31 de jan de 2011

Surfistas criam prancha com 90% de materiais renováveis

A utilização de materiais que não fazem mal ao planeta pode ser encontrada em vários objetos, inclusive em pranchas de surf. A marca alemã Kun_Tiqi fabrica as pranchas a partir de madeira de balsa cultivada de maneira sustentável em uma fazenda do Equador. 
kun_tiqi Ela é laminada com uma resina com com 98% de linhaça

De acordo com o site, 90% da prancha é feita de matéria prima natural e renovável. Depois de adquirir a forma devida, ele é laminado com uma resina feita com 98% de linhaça e sem ingredientes tóxicos.


prancha 1 A Kun_Tiqi produz as suas pranchas de maneira sustentável

A vantagem de usar esse tipo de madeira é que ela cresce muito rápido (dez metros em menos de quatro anos), é fácil de ser reciclada e não produz toxinas. Ela é cultivada por Don Zandoval e a família, que planta as árvores de acordo com as leis locais e um sistema sustentável de cultivo (como o Comércio Justo).


surf As pranchas são mais resistentes, flexíveis e duráveis 
 
Já que o processo de fabricação é todo feito a mão, as pranchas levam, em média, seis vezes mais tempo para ficarem prontas do que as produzidas de forma convencional. Esse é um dos fatores que fazem as pranchas serem mais flexíveis, estáveis e terem maior durabilidade.

Os “surfistas que se importam”, como diz o slogan da marca, ainda apontam outra vantagem do uso da madeira: no final da vida útil, o artigo é utilizado como composto e fertilizante de solo.


don zandoval ecuador Don Zandoval e sua família cultivam a madeira balsa de maneira sustentável

A peça foi uma das finalistas na Exposição Internacional de Esportes (ISPO) Brand New Award.

Fonte: EcoD

28 de jan de 2011

Ecologia e economia


Em meio a incertezas na economia, modelos de redes biológicas podem oferecer pistas valiosas para tentar compreender o sistema financeiro e seus riscos, indica artigo publicado nesta quinta-feira (20) pela revista Nature.

Segundo os autores, Andrew Haldane, do Bank of England, e Robert May, da Universidade Oxford, na Inglaterra, os responsáveis pela definição de políticas públicas precisam se concentrar em avaliar os riscos e aumentar a estabilidade do sistema financeiro como um todo, em vez de focar apenas em bancos individuais com mais problemas.

O artigo explora a relação entre a complexidade e a estabilidade do sistema financeiro por meio do uso de modelos simplificados – semelhantes aos usados em estudos ecológicos e epidemiológicos – de modo a explicar como o fracasso em um único banco pode ter efeito em cascata por todo o sistema.

“Ao estabelecer analogias com as dinâmicas de teias alimentares e com as redes pelas quais as doenças infecciosas se espalham, nós exploramos a interrelação entre complexidade e estabilidade em modelos simplificados de redes financeiras”, dizem os autores.

Haldane e May oferecem sugestões, a partir do uso desses modelos, para se atingir a estabilidade no sistema bancário como um todo, ao mesmo tempo em que seus integrantes possam crescer individualmente. Ampliar a diversidade e o caráter modular do sistema são dois exemplos.

Outro ponto importante, apontam, são estabelecer regras eficientes para que os ativos e patrimônios líquidos dos bancos, bem como derivativos financeiros complexos – instrumentos considerados de papel importante na crise financeira –, possam ser conhecidos e compreendidos.

“Ao se regular o sistema financeiro, pouco esforço tem sido feito no sentido de se avaliar as características do sistema como um todo, como a diversidade de sua balança agregada e dos modelos de gerenciamento de risco”, apontam.

“Menos esforços ainda têm sido alocados para fornecer incentivos regulatórios de modo a promover a diversidade de estruturas de balanço, modelos de negócio e de gerenciamento de riscos. Para reconstruir e manter o sistema financeiro, esses objetivos deveriam receber muito mais atenção da comunidade reguladora”, afirmam.

Segundo os autores, os modelos ecológicos precisaram de um tempo para se adaptar e “o mesmo deve ocorrer para os sistemas bancário e financeiro”.

O artigo Systemic risk in banking ecosystems (doi:10.1038/nature09659), de Haldane e May, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com. (Fonte: AmbienteBrasil)

27 de jan de 2011

Pântanos, os subestimados salvadores do clima

Pântanos são
 poderosos reguladores do clima

Os pântanos são uma das armas mais poderosas contra o aquecimento global. Seu crescimento, sozinho, seria suficiente para reduzir as emissões de CO2 a 100 milhões de ton. por ano, a meta do Protocolo de Kyoto.


"Infelizmente, as pessoas ainda não têm consciência sobre a importância dos pântanos no combate ao aquecimento global", lamenta John Couwenberg, pesquisador da Universidade de Greifswald, na Alemanha.  Embora os pântanos correspondam a apenas 3% da superfície da Terra, eles têm papel importante no ajuste da temperatura do planeta, pois capturam mais gás carbônico do que todas as florestas do mundo juntas.
As áreas pantanosas estão localizadas principalmente nas regiões frias das zonas boreais, entre as latitudes 50 e 70 do hemisfério norte. A Rússia sozinha abriga mais de um quinto dos pântanos em todo o mundo. Outras grandes regiões pantanosas existem também no Canadá e na Escandinávia, além da bacia amazônica e do sudeste asiático. Mesmo na África, segundo Couwenberg, estimam-se significativas áreas pantanosas na bacia do Congo e no Delta do Níger.
Drenagem e 
queimadas de turfa na Indonésia emitem quantidades enormes de CO2 na 
atmosfera 
Drenagem e queimadas de turfa na Indonésia emitem quantidades enormes de CO2 na atmosfera
Os pântanos se formam quando o solo permanece sob a água durante muito tempo, como por exemplo nas regiões próximas a margens de rios ou em áreas onde há derretimento de neve. Devido à falta de oxigênio embaixo d’água, as plantas mortas decompõem-se mais lentamente do que as que crescem por cima da água.
Com isso, formam-se as turfas (material parcialmente decomposto), que absorvem o gás carbônico armazenado nas plantas. O solo formado pelas turfas, chamado de turfeira, cresce em média 1 milímetro por ano, e retém até 250 milhões de toneladas de CO2.

Faca de dois gumes
Turfas são 
utilizadas como combustível ou em jardinagemHá séculos, os pântanos são drenados para dar lugar a terras cultiváveis ou para extrair material para construção ou combustível. Através dessa drenagem, as turfas começam a se decompor e liberam o dióxido de carbono que haviam absorvido. E assim o armazenador acaba se transformado em disseminador de gás carbônico.
"Em todo o mundo, cerca de 10% dos pântanos foram degradados por causa das drenagens", explica Couwenberg. Isso leva a uma emissão de gás carbônico de 2 milhões de toneladas por ano, porque as turfas são decompostas por microorganismos.
Diferente do que ocorre com o desmatamento de uma floresta, as emissões de gases causadores do efeito estufa nos pântanos não acontecem apenas uma vez, mas durante todo o tempo em que a turfa se decompõe. Dependendo da turfeira, esse processo pode durar séculos.
Nos últimos 20 anos, a emissão de gás carbônico causada pela drenagem dos pântanos cresceu 20%, em grande parte nos países em desenvolvimento. A degradação dos pântanos é especialmente extensa na Indonésia, onde grandes florestas de turfeiras foram drenadas para o cultivo de azeite de dendê, arroz ou aloe vera.
Além da decomposição das turfeiras, as queimadas nos pântanos, que ocorrem facilmente na turfa seca, fazem da Indonésia o maior emissor mundial de gás carbônico provindo da degradação dos pântanos.

Redescoberta do potencial
Recuperar 
pântanos é simples: basta tapar as valas de drenagem do solo Enquanto isso, muitos países têm reconhecido o significado dos pântanos para o clima do planeta e começaram a restaurar suas áreas pantanosas. Existem projetos, por exemplo, na República de Belarus, nos Estados Unidos, no Canadá e na Alemanha. Na Rússia, a área de pântanos protegidos é de cerca de 50 hectares.
Para recuperar um pântano, basta preencher as valas de drenagem, explica a professora Vera Luthardt, da Sociedade Alemã de Estudo das Turfas. "Plantas nativas como juncos, caniços e musgos voltam a crescer normalmente depois de dois ou três anos", diz ela. Mas até que a turfa volte a crescer, no entanto, são necessários até 15 anos. Para manter o efeito protetor dos pântanos no futuro, segundo Luthardt, é importante buscar alternativas para o uso do solo.
A proteção dos pântanos não descarta seu uso econômico. Os juncos que crescem nas áreas pantanosas podem, por exemplo, servir como fonte para energia de biomassa. "Existem aplicações suficientes para os pântanos, e também já temos tecnologia disponível. O problema está na execução e na vontade dos políticos", diz Luthardt. São problemas que precisam ser resolvidos rapidamente, já que as turfas drenadas liberam mais gás carbônico por ano do que as emissões causadas pelo trânsito em todo o mundo.
Autora: Janine Rabe (ff)
Revisão: Roselaine Wandscheer
Fonte: DW-WORLD.DE

26 de jan de 2011

Hotel feito de lixo é aberto em Madri



Ambientalistas abriram na quarta-feira um hotel todo feito com lixo retirado de praias de países europeus na capital da Espanha, Madri. O objetivo da Organização Save the Beach – em português, Salve a Praia – é chamar a atenção para o problema de sujeira nas praias.

"Qualquer um que vá à praia pode deixar três ou quatro guimbas de cigarro e uma lata de Coca-Cola. Se isso for multiplicado por 47 milhões de espanhois ou 300 milhões de europeus ou 6,5 milhões de pessoas no mundo, pode-se ver para onde estamos caminhando", afirmou o cofundador da campanha, o espanhol Fernando Godoy.

Hotel de lixo
O hotel foi feito com sujeira catada na Espanha, França, Itália e Bélgica


O hotel tem apenas cinco quartos e foi projetado pelo artista alemão HA Schult especialmente para a campanha. A turista Virginia Moreno afirmou que, apesar de ser feito com lixo, não se sente qualquer cheiro ou desconforto. "É mais aceitável do que se imagina à primeira vista", disse.

Durante o dia, o hotel é aberto à visitação pública. À noite, recebe os hóspedes que ganharam diárias em sorteios na internet. A construção feita com lixo coletada na Espanha, Itália, Bélgica e França fica em Madri até o dia 23 de janeiro, durante a duração de uma feira de turismo da cidade.

Fonte: BBC Brasil

25 de jan de 2011

Projetos ameaçam UCs



Projetos no Congresso ameaçam 20 unidades de conservação federais

Dezesseis projetos de lei em análise no Congresso Nacional buscam reduzir, extinguir ou flexibilizar duas dezenas de unidades de conservação no país.
Um deles, se aprovado, pode levar embora, de uma vez, seis parques no Pará que, somados, têm área equivalente à do Estado de Santa Catarina.
Outro quer cortar pela metade um parque em Rondônia onde biólogos acabam de identificar ao menos dez espécies novas para a ciência.
Outro, ainda, visa transformar um parque nacional no Maranhão em reserva extrativista, para o benefício da população tradicional _só que não existe população tradicional no lugar.
As iniciativas vão na contramão da meta acordada pelo Brasil na conferência da biodiversidade de Nagoya de expandir para 17% do território as unidades de conservação terrestres e para 10% as marinhas até 2020.
Elas se somam a 20 processos já concluídos que nos últimos três anos "comeram" o equivalente a um Rio Grande do Norte em áreas de conservação e terras indígenas só na Amazônia, segundo estudo recente do Imazon.
O ICMBio (Instituto Chico Mendes), órgão responsável pela gestão das áreas protegidas do país, diz que a maioria dos projetos não tem mérito e trabalha no Congresso para derrubá-los.
"Não questionamos a legitimidade do Congresso para propor esse tipo de alteração", disse à Folha o presidente do instituto, Rômulo Mello. Pela Constituição, unidades de conservação federais só podem ter seus limites alterados por lei. "Mas as decisões precisam ser técnicas e não baseadas na vontade de algumas pessoas e tomadas de forma açodada."
Algumas propostas, porém, resultam de situações criadas por erros do próprio governo federal, que tenta agora fazer acordos para reduzir o prejuízo.
O caso mais recente e "sensível", na definição de Mello é o de um projeto do deputado Carlos Melles (DEM-MG) para reduzir o parque nacional da Serra da Canastra, que abriga a nascente do rio São Francisco.
O parque foi criado há 40 anos com uma área total de 200 mil hectares. Porém, o decreto que classificava a área como de interesse público ou seja, passível de desapropriação para a criação do parque atingia apenas 71 mil hectares.
"Em 20 ou 30 anos, autorizamos agricultura e mineração nos 129 mil hectares restantes", disse Mello à Folha. "O que está lá não é ilegal. Reconhecemos nosso erro."
Por conta do tal erro, hoje há extensa atividade agrícola e mais de 50 mineradoras dentro do parque, inclusive minas de kimberlito (rocha que abriga diamantes).
As montanhas de rejeitos da atividade mineira afetam os cursos d'água que o parque foi criado para proteger.
O projeto de Melles, que será apreciado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado, visa excluir 50 mil hectares do miolo do parque e criar em uma área total de 17 mil hectares uma APA (Área de Proteção Ambiental), tipo de unidade de conservação mais permissivo a atividades econômicas.
O ICMBio e o Ministério das Minas e Energia fizeram uma contraproposta: ela exclui 9.000 hectares das minas de diamante e duas vilas instaladas dentro do parque.
O restante da mineração e as propriedades rurais, porém, terão de se mudar. "Não é possível ter agricultura em zona de nascentes", afirmou Mello. Os títulos de mineração de dentro da área já foram suspensos.
Ele diz, porém, que a regularização fundiária do parque será "lenta, gradual e segura". O ICMBio planeja comprar a única fazenda grande da região e esperar que os pequenos proprietários da Serra da Canastra morram ou se mudem para incorporar o restante.
Procurado pela Folha, o deputado Carlos Melles não havia atendido ao pedido de entrevista até o fechamento desta edição. 

"USURPAÇÃO"
Menos sutil é um projeto do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), em análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Ele quer sustar os efeitos de um decreto presidencial de 2006 que criou 9 milhões de hectares de unidades de conservação na região da BR-163, área de conflito fundiário e grilagem no Pará.
Os seis parques foram criados para evitar que a pavimentação da estrada viesse acompanhada de uma explosão no desmatamento e na grilagem.
Um deles é a Flona (Floresta Nacional) do Jamanxim, que foi palco das operações de apreensão de "bois piratas" pilotadas pelo ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc. A extinção da Flona é objeto de um outro projeto de lei, do deputado Zequinha Marinho (PSC-PA).
"Essas unidades foram criadas ao arrepio da lei", diz Bentes. "Não houve levantamento fundiário prévio e as audiências públicas foram de fachada."
O deputado chama o decreto de criação das áreas de "usurpação" do patrimônio do Estado do Pará pela União.
"Está cheio de gente lá e não é de hoje. O pobre coitado que vem de outras regiões do Brasil e chega aqui e vê omissão do Estado não tem culpa."
"Ali na BR-163 estava o maior grilo da Terra", diz Mello, em alusão ao latifúndio pirata maior que a Bélgica do empresário Cecílio do Rego Almeida, desapropriado para os parques. "A criação das unidades foi um salto histórico para o país."
Ele diz que está disposto a negociar a cessão de uma 100 mil hectares da Flona do Jamanxim, em troca da incorporação de uma área vizinha.
"As pessoas que estão motivando esse projeto são de maior poder aquisitivo, e os deputados colocam que é um anseio da população", afirma Mello. "Eles querem que 100% dos ocupantes fiquem lá, e isso não é possível." 

Fonte: Folha.com

24 de jan de 2011

Universidade mineira desenvolve sistema que pode baratear o tratamento de esgoto


Um estudo elaborado pelo Centro de Pesquisa e Treinamento em Saneamento, Cepts, vinculado ao Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, pode baratear o tratamento de esgoto.

A pesquisa, coordenada pelo professor Carlos Chernicharo, resultou na criação de um material de suporte feito de polietileno que pode ser aplicado em diversos sistemas de tratamento de esgoto.

Os microrganismos presentes no esgoto são retidos por meio desse sistema. Normalmente, para essa função são utilizadas pedras ou material sintético importado.

“A pedra é um material barato, mas muito pesado, o que dificulta o transporte e a colocação no interior das unidades de tratamento. Também é difícil de ser fornecida no tamanho correto, podendo ocasionar problemas de entupimento, além de apresentar pequena área superficial, ocasionando menor retenção de microrganismos”, avaliou o coordenador.

O sistema desenvolvido apresenta algumas vantagens em relação às técnicas empregadas usualmente, como custo reduzido e alta aplicabilidade. (Fonte: AmbienteBrasil)

21 de jan de 2011

Criação de aterros sanitários é questão emergencial


Segundo o advogado especialista em direito ambiental Victor Penitente Trevizan, a população precisa estar alerta quanto à produção e destinação do lixo. A criação de aterros sanitários ou de postos de recebimento de resíduos é uma questão emergencial.

“Já existe uma intenção de troca dos grandes lixões por aterros sanitários. Daqui a alguns anos, se continuar nesse ritmo de produção de lixo, vamos ter que carregar nossos próprios resíduos”, destacou o advogado, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

Ele afirma que o Brasil está muito atrás dos países considerados desenvolvidos na questão da coleta de lixo. “Quanto mais industrializado o país, mais lixo ele vai produzir. A diferença é que em outros países, por exemplo nos Estados Unidos, existe uma cultura, uma preocupação maior na destinação dos resíduos. No Brasil, isso é uma novidade, para eles [EUA] já é mais antigo, é uma questão cultural efetivamente implementada.”

Para tentar solucionar os transtornos causados pela produção e destinação inadequadas do lixo, o governo implementou a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A lei, regulamentada em dezembro do ano passado, une proteção ambiental à inclusão social, e apresenta inovações como a logística reversa, que determina o recolhimento de embalagens usadas (pilhas, baterias, pneus, eletroeletrônicos) por vendedores, distribuidores e fabricantes.

O descumprimento da lei, segundo Trevizan, pode resultar em multa de até R$ 50 milhões (para empresas) e varia de R$ 50 a R$ 500 (para os consumidores). “Porém essa não é a intenção da lei, mas sim conscientizar a população dessa situação que se torna cada vez mais caótica”, afirmou ele. (Fonte: Radiobrás)

Projeto Arca


Arquitetos russos projetaram um prédio considerado por eles ecologicamente autossustentável e que, ainda por cima, é capaz de resistir à maioria dos desastres naturais. Segundo os arquitetos, a estrutura seria utilizada principalmente como moradia e como hotel.

O Projeto Arca, como é chamado, foi concebido pela empresa Remistudio com o apoio do programa Arquitetura de Auxílio contra Desastres da União Internacional de Arquitetos, pensado especialmente como solução para catástrofes.

Principais características

A Arca pode resistir a maremotos, terremotos, furacões e outros desastres naturais. Ainda por cima, durante um desses momentos extremos, o prédio pode se autosustentar.

A construção em forma de concha, com arcos e cabos, permite a melhor distribuição do peso, por isso a resistência a terremotos. Já o ambiente de estufa tem uma grande vegetação que ajudaria na qualidade do ar e no fornecimento de alimento. O projeto utiliza painéis solares para a captação de energia e um sistema de coleta de água pluvial para o abastecimento de água.

Por causa da estrutura transparente, a luz é filtrada através de salas internas para reduzir a necessidade de iluminação. O quadro é coberto por uma película especial feito de Etil tetrafluoretileno (ETFE). Trata-se de uma película altamente transparente forte, autolimpante, reciclável, mais durável, mais econômica e mais leve que o vidro. A solidez estrutural é fornecida pelo comportamento de compressão dos arcos de madeira e da tensão das cordas de aço. (Fonte: Portal Terra)

20 de jan de 2011

A qualidade das águas

SOS Mata Atlântica constata que 30% das fontes de água do país têm qualidade ruim ou péssima


Pesquisa da organização não governamental (ONG) SOS Mata Atlântica mostra que as fontes de água no país estão cada vez mais poluídas e que, diante disso, a saúde da população corre risco. Ao analisar amostras de 43 corpos d’água, em 12 estados e no Distrito Federal, a ONG verificou que nenhuma amostra foi considerada boa ou ótima.

As análises foram feitas ao longo de 2010. Com base em parâmetros definidos pelo Ministério do Meio Ambiente, o estudo revela que em 70% das coletas feitas em rios, córregos, lagos e outros corpos hídricos, a qualidade da água foi considerada regular. Em 25%, a qualidade era ruim e em 5%, péssima. Em visitas a pontos de educação ambiental da ONG, foi avaliada a qualidade da água para consumo e concluiu-se que as águas precisam de tratamento para qualquer uso, seja para o consumo ou para a indústria. Nos locais visitados, também foi constatado que o principal agente de poluição é o esgoto doméstico.

Indicadores da falta de saneamento básico, como a presença coliformes, larvas e vermes, lixo e baixa quantidade de oxigênio na água, além de dez propriedades físico-químicas foram testadas pela ONG. Das 43 coletas analisadas, o pior resultado foi a do Rio Verruga, em Vitória da Conquista (BA), e a do Lago da Quinta da Boa Vista, no Rio. Em condição um pouco melhor, mas ainda considerada regular e, consequentemente imprópria para consumo, estavam as amostras coletadas no Rio Doce, no município de Linhares (ES), e na Lagoa de Maracajá, em Lagoa dos Gatos (PE).

“A poluição está muito mais vinculada à emissão de efluentes domésticos que industriais, ultimamente”, disse o geógrafo do projeto, Vinicius Madazio. “É um problema porque 60% dos brasileiros vivem na [região de] Mata Atlântica”, completou, reivindicando que as políticas públicas de saneamento básico sejam prioridade do governo e da sociedade.

A qualidade da água é uma das preocupações da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou o período entre 2005 e 2015 a década internacional Água para Vida. Em 2006, a instituição estimou que 1,6 milhão de pessoas, principalmente crianças menores de cinco anos, morram anualmente por causa de doenças transmitidas pela água. Procurados, o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Águas (ANA) não comentaram a pesquisa. (Fonte: Agência Brasil)

A Cidade Contêiner



Não é cenário de filme. A Cidade Contêiner (ou Container City, como é mais conhecida) existe de verdade e já virou atração turística no México, onde foi construída.

Idealizada pelo designer gráfico Gabriel Esper Caram, ela possui 5 mil m² de área urbana, que são “preenchidos” por 50 contêineres de navios velhos. As estruturas de metal dão origem a lojas hippies, livrarias, galerias de arte, bares, restaurantes, padarias e até dormitórios – para abrigar os turistas dispostos a passar a noite na cidade.

Para tornar a estadia na Container City mais agradável, todos os contêineres sofreram um upgrade e possuem isolamento acústico e sistema térmico, que mantém  uma temperatura agradável dentro das estruturas de metal. Além disso, a cidade possui Wi-Fi e há música tocando em todas as ruas.

Todo o esforço para chamar a atenção dos turistas parece estar dando resultado: a Container City, que fica no Estado mexicano de Puebla, está recebendo muitos visitantes, de segunda à domingo, e já é considerada no país um ponto de referência nos campos da cultura e arquitetura, além de um ótimo exemplo de reutilização de lixo. (Fonte: Super Interessante)

19 de jan de 2011

O exemplo da redução!

Família britânica produziu apenas uma sacola de lixo em 2010


Uma família britânica diz ter conseguido produzir apenas uma sacola de lixo em todo o ano de 2010. O casal Richard e Rachelle Strauss e a filha Verona, de 9 anos, reciclam praticamente tudo, plantam grande parte da própria comida e transformam restos de alimento em adubo.

Além disso, eles compram produtos diretamente de produtores locais para evitar embalagens em excesso e quando vão ao açougue, por exemplo, eles levam os próprios recipientes.

Em 2009, eles conseguiram reduzir sua produção de lixo para apenas uma lata. Em 2010, os Strauss, que vivem em Longhope, no condado de Gloucestershire, eles decidiram aumentar o desafio e não produzir lixo nenhum.

"Estamos muito felizes com o resultado. Nós sabíamos que produção 'zero' de lixo seria impossível, mas se você não colocar as metas lá no alto, nunca vai saber o que pode alcançar", disse Rachelle Strauss.

A pequena sacola de lixo continha alguns brinquedos quebrados, lâminas de barbear, canetas e negativos fotográficos.
Contaminação por plástico
A ideia de reduzir drasticamente a produção de lixo da família surgiu em 2008, mas quando Rachelle falou com o marido sobre sua proposta, percebeu que ele não estava interessado.

"Richard só resolveu encampar a ideia depois de ler uma série de artigos sobre os danos causados à vida marinha pela contaminação por plástico. Ele ficou muito impressionado", disse Rachelle à BBC Brasil.

Os Strauss começaram o desafio reduzindo o uso de plástico. Depois, passaram a reciclar e reaproveitar cada vez mais, além de usar baterias recarregáveis e painéis solares para gerar energia.

A experiência foi contada em um site na internet, o www.myzerowaste.com, que acabou virando referência sobre reciclagem e tem mais de 70 mil visitantes por mês.

"Para quem quer reduzir a produção de lixo, minha primeira dica seria pensar no que você está comprando e escolher produtos com menos embalagem e com invólucros que sejam recicláveis. Em segundo lugar, é importante evitar o desperdício de alimento. Aqui na Grã-Bretanha, um terço da comida que compramos acaba no lixo. Em terceiro lugar, tente reciclar o máximo que puder", aconselha Rachelle. (Fonte: UOL Notícias)

A logística reversa do óleo lubrificante usado


Logística reversa já recolhe 36% do óleo lubrificante usado no Brasil


Ao fazer uma simples troca de óleo lubrificante no veículo em um estabelecimento qualquer, o consumidor quase nunca imagina que a iniciativa pode significar um ato que pode gerar graves consequências para o meio ambiente. Caso o estabelecimento escolhido para o serviço não faça parte do sistema nacional de recolhimento de óleo usado e contaminado, seu descarte incorreto pode resultar em contaminação química e os danos podem ser irreversíveis.

Os Óleos Lubrificantes Usados ou Contaminados (Oluc), vulgarmente conhecido como óleo queimado, é considerado um resíduo tóxico persistente e perigoso não só para o meio ambiente, como também para a saúde humana. São cancerígenos e provocam, entre ouros males, a má-formação dos fetos. A prática tecnicamente recomendada para evitar a contaminação química é o envio do resíduo para a regeneração e recuperação por meio do processo industrial chamado de rerrefino.

Para se ter uma ideia do grau de toxicidade do resíduo, um litro de óleo lubrificante usado pode contaminar um milhão de litros de água. Mil litros deste óleo podem destruir uma estação de tratamento de água para 50 mil habitantes. Se for queimado como combustível em padarias ou olarias, o ar ficará saturado de gases venenosos e cancerígenos de alta toxicidade. Derramado no solo, pode poluir irreversivelmente lençóis freáticos e aquíferos.
O óleo usado ou contaminado é rico em metais pesados, ácidos orgânicos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e dioxinas, todas substâncias altamente poluentes.

Para evitar esse tipo de contaminação, há cinco anos, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou a Resolução nº 362/2005 regulando as atividades de coleta e recolhimento destes óleos lubrificantes. Com a aprovação da Norma, foi possível criar um sistema harmônico e claro para a gestão deste perigoso resíduo, estabelecendo obrigações e ações coordenadas para evitar o caos ambiental.

Mas além do benefício ambiental, o processo de rerrefino também oferece vantagens econômicas, pois quando coletados e corretamente encaminhados à reciclagem, por meio do processo de rerrefino, os olucs são transformados novamente em óleo lubrificante , numa proporção de 75% a 80% de aproveitamento. Representam um recurso mineral valioso e possibilitam a geração de importante parcela de óleos básicos, destinados à formulação de lubrificantes acabados essenciais para a operação de maquinário de diversos segmentos industriais como, por exemplo, operações de corte, estampagem, fabricação de borrachas, metalurgia, etc.

Uma outra vantagem do rerrefino é apontada pelo coordenador do Grupo de Monitoramento Permanente (GMP) da Resolução 362/2005, Edmilson Rodrigues da Costa. Ele explica que a questão envolve até mesmo a soberania nacional. “Para fazer o óleo lubrificante, usa-se uma parte do petróleo chamada óleo leve e o nosso petróleo é muito pesado. Como o Brasil importa esse óleo do Oriente Médio, então quanto mais óleo for recolhido e quanto maior a quantidade de rerrefino menos óleo a gente vai ter de importar”, explica.

Desde junho de 2005, vem sendo feito um rigoroso monitoramento do recolhimento e rerrefino dos óleos usados ou contaminados no Brasil. A entrada em vigor da Resolução criou uma rotina bem sucedida de ações articuladas entre as três esferas de governo e a sociedade civil que vem, ano a ano, retirando do meio ambiente uma quantidade cada vez maior deste agente poluidor. A Resolução inovou ao criar um sistema de logística reversa, obrigando os produtores e importadores a coletar todo o óleo disponível ou garantir o custeio de toda a coleta dos olucs efetivamente realizada.

Além de editar a Resolução, o Conama inovou uma vez mais ao criar um Grupo de Monitoramento Permanente (GMP) para verificar a aplicabilidade da Resolução, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente. Além do MMA e dos ministérios de Minas e Energia e das Cidades, fazem parte do GMP os órgãos estaduais e municipais de meio ambiente, a sociedade civil, representada pelas organizações não-governamentais ambientalistas e o setor empresarial.

O engajamento da sociedade organizada e de vários segmentos do setor empresarial também confere ao GMP uma dimensão participativa ainda maior. Além do Governo Federal fazem parte do grupo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), Associação Brasileira de Entidades de Meio de Meio Ambiente (Abema), Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Sindicato das Indústrias Petrolíferas (Sindipetro), Sindicato do Comércio de Lubrificantes (Sindilu), Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa), Força Verde Ambiental do Paraná entre outros.

A Resolução aprovada pelo Conama determinou que todo óleo usado ou contaminado deve ser recolhido, coletado e ter destinação final, de modo que não afete negativamente o meio ambiente e propicie a máxima recuperação dos constituintes nele contidos.

Estabeleceu aos produtores e importadores a obrigação de coletar, ao menos anualmente, um percentual mínimo não inferior a 30%, em relação ao óleo lubrificante acabado comercializado. Posteriormente, os ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia editaram uma Portaria, em conjunto, com metas de recolhimento regionais e nacional. Estas metas vão até 2011 e terão de ser revistas para um período de mais quatro anos.

Atualmente, cinco anos após a entrada em vigor da Norma do Conama, o Brasil exibe um percentual de 36% de recolhimento de óleo usado e aposta que em até meados da próxima década atingirá a meta de 42% de recolhimento.

Edmilson da Costa, no entanto, explica que apesar do sucesso da Resolução, os números não revelam todo o quadro brasileiro. “Em nível nacional, diz ele, os números andam bem, mas isso porque o sudeste e o sul vêm puxando esses números para cima. O centro-oeste, o norte e o nordeste ainda se encontram bem distantes das metas programadas”.

Porcentagem ideal - As metas estabelecidas vão mudando a cada quatro anos e o ideal é que o Brasil atinga a faixa de 60% de rerrefino. Para o coordenador do GMP, para se atingir esse patamar, em primeiro lugar é preciso ampliar a consciência da sociedade no sentido de que ela deve trocar o óleo do veículo em agentes credenciados. Em segundo lugar, coibir o desvio de grande quantidade de olucs que vem sendo utilizada como óleo combustível na queima de caldeiras em olarias, pardarias e outros. Por último, controlar a venda de óleos lubrificantes em supermercados.

Edmilson Costa afirma que a venda em supermercados, minimercados e outros estabelecimentos atrapalha o sistema de logística reversa, uma vez que este tipo de estabelecimento não se sente responsável pela coleta. “O óleo vendido em posto de gasolina tem um controle, o vendido em supermercado não, porque eles não fazem parte do sistema da logística reversa estabelecido pela Norma Conama”.

Mobilização – Um anos após a aprovação da Resolução, o GMP realizou um seminário nacional para organizar os passos seguintes da aplicação da Resolução. De acordo com Edmilson da Costa, a partir de então, foi montado um sistema de capacitação de técnicos de órgãos municipais e estaduais. Dentro desta lógica, foram realizadas quatro oficinas regionais para debater a Resolução e também uma oficina nacional. No momento, estão sendo realizadas minioficinas regionais. “No último ano, fizemos oficins nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba, Amazonas e na Bahia. A intenção é fazer chegar a informação correta a um número cada vez maior de atores, e das pessoas da sociedade como um todo”, diz o coordenador.

Segundo ele, já foram capacitadas em torno de 600 pessoas entre técnicos de meio ambiente, de universidades, da defesa civil, do Corpo de Bombeiros, sindicatos de classe relacionados ao trânsito, como rodoviários e ferroviários.

Atualmente, o grupo vem desenvolvendo um trabalhando junto aos caminhoneiros. O coordenador do GMP informa que o Sindirepa está elaborando um estudo que irá apontar qual o melhor caminho para se chegar a essa categoria. “A maioria dos caminhoneiros tem consciência de que precisa trocar o óleo em um local correto, mas ele precisa entender que existem lugares que fazem a troca mas não fazem a destinação correta para o rerrefino. Eles precisam entender que neste locais deve existir o certificado de coleta, com adesivo da ANP, tem que haver uma série de cópias dos certificados para a garantia de que foi destinado corretamente. Quando conseguirmos atingir os caminhoneiros, estaremos atingindo um ponto nevrálgico desta iniciativa”, garante Edmilson da Costa.

Atores – São cinco os participantes da cadeia de comercialização do óleo lubrificante até o processo de rerrefino. São eles:

Produtores e importadores – Pessoas jurídicas que introduzem o óleo lubrificante acabado no mercado e possuem a obrigação legal de custear sua coleta e de informar aos consumidores (geradores) as obrigações que estes têm e os riscos ambientais decorrentes do eventual descarte ilegal do resíduo. Aqui entra o sistema de logística reversa;

Revendedores – Pessoas jurídicas que comercializam óleo lubrificante acabado no atacado e no varejo, que dentre outras obrigações devem receber dos geradores o óleo lubrificante usado ou contaminado, em instalações adequadas;

Geradores – Pessoas físicas ou jurídicas que em função do uso de lubrificantes geram o óleo lubrificante usado ou contaminado e que têm obrigação de entregar este resíduo perigoso ao pondo de recolhimento (revendedor) ou coletor autorizado;

Coletores – Pessoas jurídicas devidamente licenciadas pelo órgão ambiental competente e autorizadas pelo órgão regulador da indústria do petróleo, para realizar atividade de coleta de óleo lubrificante usado ou contaminado, entregando-o ao rerrefinador;

Rerrefinadores – Pessoas jurídicas devidamente autorizadas pelo órgão regulador da indústria do petróleo e licenciadas pelo órgão ambiental competente, para a atividade de rerrefino, que tem por obrigação remover os contaminantes do resíduo perigoso e produzir óleo lubrificante básico conforme especificação da ANP. (Fonte: MMA)

17 de jan de 2011

Extração de areia destrói mata atlântica

Foto aérea mostra escavação de areia nas margens do rio Paraíba do Sul; atividade irregular está desmatando áreas

Foto: Juca Varella/Folhapress




Retirada irregular no Vale do Paraíba equivale à área de 300 estádios em trecho que deveria ficar intacto, mostra estudo.
Além de desmatar uma região, mineradoras não recuperam as áreas não mais usadas, como deveriam fazer.

A extração de areia nas margens do rio Paraíba do Sul, no Vale do Paraíba, invadiu áreas de mata atlântica, que deveriam ficar intactas. Estudo do governo do Estado mostra que de cada quatro empresas que operam na região uma está em desconformidade com o zoneamento ambiental de 1999.

"Analisamos 159 empreendimentos. Deste total, 41 estão agindo fora da área de mineração", afirma Casemiro Tércio Carvalho, que organizou o estudo pela Secretaria do Meio Ambiente. "Quem ainda não recebeu a autuação do Ministério Público Estadual deverá receber", afirma Carvalho.

A extração de areia irregular, indica o levantamento governamental, destruiu o equivalente a 300 campos de futebol em seis cidades (Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba). A área representa menos de 5% do total destinado à mineração de areia no Vale. A atividade existe na região há mais de 50 anos.

Hoje, a principal forma de extração da areia consiste em fazer enormes buracos, alguns com mais de 15 metros de profundidade, na várzea do rio. A areia é retirada das cavas por meio de dragas. De acordo com especialistas e o próprio governo, o impacto da mineração de areia não se resume ao desmatamento de uma região.

Outra crítica feita ao setor é que as áreas não mais usadas para a extração de areia costumam ficar totalmente abandonadas, em vez de serem recuperadas. Como as lagoas ficam cheias de água e elas costumam se comunicar com o rio pelo subsolo, como vasos comunicantes, a poluição das cavas, que pode ocorrer por causa do óleo usado nas máquinas, por exemplo, vai também chegar ao rio. 

De acordo com o governo existem no Vale do Paraíba quatro tipos de áreas, definidas pelo zoneamento: a zona de mineração propriamente dita, a zona de recuperação e as zonas de conservação de várzea e de proteção. As irregularidades flagradas pelo satélite e pelo helicóptero usados no estudo ocorreram exatamente nas duas últimas categorias.

Fonte: Folha de São Paulo

14 de jan de 2011

Lagos são grandes emissores de gás metano


Lagos e rios emitem gases causadores do efeito estufa bem mais potentes do que se pensava, contrariando o papel da natureza de absorver os gases responsáveis pelo aquecimento climático, segundo um estudo divulgado no dia 07/01.

Um estudo de 474 sistemas de água doce, realizado por especialistas da Suécia, Brasil e EUA, indicou que os lagos emitem uma quantidade de metano equivalente a 25 por cento de todo o dióxido de carbono absorvido pelas áreas terrestres do mundo a cada ano. Árvores e outras plantas absorvem dióxido de carbono, o principal gás causador de alterações climáticas, ao crescer.

‘As emissões de metano de fontes de água doce são maiores do que o esperado’, disse à Reuters David Bastviken, principal autor do estudo da Universidade de Linkping, na Suécia. ‘Parte do carbono que é capturada e armazenada pela Terra é neutralizada pelo metano das fontes de água doce’, de acordo com o estudo.

As emissões de metano, liberado pela decomposição da vegetação e outras matérias orgânicas em rios, represas, lagos e córregos, ainda não tinham sido colocadas em modelos adequados para a compreensão do aquecimento global, disse Bastviken. Os resultados indicam que outros elementos da natureza, como as florestas, devem ser considerados como estoques naturais robustos de gases de efeito estufa, disse ele. ‘Isso significa que as florestas e outros ambientes locais, como depósitos de carbono, são ainda mais importantes’ para ajudar a contrabalançar o aquecimento global, disse ele. Estoques em solo ‘podem ser mais raros do que o esperado’.

Ignorado por muito tempo 

Bastviken disse que as emissões de metano de água doce não são uma ameaça ambiental nova, pois a presença do gás na atmosfera era conhecida anteriormente, mesmo que os cientistas não soubessem ao certo a sua origem. ‘Isso sempre aconteceu. Nós apenas não prestávamos atenção’, disse ele. Mesmo assim, ele disse que o degelo do permafrost da Sibéria ao Alasca também pode estar liberando mais metano do que quando estavam congelados.

A conferência climática da ONU em Cancún, no México, no mês passado, concordou com a criação de um sistema para deter o desmatamento mundial, da Amazônia até a bacia do Congo, a fim de desacelerar as mudanças climáticas. O plano prevê incentivos às nações em desenvolvimento para proteger suas florestas, em vez de derrubá-los para dar lugar a fazendas, cidades ou estradas. O desmatamento é responsável por talvez dez por cento da liberação dos gases causadores do efeito estufa.

A acumulação de gases-estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis em termelétricas, fábricas e carros, causará ondas de calor, inundações, secas e elevação do nível do oceano, segundo o painel da ONU de cientistas climáticos. O metano, como um gás do efeito estufa, é cerca de 25 vezes mais potente que o dióxido de carbono. Bastviken disse que os resultados não representam um argumento a favor da drenagem das zonas úmidas e lagos para a limitação das emissões de metano -essa ação poderia ter efeitos adversos, como a liberação do carbono armazenado nos sedimentos. (Fonte: G1)

13 de jan de 2011

Opinião: a Regulamentação da PNRS - Parte I

(*) Cássio dos Santos Peixoto
 
Nos derradeiros dias de 2010, precisamente em 23 de dezembro, o Presidente da República decretou a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010. O Decreto nº 7.404, como expresso em seu art. 86, entrou em vigor na data de sua publicação, portanto, regras com eficácia jurídica imediata. Assim, antes de fazer uma análise sobre os ditames regulamentares, vale observar que a legislação chegou ao apagar das luzes do ano e do governo, obrigando-nos a fazer algumas observações quanto a sua destinação e publicidade.

Está firmado o entendimento que a alegação do desconhecimento da lei é inescusável. O art. 3º da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro proclama: “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.” A vida em sociedade não seria possível se todos pudessem alegar o desconhecimento da lei para se furtar a cumpri-la. Daí a necessidade da ficção jurídica de que todos devem conhecer a lei. Na prática, contudo, tal princípio está longe da realidade, tendo em vista a proliferação legislativa, com edição diária de diversos diplomas legais, ficando cada vez mais difícil ao cidadão comum conhecer intimamente às leis.

A nossa crítica vem quanto ao aspecto temporal da publicação do decreto regulamentador que, não atingiu a publicidade real, principalmente por atingir os hábitos dos cidadãos, impondo-lhes mudanças de atitudes, inclusive prevendo diversas sanções. Pela lógica, uma regulamentação que pretenda alterar o comportamento da sociedade, não deveria vir em uma hora de atenção emocional diversa, direcionada à simbologia do período, o que dificulta sua internalização.

Independentemente da consideração esposada, que em nada diminui a importância da nova legislação, a crítica cinge-se em registrar que se as leis, em geral, passam despercebidas da população e, às vésperas do período de festas, torna tudo ainda mais complicado. Deste modo, as campanhas que já seriam necessárias, serão vitais daqui para frente.

Em resumo, a PNRS encontra-se devidamente regulamentada, carecendo apenas, de algumas resoluções, instruções e dos planos de resíduos sólidos. Asseverando que, significativas parcelas das dúvidas foram sanadas em seu texto.

Objetivamente, o Dec. nº 7.404/2010 traz 86 artigos que discorrem sobre as regras tratadas na PNRS (Lei nº 12.305/2010) e, como estudiosos do assunto, entendemos como sendo importante levantar os temas que merecem maior destaque, à medida que os mesmos se apresentam na nova regulamentação:

Começamos pela instituição do Comitê Interministerial da PNRS, formado por 12 representantes dos ministérios que poderão convidar, inclusive, representantes do setor privado. Além disso, o Comitê poderá propor medidas que visem a desoneração tributária para produtos recicláveis e reutilizáveis (note-se que, não se trata de reciclados e sim recicláveis), além da simplificação dos procedimentos de obrigações acessórias relativas à sua movimentação. Em sendo proposta tal medida, certamente será um ganho considerável para os empreendimentos que se destaquem no gerenciamento eficaz destes resíduos.

Outro ponto não menos relevante será a propositura de linhas de créditos em instituições financeiras federais.
Quanto aos consumidores finais, fica expressa a obrigação de adimplir as regras estabelecidas sobre coleta seletiva, com a segregação prévia dos resíduos conforme sua composição ou constituição, sempre da forma que dispuser os titulares do serviço público de limpeza urbana ou de manejo de resíduos. Também, fica obrigado o consumidor, a acondicionar corretamente os resíduos contemplados pelo sistema de logística reversa. Estas regras estão no capítulo das responsabilidades dos geradores de resíduos e do poder público.

Um dos temas mais debatidos, desde a criação da PNRS é a logística reversa que, restitui ao setor empresarial os resíduos vinculados a sua operação, para reaproveitamento, destinação ou disposição final adequada dos resíduos e embalagens. Entretanto, é vital que a sociedade e os cidadãos iniciem o processo reverso para que seja logrado êxito no sistema.

Complementar ao sistema de logística reversa estão os acordos setoriais como instrumento inicial, seguido dos regulamentos expedidos pelo Poder Público. Cabendo assim, sugestão aos empreendimentos para que optem pela primeira alternativa, antes que a regulamentação possa vir de forma não sustentável economicamente. Seguindo nesta trilha, ressalta-se que os Acordos Setoriais podem ter iniciativa tanto do Poder Público como do Setor Privado. Quando a iniciativa partir do Poder Público, deverá ser precedida de chamamento público, sendo relevante, uma postura aberta às negociações, além da afinação entre os membros setorizados. Lembrando que existe, ainda, a impossibilidade de abrandamento das medidas instituídas pela Lei nº 12.305/10 e pelo decreto regulamentador nº 7.404/2010.

O novo decreto reafirma a obrigação de criação e estruturação da logística reversa pelos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes para àqueles que estejam enquadrados nos incisos I a VI do art. 33 da Lei nº 12.305/2010. Vale dizer que, estes setores já se encontram em avançado desenvolvimento.

Os Acordos Setoriais não se encontram, ainda, tão avançados, em função das suas próprias características. As exigências são maiores e dependem de uma maior convergência de interesses. Além disso, existe uma gama de pontos e estudos a serem desenvolvidos, como também, uma lista de documentos que deverão acompanhar a formalização destes acordos setoriais, que, ainda, estarão sujeitos à consulta pública, com a formatação a ser definida pelo Comitê Orientador.

O termo de compromisso, que restou como terceiro instrumento, prevê o estabelecimento da logística reversa a ser firmada entre o Poder Público e o Setor Privado em função da não existência de acordo setorial em determinada área de abrangência ou, também, para fixação de metas mais exigentes do que o previsto no acordo setorial, neste caso, este documento acaba funcionando como um gravame consensual.

Para finalizar esta primeira análise dos artigos iniciais da recente regulamentação, o novo diploma cria o Comitê Orientador para implantação da logística reversa, composto por cinco ministérios, sendo presidido pelo Ministro do Meio Ambiente.

Discutir e apresentar análise jurídica desta regulamentação exigirá um trabalho denso que nos obriga a dividir este tema em partes, para que se possa explorá-lo melhor, esmiuçar a intenção da norma à sua materialização. Com certeza não iremos esgotar a análise nestes modestos artigos, mas o objetivo é discutir o assunto com atenção e responsabilidade jurídica que o tema merece. (Fonte: AmbienteBrasil)

(*) Cássio dos Santos Peixoto , Professor de Legislação e Direito Ambiental da Pós-Graduação em Gestão Ambiental da Faculdade SENAC MG. Advogado, Perito Ambiental, Pós-Graduado em Direito Tributário, Direito Empresarial, Direito Ambiental e em Gestão Ambiental.

12 de jan de 2011

A política de Dilma

 Para Dilma, desenvolvimento com preservação do meio ambiente é “missão sagrada”

 A presidenta Dilma Rousseff disse, no discurso de posse no plenário da Câmara dos Deputados, que o Brasil será um dos campeões mundiais de energia limpa e de crescimento sustentável. E considerou a preservação do meio ambiente como um dos compromissos centrais do governo que se inicia. “Considero uma missão sagrada mostrar ao mundo que é possível um país crescer sem destruir o meio ambiente. O Brasil continuará priorizando a preservação de suas imensas florestas”.

Emocionada e muito aplaudida pela maioria do plenário, Dilma disse que a política externa brasileira estará apoiada na promoção da paz, no respeito ao princípio constitucional de não intervenção, no respeito aos direitos humanos, e engajada na luta contra a fome e a miséria no mundo.

A presidenta pediu ainda a participação de todos nas ações de transformação do país. “É importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de um governo. É resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros. O país do futuro será exatamente do tamanho da participação de todos e de cada um. Dos movimentos sociais, dos que labutam no campo, dos pequenos empreendedores, dos intelectuais, servidores públicos, mulheres, negros, jovens, todos que lutam para superar distintas formas de discriminação”, disse ela.

Dilma ainda afirmou que irá garantir a liberdade de imprensa, de opinião e as liberdades individuais. “Reafirmo o que disse durante a campanha: prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra a censura e a ditadura, somos amantes da mais plena democracia e defesa dos direitos humanos”. (Fonte: AmbienteBrasil)

11 de jan de 2011

Retrospectiva 2010 – O ano da biodiversidade


A Organização das Nações Unidas, ONU, declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade, para chamar atenção para a perda de espécies animais e vegetais, causada pela ação humana. Pesquisadores aproveitaram para discutir o risco de extinção de espécies. Estima-se que 150 espécies sejam extintas todos os dias no mundo. “Estamos perdendo essa biodiversidade a uma taxa mil vezes maior do que a taxa normal na história da terra. Então, de acordo com as previsões dos cientistas, até 2030 poderemos estar com 75% das espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção. Hoje esse número é de 36%.”, disse o secretário da Convenção sobre a Diversidade Biológica da ONU, Oliver Hillel, conforme publicado em “Ano Internacional da Biodiversidade vai discutir extinção de espécies”.

Em 2010 cientistas fizeram o 1º mapa completo do funcionamento de um ser vivo, abrindo caminho para a criação de vida artificial. Pesquisadores e ecologistas mantiveram postura firme em defesa de seus ideais. No início do ano um confronto entre pescadores japoneses e ecologistas australianos, na Antártida, resultou no naufrágio da embarcação do grupo australiano, que combatia a pesca de baleias. Alegando pesquisa científica, pescadores japoneses desrespeitam a moratória internacional sobre a caça das baleias. 

Em abril, no Pará, uma tonelada de barbatana de tubarão foi apreendida por fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Ibama. A carga foi avaliada em cerca de R$ 30 mil e seria exportada para o Japão.

Na Suécia, depois de 45 anos, a caça de lobos foi autorizada. O governo tomou a medida com objetivo de controlar a população desses animais.

No Amazonas, em Tefé, uma pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Inpa, perdeu parte da perna, ao ser atacada por um jacaré. Com lagartixas na cueca, um alemão foi preso na Nova Zelândia. As espécies, em risco de extinção estavam sendo transportadas em uma pochete com bolsos feitos sob medida.

Para se livrar da fiscalização, um suposto traficante de animais atirou espécies do 2º andar de sua residência, no Pará. Pelo menos quatro aves morreram, pois não tinham condições de voar. Foram encontrados 12 periquitos, 4 jabutis e 1 tucano, além de curiós, bicudos, sabiás e azulões.

O combate ao tráfico foi intenso, mas ainda assim, a ação de criminosos fez vítimas em todo o mundo. Na Tailândia, um carregamento ilegal de presas de marfim avaliadas em US$ 1,2 milhão, foi apreendido em julho. A carga correspondia a 117 presas de elefantes, que chegavam a pesar quase 800 quilos.

No Rio Grande do Sul, logo no início do ano, dois homens foram presos por criar ovos de tartarugas clandestinamente, para venda no estado e em países vizinhos. No interior de São Paulo, a atuação da polícia ambiental permitiu o resgate de uma sucuri gigante e 132 pássaros silvestres, durante patrulhamento aquático, nos municípios de Presidente Epitácio e Jaú.

Em março, três cativeiros de aves silvestres foram fechados em Olinda, no Pernambuco. No Piauí, mais de 200 animais silvestres foram encontrados em uma feira livre. Na Bahia, em Vitória da Conquista, foram apreendidos 13 canários em uma residência na Cabeceira da Jibóia, distrito de Limeira, zona rural do município de Vitória da Conquista, BA. A ação foi resultado de averiguação de uma denúncia recebida pela Linha Verde. Foi também através de uma denúncia que 157 galos de briga foram apreendidos no mesmo município em agosto.

No Rio de Janeiro, foi implantado o Dia Estadual de Repressão ao Tráfico de Animais Silvestres, celebrado no dia 1º de dezembro, com atividades educativas em todo o estado.

Em outubro, uma reportagem do G1 destacou: “Saiba qual é a rota do tráfico de animais silvestres no Brasil”. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Ibama, somente até setembro de 2010, mais de 8,8 mil animais silvestres pelo país. Em 2009, o número ultrapassou os 31 mil.

Boas notícias 

No dia 14 de janeiro uma boa notícia: “EXCLUSIVO: Filhotes albinos de tartaruga amazônica nasceram em projeto de preservação“.  Em doze anos de projeto, no Amazonas, no Centro de Preservação e Pesquisa de Quelônios Aquáticos, CPPQA/Balbina-AM, foram os primeiros filhotes.

No Rio Grande do Sul, a soltura de mais de 6 mil filhotes de tartaruga foi destaque em fevereiro. Os ovos foram apreendidos em criatório ilegal e foram monitorados até a soltura. Os animais com 10 a 15 dias, foram liberados às margens do Canal São Gonçalo, em Pelotas.

Poucos dias antes de acabar o ano, o Zoológico do Estado do Rio Grande do Sul comemorou o aniversário do chimpanzé Nilo, nascido no parque. O animal é filho de Muka, que está no parque desde 1993,  e Tição, nascido no zoológico em 1981, e irmão de Sudão, de 4 anos. O nome foi escolhido em um concurso entre os visitantes.

Em novembro, outra história teve um final feliz, conforme publicamos em “EXCLUSIVO: Chimpanzé fumante recebe abrigo no Brasil depois de denúncias de maus tratos“. O chimpanzé Omega, que era atração em um restaurante libanês, foi transferido para o Instituto Conservacionista Anami, em São José dos Pinhais, no Paraná. (Fonte: AmbienteBrasil)

10 de jan de 2011

Cidade italiana converte vento em energia


Itália - As torres de turbinas brancas que se levantam na borda da estrada mostram algo de extraordinário que está ocorrendo na Itália. Com taxas elevadas de consumo de energia, pequenas comunidades em um país conhecido muito mais pelo lixo do que pela consciência ambiental estão encontrando a salvação econômica na tão comentada energia renovável.

Mais de 800 comunidades italianas agora produzem mais energia do que usam, por causa do recente uso da estrutura energética renovável, de acordo com o grupo italiano ambiental Legambiente. Energia renovável tem sido uma grande oportunidade para Tocco que faz dinheiro com produção de eletricidade e não cobra impostos ou taxas por serviços como recolher o lixo. 

Uma cidade italiana de 2.700 pessoas localizada em região central, pobre e montanhosa, Tocco está em muitos aspectos parada no passado. Senhores falam sobre política em bares lotados, e senhoras passeiam pelo mercado. Mas, quando vista em uma perspectiva energética, Tocco está no futuro. Além das turbinas de vento da cidade, painéis solares geram eletricidade em seu antigo cemitério e no seu complexo esportivo.

"Normalmente, quando você pensa sobre energia relaciona com estruturas gigantescas, mas aqui o que é interessante é que os municípios estão participando muito", disse Edoardo Zanchini, que comanda a divisão de energia da Legambiente. "Isso ocorrendo em um lugar como a Itália é impressionante".

A Itália é um peso para a revolução renovável. Ela tem sido criticada repetidamente pela União Europeia por não seguir os objetivos ambientais do bloco.Atualmente, somente 7% da eletricidade do país vêm de fontes renováveis, resultado muito distante do ideal. Mas o crescimento de projetos pequenos renováveis em cidades como Tocco, não somente na Itália, como em outros países, mostra que transformar o verde em modelo econômico é mais importante do que criar um plano nacional para promover alternativas de energia.

Tocco escolheu esse caminho, porque a energia na Itália é uma das mais caras da Europa.Ao mesmo tempo, os custos relacionados à energia renovável estão caindo rapidamente. E, como na Europa, o atrativo da energia alternativa foi garantido pelas tarifas de incentivo -o governo garante comprar a energia renovável em um preço competitivo das companhias, cidades ou vilarejos que produzam esse tipo de eletricidade.

Nos Estados Unidos, onde a eletricidade é barata, e a política do governo favorece a produção de determinada porcentagem de energia advinda de fontes sustentáveis, o estímulo à energia alternativa não tem sido satisfatório.Mas em países onde a energia advinda de fontes fósseis é naturalmente cara -em alguns casos, a razão é um imposto sobre o carbono- e não há dinheiro para pagar por ela, a energia renovável rapidamente cresceu em importância, mesmo em lugares considerados pouco prováveis como em Tocco.

Com suas quatro turbinas de vento (duas foram completadas em 2007, e outras duas, no ano passado), Tocco é agora totalmente independente de financiamento, já que gera 30% mais do que usa.A produção da energia verde, no ano passado, resultou em ¤ 170 mil para a cidade, ou mais de US$ 200 mil.

A prefeitura está renovando a estrutura das escolas para proteger as crianças dos terremotos e triplicou o orçamento para manter as ruas sempre limpas.O destino de sucesso de Tocco já estava escrito. Em uma posição estratégica, em um vale que recebe ventos em abundância, a cidade foi escolhida pela União Europeia como o local ideal para um projeto de demonstração sobre energia eólica em 1989. Ela tinha duas turbinas de vento ineficientes que duraram cerca de uma década e não foram substituídas, suprindo, no máximo, 25% da demanda de eletricidade do município. Os residentes as chamavam de "sacos de barulho".Mas, nos últimos anos, com a melhora da tecnologia, a instalação de turbinas silenciosas e o interesse público, houve mudança no modo de encarar e aproveitar a força dos ventos.

"Nós sabíamos o que estávamos fazendo e onde colocaríamos as turbinas", disse Riziero Zaccagnini, o popular prefeito da cidade, sempre com sua jeans azul.Como é comum na Europa e nos Estados Unidos, as novas turbinas são de propriedade e operadas por uma companhia de energia privada. Existe um contrato entre a prefeitura e essa empresa.Tocco venceu prêmios de grupos ambientais internacionais por seus esforços em energia renovável. (Fonte: Folha de São Paulo)

7 de jan de 2011

Tratando o esgoto pela raiz


Coletar e tratar o esgoto de áreas rurais ou de pequenos municípios mais afastados dos grandes centros é hoje um dos maiores entraves à universalização do saneamento básico no Brasil. Só no Paraná, segundo o IBGE, mais da metade das cidades (57,9%) não possui rede de coleta de efluentes. No entanto, existem técnicas simples, relativamente baratas e ecologicamente corretas que ajudam a minimizar o impacto ambiental e reduzir o risco de doenças provocadas pelos dejetos lançados in natura nos rios.

As estações de tratamento de esgoto (ETEs) por zona de raízes são um exemplo disso. Neste caso, plantas fazem a filtragem do efluente antes de lançá-lo na natureza. Em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, a Chácara Harmonia adotou há um ano e meio esse sistema. Na frente da propriedade – que é toda autossustentável – não passa rede coletora. O esgoto, anteriormente jogado em um poço morto, agora vai para uma pequena ETE. “Qualquer um que tenha um terreno pequenininho pode fazer. E você não precisa construir a casa assim, pode adaptar o sistema que já existe”, explica Alessandra Seccon Grando, que mora na chácara com a mãe, Salete Seccon.

Fossas

No sistema adotado na residência, o efluente passa por duas fossas fechadas, que decantam a parte sólida e possibilitam sua decomposição. Em seguida, o esgoto vai para um tanque impermeabilizado que contém – de baixo para cima – camadas de pedra brita e areia. Em cima dessas camadas são inseridas macrófitas (plantas de áreas alagadas), que trabalham em simbiose com bactérias aeróbicas. Estas, por sua vez, decompõem as partículas orgânicas junto às raízes. Para isso, utilizam o oxigênio captado do ar pelas próprias plantas. Depois de tratada, a água que sobra cai no terreno e infiltra. “Dá para fazer um laguinho com peixes aqui”, planeja Salete.
 
“Basicamente, as fezes se transformam em plantas e em um lindo jardim, com bananáceas, juncos, papirus e aguapés”, resume o técnico em meio ambiente Thomás Moutinho, que construiu a ETE da chácara. Adepto da permacultura – ciência que valoriza práticas sustentáveis, inclusive em construções –, ele explica que a obra levou apenas dois dias para ser concluída e custou cerca de R$ 500. A ETE tem capacidade para tratar o esgoto produzido por 4 pessoas/dia. Em um sistema maior (para 12 casas), construído no interior de São Paulo, o custo foi de R$ 1 mil por casa, segundo Moutinho.

De acordo com a bióloga Tamara Van Kaick, professora adjunta do departamento de Química e Biologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a eficiência das ETEs por zona de raízes depende da combinação de fatores como o tipo de planta, a granulometria (tamanho) da brita e da areia e do tipo e volume de esgoto, entre outros. Ainda assim, na média, os resultados são muito bons. “Algumas avaliações identificam uma excelente redução em todos os parâmetros. Alguns, como coliformes fecais, chegam a ter redução de 99%”, destaca.

Além de não ter problemas com o mau cheiro e incrementar o jardim, a ETE praticamente não dá manutenção. “O que a gente tem de fazer, às vezes, é tirar o excesso de raízes”, explica Alessandra. Salete, por sua vez, toma alguns cuidados prévios. “Água sanitária não pode, então usamos somente sabão. Eu me preocupo em não colocar nada que vá matar as plantas”, justifica.

COMO FUNCIONA:

A ETE por zona de raízes tem um sistema simples, mas eficiente.
* O efluente que sai da residência vai para uma fossa séptica comum, impermeabilizada. Ali, o esgoto bruto decanta por ação da gravidade. As partículas mais pesadas vão para o fundo; as leves sobem. Neste estágio, ocorre a decomposição anaeróbica (sem oxigênio) do material orgânico.
* Ainda nesta etapa, pode-se acrescentar opcionalmente um tanque com carvão para absorver produtos químicos como sabões e água sanitária, que agem como biocidas, matando as bactérias nas raízes das plantas e comprometendo a eficiência do sistema.
* Na sequência, o efluente entra pela parte mais baixa de um tanque construído normalmente em ferro e cimento e impermeabilizado. No fundo desse tanque, acrescentam-se camadas de pedra britada – mais grossa no fundo e mais fina em cima. Quanto menor o espaço entre as camadas, mais eficiente será o tratamento. Depois, coloca-se areia, onde as plantas macrófitas são inseridas.
* A região onde as raízes avançam torna-se uma área aeróbica. As plantas têm capacidade de injetar o oxigênio em suas raízes, onde vivem microrganismos – zona conhecida como biofilme –, que decompõem as partículas orgânicas, liberando-as para as plantas.
* Finalmente, pode-se construir um pequeno lago para oxigenação do efluente que sai pela parte superior do tanque. Este lago pode ser habitado por sapos e até por pequenos peixes.
Fonte: Thomás Moutinho.

Orientação

A bióloga Tamara Van Kaick explica que, apesar de simples, as estações de tratamento por zona de raízes devem ser construídas sob supervisão. “A orientação técnica é fundamental, porque qualquer alteração no projeto pode trazer problemas e o transbordo do esgoto bruto causa mau cheiro”, argumenta. Segundo Kaick, infelizmente no Brasil ainda há poucos profissionais capacitados na área. Além disso, é preciso definir também algumas padronizações e estudos sobre os materiais e as técnicas empregados na construção das ETEs. Mesmo assim, as vantagens do sistema são grandes. “Ele assimila os nutrientes (fósforo e nitrogênio), que se lançados em excesso nos corpos hídricos tiram oxigênio da água, um dos maiores problemas que os sistemas convencionais não conseguem reduzir”, esclarece. Já Thomás Moutinho, aponta a descentralização do tratamento de efluentes como outra vantagem. “Os sistemas convencionais (centralizados) recolhem quantidades imensas de materiais orgânicos e os carregam a quilômetros para tratá-los. Há um alto custo de construção e de manutenção, além de um elevado gasto energético”, conclui.
(Fonte: AmbienteBrasil)
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