28 de fev de 2011

MP suspende licença dos canteiros de Belo Monte



A Justiça Federal do Pará suspendeu, nesta sexta-feira (25), a licença de instalação parcial concedida pelo Ibama que permitia a instação de canteiro de obras da usina de Belo Monte, no Pará. A decisão, segundo o Ministério Público Federal, também proíbe o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de transferir recursos financeiros à Norte Energia S.A., concessionária responsável pela construção da usina.
"Com a decisão, todas as obras que eventualmente tenham começado no local deverão ser paralisadas, a partir do momento em que a empreiteira construtora for intimada", diz a Justiça em nota.
O juiz considerou que as condicionantes necessárias segundo o próprio Ibama para o início das obras não foram cumpridas. “Em lugar de o órgão ambiental conduzir o procedimento, acaba por ser a Nesa que, à vista dos seus interesses, suas necessidades e seu cronograma, tem imposto ao Ibama o modo de condução do licenciamento de Belo Monte”, diz o juiz na decisão.
Segundo o Ministério Público, até a emissão da licença provisória, 29 condicionantes não tinham sido cumpridas, quatro foram realizadas parcialmente e sobre as demais 33 não há qualquer informação.
As atividades liberadas pelo Ibama na decisão do dia 26 de janeiro eram para preparar a infraestrutura necessária para obras principais, que ainda passam por uma análise específica. Para a construção da usina em si, e para sua entrada em funcionamento, serão necessárias outras licenças ambientais, informa o instituto.
O Sistema Informatizado de Licenciamento Ambiental Federal tem a reprodução de um documento em que o consórcio Norte Energia é autorizado a derrubar 238,1 hectares de vegetação (2,38 milhões de metros quadrados) para a instalação de um acampamento, um canteiro industrial e uma área de estoque de madeiras.
Atraso
O início das obras de Belo Monte está atrasado. A expectativa inicial do governo era de que a construção tivesse começado no segundo semestre de 2010. O consórcio Norte Energia, responsável pela obra, tinha preparado aporte de R$ 560 milhões para tocar as operações. Quando tiver a licença para o canteiro de obras, o consórcio poderá dar início à mobilização de seus funcionários.

No último dia 12, o então presidente do Ibama, Abelardo Bayma pediu para ser exonerado. O Ministério do Meio Ambiente informou que ele alegou motivos pessoais para sua saída e havia se comprometido com a ministra Izabella Teixeira a ficar no cargo até o dia 31 de dezembro do ano passado.
No entanto, antes de sua saída, Bayma vinha sofrendo pressões de outras áreas do governo por conta da concessão de licenças ambientais. O recém-empossado ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, criticou o atraso na emissão de licenças para usinas, especialmente a hidrelétrica de Belo Monte.
"Estávamos receosos de que houvesse um atraso maior, e isso implicaria em perder um ano na construção da Usina", disse Lobão no dia 7.
Fonte: G1

25 de fev de 2011

Primeira usina solar brasileira

A usina contará com 4.680 painéis fotovoltaicos, espalhados por 12 mil metros quadrados e com capacidade inicial para a produção de um megawatt. l Imagem: dpa-Report

A primeira usina solar comercial do Brasil está com as suas obras caminhando para que a inauguração e o início dos trabalhos se deem ainda neste ano. A previsão é de que a estrutura, instalada no Ceará, entre em funcionamento no primeiro semestre de 2011.

A usina MPX Tauá, do empresário Eike Batista, já tem 70% de sua construção pronta. No início de fevereiro o local começou a receber as instalações da estação meteorológica, que receberá informações climáticas com o intuito de melhorar o desempenho e a capacidade de produção energética da usina.

Conforme divulgado pela empresa, a central de análises meteorológicas construída na usina seguirá os padrões da Organização Meteorológica Mundial. Essa estrutura possibilitará a realização de trabalhos específicos que melhorem o desempenho na produção de energia limpa.

O projeto recebeu investimento de R$ 10 milhões e será sediado na região de Inhamuns, no Ceará. A usina contará com 4.680 painéis fotovoltaicos, espalhados por 12 mil metros quadrados e com capacidade inicial para a produção de um megawatt. No entanto, o planejamento é de que esse potencial chegue a 50 MW.

O anúncio deste projeto havia sido feito em setembro de 2010 pelo próprio empresário. Na ocasião, Eike Batista informou que com a capacidade inicial a usina poderia abastecer 1.500 residências. Mas, em dois anos de trabalho esse número chegaria a ser cinco vezes maior, podendo ser expandido em até 50 vezes. Com informações do Ambiente Energia.

Fonte: Ciclo Vivo

24 de fev de 2011

Economia verde é retorno garantido

 Linha de montagem de turbinas eólicas em Suape (PE) (foto: divulgação/IMPSA)

As Nações Unidas pediram nesta segunda-feira que 2% dos PIB mundial seja investido na economia verde, uma decisão que ela diz ser capaz de estimular a criação de empregos e o crescimento econômico.

O relatório deve ser acompanhado por declarações de apoio a investimentos em baixo carbono de vários chefes de estado, incluindo Barack Obama, dos EUA, e Hu Jintao, da China, e vários presidentes de empresas multinacionais.

De acordo com o que se espera do relatório da ONU, um investimento de 2% do PIB mundial mais do que se pagaria na forma de milhões de novos empregos, no desenvolvimento de novas indústrias, benefícios para a saúde decorrentes do ar mais limpo, economia com energias mais eficientes e a redução nas emissões de gases do efeito estufa.

Esses dados também são corroborados por um relatório publicado no dia 21 pelo governo alemão, alertando que a Europa irá sofrer com seguidas taxas baixas de crescimento a não ser que se aumente o investimento em projetos verdes. Aumentar o nível de ambição nas metas climáticas da União Europeia aumentaria o PIB europeu em mais de 842 bilhões de dólares, um crescimento de 6%, e criaria até 6 milhões de empregos em todos os países membros.

De acordo com a ONU, o mundo se encontra em um momento crítico em termos de investimento em baixo carbono. Enquanto a Índia tem um plano nacional de ação que pretende estimular 1 trilhão de dólares em investimentos na próxima década, e a China – atualmente já uma das maiores produtoras de painéis solares e de energia eólica  está implementando um plano de cinco anos visando uma “revolução limpa” , outras economias estão hesitando.

Nos EUA, investimentos em energias renováveis estão estagnados, e uma análise do HSBC aponta que os planos do Partido Republicano neste momento no Congresso irão reduzir pela metade os gastos do governo federal com projetos de baixo carbono, incluindo ferrovias de alta- velocidade, regulamentação de carbono e contribuições para fundos internacionais para o clima. Planos apresentados pelo presidente Obama, por outro lado, oferecem um aumento de 20% nos investimentos no clima e em energia limpa em relação aos níveis de 2010, pagos pela rescisão de 4 bilhões de dólares em subsídios e pesquisa em combustíveis fósseis.

Nick Robins, chefe do departamento de mudanças climáticas do HSBC , disse: “Nós esperamos que as negociações sejam complicadas para diminuir este abismo existente entre as prioridades orçamentárias do presidente e do Congresso... Apesar de não acreditarmos que todos os cortes propostos sejam feitos, iniciativas climáticas importantes parecem estar sendo definidas.”

Na União Europeia, políticos, ativistas e empresários verdes estão divididos quanto a adotar metas climáticas mais ambiciosas. Vários países, incluindo os Reino Unido, querem endurecer os atuais objetivos de cortar emissões em 20% até 2020 para um corte de 30% até o mesmo ano, argumentando que uma meta mais agressiva irá criar mais empregos e permitir que a União Europeia possa manter o mesmo ritmo da China na corrida pelo liderança na economia verde. Sua posição foi reforçada por uma análise confidencial da Comissão Europeia a qual o Guardian teve acesso, mostrando que se tais políticas forem adotadas, a União Europeia vai confortavelmente exceder sua meta atual, com uma queda de 25% nas emissões até 2020.

O relatório do Ministério do Meio Ambiente alemão, ao qual o Guardian também teve acesso, reforça esta posição, concluindo que a atual meta de 20% “tornou-se muito fraca para mobilizar inovações”. Ater-se a ela, segundo o autor, “é o equivalente a cavar mais fundo enquanto ainda se está dentro do buraco”, enquanto a meta de 30% é não apenas realista mas também “economicamente benéfica”.

No Reino Unido, um grupo de líderes empresariais irão se unir para pedir que o ministro George Osborne inclua medidas para estimular o desenvolvimento de baixo carbono em seu orçamento de março. Peter Young, presidente do Aldersgate Group, disse: “O ministro prometeu um orçamento voltado para o crescimento, mas acreditamos que ele deve ser para o crescimento verde. O Reino Unido precisa de uma estratégia explícita para se aproveitar da mudança global para a economia verde, incentivando a criação de empregos e as exportações. Cortes isolados não significam uma economia competitiva.”

* Artigo publicado como parte do Guardian Environment Network

Fonte: O Eco

23 de fev de 2011

Mais de 500 milhões de planetas podem ter vida


Cientistas ligados à Nasa apresentaram novas estimativas do número de planetas existentes na Via Láctea: nada menos que 50 bilhões. Destes, 500 milhões podem ter temperaturas compatíveis com a vida.

Os dados foram apresentados neste sábado (19) durante a reunião da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (na sigla em inglês, AAAS) em Washington, Estados Unidos, e saíram dos primeiros resultados da missão Kepler, que enviou um telescópio ao espaço para descobrir a existência de planetas fora do sistema solar.

Para chegar a esse número, William Borucki, cientista-chefe da missão, levaram em conta aquantidade de candidatos a planetas já encontrados pelo Kepler (cerca de 1200, 54 deles dentro da zona habitável)  e estimaram que uma a cada duas estrelas têm pelo menos um planeta, e em uma a cada 200, esse planeta pode ser compatível com vida --- pelo menos no que se refere à sua temperatura. Os números então foram extrapolados para o número de estrelas estimados na galáxia, 100 bilhões. "Mas o Kepler só consegue ver planetas que orbitem perto da estrela", explicou. “Se ele estivesse observando o Sol, a chance dele captar a Terra, por exemplo, seria pequena”.

A missão Kepler descobre os planetas ao registrar a diferença de brilho de sua estrela quando o planeta passa entre a Terra e ela. Os resultados até agora são muito animadores, disse Sara Seager, professora de astronomia do MIT (Massachusetts Institute of Technology). “Muitos dos planetas que descobrimos desafiam as leis da Física como as conhecemos hoje. Já encontramos mais de 100 planetas com o tamanho de Júpiter, por exemplo. Não achávamos que poderiam haver tantos planetas tão grandes”, disse. “Kepler está nos mostrando que tudo é possível”.

22 de fev de 2011

Governo afrouxa regras ambientais


Um pacote de decretos promoverá o que vem sendo entendido no governo como "choque de gestão" na área de licenciamento ambiental, com regras mais simples e redução de prazos e custos. Os decretos vão fixar novas normas por setores, e os primeiros a passarem por reforma serão petróleo, rodovias, portos e linhas de transmissão de energia. 

Em algumas obras, como o asfaltamento de rodovias, não serão mais exigidas licenças, mas uma simples autorização do órgão ambiental. Essa regra não atinge, porém, rodovias na Amazônia, como a polêmica BR-319, localizada numa área bastante preservada da floresta. 

Listada entre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a rodovia enfrenta resistências na área ambiental pelo risco de aumentar o desmatamento na Amazônia. Sinais de aumento do ritmo das motosserras nas proximidades da BR-317 reforçam essas resistências. 

Além de acelerar a liberação de licenças com regras mais claras e menos burocracia, o pacote de decretos deverá reduzir o custo de exigências do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O custo médio dessas exigências, que incluem até a urbanização e a instalação de saneamento de cidades, é estimado entre 8% e 10% do preço total dos empreendimentos. Em alguns casos, supera 15%. 

Atrasos 

A área ambiental é alvo de críticas no governo por supostamente impor atrasos nos cronogramas de empreendimentos. Mudanças nas regras vêm sendo negociadas desde o fim do governo Luiz Inácio Lula da Silva, mas a edição dos decretos pela presidente Dilma Rousseff é prevista apenas para depois do carnaval.
O licenciamento de hidrelétricas não passará por mudanças neste momento. Essa é uma das áreas mais complicadas na agenda do governo Dilma Rousseff. 

O Plano Decenal de Energia prevê a construção de cinco grandes usinas em áreas de conservação ambiental no Pará. As hidrelétricas do Complexo Tapajós, com potência estimada em 10,5 mil MW (megawatts), quase uma Belo Monte, deverão alagar uma área de 1.980 km², 30% maior que a cidade de São Paulo. 

Um dos decretos cujo texto já foi aprovado pelo Planalto acelera o licenciamento de linhas de transmissão de energia. O objetivo é impedir que a energia a ser gerada pela hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), por exemplo, não possa ser distribuída por atraso no licenciamento da linha de transmissão. 

Na área de petróleo , o número de licenças - que hoje pode chegar a 12 para cada projeto - será reduzido. A intenção é facilitar a exploração do pré-sal, sem abrir mão de critérios de segurança dos empreendimentos, proporcionais ao impacto ambiental dos projetos. 

Fonte: Estadão.com

21 de fev de 2011

Exigência ambiental a linhas de energia será amenizada


O governo federal vai editar em breve um decreto para simplificar o licenciamento ambiental de empreendimentos de transmissão no país. No início do ano, a presidente Dilma Rousseff pediu rapidez no procedimento, pois os gargalos no setor começam a ameaçar o fornecimento de energia. O decreto está sendo elaborado pelos ministérios do Meio Ambiente e das Minas e Energia.

A usina de Dardanelos, no Mato Grasso, com capacidade para 300 MW, por exemplo, está pronta, mas não tem como escoar sua energia. Quase 7.000 mil km de linhas de transmissão e dezenas de subestações estão com obras atrasadas, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Grande parte devido à demora na obtenção de licenças ambientais.

A maior preocupação gira em torno das usinas do rio Madeira. Uma fonte graduada do governo federal conta que o retorno do investimento em Jirau está seriamente comprometido em função do atraso da licença para a linha que vai conectar a hidrelétrica ao Sistema Interligado. A usina já trabalha com a possibilidade de começar a operar somente em julho de 2012, com três meses de atraso. Além disso, os dois linhões que vão ligar Porto Velho (RO) a Araraquara (SP) sequer começaram a ser construídos, apesar da usina de Santo Antônio começar a operar no fim deste ano. Inicialmente, a energia será escoada por meio de linhas regionais, que têm capacidade reduzida.

A intenção é reduzir significativamente as exigências do Ibama para esses empreendimentos. Eles passarão a ser considerados de médio e não de grande impacto, fazendo com que as exigências sejam parecidas com as de grandes usinas como Belo Monte. Não só obrigações ambientais serão simplificadas, como também as sociais - que fazem parte dos processos de licenciamento. 

Os linhões do Madeira atravessam o país e os construtores precisam apresentar relatórios sobre o impacto na fauna de cada região e sobre comunidades indígenas, além de investir em saneamento em 50 municípios, a título de compensação social. Também a transmissão da usina Teles Pires, que foi licitada no ano passado com a menor tarifa do país, precisa ser equacionada, já que o empreendimento tem menos de quatro anos para entrar em operação. O leilão de transmissão sequer foi realizado.

A Aneel já cogita propor uma inversão do cronograma e realizar os leilões de transmissão antes da licitação das hidrelétricas. No processo do Madeira, por exemplo, a agência considerava um prazo máximo de um ano para a obtenção das autorizações. As linhas foram licitadas em 2008 e até agora não foram liberadas as licenças de instalação. (Fonte: Valor Econômico)

18 de fev de 2011

UFSCar vai transformar alga em biodiesel


Quem já passou pelos imensos canaviais do interior paulista conhece o cheiro desagradável da vinhaça, líquido que sobra após a produção de álcool. Cientistas e empresários apostam que o dejeto pode virar a base de um novo tipo de biodiesel.

A UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e a empresa Algae Biotecnologia assinaram na terça-feira (15) um contrato de cooperação tecnológica para colocar a ideia em prática. O plano é usar a vinhaça como “ração” para algas microscópicas, cujas células, ricas em moléculas de gordura, virariam biocombustível.

Nos próximos 30 meses, a parceria vai receber R$ 3,24 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), enquanto a Algae investirá mais R$ 320 mil.

Novas tecnologias criadas pelo projeto serão patenteadas, e possíveis lucros oriundos delas serão divididos meio a meio entre a universidade e a empresa, disse à Folha Sergio Goldemberg, gerente técnico da Algae. “Vamos tomar cuidado para que os resultados das pesquisas não sejam publicados antes de garantirmos a propriedade intelectual sobre eles”, afirma.

Se tudo der certo, o projeto pode ajudar a resolver uma série de problemas ambientais e tecnológicos com uma cajadada só. A vinhaça, que é basicamente a “água suja” que sobra depois da fermentação e da destilação do caldo de cana, é muito rica em sais e em compostos orgânicos difíceis de degradar.

Por isso mesmo, é poluente e demanda tratamento antes de ser lançada na natureza. “As algas removeriam parte desses poluentes e virariam matéria-prima”, explica Reinaldo Gaspar Bastos, engenheiro de alimentos do campus da UFSCar em Araras (SP) e líder da pesquisa. (Fonte: Folha.com)

17 de fev de 2011

O papel dos catadores na PNRS


A Associação dos Catadores do Aterro do Jardim Gramacho recebeu nesta terça-feira (15) a visita de empresários interessados em conhecer o processo de reciclagem realizado pelos catadores para as indústrias. A iniciativa do encontro partiu da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), por meio do seu Conselho Empresarial de Responsabilidade Social.

De acordo com a gerente do conselho, Cláudia Jeunon, a ideia é estimular o investimento das empresas na cadeia de reciclagem em prol da sustentabilidade. Ela informou que a Firjan está contribuindo para a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada no fim do ano passado e que estabelece a responsabilidade das indústrias pelo gerenciamento dos seus resíduos sólidos e das etapas de coleta, transporte, tratamento e destinação final.

“Estamos trabalhando na regulamentação e achamos por bem trabalhar e ouvir o movimento dos catadores para que a gente trace os pontos em comum entre indústria e catadores. Os catadores serão muito importantes, em virtude da logística reversa proposta pela lei de resíduos”, disse Cláudia.

Outra preocupação é a redução de impostos na cadeia produtiva de reciclagem. “Não faz o menor sentido. Eles tiram o plástico, o vidro, a lata do lixo. Aí, eles vendem esse produto. Se for intra-estado, tem que pagar ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] de uma coisa que já foi paga. E eles fizeram um favor à sociedade de retirar [o material aproveitável] do lixo”.

No aterro do Jardim Gramacho, trabalham ainda quatro cooperativas. São 2.500 pessoas que atuam diretamente na coleta. No ano passado, a associação dos catadores formou 200 pessoas em um curso ministrado no próprio local.

Para o presidente da Associação, Tião Santos, é preciso dar condições aos catadores, que são responsáveis por 89% de todo o lixo reciclado atualmente. “Ainda hoje o Brasil recicla 1% da sua capacidade. Se, com a nova política, a meta é atingir 10%, vai ter uma demanda muito grande de materiais. E, para isso, as cooperativas precisam de infraestrutura, investimento em caminhões, maquinários, para escoar toda essa demanda. Os membros das cooperativas precisam entender muito mais de logística, planejamento, rota”, explicou Santos. (Fonte: AmbienteBrasil)

16 de fev de 2011

Impacto do calor sobre as geleiras é mais complicado do que se pensava


O aumento do ritmo de fusão das geleiras pode estar na realidade retardando o seu deslizamento, o que altera os cálculos da elevação da água do mar. [Imagem: University of Leeds]

Verões mais quentes podem, paradoxalmente, diminuir a velocidade com que as geleiras correm para o mar, sugere um novo estudo. Com importantes implicações nas estimativas da eventual futura subida do nível da água do mar, este estudo usou dados do mais antigo satélite ambiental da Agência Espacial Europeia (ESA),

Teoria que se vai

Os cientistas verificaram que, nos últimos anos, as geleiras da Groenlândia têm caminhado para o mar a velocidades superiores às do passado - um fato que vinha sendo atribuído, em parte, à elevação da temperatura global, que derreteria a superfície das camadas de gelo. A teoria era de que a água derretida na superfície escorreria até a base do glaciar, através de fendas e buracos. Assim, teorizava-se que esta água iria lubrificar a base da geleira, empurrando-a mais rapidamente em direção ao mar.

No entanto, a aceleração do escoamento do gelo durante o verão é um fenômeno difícil de modelar em computador, o que levou a incertezas nas projeções da eventual elevação no nível das águas do mar. O artigo publicado na edição desta semana da revista Nature explica que o aumento do ritmo de fusão das geleiras pode estar na realidade retardando o seu deslizamento.

Processo mais complicado

Andrew Shepherd, professor na Universidade de Leeds, no Reino Unido, que conduziu o estudo disse: "Pensava-se que o aumento da fusão iria acelerar o escoamento, levando a que os lençóis de gelo recuassem mais rapidamente, mas a nossa investigação sugere que o processo é mais complicado." O estudo baseou-se em seis geleiras terrestres do sudoeste da Groenlândia, a partir de dados de radar do satélite ERS-1, recolhidos de 1992 a 1998. Este período incluiu verões particularmente quentes na Groenlândia, sendo que 1998 foi o mais quente de todos.

"Usamos dados do ERS-1 e uma técnica chamada rastreamento de intensidade, durante períodos de 35 dias, para estimar a velocidade com que as geleiras se deslocavam ao longo do período do estudo," explica Shepherd. "A nossa investigação sugere que aumentos no degelo na superfície podem não alterar a taxa de deslizamento [da geleira]. No entanto, isto não quer dizer que as camadas de gelo estejam a salvo das alterações climáticas, uma vez que alterações no degelo oceânico também desempenham um papel importante."

Impacto do calor sobre as geleiras é mais complicado do que se 
pensava
O sucesso do ERS-1 forneceu as bases do monitoramento remoto que os cientistas acabaram por considerar a ferramenta essencial para desvendar as complexidades do funcionamento da Terra. [Imagem: ESA]
 
Drenagem eficiente

As observações do ERS-1 mostraram, que apesar de a velocidade inicial ser semelhante em todos os anos, o glaciar sofreu um impressionante atraso nos anos mais quentes, quando havia mais água derretida. A equipe atribui este fato a uma drenagem subglaciar eficiente durante as estações quentes do degelo - um processo que se observa normalmente nos sistemas glaciares alpinos.

Apesar de ainda haver muito a descobrir sobre a dinâmica do movimento das geleiras, estas novas descobertas devem ser levadas em conta na avaliação da contribuição dos gelos da Groenlândia para a eventual subida do nível da água do mar em razões das mudanças climáticas e eventualmente atribuídas ao aquecimento global.

Satélites ERS

Lançado em 1991, o ERS-1 foi o primeiro satélite de radar da Europa dedicado ao monitoramento ambiental. O sucesso desta primeira missão forneceu as bases do monitoramento remoto que os cientistas acabaram por considerar a ferramenta essencial para desvendar as complexidades do funcionamento da Terra.

O ERS-1, e seu irmão mais velho, o ERS-2, mostraram-se missões importantes e inovadoras. Para tirar o máximo partido da extraordinária informação científica resultante dos dados do ERS, a ESA está avaliando a possibilidade de haver uma fase adicional do ERS-2 dedicada ao monitoramento do gelo, antes do fim da missão, em meados de 2011.

Fonte: Inovação Tecnológica

15 de fev de 2011

Exército brasileiro adere à agenda ambiental


Durante a assinatura do termo de adesão do Comando do Exército Brasileiro à Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), no dia 07, o general de brigada e chefe de Relações Internacionais e Meio Ambiente, Floriano Peixoto Neto, assumiu o compromisso de que, até o final de 2013, as ações da A3P estarão em plena execução nas 1.226 unidades do Exército espalhadas por todo o País.

O Exército é a primeira das Forças Armadas a aderir à A3P e iniciará este ano as ações de sensibilização e capacitação dos 200 mil militares que compõem o quadro efetivo e temporário sobre o uso racional dos recursos, gestão adequada dos resíduos sólidos, licitações sustentáveis e qualidade de vida no ambiente de trabalho. Além disso, há a intenção de estender a multiplicação dos princípios ambientais aos 90 mil jovens alistados que passam anualmente pelos quartéis brasileiros.

Em virtude da envergadura do Exército, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, entende que a adesão à A3P representa apenas o primeiro passo rumo a um diálogo sólido entre o meio ambiente e o Exército.

Izabella declarou a vontade do Ministério do Meio Ambiente em contar com a parceria do Exército em três novas fronteiras da agenda ambiental: a proteção das florestas e o acesso aos recursos genéticos, combatendo a biopirataria; gerar novos ativos financeiros com a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, buscando novos patamares de distribuição de renda e justiça social; bem como a sofisticação de tecnologias de eficiência energética para formulação de uma estratégia nacional competitiva que permita ao Brasil, definitivamente, fazer a transição para uma economia de baixo carbono. “Temos a oportunidade de ser o primeiro Exército de baixo carbono do Planeta, comprometido com as mudanças climáticas mundiais”, disse a ministra.

Ministério Público – A Procuradoria Regional da República da 1ª Região, que integra o Ministério Público Federal, assinou o termo de adesão à A3P na mesma data, mas já vem implementando as ações de responsabilidade socioambiental há um ano. “Quanto mais parceiros melhor, pois a sustentabilidade não é prerrogativa do Ministério do Meio Ambiente, mas de todos que trabalham para construir uma sociedade mais justa, com distribuição de renda e acesso equilibrado aos recursos naturais”, comemorou a ministra.

Além da coleta seletiva solidária e destinação dos materiais recicláveis à cooperativa de catadores, a Procuradoria faz recolhimento de pilhas e baterias, bem como do óleo de cozinha e lâmpadas, destinando os resíduos para empresas que já possuem disposição adequada.

A pedido dos servidores, a Procuradoria também já iniciou a campanha de sensibilização dos gestores com campanha lúdica e educativa, utilizando os personagens da turminha do MPF, para explicar os materiais que são recicláveis e como deve acontecer a separação nos coletores distribuídos pelas salas de trabalho. 

Em 2011, uma das metas da Procuradoria é achar soluções sustentáveis para o lixo orgânico, com a construção de um minhocário, que servirá como espaço de compostagem desses resíduos. “O Ministério Público em sua atuação externa tem a responsabilidade de proteger o meio ambiente e fica contraditório exercer esse papel sem ter a consciência ambiental incorporada nas rotinas diárias de trabalho”, ressaltou Alexandre Camanho, procurador-chefe.

Camanho reconhece que o engajamento não acontece repentinamente, mas sim de forma progressiva e gradual. Para que o estímulo seja constante, mais do que constituir uma Comissão da A3P, a Procuradoria encaminhou proposta para criar em sua estrutura uma assessoria de responsabilidade socioambiental com competência para fomentar as ações de A3P permanentemente.

Com a capilaridade que a Procuradoria possui em dois terços do território nacional, a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, destacou a importância da multiplicação das rotinas ambientais de preservação a toda rede do Ministério Público, principalmente com a capacitação dos gestores para as compras sustentáveis, tema que deve ser reforçado na agenda ambiental de 2011.

Para a ministra do Meio Ambiente, o grande benefício dos princípios da A3P é que eles conseguem extrapolar as estruturas dos órgãos públicos e, por meio da mudança de comportamento dos servidores, acabam alcançando as famílias e as comunidades onde moram. (Fonte: MMA)

14 de fev de 2011

Mais áreas protegidas em São Paulo


O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou no dia 1º de fevereiro a oficialização de quatro novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

As novas RPPNs integram o projeto do Governo do Estado de incentivo à criação de novas Unidades de Conservação (UCs).

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, com a oficialização das quatro novas RPPNs, localizadas nos municípios de Bertioga, Amparo e São José dos Campos, o estado, que já dispõe de 4,7 milhões de hectares de áreas protegidas, ganhará mais 1,39 mil hectares.

As RPPNs constituem uma categoria de unidade de conservação, prevista na legislação federal, que possibilita que propriedades privadas sejam transformadas em áreas de proteção ambiental.

Duas das quatro novas reservas estão localizadas em Bertioga: a Costa Blanca, da Barma Empreendimentos e Participações, com 296,93 hectares, e a Hércules Florence 1 e 2, da Companhia Fazenda Acaraú, com 709,57 hectares.

Já a RPPN Fazenda Boa Esperança, em Amparo, com 31,30 hectares, está sendo criada pela Aracaju Participações. Por sua vez, a reserva “O primata”, em São José dos Campos, que está sendo criada por Walter Cerigatto Costa, será a maior reserva particular mantida por uma pessoa física em São Paulo.

O programa RPPN Paulistas, criado em 2006, já promoveu a criação de 17 novas reservas, totalizando 12.889,07 hectares de áreas particulares protegidas.

Anteriormente, entre 1992 a 2006, quando a criação de RPPN era feita pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o estado contava com 38 reservas, com área total de 3.859,83 hectares.

Com a criação das quatro novas áreas, São Paulo passa a contar com 59 RPPNs com 18.130,63 hectares. As RPPN são reconhecidas por meio de uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente.

“É importante o reconhecimento do governo dessas reservas privadas, que devem fazer parte do sistema estadual de áreas protegidas. Com essa parceria, queremos produzir um atlas com características dessas reservas. Isso é importante para a preservação da biodiversidade do estado de São Paulo”, disse Cláudio Maretti, superintendente de conservação da WWW-Brasil, que anunciou uma parceria entre a ONG e o Instituto Florestal durante o evento. (Fonte: AmbienteBrasil)

11 de fev de 2011

Conservação Internacional lista as 10 florestas mais ameaçadas do mundo


Para marcar o início do Ano Internacional das Florestas, a Conservação Internacional (CI) lançou no dia 02 deste mês a lista dos dez hotspots florestais mais ameaçados do mundo. Os chamados ”hotspots de biodiversidade” são áreas de extrema riqueza biológica, com elevado índice de espécies únicas de animais e plantas, e que se encontram altamente degradados e sob risco de desaparecer.

No caso dos dez hotspots florestais mais críticos, todos já perderam 90% ou mais de sua cobertura original e cada um abriga pelo menos 1.500 espécies de plantas endêmicas, ou seja, que só existem ali. Eles incluem florestas no sudeste asiático, na Nova Zelândia, nas montanhas do centro-sul da China, na região costeira da África Oriental e na ilha de Madagascar. O Brasil aparece na lista com a Mata Atlântica, da qual restam apenas 8% da cobertura original, e que abriga cerca de 20 mil espécies de plantas, 40% das quais endêmicas.

“O Ano Internacional das Florestas deve chamar a atenção do mundo para a necessidade do aumento de proteção das florestas, pela sua vital importância para a conservação da biodiversidade, a estabilização do clima e o desenvolvimento econômico”, afirma Olivier Langrand, diretor de política internacional da CI.

As florestas cobrem apenas 30% da área de nosso planeta e ainda assim abrigam 80% da biodiversidade terrestre do mundo. Elas também garantem o sustento de 1,6 bilhão de pessoas, que dependem diretamente de florestas saudáveis para sobreviver. As interações entre as espécies e os ecossistemas fornecem muitas das necessidades mais básicas para a sobrevivência humana na Terra, tal como ar puro, solos saudáveis, remédios, polinização de safras agrícolas e água doce.

A função das florestas na estabilização do clima também deve ser reconhecida, visto que emissões resultantes da destruição de florestas representam aproximadamente 15% das emissões totais de gases do efeito estufa. Os dez hotspots florestais mais ameaçados do mundo armazenam mais de 25 gigatons de carbono, auxiliando na mitigação dos efeitos da mudança climática.

“As florestas estão sendo destruídas a uma taxa alarmante para dar lugar a pastagens, plantações, mineração e expansão de áreas urbanas. Com isso, estamos destruindo nossa própria capacidade de sobreviver,” aponta Langrand. “As florestas não podem ser vistas apenas como um grupo de árvores, mas como fornecedores de benefícios vitais. Elas são importante fator econômico no desenvolvimento de diversas cidades, fornecendo madeira, alimento, abrigo e recreação, e possuem um potencial ainda maior que precisa ser percebido em termos de provisão de água, prevenção de erosão e remoção de carbono”.

Em adição a sua relevância para a biodiversidade e a estabilização do clima, as florestas são os mais importantes reservatórios de água doce do planeta. Cerca de três quartos da água doce acessível do mundo vêm de vertentes florestais e dois terços de todas as maiores cidades em países em desenvolvimento dependem das florestas em suas cercanias para seu suprimento de água limpa.

“Visto que a população global está projetada para atingir o total de até 9 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, o acesso à água ficará mais difícil se milhões de hectares de florestas tropicais continuarem a ser queimados todos os anos”, explica Tracy Farrell, diretora do Programa de Conservação de Água Doce da Conservação Internacional. “Excetuando-se as instalações de dessalinização, que são economicamente muito caras, ainda não encontramos outra forma de manter nosso suprimento de água doce a não ser protegendo as florestas remanescentes ao redor do mundo”.

“Durante este Ano Internacional das Florestas, encorajamos fortemente os países a realizar uma nova abordagem na proteção e preservação de suas florestas, que são ativos importantes globalmente,” adiciona Langrand. “Florestas saudáveis são uma parte importante do capital natural e nos oferecem os melhores meios econômicos para enfrentar os diversos desafios ambientais da mudança climática e a crescente demanda por produtos florestais”.  

Fonte: AmbienteBrasil

10 de fev de 2011

Energia eólica no mundo cresce de vento em popa

A energia eólica está em ascensão no mundo inteiro. Os cata-ventos já giram em 82 países do planeta – e a tendência é aumentar. Países emergentes e em desenvolvimento ainda dão os primeiros passos.

 
Parque El 
Totoral, no Chile, onde nos próximos 20 anos devem ser implantados mais 
projetos eólicosPara Dom Quixote, os moinhos de vento eram criaturas ameaçadoras, cheias de braços e nas quais não de podia confiar. Do século 17 para cá, a imagem dos cata-ventos melhorou muito, e hoje, mais do que moer farinha, eles fornecem quantidades generosas de energia limpa. Segundo dados do Relatório Mundial de Energia Eólica, o vento gerou cerca de 340 terawatts-hora de energia no mundo em 2009, o suficiente para abastecer a Itália durante um ano.  

A maioria das turbinas eólicas sempre se concentrou na Europa, onde desde cedo houve tecnologia e vontade política para investir em tecnologias limpas. Mas o potencial está se esvaindo. Atualmente, apenas 27% dos novos cata-ventos foram instalados na Europa, deixando o continente em terceiro lugar no ranking de energia eólica.
O crescimento mais acelerado é verificado na Ásia. O continente assumiu a dianteira na produção eólica mundial e em 2009 foi responsável por 40% de todos os novos cata-ventos instalados. A maioria deles está na China, onde o número de turbinas duplicou pelo quarto ano consecutivo. "O governo reconheceu que a energia eólica é barata, renovável e limpa", explica Stefan Gsänger, secretário-geral da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA). Além disso, a tecnologia pode ser facilmente exportada. Hoje a China está entre os cinco maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo.
Além de grandes parques eólicos, na Ásia também são instalados microparques eólicos, especialmente em zonas rurais sem acesso à rede elétrica. Pequenos cata-ventos com geração de até 2KWh custam de 800 a mil euros e podem abastecer um vilarejo inteiro. Já existem cerca de 400 mil microssistemas como esse. E como na China muitos milhões de pessoas ainda vivem sem energia, esse número pode aumentar para mais de um milhão em um futuro próximo, estima a WWEA.
O parque 
eólico Helashan no interior da Mongólia foi construído com tecnologia 
alemã
 O parque eólico Helashan no interior da Mongólia foi construído com tecnologia alemã

Concorrência "verde"
Na América do Sul, a utilização de energia eólica se desenvolve mais lentamente. "Isso acontece, entre outros motivos, porque a América Latina tem grande parte de sua matriz abastecida por energia hidroelétrica, e assim dispõe também de energia comparavelmente limpa", explica Trudy Könemund, da Sociedade Alemã de Cooperação Técnica (GTZ) no Chile. Apenas 2% das novas instalações eólicas são construídas na América Latina.
Geradores 
são compostos de muitas partes fabricadas em locais diferentesPara Ralf Heidenreich, porta-voz da desenvolvedora de projetos Juwi, os problemas estão principalmente na implantação. Embora haja potencial, "as condições para construir novas usinas ainda precisam melhorar um pouco". A opinião é compartilhada por Stefan Gsänger. Muitos projetos no passado teriam sido adiados por causa de corrupção e porque o setor energético tradicional trabalharia contra os projetos de energia renovável. Mesmo assim, existem cada vez mais usinas eólicas na América Latina, 44 delas no Brasil. O México quintuplicou o número de turbinas em 2009. O Chile está em terceiro lugar, com seis usinas já construídas e outras 20 em planejamento.  
Energia eólica para a África
No continente africano quase não há turbinas eólicas. A taxa de crescimento nos últimos anos é insignificante. O principal motivo é a falta de infra-estrutura, explica Ralf Heidenreich. "A energia precisa ser canalizada de alguma forma". Esse problema pode abrir caminho para os pequenos cata-ventos, como os que existem na Ásia, espera Stefan Gsänger da WWEA. Além disso, o continente africano sofre com a falta de tecnologia e, principalmente, recursos.
Egito e Marrocos são os principais produtores de energia eólica no continente. No Egito já existem empresas que fabricam componentes para turbinas. "É importante desenvolver uma cadeia produtiva no próprio país", explica Gsänger. "Assim as usinas eólicas podem ter uma vantagem em relação ao petróleo".
De acordo com a WWEA, a potência gerada pelas usinas eólicas no mundo duplica a cada três anos. Um desenvolvimento que com certeza deixaria Dom Quixote de cabelo em pé. Mas no mundo real do século 21, esse é o caminho para um mundo sem combustíveis fósseis. 

Fonte: Folha.com

9 de fev de 2011

Regularização do descarte de pneus usados


Terminou no dia 31 de janeiro o prazo para que o comércio, a indústria e os importadores de pneus informem ao Cadastro Técnico Federal (CTF) de Atividades Potencialmente Poluidoras, do Ministério do Meio Ambiente, a destinação das carcaças dos pneus inservíveis devolvidas pelos consumidores em 2010. A exigência é prevista na Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) e na Resolução Conama nº 416. A fiscalização começa em abril e quem descumprir a norma está sujeito a multas de até R$ 100 mil.

O cadastro é acessado no link ’serviços online’, na página do Ibama na internet: www.ibama.gov.br. De acordo com a resolução, desde outubro de 2010 o comércio é obrigado a armazenar os pneus usados que não têm mais utilidade e identificar sua origem e destino, além da quantidade em estoque.

O setor varejista tem a obrigação de encaminhar os pneus para a destinação final adequada e, além disso, repassar todos os dados ao CTF. As informações devem fazer parte do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) e Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente (Sinima), banco de dados em que estarão reunidas as informações cadastrais de todo o setor produtivo que envolve produtos potencialmente poluidores. O cadastro já conta com 2,5 milhões de usuários.

Além disso, a resolução prevê que fabricantes e importadores de pneus novos devem elaborar um plano gerencial de coleta, armazenamento e destinação de pneus inservíveis. Caso solicitado, esse plano deve ser apresentado aos órgãos fiscalizadores.

Logística reversa - Empresas brasileiras e importadoras que terceirizaram a destinação final dos pneus inservíveis não estão livres da responsabilidade pela logística reversa, podendo ser multadas caso a norma seja descumprida. A prioridade de fiscalização é o setor de reciclagem, mas o comércio, a indústria e importadores também podem receber a visita de agentes do Ibama após o término do prazo estipulado para a prestação das informações.

Metas - Duas décadas após a aprovação da PNMA, o MMA ainda luta para que sejam cumpridas as metas estabelecidas para a reciclagem de pneus. Dados do CTF apontam que o setor dá destinação adequada a apenas 34% dos pneus inservíveis. Entre 2002 e 2008 foram recicladas 889 mil de toneladas, número que deveria ter chegado a 2,5 milhões de toneladas. Para cumprir o que determina a legislação, fabricantes e importadores precisam triplicar o total reciclado.

A expectativa é que, com a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o setor passe a cumprir o que estabelecem as metas. A legislação prevê que para cada pneu novo no mercado, um inservível seja reciclado.

Os últimos números consolidados do cadastro são de 2008, quando foram recicladas 183 mil toneladas de responsabilidade de fabricantes; 161 mil toneladas de responsabilidade dos importadores de pneus novos; e 14 mil toneladas de responsabilidade dos importadores de pneus usados.

Coleta - A abrangência dos pontos de coleta é uma das dificuldades enfrentada pelo setor. Hoje, eles estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste, e pela Resolução Conama nº 416 é obrigatório um posto em toda cidade com mais de 100 mil habitantes. O MMA espera que pelo menos nas capitais a norma seja cumprida ainda neste ano.

O pneu inservível devolvido pelo consumidor ao comerciante no momento da troca é encaminhado para o fabricante, que contrata uma empresa recicladora. Mas, de acordo com informações da Associação Nacional de Empresas de Reciclagem de Pneus, a capacidade está ociosa. Anualmente (se considerados os números dos últimos três anos), são recicladas em média 150 mil toneladas/ano, enquanto que as empresas recicladoras têm capacidade para processar o dobro.

“O Ministério começou, em dezembro de 2010, as negociações rumo a um acordo setorial. A expectativa é que ele seja concluído ainda neste ano”, informa a gerente de Resíduos Perigosos do MMA, Zilda Veloso.  

Fonte: AmbienteBrasil

Criação de comitê para regulação da logística reversa


Cinco ministros iniciam este mês a elaboração das normas que vão regular o retorno aos fabricantes do material reciclável consumido no país. Os ministros da Agricultura; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; da Fazenda; da Saúde; e do Meio Ambiente vão integrar o Comitê Orientador para Implantação de Sistemas de Logística Reversa, um dos órgãos previstos no decreto que regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Segundo o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Silvano Silvério da Costa, a criação do grupo deve ser formalizada no dia 17. A partir daí, o grupo vai trabalhar para garantir que todo resíduo sólido seja reutilizado, reciclado ou recolhido pela indústria responsável. A ideia do MMA é que sejam firmados acordos setoriais com cadeias produtivas de vidros, latas, embalagens e óleo, entre outras. Fabricantes, distribuidores, comerciantes e consumidores vão compartilhar a responsabilidade pelos resíduos.

Caso os setores não cheguem a um acordo, o comitê irá editar normas sobre a logística reversa dos materiais. Essas normas serão válidas para todo país e terão como base a PNRS. “O comitê se instala em fevereiro e, ao longo de 2011, tem uma série de atividades. Inclusive, a definição da estratégia da logística reversa e um cronograma para sua implantação”, complementou Costa.

O secretário, que participou de um debate sobre a PNRS promovido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), afirmou na terça-feira (1º) que alguns setores já demonstraram interesse em fechar um acordo para retorno de resíduos. Os fabricantes de embalagens de vidro, de bebidas e de óleos e lubrificantes são alguns deles.

Costa disse, entretanto, que o comitê deve priorizar a regulação da logística reversa dos resíduos mais prejudiciais ao ambiente. Por isso, lâmpadas, produtos eletrônicos e embalagens (devido ao grandes volume) devem ser os primeiros resíduos que terão regulamentados os procedimentos de retorno à indústria.

Além do comitê de logística reversa, Costa afirmou que também deve ser criado até o mês que vem o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O grupo será formado por representantes de dez ministérios e será responsável por acompanhar o cumprimento da PNRS.

A lei que instituiu a política de resíduos sólidos foi sancionada em agosto do ano passado e regulamentada em dezembro. Ela estabelece diretrizes e responsabilidades sobre descarte, reciclagem e reutilização do lixo. Um dos principais pontos da PNRS determina que todos os lixões do país sejam fechados até 2014. O lixo que não pode ser reciclado terá de ser enviado a aterros sanitários, onde serão estocados de forma adequada para evitar a contaminação do solo e da água. “É uma meta difícil, mas está na lei. Temos que cumprir”, afirmou Costa.  

Fonte: AmbienteBrasil

8 de fev de 2011

Energias renováveis podem atender 95% da demanda em 2050


A demanda energética mundial poderá ser suprida em 95 % por energias renováveis até 2050, segundo relatório divulgado na quinta-feira (3) pela organização não governamental (ONG) WWF, em conjunto com a consultoria energética Ecofys.

O relatório também afirma que, até 2050, a demanda energética total poderá ser 15 % à de 2005, graças a medidas ambiciosas de economia de energia. Isso apesar da previsão de aumento para a população, a produção industrial e o transporte de cargas e passageiros.

Atualmente, mais de 80% da energia global vem de combustíveis fósseis, mas o relatório diz que a energia nuclear, os combustíveis fósseis e a biomassa poderão ser praticamente abandonados nas próximas quatro décadas. Para isso, será preciso reduzir em pelo menos 60 % gastos com calefação de edifícios, por meio da melhora na eficiência energética e do uso de energia solar e calor geotérmico.

O relatório defende também a modernização das instalações elétricas, a adoção de redes “inteligentes” e a prioridade do transporte elétrico em escala global. Incentivos financeiros – como tarifas diferenciadas para a energia renovável – também teriam um papel importante nisso.

Outros pontos do relatório sugerem que o consumo per capita de carne deve cair pela metade até 2050 em países industrializados, mas aumentar em um quarto nas nações em desenvolvimento. O texto também diz que a população deveria ser estimulada a andar de bicicleta, caminhar e usar o transporte público, além de substituir aviões por trens.

O relatório estima que, até 2050, mantidas as atuais condições, a melhora da eficiência energética e a redução dos custos dos combustíveis permitirão uma economia anual de 4 trilhões de euros. Por outro lado, serão necessários mais investimentos para aumentar a geração de energia renovável, modernizar os sistemas e melhorar a eficiência energética. Em um prazo de 25 anos, tal investimento deveria passar de 1 trilhão de euros por ano para 3,5 trilhões. Por volta de 2040, tais gastos começariam a serem revertidos, com a economia superando os custos.

Outro relatório, divulgado nesta semana pela Accenture e pela Barclays Capital, diz que a Europa precisará investir 2,9 trilhões de euros, ou 25 % de seu PIB, pelo período de dez anos para atender à sua demanda por energias com pouca emissão de carbono.  

Fonte: G1

Cair na festa, aprender e proteger o meio ambiente

 

O que os clubes noturnos e as universidades têm em comum? Iniciativas africanas e europeias mostram como é possível conduzi-los de forma ecologicamente correta e sensibilizá-los para o uso responsável da energia.

 
Em setembro de 2008, a primeira balada ecológica do mundo abria suas portas na Holanda. Mas os frequentadores não precisam se preocupar: no Club Watt, em Roterdã, não há código de vestimenta "verde" e nem porções de granola como aperitivo. O importante ali é cair mesmo na festa e – mais do que nos outros clubes – dançar para valer.
Uma pista de dança eletromecânica sob os pés dos frequentadores – sustentada por fortes molas – cede e oscila alguns milímetros de acordo com a movimentação dos dançarinos. Assim como no funcionamento de um dínamo de bicicletas, esse movimento é transformado em energia elétrica. O conceito sustentável do Club Watt lhe rende uma economia de até 30% no consumo de energia, se comparado a uma balada tradicional, e reduziu as suas emissões de CO2 por volta de um terço. 
No Club 
Watt, casa cliente produz, na pista de dança, até dez watts de energia                                                                                                                                                                   No Club Watt, casa cliente produz, na pista de dança, até dez watts de energia
Para que os frequentadores da casa possam ver quanta energia estão produzindo, quanto maior o movimento, mais luz emitem as placas luminosas na pista. Isso também traz, em si, um aspecto pedagógico: ao perceber o quanto é capaz de produzir, uma pessoa é capaz de refletir de forma diferente sobre o tema "energia".
"Proteger o clima deveria ser divertido"
Em Berlim, o clube tecno Tresor abraçou o conceito de eventos considerados climaticamente neutros. O local promove a festa "High Voltage", em que os organizadores calculam o valor das emissões carbônicas emitidas na festa e doam o montante equivalente a um projeto ambiental que economiza o mesmo volume de CO2.
No topo: 
jovens integrantes do Greenpeace instalam célula solar"Proteger o clima deveria ser divertido", sugere Jaap van den Braak da empresa holandesa Sustainable Dance Club (SDC), co-criadora do conceito por trás do Club Watt. Já uma abordagem como a do berlinense Tresor – proteção climática através da compensação de emissões – não condiz com os critérios de sustentabilidade da SDC.  "O Club Watt ainda é, pelo que eu sei, a única balada de toda a Europa que realmente pode ser chamada de sustentável", afirma Van den Braak.  
O projeto de festas climaticamente neutras da SDC foi desenvolvido em parceria com duas escolas superiores técnicas da Holanda: a de Eindhoven e a de Delft. Junto aos clubes, nos quais os estudantes se divertem aos fins de semana, tais escolas superiores são outro fator importante na vida dos jovens. Nelas, também se descobriu que, quando se trata de preservação ambiental, o melhor é ter iniciativa própria.
De olho nisso, a Universidade Leuphana de Lüneburg (Alemanha) quer se tornar a primeira instituição de ensino ecologicamente correta do mundo até 2012. Sobre o telhado do seu prédio, já foram instalados sistemas fotovoltaicos para a geração de energia e uma instalação de gás natural possibilita a calefação não somente no campus, como também em um conjunto habitacional vizinho.
Desde 1996, a universidade oferece um curso de Ciências Ambientais. Mesmo na pausa, a proteção climática está sempre presente: "Nós instalamos aparelhos projetores na cantina, que mostram o quanto de energia está sendo gasta naquele momento pelos respectivos prédios da universidade", conta o professor de Química Ambiental, Wolfgang Ruck.
África também quer universidade "verde"
Em Acra, a capital de Gana, a Universidade Valley View também estabeleceu para si uma meta ambiciosa: tornar-se a primeira escola superior ecológica do continente africano. Atualmente, todo o campus já é abastecido com energia proveniente de coletores solares e um reservatório de água da chuva está nos planos da instituição de ensino, que pretende utilizá-la na descarga dos banheiros.
Estudantes 
quenianos pedem a Barack Obama atenção às questões climáticasEm outros banheiros, a água será totalmente dispensada: "Primeiramente, isso resolve o problema da escassez de água e, em segundo, os compostos sólidos poderão servir de adubo para a região rural", esclarece Emmanuel Kwandahor, da Valley View.
"A conscientização aumentou"
"No chamado Terceiro Mundo, a proteção climática está frequentemente relacionada a um auxílio prático de desenvolvimento", aponta Richard Brand, responsável por coordenar o setor alemão do Solar Generation, um projeto internacional feito por jovens do Greenpeace. Em Kogelo, no Quênia, o Solar Generation instalou células solares no telhado de uma escola, garantindo energia para laptops.
Dessa forma, os alunos do vilarejo – local onde a avó de Barack Obama vive – puderam enviar um e-mail ao presidente dos Estados Unidos, poucos dias antes do início da cúpula climática realizada em Copenhague, em dezembro de 2009. Nele, os estudantes pediram para que o líder norte-americano se empenhasse mais na preservação do meio ambiente.
O objetivo da Solar Generation não é apenas mostrar aos políticos o seu descontentamento com a forma como a natureza vem sendo usada pelos que controlam o poder, como também conscientizar quanto ao uso de energia. Nesse aspecto, Brand está confiante: "A conscientização entre os jovens de que é preciso se fazer algo contra as mudanças climáticas aumentou claramente nos últimos anos".

Fonte: Folha.com

7 de fev de 2011

Investimento em Santos soma US$ 6 bi


O plano de investimento do porto de Santo reúne US$ 6 bilhões entre aportes públicos e privados até 2024, quando o complexo deverá movimentar 230 milhões de toneladas, quase 140% a mais do que em 2010 - ano em que a recuperação do comércio exterior expôs sérias limitações operacionais.

O montante é dividido entre acessos rodoviários, dragagens e engenharia, aumento de capacidade dos berços de atracação, novos terminais e o PAC Copa. "Fiquei maravilhado com essa estrutura grande e importante, que o governo federal vai continuar a investir", disse o ministro de Portos, Lêonidas Cristino, que estima para este exercício 101 milhões de toneladas escoadas por Santos.

Para tanto, a principal obra em execução é a dragagem de aprofundamento de 13 para 15 metros, contratada por US$ 112 milhões. Dos quatro trechos que estão sendo dragados, três estão prontos. O último - de número quatro - é o mais complicado porque tem pontos de contaminação e exige um outro tipo de retirada dos sedimentos do leito do estuário, mais demorada.

A expectativa é que até setembro o porto esteja com a nova profundidade homologada. A 15 metros, o porto de Santos poderá receber embarcações com calado de até 14,5 metros, estima a SEP. "No PAC teremos mais R$ 193 milhões para continuar a ampliação da dragagem para 16 metros no canal interno e 17 no externo", afirmou o ministro.

Também a derrocagem de duas pedras deve estar finalizada até lá. Em julho começam os trabalhos de uma embarcação - vinda do Canal do Panamá - que, com uma tecnologia inédita, perfurará e implodirá por dentro as pedras de Teffé e Itapema, depositadas no fundo do canal. "Com isso, reduziremos de 18 para três meses o tempo do serviço", disse Cristino.

Cristino conheceu o projeto de alinhamento e modernização do cais do terminal de passageiros de Santos, que dobrará a capacidade de atendimento de navios de cruzeiros e de cargas atracados em fila e será essencial para a Copa do Mundo. O orçamento da SEP tem R$ 120 milhões para a expansão do cais para 1.320 metros de extensão e admitirá que seis embarcações atraquem uma ao lado da outra, servindo de hotel flutuante com 15.800 leitos. A obra também prevê aumento da profundidade dos berços dos atuais 7 a 9 metros para 14 metros e ampliação de 40% da capacidade de movimentação de passageiros no terminal do porto.

Fonte: O Valor - Santos

Portos antigos terão licença ambiental


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Novo ministro dos Portos, Leônidas Cristino, diz que não se trata de anular etapas, mas de criar um facilitador

A maior parte dos 34 portos públicos do país não tem licença ambiental para operar, pois foram instalados muito antes da lei sobre o assunto, criada na década de 90. Essa situação tem gerado alguns problemas, como a interdição do porto de Santos (SP) e de Paranaguá (PR) em 2010 por não atenderem os requisitos da legislação. Para resolver o problema, o governo preparou um decreto que deve definir um receituário, propondo uma inversão de ordem para não interromper o comércio exterior. Primeiro, todos os portos receberão as licenças ambientais e somente depois terão de cumprir uma série de condicionantes. Caso não cumpram, ai terão a licença cassada.

Está prevista também a criação do Programa Federal de Apoio à Regularização e Gestão Ambiental para apoiar o licenciamento dos portos. Conforme o Valor apurou, os portos e terminais já em operação, que não contam com licença, terão 120 dias para firmar compromisso com o órgão do meio ambiente e apresentar, em até 720 dias, um relatório de controle ambiental que balizará a regularização, e a consequente emissão da licença. Hoje, poucos estão em dia, como Rio Grande (RS) e Suape.

A questão ambiental faz parte de um pacote de quatro decretos que são a prioridade da Secretaria de Portos (SEP) neste início de governo. Os decretos devem ser encaminhados à Casa Civil proximamente, disse ontem o novo ministro dos Portos, Leônidas Cristino. Além do texto que trata da questão ambiental, dois visam a ampliação das áreas físicas dos portos de Santos (SP) e Suape (PE) e outro cria a comissão nacional para assuntos de praticagem. Todos foram concebidos na gestão do antecessor Pedro Brito, mas, por um rito burocrático da troca de comando da pasta, precisam do aval do novo ministro - também cearense e igualmente indicado ao cargo pelo clã dos irmãos Cid e Ciro Gomes.

Outro decreto já pronto é o que cria uma comissão para assuntos de praticagem, com a missão de propor metodologia para a formação de preços do serviço de prático - profissional encarregado por manobrar o navio na entrada e saída dos portos. Por lei, os preços de praticagem estão fixados para remunerar o prático, a lancha (que leva o profissional até a embarcação) e a atalaia (o centro de operações). Mas a SEP quer saber o peso de cada item na composição dos valores cobrados dos armadores - os tomadores do serviço que reclamam do que consideram altos os custos. O comitê deve ser presidido pelo Ministério da Defesa e com membros da SEP, ministérios da Justiça, Fazenda e Transportes e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). "Estivemos com a Marinha (a quem a praticagem responde) e eles também têm interesse em fazer essa reformulação", disse Cristino.

Por fim, restam as ampliações dos portos organizados de Santos e Suape. O novo traçado de Santos incluirá quase 7,8 milhões de m2, estando pouco mais da metade apta a receber terminais, devido a restrições ambientais. A expansão de Suape - já analisada pelo novo ministro - prevê a exclusão do polo naval da área do porto organizado, com objetivo de estimular investimentos. A reivindicação é antiga e, segundo a SEP, abre caminho para a indústria progredir.

Questionado sobre o porto de Paranaguá, que tem contratos sob suspeita de fraude - razão pela qual o ex-superintendente da administração, Daniel Lúcio de Oliveira de Souza, foi preso -, o ministro afirmou que se reuniu com a direção do porto que ficou de apresentar um histórico do que aconteceu. "Vamos analisar, por enquanto não temos determinação em relação a isso (intervenção). A conversa foi positiva, é um porto importantíssimo,"

Sobre o comando das companhias docas, Cristino disse que ainda é cedo falar sobre possíveis trocas. "Estamos conhecendo os portos brasileiros. Num segundo momento analisaremos com tranquilidade para ver se serão necessários alguns ajustes na estrutura administrativa". 

Fonte: O Valor - Santos
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