31 de ago de 2011

Estudo aponta fezes de panda como fonte para combustível alternativo


pandas (Foto: AP)
Cientistas que participam nesta terça-feira (30) de encontro da Sociedade Americana de Química, nos Estados Unidos, divulgaram pesquisa sobre o uso de fezes de urso panda na produção de biocombustíveis a partir da celulose.
Segundo especialistas, as fezes deste mamífero contêm bactérias que agem de forma intensa na quebra de matérias-primas vegetais, chamadas lignocelulose, e que são encontradas no capim, em talos de milho e lascas de madeira.
De acordo com Ashli Brown, responsável pelo estudo, a aplicação deste material orgânico poderia acelerar a produção dos combustíveis a partir de celulose e reduziria a dependência de alimentos preciosos como o milho e a cana de açúcar (principais componentes dos combustíveis alternativos criados atualmente), além do petróleo estrangeiro.
Os pandas-gigantes (Ailuropoda melanoleuca) têm bactérias em seus sistemas digestivos que quebram a celulose das plantas consumidas. Diariamente, um exemplar desta espécie consome até 40 quilos de bambu. As fezes empregadas na pesquisa, que durou um ano, vieram de animais abrigados no zoológico de Memphis.
"Esperamos que os resultados ajudem no desenvolvimento dos biocombustíveis no futuro, além de reforçar a importância da conservação da vida selvagem", afirmou Ashli.
Fonte: G1

30 de ago de 2011

Brasil deve mudar postura e reduzir emissões de CO2, diz estudo do Ipea


Reunião final da COP 16 (Foto: Dennis Barbosa/G1)



A não execução do Protocolo de Kyoto é um dos pontos mais discutidos na publicação “O acordo de Copenhague e as decisões de Cancún no contexto da Convenção do Clima”, lançado nesta segunda-feira (29) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O documento informa ainda que o Brasil, considerado um país emergente, deve mudar sua postura quanto às emissões atuais e futuras de CO2 devido ao estágio de desenvolvimento econômico que se encontra atualmente.
O compromisso firmado por 37 países industrializados em 1997 previa que estes reduzissem 5,2% de suas emissões de gases que aquecem o planeta, em relação às emissões de 1990. O instituto relembra que a data limite para esse compromisso termina em 2012, porém, ao contrário de reduzir as emissões, muitos países aumentaram os gases poluentes que lançam na atmosfera.
A recusa dos Estados Unidos em assinar o acordo de Kyoto, que acabou enfraquecido pela não participação do presidente Barack Obama na última conferência, em Cancún, no México, foi outro ponto debatido pelo Ipea.
A pesquisa aponta que apenas os países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda defendem que a meta de redução de 5,2% deve ser seguida e critica o fato de a maioria das nações industrializadas, os maiores poluidores historicamente, recusarem-se a aceitar que o acordo seja a única solução para a crise climática do país.
Mudança de postura
A participação crescente dos emergentes no ranking dos maiores poluentes é outro ponto do documento. A China, a Índia e o Brasil são apontados como países que devem mudar a postura em relação aos acordos climáticos e começar a ter uma responsabilidade maior em relação às emissões de CO2. Segundo dados do Instituto de Recursos Mundiais (WRI, na sigla em inglês), os chineses já estão em segundo lugar no ranking dos maiores poluidores do mundo, ficando atrás apenas dos EUA.
Para o Ipea, um dos avanços da última conferência, no México, foi a oficialização do objetivo de limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius. Além disso, o acordo de Cancún trouxe compromissos de mitigação indicados para quase todos os países.
Outro ponto positivo foi a criação do Green Climate Fund, que prevê investimentos anuais de US$ 100 bilhões até 2020 com foco na elaboração de projetos de adaptação e desenvolvimento de baixo carbono em países de menor desenvolvimento.
Apelo
A conclusão da publicação é um apelo para que a próxima Conferência (COP17), que vai acontecer no fim deste ano em Durban, na África do Sul, trate de três questões fundamentais. A primeira é de ordem geopolítica e tem como base o fim da polarização entre os Estados Unidos e a China, o que pode viabilizar um novo acordo com metas ambiciosas por meio tanto da criação de barreiras comerciais como pela competitividade tecnológica.
O segundo ponto seria a criação de sanções comerciais, algo que alguns países desenvolvidos já estão propondo: leis climáticas nacionais que penalizem a importação de produtos dos países que não tenham redução de emissões reconhecidas pelas Nações Unidas.
E o terceiro caminho apontado é um confronto dirigido para a conquista de mercados internacionais, onde as lideranças econômicas mundiais poderão se engajar por um novo paradigma de concorrência via um crescimento econômico limpo, com efeitos indiretos para todos os países.
Fonte: G1

29 de ago de 2011

Cerca de 8 milhões de pilhas e baterias já foram recolhidas no País


No mesmo ano em que a Política Nacional de Resíduos Sólidas (PNRS) foi sancionada, 2010, foram recolhidas cerca de 8 milhões de pilhas e baterias no Brasil e recicladas cerca de 8 mil. A informação foi prestada pela gerente de Resíduos Perigosos do MMA, Zilda Veloso, nesta quinta-feira (25) na Comissão de Assuntos Sociais, do Senado.

A logística reversa – ou seja, a obrigatoriedade de recolhimento de embalagens ou dos próprios produtos fabricados depois de usados pelo consumidor – está prevista não apenas na PNRS, mas também no Decreto 7404/10 e na Resolução 401/08 do Conselho Nacional de Meio Ambiente, disse a gerente.

Pilhas e baterias estão entre os produtos citados no artigo 33 da PNRS. Também estão explícitos pela legislação os pneus, as lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, resíduos e embalagens de agrotóxicos e de óleos lubrificantes, embalagens em geral e os produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

“Já temos no País 1.800 pontos de recolhimento de pilhas e baterias. Falta ainda que os consumidores se habituem a entregá-las”, comentou Zilda Veloso. Ela afirmou que esses produtos contêm metais pesados prejudiciais ao meio ambiente. “Principalmente as pilhas comuns e especialmente aquelas compradas no comércio irregular”, advertiu.

A gerente de Resíduos Perigosos ressaltou que o Programa de Consumo Sustentável, do MMA, assim como a PNRS, estão promovendo mudanças no padrão de consumo dos brasileiros, e que o ministério está em campanha educativa para que a população passe a selecionar o lixo doméstico para encaminhá-lo a
reciclagem.

Fonte: MMA

26 de ago de 2011

Sistema de meio ambiente exige fiscalização integrada, diz ministra


A ministra Izabella Teixeira afirmou nesta quarta-feira (24) que o sistema de meio ambiente exige ação fiscalizadora integrada, não se limitando aos órgãos ambientais. Ela esteve em audiência pública conjunta da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e da Comissão de Agricultura, na Câmara dos Deputados. A reunião tratou de denúncias de ocupação ilegal de áreas de proteção ambiental divulgadas em 31 de julho pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Também participou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence.
Izabella Teixeira respondeu sobre a estrutura de fiscalização do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) – que articula a União, estados e municípios para a proteção ao meio ambiente no País.
A ministra esclareceu sobre a estrutura de fiscalização ambiental, que em muitos casos atua “em caráter supletivo”, referindo-se ao fato de não caber somente à União as ações para a proteção ao meio ambiente.
Ela enfatizou o papel do Ibama e da Comissão de Combate aos Crimes Ambientais na coordenação de ações de fiscalização, mas reiterou a necessidade de parcerias. “Trabalhar na vigilância permanente e preventiva envolve Batalhões Florestais, Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência, Polícia Rodoviária Federal, Exército e, como no Gabinete de Crise, polícias dos estados, Militares, Civis e também aos municípios, se tiverem força de fiscalização”.
Reportagem - “A responsabilidade direta e imediata pelo acompanhamento dos eventos citados na reportagem é, em sua maioria, dos órgãos estaduais e municipais, mesmo que sob normas gerais estabelecidas pela legislação federal”, enfatizou Izabella, e comentou uma a uma as ocupações ilegais divulgadas no programa.
APA Tamoyos – A primeira das denúncias a ser respondida foi sobre a construção de uma mansão de 1.750 m², por Antônio Cláudio Brandão, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoyos, unidade de conservação ambiental criada na faixa de marinha do município de Angra dos Reis (RJ).
A ministra enfatizou que a mansão foi construída em contradição à determinação do Plano de Manejo da APA, que limitava em 255m² as ampliações do imóvel. A decisão estadual provocara embargo da obra por parte do Ibama e aplicação de multa no valor de R$ 1 milhão. Além disso, o Ministério Público Federal pediu a sua demolição. O processo tramita na Justiça.
Aldeia da Baleia – O condomínio, localizado no município de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, tem processo aberto na Secretaria de Meio Ambiente do estado, em razão do Auto de Infração Ambiental n° 17544/2000 por desmatamento e aterros considerados irregulares. Em consequência disso, no ano seguinte, foi assinado Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental.
Descumpridos os compromissos, em 2005, o Ministério Público abriu processo, que está em tramitação. Em maio deste ano, foi aberta Ação Civil Pública contra a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, governo do estado e o empreendedor (KPB Empreendimento Imobiliário SPE Ltda e Sundays Participações) devido a novas irregularidades na região.
Izabella esclareceu ao presidente da Comissão de Fiscalização Financeira, Sérgio Brito, e aos deputados, que as informações foram obtidas por meio de órgãos estaduais não vinculados ao Ministério do Meio Ambiente. A Cetesb informou que nenhuma autorização de supressão de vegetação será concedida até a conclusão do processo Judiciário.
“As áreas que se referem ao condomínio Aldeia da Baleia não são unidades de conservação, mas Áreas de Preservação Permanente (APPs), previstas pelo Código Florestal”, enfatizou a ministra aos deputados ue participaram da audiência pública. A legislação determina que se constituem como APPs, por exemplo, as margens de rios e encostas de montanhas.
Rio Preguiças – Localizadas na margem direita do Rio Preguiças – “lembrando que a zona de amortecimento do Parque Nacional Lençóis Maranhenses limita-se à margem esquerda do rio”, esclareceu Izabella Teixeira – as construções irregulares, em área de preservação permanente, vêm sendo autuadas pelo Ibama desde 2004, com embargos e ordens de demolição. O MMA chama a atenção para o fato de que o Fantástico não divulgou as obras paralisadas por embargos e a fiscalização feita pelo Instituto Chico Mendes, que foi acompanhada por repórteres da Globo.
Saco de Mamanguá – Localizada em Paraty, no Rio de Janeiro, a casa de Alexandre Negrão está na Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, unidade de conservação de uso sustentável federal que se sobrepõe à Reserva Ecológica Estadual de Joatinga, cujo decreto de criação, de outubro de 1992, interdita novas edificações em seu interior. Portanto, a moradia não é passível de regularização ambiental. Por esse motivo, o pretenso proprietário foi multado pelo Ibama e também pelo órgão estadual em cerca de R$ 1 milhão, e é alvo de ações na Polícia Federal e no Judiciário, para a demolição do imóvel.
Servidores - Ainda respondendo questões das comissões da Câmara dos Deputados, a ministra citou números dos 4 mil funcionários do ICMBio – sendo 2 mil brigadistas contratados para combater incêndios e queimadas, que ajudam na vigilância permanente das áreas protegidas do País. Além de 1,3 mil fiscais do Ibama, com 900 analistas ambientais qualificados para serem fiscais
Fonte: Ambiente Brasil

25 de ago de 2011

Estados e municípios se preparam para implementar PNRS


Promover uma integração maior entre Governo Federal, estados e municípios para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que completou um ano neste mês. Esse é o objetivo da reunião realizada, nesta quarta-feira (24) e quinta-feira (25), em Brasília. ”Estamos num momento estratégico. O momento em que cabe aos estados estimular, apoiar os municípios para fazer os seus planos integrados e para colocar em prática aquilo que é o objetivo final da política”, destacou o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Nabil Bonduki, na abertura do encontro.
Nesses dois dias, além de representantes do Ministério do Meio Ambiente e seus parceiros, os secretários de meio ambiente de 16 estados e os gestores municipais terão a oportunidade de promover um balanço dos consórcios intermunicipais. “A ideia é dialogar um pouco sobre os desafios que a PNRS trouxe para os estados e municípios, as oportunidades de apoio que o Governo vai continuar trazendo, e ao mesmo tempo, preparar a secretaria de meio ambiente desses estados e municípios para esses desafios. A expectativa é que, ao final do encontro, tenhamos traçado os próximos passos para a área de resíduos sólidos”, declarou o diretor de Ambiente Urbano, Silvano Silvério.
O diretor da Área de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) , Guilherme de Oliveira, lembrou da importância da construção de um novo modelo de gestão de resíduos sólidos. “O Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente, está coordenando essa importante ação governamental. A Codevasf, que tem sob sua responsabilidade a estruturação de 20 consórcios nas Bacia do São Francisco e do Parnaíba, com grandes desafios enfrentados nos último cinco anos, está satisfeita de participar desse processo”, afirmou.
Para o o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Nabil Bonduki, “esse momento é muito importante porque estamos iniciando o debate da PNRS. Temos um prazo até 2012 para que os planos municipais sejam realizados, e depois, 2014 para ter os primeiros resultados gerais dessa política. Estamos conclamando os municípios a estabelecer uma parceria mais permanente com a nossa secretaria, não só porque tem a PNRS, mas tem as políticas de ambiente urbano, como a qualidade do ar, como o acompanhamento das áreas contaminadas, e toda a política ambiental voltada às APPs e áreas de proteção urbanas”, finalizou.
Desde junho, o Ministério do Meio Ambiente está veiculando, nos principais meios de comunicação, a campanha ”Separe o o lixo e acerte na lata” para ajudar a divulgar as soluções propostas pela PNRS. O objetivo da campanha é preparar e educar a sociedade brasileira para uma mudança de comportamento em relação à coleta seletiva do lixo, ressaltando os benefícios ambientais, sociais e econômicos do reaproveitamento dos resíduos sólidos para o País. A campanha ensina a separar o lixo seco do úmido, uma medida simples que facilita a vida dos catadores, mesmo nas cidades onde não exista ainda o serviço de coleta seletiva.
Fonte: Ambiente Brasil

24 de ago de 2011

Brasil quer aproveitar Copa do Mundo para reforçar ações voltadas à sustentabilidade


A decisão do governo federal de trabalhar com uma agenda voltada à sustentabilidade para a Copa do Mundo de 2014, contemplando, por exemplo, um programa de produtos orgânicos, é uma inovação. “É a primeira Copa que trabalhará isso”, disse o coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014, do Ministério do Esporte, Cláudio Langone.

Nesta terça-feira (23), ele participou do seminário Green Rio-Oportunidades e Desafios da Copa 2014, promovido pelo portal Planeta Orgânico na sede do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro (Sebrae/RJ).

Segundo Langone, o ciclo de eventos internacionais programados para o Brasil, que se iniciaram este ano com os Jogos Mundiais Militares, no Rio, deve ser aproveitado para a criação de uma agenda positiva.

Ele acredita que esses eventos vão representar, por exemplo, uma oportunidade para o Brasil promover a agricultura orgânica. Além da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o Brasil vai sediar em 2012, no Rio de Janeiro, a Conferência Rio+20 da Organização das Nações Unidas (ONU), cujo tema central será a economia verde.
 
Fonte: AmbienteBrasil

Reserva mexicana quintuplica número de peixes em dez anos


Cabo Pulmo é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas; veja galeria de fotos
Uma reserva marinha na costa oeste do México conseguiu quase quintuplicar seu número de peixes em dez anos, mostra um estudo de várias instituições sob a coordenação do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

O projeto de recuperação na área do Parque Nacional Cabo Pulmo, no Estado da Baja Califórnia, foi fruto do entusiasmo e dedicação da população local. Incomodada pela devastação do ecossistema, estabeleceu o parque em 1995 e, desde então, dedica-se a protegê-lo.


"As mudanças mais importantes que observamos é que o número de espécies no parque aumentou, e o número de indivíduos e seu tamanho, que em conjunto são os quilos de peixes, aumentaram mais de 460%", disse à BBC o biólogo marinho Octavio Aburto-Oropeza, do Instituto Scripps.

"Em apenas uma década, o parque ganhou cerca de 3,5 toneladas por hectare", afirmou.


Segundo o pesquisador, a população da região de Cabo Pulmo decidiu interromper a atividade pesqueira em 1995, e desde então virou o seu "guardião".

"Pediram ao governo que declarasse a área como parque nacional, e eles mesmos se dedicam a vigiá-lo, cuidar dele em muitos aspectos, principalmente na redução da contaminação e da proteção de espécies em perigo, como as tartarugas marinhas", disse.

EXPERIÊNCIA INSPIRADORA


Cabo Pulmo tem 71 km quadrados e é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas até hoje.

Entre as espécies mais comuns na área estão a garopa do golfo (Mycteroperca jordani), garopa sardineira (Mycteroperca rosacea), pargo cinza (Lutjanus novemfasciatus), pargo amarelo (Lutjanus argentiventris) e cavalinha (Seriola lalandi).

Para os autores do estudo, publicado no site de artigos científicos "PLoS One", a experiência da reserva é "comovente".

"É surpreendente que as comunidades de peixes em um recife superexplorado possam se recuperar até chegar a níveis comparáveis com os de recifes remotos, lugares onde nunca ocorreu a pesca humana", avaliou Aburto-Oropeza.

Para o especialista, o projeto mexicano ensina que o sucesso de projetos de proteção de áreas marinhas começa com a participação e a liderança das comunidades locais.

Aburto-Oropeza diz que a criação de áreas marinhas ao largo da costa mexicana, ou em qualquer região costeira do mundo, pode "elevar significativamente a produtividade dos oceanos, gerando benefícios econômicos para as comunidades costeiras".

Por último, avalia, é importante divulgar a experiência de Cabo Pulmo para interessados em outras partes do mundo.

"Poucos legisladores no mundo estão conscientes de que o tamanho e a abundância dos peixes pode aumentar extraordinariamente em muito pouco tempo, a partir do momento em que se estabelece a proteção ambiental e se cria uma reserva marinha", defende.

"Divulgar o que ocorreu em Cabo Pulmo contribuirá para os esforços de conservação dos ecossistemas marinhos e a recuperação das economias costeiras."

Fonte: Folha.com

23 de ago de 2011

Biocombustíveis podem ser solução para poluição dos aviões


A aviação é responsável pela emissão de 2% de gás carbônico e de 3% de todos os tipos de gases de efeito estufa (GEEs) e poderá triplicar esses números até 2050 se nenhuma ação for tomada.

O alerta foi dado por Guilherme Freire, diretor de estratégias em meio ambiente e tecnologias da Embraer, em apresentação na primeira BBEST – Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference).

Segundo o executivo, a aviação emitiu 628 milhões de toneladas de gás carbônico em 2010, e as projeções indicam que as emissões chegarão à casa do 1,2 bilhão ou 1,4 bilhão de tonelada em 2030, dependendo do cenário de crise ou crescimento econômico.

A expansão está relacionada especialmente ao desenvolvimento do setor nos países em desenvolvimento.

“Apesar da elevação das emissões, a aviação evoluiu tecnologicamente para reduzi-las, especialmente no que se refere ao aumento da eficiência dos combustíveis. Se o desenvolvimento tecnológico tivesse estacionado ao obtido nos anos 1990, o setor estaria emitindo 1 bilhão de toneladas de gás carbônico hoje. A meta global do setor é reduzir em 50% as emissões em 2050, comparado com os números de 2005″, disse.

Biocombustíveis para aviões – Freire explicou que o uso de biocombustível não pode requerer mudanças drásticas nos aviões ou nos motores existentes, por questão de custo. “Qualquer alteração substancial na configuração de um avião ou em seu motor gera impactos, principalmente na questão da segurança, o que eleva o preço do avião e pode tornar inviável o uso de biocombustível”, destacou.

Também para não ampliar os custos, é preciso obter biocombustíveis que possam ser misturados ao já utilizado e que não precisem de infraestrutura específica e diferenciada para serem utilizados.

Do ponto de vista técnico, um dos maiores desafios é manter a estabilidade térmica e a boa fluidez nas altas altitudes. Do contrário, pode haver congelamento do combustível nos tanques.

“Ou seja, bioetanol e biodiesel para automóveis não são compatíveis com as demandas requeridas pelo biocombustível para aviação. É preciso harmonizar, em nível global, os critérios de sustentabilidade”, disse Freire.

Competição pela biomassa – Ele também afirmou que a diversificação de matérias-primas para biocombustíveis é uma preocupação. “Não só a aviação precisa ser sustentável, mas outros segmentos da indústria também. A competição pela biomassa entre indústrias é uma questão-chave”, apontou.

Entre as aplicações industriais que levam à competição pelo uso da biomassa, Freire identificou o combustível para automóveis, para aviação, para veículos pesados, como caminhões, e para produção de lubrificantes, produtos da química fina e polímeros.

Freire também falou sobre alguns testes já feitos por companhias aéreas com o uso de biocombustíveis, como o da Continental Airlines, em 2009, que usou alga e jatropha (planta da família Euphorbiaceae) como matéria-prima e uma mistura de 50% desse biocombustível em um dos motores.

Outro exemplo é o da TAM, que em novembro de 2010 usou jatropha e também 50% de mistura em um motor. Um dos últimos testes em voo foi feito em 1º de abril deste ano, pela Interjet, com uma mistura de 27% de biocombustível produzido a partir da jatropha em um motor.

O executivo da Embraer citou a ASTM 4054 (Standard Practice for Qualification and Approval of New Aviation Turbine Fuels and Fuel Additives), iniciativa internacional para certificação do primeiro biocombustível para aviação comercial e que envolve empresas como Boeing, Airbus, Honeywell, Rolls Royce, GE e outras.

Em julho de 2011, a ASTM certificou o primeiro processo para produção de biocombustível, chamado de HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) – ésteres hidroprocessados e ácidos graxos).

No Brasil, Embraer, Amyris, GE e a empresa aérea Azul participam de um consórcio que está desenvolvendo o processo DSHC (Direct Sugar to Hidrocarbon Process), um dos que devem ser certificados pela ASTM até 2015.

Junto com as empresas Amyris e Virent, o processo usa reações catalíticas e fermentação bioquímica feita por organismos geneticamente modificados para produzir as moléculas de hidrocarbonetos para o biocombustível. O produto será testado pela Azul no ano que vem.

Fonte: Agência Fapesp 

22 de ago de 2011

Estudo culpa esgoto por desaparecimento de coral no Caribe

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A bactéria causadora de uma enfermidade que está acabando com um tipo de coral ameaçado de extinção do Caribe é proveniente das águas poluídas de uma rede de esgotos, mostra um estudo publicado nos Estados Unidos na quarta-feira (17).

O coral, chamado de chifre-de-veado, vive nas águas do sul da Flórida e do arquipélago das Bahamas e chegou a ser a espécie mais numerosa no Caribe, mas tem desaparecido por conta de uma enfermidade causada pela bactéria Serratia Marcescens, que é encontrada em fezes humanas e de animais.

Até agora não se sabia com certeza que tipo de bactéria estava afetando o coral, mas os cientistas analisaram a bactéria de uma planta de águas residuais em Key West, na Flórida, e a compararam com amostras fecais de animais e aves locais para chegar à conclusão.

Os cientistas descobriram que a bactéria que causava a morte dos corais era do mesmo tipo encontrado nas redes de esgoto.

"A boa notícia é que podemos resolver este problema através do tratamento de esgoto", disse o co-autor do informe, James Porter, da Universidade de Geórgia.

O estudo, publicado na revista científica "PLoS One", assegura que toda a área do sul da Flórida está modernizando a rede de esgoto, o que deverá impedir que a bactéria chegue ao oceano aberto.

Segundo a Noaa (Administração Nacional dos Oceanos e a Atmosfera dos Estados Unidos), as enfermidades, a contaminação, os depredadores, o aquecimento das águas e as tormentas têm contribuído para uma diminuição da população de corais entre 75% e 95% desde 1980.

Fonte:Folha.com


19 de ago de 2011

Entulho de demolições é usado em obras para Copa e Olimpíadas

Foto: MAQBRIT

Obras de grande porte que o Brasil precisa erguer, principalmente, para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, estão sendo preparadas com entulho de demolições. Esse material, normalmente, seria tratado como lixo.

Parece o local de um bombardeio. De fato, quatro prédios vieram abaixo aqui.

Uma antiga fábrica de cerveja foi implodida há um mês para a ampliação do sambódromo do Rio.

Homens e máquinas ainda trabalham em cima da montanha de ferro retorcido, concreto e tijolos. Cerca de 60 mil toneladas de entulho. Material suficiente para encher três mil caminhões. Pelo menos aqui no sambódromo, o que seria um grande problema virou solução.

Tudo, absolutamente tudo está sendo reaproveitado. O ferro vai direto para uma siderúrgica e o concreto fica aqui mesmo na obra.

Tem máquina que é uma usina de reciclagem móvel. Deixa o concreto velho pronto pra ser utilizado novamente. Segundos os engenheiros, o custo da obra pode ficar até 20% menor. Mas o maior benefício é outro.

A gente está evitando jogar material em lixão, evitando aumentar o estoque de lixão e conseguindo utilizar o material de obras em outras obras, explica o engenheiro de minas, Fabio Bruno Pinto.

Com a indústria da construção aquecida, a quantidade de entulho produzida no país cresceu e passou de 30 milhões de toneladas em 2010.

E apenas três capitais - São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba - cumprem a lei que determina a criação de aterros específicos para esse tipo de lixo.

A boa notícia é que a moda da reciclagem de entulho está se espalhando nas grandes obras.
Nas reformas dos estádios do Beira-Rio em Porto Alegre. E no castelão, em Fortaleza, para a copa de 2014.

Em um corredor exclusivo de ônibus, que vai ligar a Zona Oeste ao aeroporto internacional, no Rio, base da obra foi toda reforçada com o que restou das casas que foram desapropriadas e demolidas.

“A gente não precisa tirar o saibro de uma saibreira de um morro, e a gente não precisa fazer esse transporte todo. A gente precisa, a cidade precisa, e todo o universo agradece se gente fizer isso”, explica o engenheiro Eduardo carvalho.

Fonte: G1.com

17 de ago de 2011

Dilma muda limite de unidades de conservação para abrigar hidrelétricas

Wilson Pedrosa/AE–9/8/2011
Três parques nacionais na Amazônia - do tipo de unidade de conservação (UC) mais protegido no País - tiveram seus limites alterados para abrigar lagos e canteiros de obras das usinas hidrelétricas de Tabajara, Santo Antônio e Jirau, em Rondônia. Medida provisória editada pela presidente Dilma Rousseff e publicada na edição de ontem (15) do Diário Oficial da União também autoriza a exploração mineral no entorno de dois dos parques.


Foram alterados os limites dos Parques Nacionais da Amazônia, Campos Amazônicos e Mapinguari. Duas outras unidades deverão ter os limites alterados em breve para o licenciamento ambiental de quatro hidrelétricas do complexo do Rio Tapajós, que ficarão entre as maiores das novas usinas da Amazônia, ao lado de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.
Os empreendimentos localizados nas unidades de conservação já alteradas eram defendidos pelo Ministério de Minas e Energia, até mesmo a mineração de ouro na área de 10 quilômetros no entorno do Parque Nacional Mapinguari, o maior dos três parques a ter o limite alterado, com 17,5 mil quilômetros quadrados, o equivalente a mais de 11 vezes a área da cidade de São Paulo.
Outro motivo para a alteração dos limites dos parques foi a regularização fundiária de ocupações de terras públicas até o limite de 1,5 mil hectares, além do conflito com áreas de assentamentos para a reforma agrária na região. A floresta remanescente nessas regiões só poderá ser explorada por meio de planos de manejo previamente autorizados.
O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, diz que a alteração do limite dos parques nacionais não impõe perdas à proteção da floresta. "Essas mudanças refletem bem a perspectiva de negociação que procuramos. Nossa postura não é travar, é negociar. Garantimos a conservação e permitimos que os empreendimentos sigam adiante", afirmou. "Fazemos o jogo do ganha-ganha", insistiu.
A Hidrelétrica de Tabajara, no município de Machadinho do Oeste, em Rondônia, é uma das obras previstas na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Sua construção dependia da alteração dos limites do Parque Nacional Campos Amazônicos, criado em 2006. A previsão é que a hidrelétrica produza 350 megawatts (MW).
Lobby. A inclusão da Hidrelétrica de Tabajara no PAC teve forte lobby do presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). Para o projeto seguir adiante, faltava tirar do caminho da obra as restrições impostas às unidades de conservação. O Parque Nacional Campos Amazônicos perdeu ao todo, por meio da MP, 340 quilômetros quadrados e ganhou outros 1,5 mil quilômetros quadrados.
No caso do Parque Nacional Mapinguari, o ajuste ocorreu por conta da revisão do alcance do canteiro de obras e dos lagos das Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. A perda de 70 quilômetros quadrados teria sido compensada com um acréscimo feito anteriormente em permuta com o Estado de Rondônia. O Parque Nacional da Amazônia perdeu agora 280 quilômetros quadrados, supostamente compensado, com folga, por acréscimo anterior a pouco mais de 1 mil quilômetros quadrados.
PARA LEMBRAR
O Estado revelou anteontem (14) que as Unidades de Conservação (UCs) se tornaram o mais recente objeto de disputa entre ambientalistas e defensores do agronegócio. Na semana passada, durante audiência pública na Câmara, o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), presidente da frente parlamentar da agropecuária, anunciou uma "grande campanha" para impedir que novas UCs sejam criadas sem a prévia autorização do Congresso Nacional. Hoje, a criação é feita por meio de decreto presidencial. Os ruralistas afirmam que a expansão dessas unidades pode comprometer a produção de alimentos no País. 
Fonte: Estadão

Floresta intercalada a plantações de cana reduz emissões de CO2


O Brasil precisa ter áreas significativas de florestas ao redor das plantações de cana para ter mais eficiência no sequestro de carbono.

Essa é a conclusão de um grupo de cientistas liderado pelo biólogo da USP Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia.

Em artigo aprovado pela revista Global Change Biology Bioenergy, ele e colegas afirmam que áreas florestais intercaladas com a cana, técnica batizada de caminho de meio, reduziria o impacto da produção quanto às emissões de carbono.

Isso aconteceria principalmente onde ainda são feitas queimadas após a colheita.

EMISSÕES

Hoje, 75% das emissões de carbono do Brasil vêm da atividade agropecuária.

A cana consegue absorver cerca de 7,4 toneladas de carbono por hectare a cada ano.

Em média, estima-se que a plantação emita 800 kg de carbono a mais por ano do que é capaz de absorver, por causa das emissões do transporte e da queima.

As florestas absorvem 17 vezes mais: 140 toneladas ao ano. Essa taxa é ainda maior nas florestas mais novas (de até 30 anos) e em fase de crescimento.

Os pesquisadores querem agora a área de floresta necessária para reduzir os impactos da produção.

Vamos levantar quantas florestas ainda existem na região dos canaviais de São Paulo para ver quanto mais teríamos de plantar, afirma Buckeridge.

Ele participou de um evento internacional da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sobre Bioetanol, que vai até amanhã (18), em Campos do Jordão (SP).

O biólogo quer calcular quanto carbono é armazenado por esses fragmentos de floresta e analisar os benefícios que a presença de áreas florestadas podem trazer ao cultivo.

Esse trabalho será feito em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e deve ficar pronto em dois meses.

É uma pena não termos os dados antes da votação do Código Florestal [que tramita no Senado].

O novo código prevê a redução de áreas florestais para aumentar atividade agropecuária em regiões como margens de rios.

Fonte: Folha.com

16 de ago de 2011

Navio movido a energia solar atravessa mar da China


Um navio movido a energia solar chegou nesta segunda-feira (15) a Hong Kong, depois de seis dias de difícil navegação por causa das condições meteorológicas nas Filipinas, e se tornou a primeira embarcação deste tipo a atravessar o mar da China.

No trajeto de mil quilômetros, que separam as Filipinas de Hong Kong, o navio passou por condições “muito delicadas, entre a monção e as tempestades tropicais”, declarou a equipe suíça que realizou esta iniciativa.
Em Hong Kong, o catamarã, chamado “PlanetSolar”, participará de vários eventos.

A embarcação começou sua volta ao mundo em setembro de 2010, em Mônaco, e espera-se que termine em maio de 2012.

O objetivo do projeto é que o navio passe oito meses no mar, movido unicamente pela energia solar para provar que o sol é uma fonte confiável para o transporte ecológico de pessoas e mercadorias pela via marítima.

Sua superfície serve como “gerador solar”, tornando possível que possa continuar navegando, inclusive, sem insolação direta, pois a energia produzida é armazenada em uma bateria.  

Fonte: Portal iG

12 de ago de 2011

Cientistas descobrem bactérias que usam hidrogênio como fonte energética

Marum
Esta é a primeira vez que seres vivos que realizam esse processo energético são encontrados

PARIS - Uma equipe internacional de pesquisadores encontrou pela primeira vez, nas profundezas abissais do oceano, bactérias que utilizam hidrogênio como fonte de energia para produzir matéria orgânica, informou nesta quarta-feira, 10, o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS, na sigla em francês).


Os resultados da pesquisa, realizada com o instituto alemão Max Planck e a Universidade de Harvard, que publica a revista científicaNature, abrem "perspectivas interessantes" no setor das biotecnologias e das energias renováveis, segundo uma nota do CNRS.
Os cientistas encontraram as bactérias a 3,2 mil metros de profundidade no campo de Logatchev, uma cordilheira submarina no meio do caminho entre o Caribe e as ilhas africanas de Cabo Verde.
A região é uma zona de produção de energia hidrotermal na qual esses organismos, que vivem em simbiose com bancos de mexilhões, consomem até 50% do hidrogênio liberado.
Segundo os dados recolhidos, na extensão de terreno analisada são consumidos até 39 milhões de litros de hidrogênio por ano.
Os pesquisadores descobriram também que o gene responsável pela transformação química do hidrogênio pode ser encontrado igualmente em bactérias que vivem em associação com outros organismos hidrotermais, como vermes e camarões.
"A descoberta implica que a capacidade de utilizar o hidrogênio como fonte de energia é habitual (...) nos lugares onde o hidrogênio abunda", assinalou o CNRS.
Esses ecossistemas "extremos" interessam particularmente aos cientistas por abrigar condições nas quais se desenvolvem formas de vida primária sobre a Terra, explicou o centro francês.
Nessas zonas hidrotermais, os animais vivem em simbiose com bactérias que são capazes de produzir matéria orgânica mediante a transformação de energia química, em vez de fazê-lo mediante a energia luminosa, como no caso das plantas.
Embora já tenham sido descobertas bactérias capazes de se alimentar de metano e de sulfureto de hidrogênio, o uso de hidrogênio pelas mesmas resulta mais interessante para os cientistas, segundo o CNRS, já que sua produtividade é até 18 vezes superior a dessas outras duas fontes de energia.
Fonte: Estadão

11 de ago de 2011

Cientistas propõem faxina espacial com 'satélite gari


Lixo espacial cerca a Terra (Imagem: Nasa)
Um grupo de cientistas propôs o que, segundo alguns, talvez seja uma solução viável para o acúmulo crescente de lixo em órbita em torno da Terra.
A ideia envolve o lançamento de um satélite que se acoplaria aos objetos - fragmentos de foguetes usados e outros detritos - e os equiparia com um motor propulsor. O motor levaria o objeto em direção à atmosfera da Terra, onde ele se desintegraria.
Os autores dizem que o esquema, descrito em artigo publicado na revista científica Acta Astronautica, poderia remover, de forma relativamente barata, entre cinco e dez objetos do espaço por ano.
O problema é sério e pode se agravar. Mais de 17 mil objetos com tamanho acima de dez cm orbitam a Terra hoje.
Os maiores entre eles podem, ao se chocar com outros objetos, se desintegrar, gerando milheres de objetos menores.
"Na nossa opinião, o problema é um grande desafio e é urgente (que encontremos uma solução)", disse Marco Castronuovo, pesquisador da Agência Espacial Italiana, um dos autores da proposta.
"O momento de agir é agora. Com a passagem do tempo, teremos de remover mais e mais fragmentos", disse Castronuovo à BBC.
Em 2007, a China apresentou ao mundo um sistema antisatélite criado para destruir satélites desativados. Para demonstrar o funcionamento da tecnologia, os chineses destruíram um de seus próprios satélites. A operação produziu, no entanto, outros dois mil fragmentos.
O que os cientistas temem é uma espécie de reação em cadeia, a chamada Síndrome de Kessler (batizada assim em referência ao cientista da Nasa que descreveu o fenômeno pela primeira vez, em 1978).
Como parte do fenômeno, fragmentos se chocam com outros fragmentos que, por sua vez, se chocam com mais detritos, gerando uma nuvem de objetos que tornaria inúteis grandes porções da órbita da Terra.
Os detritos representam um risco não apenas para outros satélites, mas também para a Estação Espacial Internacional e missões espaciais tripuladas.
Política Espacial
O estudo de Castronuovo identificou mais de 60 objetos em órbita a cerca de 850 km de distância da Terra, dois terços deles pesam mais de três toneladas cada um e muitos se movem a uma velocidade aproximada de 7,5 km por segundo.
Entre os objetos maiores, a grande maioria é composta de pedaços de foguetes usados. Segundo Castronuovo, é por eles que a faxina deveria começar.

"É difícil do ponto de vista político. Muitos desses objetos pertencem a nações que não querem cooperar ou não permitem acesso a seus objetos, mesmo que estejam no fim de sua vida operacional", explicou o cientista. "E não existe um regulamento internacional sobre quem deveria remover os objetos que são deixados no espaço"."Se começarmos a nos concentrar nos fragmentos de foguetes usados - que não contêm equipamento confidencial à bordo - não seria problema para o proprietário dar permissão para sua remoção".


Castronuovo propõe um esquema no qual pequenos satélites são lançados em missões de sete anos. Cada um é equipado com dois braços robóticos.
Um braço intercepta um pedaço de foguete ou satélite desativado ou quebrado e o segura. Outro fixa no objeto um motor propulsor que levará o fragmento para fora da órbita.
Completada a operação, o satélite liberaria o fragmento, seguindo em direção ao próximo.
Repercussão
Fazendo uma avaliação sobre a proposta de Castronuovo e sua equipe, Stuart Eves, engenheiro da empresa de tecnologia de satélites inglesa Surrey Satelite Technology, disse:
"As operações e manobras de proximidade mencionadas aqui não são fáceis, mas a tecnologia está chegando lá".
"As pessoas chegam com todo tipo de ideia absurda, que não passam de ficção científica no momento. Uma coisa como essa é bem mais prática".
Entretanto, o grande problema pode ser político. Propostas desse tipo nunca são vistas como puramente motivadas pela necessidade de retirar o lixo do espaço, explicou Castronuovo.
"Esse tipo de abordagem poderia ser visto como uma ameaça a sistemas operacionais. Se você tem o poder de ir a um objeto no espaço e derrubá-lo, nada impede você de derrubar um satélite em funcionamento, então essa questão é realmente delicada".
Fonte: BBC
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