de quase um metro de envergadura. Em uma área de capim carona foi encontrada uma espécie nova de lagarto, que está sendo descrita pela primeira vez pela ciência'', conta Alessandro Pacheco.
Fonte: G1

14 de out de 2011

Governo terá planos de conservação para 220 espécies ameaçadas


Ministra do Meio Ambiente disse que planos serão concluídos neste ano.
Ministério contabiliza 627 animais na lista de espécies ameaçadas.


O governo federal deve concluir até o final deste ano planos de conservação para cerca de 220 espécies ameaçadas de extinção, informou nesta sexta-feira (14) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Conforme a ministra, isso representa 35% dos 627 animais na "lista vermelha", a lista das espécies ameaçadas,
Os planos do restante das espécies ameaçadas devem ser terminados até 2014, afirmou a ministra.
"A experiência mundial mostra que esse instrumento de planejamento é fundamental para a conservação. É uma de nossas principais estratégias para conservação de espécies", disse a ministra durante o colóquio "A proteção de espécies ameaçadas de extinção no Brasil", promovido pela Comissão de Meio Ambiente do Senado.
Código Florestal
Ainda de acordo com ela, a aprovação do novo Código Florestal deve facilitar as ações de conservação, pois a maioria das espécies ameaçadas está fora de unidades de conservação.
"O Código Florestal é importante nesta discussão porque temos a maior parte da biodiversidade hoje nas APPs [Áreas de Preservação Permanente] e em áreas de reserva legal", afirmou. A reserva legal é a área de vegetação nativa que deve ser protegida dentro da propriedade. Já as APPs são áreas frágeis como topos de morros e margens de rios.
A ministra explicou que o novo Código traz a proposta de criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), que permitiria que o proprietário fosse compensado por criar áreas de preservação dentro de seu terreno.
Ela acredita que a votação do novo Código será finalizada até o fim do ano. O Código Florestal foi aprovado em maio pela Câmara, mas deve ser votado com algumas alterações no Senado. Se houver modificação, a Câmara volta a apreciar a matéria.
"Deve ser votado até o final do ano. O que tenho conhecimento de todos os relatores, senadores, todos indicam que é um tema prioritário", disse.
Desafios
A ministra citou ainda três pontos como os principais desafios do ministério para a conservação de espécies. A primeira é a elaboração de uma estratégia de conservação atual, chamada Agenda 2020, que deve ser apresentada em 2012. A segunda é conseguir que os estados se engajem nas políticas e ações federais.
"Se 75% das espécies ameaçadas estão resguardadas em áreas federais, quantas estão nas estaduais? É muito pouco. Temos que ter um olhar mais cuidadoso sobre as unidades de conservação", disse.
O terceiro ponto citado por Izabella seria mudar a forma de ver as contribuições que a ciência pode dar ao tema. "Precisamos de uma estratégia de conhecimento diferente, não de ameaça e pessimismo, mas de parceira. É importante mudar a abordagem de lidar com a ciência e enxergar nos apontamentos soluções para mudar a gestão ambiental".
Fonte: G1

13 de out de 2011

Mais de 50% dos resíduos sólidos produzidos no país têm destinação correta, mas 4 mil municípios ainda usam lixões


O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Nabil Bonduki, defendeu nesta segunda-feira (10) o empenho dos municípios de todo o país para que ao Brasil possa cumprir até 2014 a lei que determina o fim dos lixões e adoção dos aterros sanitários. Segundo ele, 58% dos resíduos sólidos produzidos no país já têm destinação adequada. No entanto, cerca de 4 mil municípios, responsáveis pela produção dos outros 42%, ainda despejam em lixões os materiais descartados pela população.

Apesar do número expressivo, Bonduki espera que nos próximos meses haja uma melhoria significativa do sistema de manejo dos recicláveis. De acordo com ele, 800 municípios estão elaborando projetos com essa finalidade, o que deve elevar para 80% o total de resíduos com destinação adequada.

“Os 20% restante terão que atuar em uma força-tarefa para que possam alcançar bons resultados. Os municípios de pequeno porte devem se mobilizar, elaborar planos de maneira intermunicipal para que possamos atingir a meta”,disse ele, após participar, nesta segunda-feira, da abertura da audiência pública sobre sobre o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A audiência, que termina nesta terça-feira (11), é a terceira que trata do tema e objetiva coletar sugestões para a nova política do setor. Nos dias 13 e 14 de setembro, o assunto foi debatido em Mato Grosso do Sul, com participação de representantes de Goiás, Mato Grosso e do Distrito Federal.

Nos dias 4 e 5 deste mês, houve audiência em Curitiba. Os próximos encontros ocorrerão em Recife, nos próximos dias 13 e 14, e em Belém, nos dias 18 e 19 deste mês. O último debate público será nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, em Brasília. Depois disso, a presidenta Dilma Rousseff deverá assinar decreto regulamentando o Plano Nacional de Resíduos Sólidos.

Segundo Bonduki, o estado de São Paulo produz um quarto dos resíduos sólidos do país. Apesar disso, SP é a unidade da Federação que tem maior cobertura de aterros sanitários, devido ao seu poder econômico. No entanto, assinalou o secretário, ainda falta “cumprir a segunda parte da lição que é a coleta seletiva”

Além da destinação adequada de resíduos sólidos urbanos, outros temas estão sendo discutidos nas audiências públicas. Entre ele, as políticas de inclusão dos catadores de materiais recicláveis, os resíduos de serviços de saúde, portos, aeroportos e terminais rodoviários, os resíduos industriais, os resíduos de mineração, os resíduos agrossilvopastoris e os resíduos da construção civil. 

Fonte: AmbienteBrasil

12 de out de 2011

Brasil desconhece nível de contaminação de águas subterrâneas


Não existe dado nacional sobre qualidade dos aquíferos, admite agência.
Investimento de R$ 15 milhões visa identificar possíveis focos de poluição.


O governo federal pretende desembolsar R$ 15 milhões para que a Agência Nacional de Águas (Ana) investigue possíveis contaminações em áreas que concentram grande volume de água subterrânea.
O objetivo é fazer um levantamento nacional sobre as condições destes locais e delinear ações preventivas para conservar essas áreas da alta concentração urbana, responsável pelo lançamento de rejeitos industriais e esgoto sem tratamento em nascentes e cursos de água.
Ainda não existem no Brasil estatísticas nacionais sobre a quantidade de solos e águas subterrâneas que sofreram danos ambientais. Um dos motivos é que a responsabilidade de manutenção é dos estados. "Estamos atrasados, mas ainda há tempo para obter este conhecimento", diz o geólogo Paulo Varella, diretor da Ana.
A formação de grandes cidades, que concentram indústrias e, muitas vezes, bairros sem infraestrutura de saneamento básico, pode já ter contaminado o solo e, consequentemente, as águas de reservatórios naturais, mesmo aqueles localizados a uma profundidade que varia de 80 metros a 1.000 metros  de profundidade.
"Mesmo com algumas contaminações constatadas, como na região de São Paulo, por exemplo, são poucos os pontos para a grande quantidade de reservas que existem no Brasil", explica Varella.
Investigação ambiental
De acordo com ele, o primeiro estudo iniciado foi na bacia do Rio Amazonas, considerada a maior do mundo. Posteriormente, serão analisados os aquíferos Urucuia (principal fornecedor de água para o Rio São Francisco, no Nordeste do país), Açú e Jandaíra (que abrange o Ceará e Rio Grande do Norte), além do Guarani, o maior do país, com 45 mil km³ de volume de água e que passa pela Argentina, Paraguai e Uruguai.
Serão analisadas características hidroquímicas (qualidade das águas) e hidrodinâmicas (extensão dos reservatórios e volume deles). Na Bacia do Amazonas, o prazo de conclusão dos estudos está previsto para o primeiro semestre de 2013.
“Vamos fazer o diagnóstico dessa região no intuito de prevenir quaisquer contaminações. A nossa expectativa é que consigamos descrever detalhes que vão colocar este aquífero na região da Bacia do Amazonas entre os maiores do mundo e maior até que a o aquífero Guarani”, explica Varella.
Rio Amazonas (Foto: Rede Globo)Imagem do Rio Amazonas, a maior bacia hidrográfica do mundo. Águas que existem abaixo da superfície podem reunir um dos maiores aquíferos do mundo, segundo a Agência Nacional de Águas (Foto: Rede Globo)
Brasil: um país com pouco saneamento básico
Entretanto, o diretor da agência afirma que já podem existir trechos do reservatório já contaminados devido à falta de saneamento nas grandes cidades. “Nas proximidades de Belém (PA) já há registros de contaminação por falta de tratamento de esgoto. É uma realidade do Brasil que precisa ser melhorada”, explica.
Segundo o relatório “Conjuntura dos Recursos Hídricos”, divulgado neste ano pela Ana, o Brasil coleta 56,6% do esgoto doméstico urbano. Entretanto, apenas 34% deste volume passa por tratamento.
Varella cita que investimentos neste setor são necessários, pois a recuperação de reservatórios subterrâneos de água podem demorar anos. “Mais que o tempo de vida de uma pessoa. A saúde dos aquíferos depende dos primeiros metros de solo. Não vamos ter erradicação da pobreza se não cuidarmos do saneamento básico. Mas o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) tem voltado recursos para este setor”, afirma.
Fonte: G1
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