28 de mar de 2011

Olimpíadas: Brasil deveria criar instituto de sustentabilidade


Estádio de Basquete das Olimpíadas de Londres - 2012
O Brasil deveria criar um instituto de pesquisa de sustentabilidade para assumir um papel central nesta área, defendeu na quinta-feira (24) o diretor de Sustentabilidade e Regeneração Urbana dos Jogos Olímpicos de Londres, Dan Epstein. “Ele se conectaria com Cambridge, Harvard, o (instituto) Smithsonian”.
“Vocês têm a Rio +20 vindo aí”, alertou, lembrando a conferência ambiental internacional marcada para o próximo ano. “A Olimpíada não tem a ver só com esporte, tem a ver com valores. É uma chance de mostrar seus valores”.
Questionado sobre a situação de São Paulo, que ainda não tem uma definição sobre o estádio que usará durante a Copa de 2014, o britânico disse que a execução de uma nova arena é “factível” em três anos. “Se fosse responsável por construir o estádio em São Paulo, eu estaria muito nervoso, mas juntaria o melhor time de design”, disse.
Epstein veio a Manaus para apresentar o projeto sustentável dos Jogos de Londres 2012 em um fórum de empresários. Ele explicou que o complexo olímpico que está sendo erguido na capital britânica foi todo concebido pensando no legado ambiental e social que deixará, privilegiando a biodiversidade e a acessibilidade, e evitando deixar “elefantes brancos” – instalações que só têm uso durante os jogos e depois ficam abandonados, como aconteceu em outras cidades que sediaram a competição.
Exemplo disso é o Estádio Olímpico, que tem uma estrutura parcialmente desmontável, com apenas 25 mil lugares fixos. “Se fizéssemos um estádio de 80 mil lugares (que será a sua capacidade durante os jogos), não seria mais usado depois”, disse.
O mesmo vale para o estádio de natação, que será desmontado de forma a reduzir sua capacidade de 17 mil para 2 mil lugares. O ginásio de basquete, por sua vez, será totalmente desconstruído. “Não precisamos depois dos Jogos. Se quiserem, podemos trazê-lo para o Brasil”, brincou. Os estádios também terão cobertura de translúcida para diminuir a necessidade de iluminação artificial.
Outro conceito curioso do complexo é o fato de que não terá estacionamento. O público deve chegar a ele por meio de transporte público, como ônibus elétricos. “ “Não queremos que as pessoas venham de carro”, justificou Epstein.
Propositalmente, a região de Stratford foi escolhida para o complexo olímpico por ser uma das mais degradadas da cidade, pois a proposta é recuperá-la. Os canais de água que passam na região eram poluídos e havia grande acúmulo de lixo. Após os jogos, a proposta é que fique ali um grande parque e 12 mil novas moradias.
Fonte: Globo Natureza
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