24 de ago de 2011

Reserva mexicana quintuplica número de peixes em dez anos


Cabo Pulmo é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas; veja galeria de fotos
Uma reserva marinha na costa oeste do México conseguiu quase quintuplicar seu número de peixes em dez anos, mostra um estudo de várias instituições sob a coordenação do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

O projeto de recuperação na área do Parque Nacional Cabo Pulmo, no Estado da Baja Califórnia, foi fruto do entusiasmo e dedicação da população local. Incomodada pela devastação do ecossistema, estabeleceu o parque em 1995 e, desde então, dedica-se a protegê-lo.


"As mudanças mais importantes que observamos é que o número de espécies no parque aumentou, e o número de indivíduos e seu tamanho, que em conjunto são os quilos de peixes, aumentaram mais de 460%", disse à BBC o biólogo marinho Octavio Aburto-Oropeza, do Instituto Scripps.

"Em apenas uma década, o parque ganhou cerca de 3,5 toneladas por hectare", afirmou.


Segundo o pesquisador, a população da região de Cabo Pulmo decidiu interromper a atividade pesqueira em 1995, e desde então virou o seu "guardião".

"Pediram ao governo que declarasse a área como parque nacional, e eles mesmos se dedicam a vigiá-lo, cuidar dele em muitos aspectos, principalmente na redução da contaminação e da proteção de espécies em perigo, como as tartarugas marinhas", disse.

EXPERIÊNCIA INSPIRADORA


Cabo Pulmo tem 71 km quadrados e é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas até hoje.

Entre as espécies mais comuns na área estão a garopa do golfo (Mycteroperca jordani), garopa sardineira (Mycteroperca rosacea), pargo cinza (Lutjanus novemfasciatus), pargo amarelo (Lutjanus argentiventris) e cavalinha (Seriola lalandi).

Para os autores do estudo, publicado no site de artigos científicos "PLoS One", a experiência da reserva é "comovente".

"É surpreendente que as comunidades de peixes em um recife superexplorado possam se recuperar até chegar a níveis comparáveis com os de recifes remotos, lugares onde nunca ocorreu a pesca humana", avaliou Aburto-Oropeza.

Para o especialista, o projeto mexicano ensina que o sucesso de projetos de proteção de áreas marinhas começa com a participação e a liderança das comunidades locais.

Aburto-Oropeza diz que a criação de áreas marinhas ao largo da costa mexicana, ou em qualquer região costeira do mundo, pode "elevar significativamente a produtividade dos oceanos, gerando benefícios econômicos para as comunidades costeiras".

Por último, avalia, é importante divulgar a experiência de Cabo Pulmo para interessados em outras partes do mundo.

"Poucos legisladores no mundo estão conscientes de que o tamanho e a abundância dos peixes pode aumentar extraordinariamente em muito pouco tempo, a partir do momento em que se estabelece a proteção ambiental e se cria uma reserva marinha", defende.

"Divulgar o que ocorreu em Cabo Pulmo contribuirá para os esforços de conservação dos ecossistemas marinhos e a recuperação das economias costeiras."

Fonte: Folha.com
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