30 de jul de 2010

Produção e consumo sustentável têm incentivo com a política de resíduos sólidos


A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada pelo Senado no último dia 7, depois de duas décadas em tramitação no Legislativo, finalmente traz soluções para a correta destinação dos resíduos produzidos diariamente pelas empresas e pelos cidadãos.

Com a nova política, será possível fazer o rastreamento do produto desde sua fabricação até seu descarte que deverá seguir as normas ambientais vigentes. “Assim queremos aumentar a meta de reciclagem e mudar o comportamento do consumidor”, explica a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) abrirá consulta pública no próximo mês de agosto para o Plano Nacional de Produção e Consumo Sustentável. Por meio da internet, os cidadãos brasileiros poderão fazer sugestões, críticas e comentários que vão orientar a implementação do Plano.

O aumento de reciclagem de resíduos sólidos é uma das prioridades apresentadas pelo MMA. Mas também estará em discussão diferentes temáticas como a educação para o consumo sustentável, as construções sustentáveis e o varejo de consumo sustentável. Para o setor público, serão debatidas as compras públicas sustentáveis e a agenda ambiental da administração pública (A3P).

Segundo a secretária, “o Ministério do Meio Ambiente procura fazer uma sinergia entre o plano nacional de produção e consumo sustentável com a recém-aprovada Política Nacional de Resíduos Sólidos, além do Plano Nacional de Mudanças Climáticas”. (Fonte: MMA)

Resolução do Conama será piloto para reciclagem de embalagens


Até o final deste ano deverá estar pronta a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente que trata do gerenciamento das embalagens usadas de óleos lubrificantes de veículos. O modelo que definirá normas e metas para a reutilização desses produtos servirá para a ordenação de todos os outros tipos de embalagens.

“Neste momento em que aguardamos a sanção da Política Nacional de Resíduos Sólidos, neste ano em que o Conama completa sua centésima reunião ordinária e neste momento em que o Brasil apresenta índice de crescimento semelhante à China, essa resolução que está em debate é muito representativa. Desenvolvimento significa riqueza, inclusão social, mas também significa lixo”, afirma o diretor do Conama, Nilo Diniz. Ele comenta que a indústria está cada dia mais responsável pelo destino de seus produtos e que isso se evidencia na capacidade técnica de seus representantes no Conselho Nacional do Meio Ambiente.

O Grupo de Trabalho – constituído pelo MMA, indústria, organizações governamentais e não governamentais, estados, municípios e empresas de reciclagem – reuniu-se nesta terça-feira (20) para formular a minuta que será submetida à apreciação da Câmara Técnica de Saúde, Saneamento Ambiental e Gestão de Resíduos e pela Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos, e em seguida ao plenário do Conama. “Pela manhã, foi analisado o texto da Política Nacional de Resíduos Sólidos que será sancionada pelo presidente da República. E à tarde, o GT se dedicou ao debate da minuta”, informa o assessor técnico Adriano Gerin, do Ministério do Meio Ambiente. A preocupação dos participantes é checar a adequação do trabalho já realizado à nova política que deverá estar no Palácio do Planalto no início de agosto.

A avaliação poderá esticar um pouco o prazo previsto pelo Conama para bater o martelo a respeito da resolução. Mas os participantes acreditam que isso ainda possa acontecer neste ano. O interesse é amplo. “Esse é um novo mercado. Tem interesses econômicos, de preservação ambiental e de gerenciamento desses resíduos, que no Brasil não tem controle. E essa resolução vai servir de modelo para outras embalagens”, afirma o coordenador do GT, Ricardo Lopes Garcia, especialista em Resíduos Sólidos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

O representante da Fiesp diz que a expectativa da indústria é que se atinja o máximo de reciclagem. O percentual de reaproveitamento, segundo ele, vai depender da resolução que está em discussão, pois “vai obrigar a todos os entes da cadeia produtiva a trabalharem em conjunto, fazendo um acordo para gerenciar esse material”. Ele comenta que o trabalho até agora realizado pelo GT “está totalmente adequado” à PNRS, até porque a sua aprovação já estava prevista.

Entre os grandes interessados na resolução, presente na reunião do Conama, estava o responsável pelas Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, Gilmar do Amaral. Ele afirma que a logística reversa representa uma verdade para a indústria: “Isso é dinheiro. As embalagens são matéria-prima rica.” Ele explica que o plástico das embalagens de lubrificantes pode ser usado para fabricar novas embalagens ou para a fabricação de artigos como baldes e cestos de lixo. “O quanto vamos reciclar depende das metas a serem definidas.” O aproveitamento deverá ser gradual, de acordo com a evolução da organização das empresas, governos e sociedade em geral. (Fonte: MMA)

29 de jul de 2010

Municípios se preparam para eliminar lixões


A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que deve ser sancionada no próximo dia 2 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determina a eliminação dos lixões em quatro anos no Brasil. Para cumprir a lei, prefeitos de 14 municípios que lideram cidades das regiões Sul, Sudeste e Nordeste estiveram na segunda-feira (19) com o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Silvano Silvério. Eles vieram prestar contas de convênios que têm com o Ministério do Meio Ambiente para a construção de ações compartilhadas para a gestão conjunta do lixo.

O secretário recebeu representantes de Santana do Livramento, Bagé, Candiota, Capão da Canoa, Caxias (RS), Nova Odessa, Sumaré, Socorro, Amparo (SP), Casa Nova (BA), São Joaquim de Bicas, Betim (MG), Palmeiras e Ingazeira (PE). “Cada polo está em fase diferente no processo de criação de consórcios para a solução de problemas dos resíduos sólidos, que prevê aterros, galpões de triagem, compostagem”, citou Silvano Silvério. Segundo o secretário, os municípios se agregam em função de necessidades comuns, boas estradas para trânsito de resíduos, boa estrutura logística.

O diretor de Ambiente Urbano, Sérgio Gonçalves, explica que o país tem dois anos para criar o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que vai aprofundar as diretrizes gerais que foram desenhadas pela PNRS. Por sua vez, os planos municipais e locais vão detalhar o seu modo de execução. A Política Nacional aprovada pelo Senado, no último dia 7, valoriza as iniciativas de gestão compartilhada das soluções para o lixo e estimula a cooperação técnico-financeira entre os poderes federal, estadual e municipal.

Durante o dia de trabalho, os gestores públicos e técnicos do departamento de Ambiente Urbano trocaram informações sobre a situação atual da execução do objeto dos convênios, sendo cinco deles para apoio à elaboração de Planos Regionais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e outros oito para apoio ao fortalecimento dos Consórcios Públicos Intermunicipais. Também tiverem a oportunidade de tratar das dificuldades encontradas, trocar informações sobre avanços e buscar novas estratégias para a continuidade dos trabalhos. (Fonte: MMA)

Destino do lixo e risco de colapso geram polêmica na Argentina


Buenos Aires não sabe mais o que fazer com seu lixo, ou pelo menos é isso que se tem discutido sobre o destino dos resíduos gerados na capital argentina, cujos lixões podem entrar em colapso nos próximos dois anos devido ao crescente aumento de materiais descartados.

Os números da empresa que administra o lixo da capital argentina (Ceamse) revelam que a produção de resíduos da cidade cresceu significativamente nos últimos cinco anos: de 1,4 milhão de toneladas produzidas em 2005 passou-se a 1,8 milhão em 2009, um aumento de 28,5%.

Como disse à Agência Efe María Eugenia Testa, diretora do Greenpeace na Argentina, o aumento, aliado à “falta de vontade política”, pode pôr em colapso em “dois ou três anos” o já abarrotado Norte III, aterro sanitário que recebe o lixo da cidade.

“É verdade que com sua capacidade atual, o aterro Norte III deve acumular sua capacidade máxima em dois ou três anos”, confirmou Alfredo Vega, porta-voz do Ceamse, sobre o principal lixão da cidade.

Cerca de 80% dos resíduos produzidos pela área metropolitana portenha – de aproximadamente 400 quilômetros quadrados e 11 milhões de habitantes – são jogados no Norte III, enquanto os 20% restantes são distribuídos entre nos aterros de González Catán e Enseada, ameaçados de fechamento por uma ordem judicial.

Os governos da cidade e da província de Buenos Aires chegaram a fechar um acordo, em 2008, para a criação de dois novos lixões que substituiriam os aterros sanitários atuais, mas até agora o projeto ainda não foi concretizado.

Segundo o Greenpeace, a vizinhança fez oposição ao plano, freando a implantação do projeto, principalmente depois das denúncias de contaminação da água nas casas situadas nos arredores dos depósitos.

Outra tentativa de solucionar o problema surgiu quando a Prefeitura promulgou uma lei, em janeiro de 2006, conhecida como Lixo Zero, que estabelecia metas de redução de 30% dos resíduos até 2010, na comparação com os índices de 2004.

“Ninguém está fazendo nada do que estipula a lei. É uma meta inalcançável”, declarou María Eugenia, lembrando dos resultados apresentados pela Ceamse.

Por outro lado, o departamento do Meio Ambiente da cidade considera que a lei está sendo cumprida, e que lembra que está sendo feita uma nova licitação para promover uma “gestão integral” dos serviços de coleta de resíduos.

“Há uma clara falta de vontade política, mas também de conscientização cidadã”, lamentou a representante do Greenpeace, acrescentando que a situação da cidade é “precária” e que os resíduos, principalmente os domiciliares, cresceram nos últimos anos.

Ela também comenta sobre os baixos índices de reciclagem na capital argentina, motivados pelo “pouco fomento público” e por entraves burocráticos. Recentemente, como exemplificou, a Prefeitura protagonizou um caso polêmico por não saber onde enterrar 10 toneladas de pilhas.

Ainda assim, a pouca reciclagem que se faz na cidade é feita pelas cooperativas de catadores de lixos, que reciclam e vendem os resíduos sólidos inorgânicos.

“Essas cooperativas representam um avanço de uma mudança cultural necessária para superar o enterro danoso de resíduos”, diz Marcelo Arbit, representante da Central de Movimentos Populares, entidade que agrupa 70 cooperativas de reciclagem de resíduos. (Fonte: Ambiente Brasil)

28 de jul de 2010

Brasil responde por 74% de todas áreas destinadas à conservação no mundo


No domingo (18) completou 10 anos o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), o conjunto das unidades de conservação nas três esferas de governo – federal, estadual e municipal – considerado uma conquista da legislação ambiental brasileira. Desde 2000, após a instituição do SNUC pela Lei nº 9.985, ocorreu um grande salto quantitativo de áreas protegidas no Brasil, com o acréscimo de 378 unidades em níveis federal, estadual e municipal, o que significa um incremento de aproximadamente 62% no número de UC e uma expansão de área de 105%, com a destinação de mais 78,5 milhões de hectares para a conservação da natureza. Em uma comparação mundial, o Brasil foi o responsável pela criação de 74% de todas as áreas destinadas à conservação no mundo entre 2003 e 2008.

Com 310 unidades federais, 620 estaduais e 59 municipais e ocupando 17,4% do território nacional, segundo dados do Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, o SNUC vive hoje um momento crucial, em que busca dirimir o falso dilema entre conservação e desenvolvimento, propondo um olhar mais abrangente sobre os possíveis usos do solo, conforme estudo do Ministério do Meio Ambiente realizado em parceria com o Ipea e publicado no final de 2009 (3º Boletim Regional Urbano Ambiental).

Segundo o diretor de Áreas Protegidas do MMA, Fábio Araújo, “está ultrapassado o entendimento de que as áreas protegidas são necessariamente espaços que devem permanecer intocados. As 12 categorias do SNUC permitem uma grande variedade de possibilidades de uso do solo e de recursos naturais e potencializam atividades que contribuem para a geração de renda, emprego, aumento da qualidade de vida e o desenvolvimento do país, sem prejuízo à conservação ambiental”. Mesmo as unidades mais restritivas, como as reservas biológicas, permitem atividades de pesquisa que contribuem para o maior conhecimento da biodiversidade brasileira e seus usos. “As áreas protegidas devem ser entendidas como uma maneira especial de ordenamento territorial, e não como um entrave ao desenvolvimento econômico e socioambiental”, complementou.

Investimentos - De acordo com estimativas do MMA publicadas em 2009, para que o SNUC funcione plenamente seriam necessários, anualmente, R$ 550 milhões para custeio do sistema federal e de R$ 360 milhões para os sistemas estaduais, além de aproximadamente R$ 600 milhões em investimentos em infraestrutura no sistema federal e de R$ 1,20 bilhão nos sistemas estaduais. Entretanto, em 2008, o sistema de gestão das UCs federais recebeu somente R$ 316 milhões do orçamento federal. Entre 2001 a 2008, o orçamento destinado às UCs federais aumentou 16,35%, enquanto a área somada das UCs federais teve uma expansão de 78,46%. (Fonte: MMA)

27 de jul de 2010

Resíduos sólidos nos manguezais: um problema ignorado

Bianca Pinto Vieira

Há um costume humano de ocupar áreas litorâneas devido à maior disponibilidade de recursos oferecidos pelo ambiente. Nos últimos dois séculos, o adensamento urbano e a explosão populacional nas localidades próximas à costa vêm pressionando os sistemas biológicos naturais. Um dos grandes problemas observados com crescimento urbano nos ambientes costeiros é o acúmulo de resíduos, que contribui para a degradação da fauna e flora locais.

Estudos sobre o impacto de resíduos sólidos em regiões costeiras são, em geral, realizados com foco apenas nas praias. Pouca atenção tem sido dispensada aos ecossistemas de manguezal neste aspecto.

Os ecossistemas dos manguezais são considerados essenciais na reprodução, proteção e alimentação de diversas espécies. Animais como aves, peixes, camarões, caranguejos e moluscos passam parte de seus ciclos de vida nos manguezais. Desta forma, tais ecossistemas possuem vital importância na manutenção e conservação da biodiversidade brasileira, incluindo espécies ameaçadas e de considerável valor econômico, como o guará (Eudocimus ruber) e a tainha (Mugil platanus).

Apesar de todo o conhecimento sobre os manguezais, sua importância parece ser apreciada apenas nos livros e artigos científicos. Pois as políticas públicas e ações civis continuam a negligenciar sua existência. Aterros clandestinos, deposição de esgoto, queimadas e pesca indiscriminada são problemas constantes nos manguezais. E mesmo com uma legislação ambiental os interesses político-econômicos abrem brechas nestas para a realização de atividades danosas ao ambiente.

Rede de pesca e tijolo incrustado por mexilhões (Mytilus edulis) e cracas (Balanus glandula) encalhados no capim praturá (Spartina alterniflora). Muitos resíduos trazem espécies exóticas. Outros acabam se tornando locais de fixação e moradia para espécies nativas, porém isto pode ser um problema grave dependendo da natureza do material, que pode ser cortante ou de formato difícil para a saída o animal. © Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

Rede de pesca e tijolo incrustado por mexilhões (Mytilus edulis) e cracas (Balanus glandula) encalhados no capim praturá (Spartina alterniflora). Muitos resíduos trazem espécies exóticas. Outros acabam se tornando locais de fixação e moradia para espécies nativas, porém isto pode ser um problema grave dependendo da natureza do material, que pode ser cortante ou de formato difícil para a saída o animal. © Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

Pouco ainda se sabe sobre a dinâmica de encalhes de resíduos sólidos urbanos nos manguezais, contudo é de conhecimento comum que este ecossistema sofre impactos diferenciados em cada região. Estudos recentes apontam que a morfologia vegetal é um fator importante no encalhe de resíduos. Vegetações mais densas nas bordas funcionam como uma malha que impede a entrada de muitos resíduos na floresta do manguezal. Também o praturá (Spartina alterniflora) tem esse efeito. Quando a maré sobe trazendo os resíduos, o capim impede sua chegada ao interior da mata. Por um lado este processo é positivo, pois impede que os resíduos adentrem e afetem mais intensamente o interior do manguezal. No entanto, são essas vegetações densas de borda que abrigam ovos e juvenis de diversos animais marinhos, do berbigão (Anomalocardia brasiliana) ao robalo (Centropomus spp.). Ocasionando maior impacto dos resíduos justamente no início do ciclo de vida de muitas espécies.

Outro aspecto no encalhe de resíduos sólidos é a proximidade de áreas urbanas e turísticas. A quantidade de resíduos praticamente duplica quando são analisadas áreas de manguezal mais próximas de residências, centros urbanos, portos e praias, por exemplo. Estima-se que os resíduos destas fontes cheguem aos manguezais por via direta, com descarte desde água de lastro e embalagens até móveis e escombros, ou indireta, por ação dos ventos e maré.

Rede de pesca enrolada nos galhos de mangue-preto (Avicennia schaueriana). Muitas redes que se prendem aos galhos e raízes dos mangues acabam sendo perigosas armadilhas. Aves acabam se enroscando nestas redes quando pousam nos galhos, andam pelos pneumatóforos ou em seu vôo por entre os galhos, podendo vir a óbito. Quando a maré sobe, muitos peixes também se enroscam nestas redes e acabam morrendo. © Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

Rede de pesca enrolada nos galhos de mangue-preto (Avicennia schaueriana). Muitas redes que se prendem aos galhos e raízes dos mangues acabam sendo perigosas armadilhas. Aves acabam se enroscando nestas redes quando pousam nos galhos, andam pelos pneumatóforos ou em seu vôo por entre os galhos, podendo vir a óbito. Quando a maré sobe, muitos peixes também se enroscam nestas redes e acabam morrendo. © Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

O descarte direto de resíduos e da água de lastro por navios é uma grave fonte de resíduos e animais exóticos invasores. Os locais próximos a portos são os que mais sofrem desequilíbrios ambientais pelo descarte da água do lastro de navios de carga.

Os bueiros de escoamento de água pluvial das áreas urbanas são uma das vias de chegada dos resíduos, pois são indevidamente utilizados como lixeira e saída de esgoto. O problema deste uso irregular dos bueiros está não só na inutilização desta ferramenta em tempos de chuvas, já que o entupimento impede o escoamento de água, como também no fato de que, na maioria das cidades costeiras, o destino final destas redes é o mar. E do mar, com auxílio dos ventos, os resíduos (boa parte flutuante) seguem para os manguezais.

Já as praias, influenciam na presença da maioria do material plástico encontrado. Trata-se de produtos característicos de frequentadores de praias, os quais podem ter side descartados indevidamente e, levados ao mar, chegam aos manguezais também por ventos e correntes.

Chinelo com algas encalhado entre os pneumatóforos de mangue-preto (Avicennia schaueriana). © Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

Chinelo com algas encalhado entre os pneumatóforos de mangue-preto (Avicennia schaueriana). © Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

O modo como o crescimento populacional sem infraestrutura avança em áreas costeiras é insustentável. Uma das melhores alternativas é a compatibilização de atividades sócio-econômicas e conservação dos recursos costeiros através da efetivação da fiscalização e de ferramentas políticas como os planos de gerenciamento costeiro e balneabilidade.

A preocupação global, principalmente da rede turística, com a qualidade de vida e conservação do ambiente é de grande auxílio no processo de manejo ambiental. Os municípios costeiros, principalmente os que possuem atividades turísticas vinculadas às belezas naturais, devem se preocupar com a melhoria constante de balneabilidade, presença de resíduos sólidos urbanos, infraestrutura e segurança.

Para tentar amenizar as pressões antrópicas no ambiente, é preciso utilizar as diversas ferramentas a nosso dispor, desde investimentos científicos, iniciativas político-econômicas até atividades sociais, educação ambiental e mudanças individuais de hábitos. É necessário partirmos da teoria para a prática e agirmos sem discriminações neste processo de ensinamento, ação e aprendizado.

Bianca Pinto Vieira é acadêmica da Universidade Federal de Santa Catarina

26 de jul de 2010

Florestas tropicais são maiores “máquinas” de absorver CO2


As florestas tropicais, como a Amazônia, são as máquinas de fotossíntese mais eficientes do planeta. Um novo estudointernacional mostra que elas absorvem um terço de todo o gás carbônico que é retirado da atmosferapelas plantas a cada ano.

Pela primeira vez, cientistas calcularam a absorção global de CO2 pela vegetação terrestre: são 123 bilhões de toneladas do gás por ano.

“É o dobro da quantidade de CO2 que os oceanos absorvem”, diz Christian Beer, do Instituto Max Planck para Bioquímica, na Alemanha. Ele é coautor do estudo, publicado na revista “Science”.

Selvas tropicais respondem por 34% da captura. As savanas, por 26%, apesar de ocuparem o dobro da área.

Um outro estudo, publicado na mesma edição da “Science”, mostrou que a temperatura influencia pouco na quantidade de carbono exalado pelas plantas quando elas respiram.

Havia temores de que o aquecimento global pudesse acelerar as taxas de respiração, fazendo com que florestas se convertessem de “ralos” em fontes do gás, agravando mais o problema.

Juntos, esses dados devem ajudar a melhorar os modelos climáticos, que dependem do conhecimento preciso do fluxo de carbono entre plantas, atmosfera, oceanos e fontes humanas do gás.

O trabalho de Beer também ressalta a importância das florestas secundárias na Amazônia como “ralos” para o CO2 em excesso despejado no ar por seres humanos.

Isso porque, apesar de absorverem muito carbono por fotossíntese, as florestas tropicais devolvem outro tanto ao ar quando respiram.

Florestas em regeneração, por outro lado, fixam muito mais carbono do que exalam.

O estudo usou dados de uma rede internacional, a Fluxnet, que reúne centenas de torres que servem como postos de observação pelo mundo, analisando os fluxos de CO2 na vegetação ao redor.

No Brasil há quase uma dezena de torres de fluxo, a maior parte delas instaladas na Amazônia.

“Mas ainda sabemos pouco, por exemplo, sobre pontos de transição abrupta ligados ao clima, como florestas em savanização”, diz o biólogo Antonio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. “E ainda existem ambientes pouco mapeados, como pântanos e brejos.” (Fonte: Folha.com)

23 de jul de 2010

Propriedade privada é fundamental para preservar biodiversidade, afirmam especialistas


Cerca de 40% de toda área de vegetação nativa do Brasil estão em propriedades privadas. Segundo estudo coordenado pelo professor daUniversidade de São Paulo (USP), Gerd Sparovek, o país detém 270 milhões de hectares de reserva legal, consideravelmente mais do que os 170 milhões de hectares protegidos por unidades de conservação e dentro de terras indígenas.

Apesar de essas áreas serem fragmentos, diferentemente das unidades de conservação, o professor do Instituto de Biociências da USP, Jean Paul Metzger, destaca que a reserva legal é fundamental para a proteção da biodiversidade. “Se você reduzir a conservação apenas às unidades de conservação, você vai ter de 3% a 6% do território nacional protegido”, explica.

O especialista ressalta que as grandes áreas de vegetação, “por maiores que sejam”, têm a tendência a perder espécies. Então, se elas estiverem completamente isoladas, “as espécies nunca mais conseguem recolonizar aquele espaço”.

Por isso, Jean Paul vê com preocupação a proposta de mudança do Código Florestal Brasileiro em tramitação na Câmara dos Deputados. Segundo ele, o relatório do deputado Aldo Rebelo(PCdoB-SP) permite o uso econômico muito mais intenso da reserva legal do que a legislação anterior. “Então, essas áreas de reserva legal vão se tornar praticamente áreas produtivas, perde-se o fundamento da reserva legal como área de preservação da biodiversidade biológica e do uso sustentável de recursos naturais”, critica.

A possibilidade das áreas de proteção permanente (APPs) serem contadas como reserva legal também é problemática, na avaliação do professor. Jean Paul destaca que elas têm funções distintas e por isso, devem ser consideradas em separado. Enquanto a reserva existe para preservar a biodiversidade e os recursos naturais, a APP protege regiões ambientalmente frágeis, como encostas e margens de rios. “A composição de espécies que você tem nos dois locais são distintas.”

Além disso, a vegetação nativa exerce funções sobre a própria atividade agrícola. “Essas paisagens sem vegetação, sem reserva legal, não são boas, porque você deixa de ter a proteção do solo, deixa de ter uma série de serviços ecossistêmicos, como polinização e controle de pragas”, explica.

Portanto, a relação entre a propriedade rural e a biodiversidade é de interdependência, de acordo com a consultora e engenheira florestal, Maria José Zakia. Além disso, recursos naturais indispensáveis para a produção agrícola, como a água, também necessitam da preservação de parte da vegetação nativa. “Essa propriedade está sempre dentro de uma bacia hidrográfica, você tem que organizar a produção do que for, mas dentro da propriedade você tem que produzir também água.” (Fonte: Ambiente Brasil)

22 de jul de 2010

USP cria ponto de acesso à internet alimentado por energia solar


Pesquisadores do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da EscolaPolitécnica (Poli) da USP criaram o protótipo de um sistema de comunicação sem fio em malha alimentado por energia solar.

Conhecido como Wi-fi Solar, o equipamento permite o acesso a internetsem fio para dispositivos móveis em áreas ao ar livre. O sistema, em fase de testes, apresenta menores custos de instalação e o emprego da energia solar reduz despesas com eletricidade.

Wi-fi Solar

O Wi-fi Solar possui quatro módulos: comunicação (roteador), fotovoltaico (painel solar), armazenamento (baterias) e controle de energia.

“O roteador cria uma malha de comunicação sem fio, com várias rotas, entre outros módulos de comunicação da rede e fornece cobertura Wi-Fi para dispositivos móveis e portáteis no raio de alcance do sinal transmitido por cada módulo de comunicação”, conta o engenheiro Rafael Herrero Alonso, responsável pelo projeto. “O módulo fotovoltaico gera eletricidade em corrente contínua ao sistema a partir da transformação direta da luz em energia elétrica.”

Baterias recarregáveis garantem a operação do sistema em períodos sem irradiação solar.

“Em sistemas autônomos é necessário acumular energia, para compensar as diferenças existentes entre produção e utilização ao longo do tempo”, explica o engenheiro. “O armazenamento obriga a utilização de um módulo de controle de energia adequado, que faça a gestão do processo de carga, a proteger e garantir uma elevada confiabilidade e um maior tempo de vida útil para as baterias.”

Rede de baixo custo

Atualmente, dois Sistemas Wi-Fi Solar estão instalados em postes de iluminação na Cidade Universitária (Zona Oeste de São Paulo).

“Ambos operam no mínimo 8 horas por dia. Sendo caracterizado por um sistema autônomo, não precisa de manutenção e interação humana”, conta o engenheiro. “Além disso, mais de 50 pessoas se conectam a rede implementada com os sistemas Wi-Fi Solar diariamente e transferem em torno de 1 gigabyte de informação.”

Entre as principais vantagens do sistema, Alonso aponta a eliminação da infraestrutura de cabos elétricos para a instalação, e a redução de custos com o projeto da rede sem fio, mão-de-obra para instalação elétrica e do próprio custo da eletricidade, devido à utilização de energia solar renovável.

“Também é possível diminuir os custos com cabeamento estruturado para acesso a internet, fazer a instalação e o início do funcionamento do sistema em menos tempo”, acrescenta, “além de reduzir gastos com manutenção e mão-de-obra operacional com técnicos no local.”

Parceria com empresas

O engenheiro ressalta que o Wi-fi Solar é independente de infraestrutura cabeada. “Desta forma, as economias de custos podem chegar a 40% em relação à instalação de um infraestrutura de redes sem fio tradicional para ambientes externo”, aponta. “Em resumo, o sistema permite cobrir grandes áreas ao ar livre com rapidez, facilidade e menor custo, representando assim, um sistema confiável e economicamente viável.”

A pesquisa, realizada no Núcleo de Engenharia de Mídias (NEM) do LSI, teve a colaboração dos professores Marcelo Knorich Zuffo e Roseli de Deus Lopes, da Poli, e do engenheiro Hilel Becher, gerente do NEM.

“Nosso objetivo é transferir a tecnologia para ser transformada em produto por uma empresa parceira, que dará continuidade na industrialização e comercialização”, planeja Alonso. A empresa Heliodinâmica disponibilizou os módulos de armazenamento e fotovoltaicos usados no desenvolvimento do estudo.

Sistemas similares ao desenvolvido na USP já estão disponíveis comercialmente no exterior.
(Fonte: Agência USP / Site Inovação Tecnológica)

21 de jul de 2010

Cientistas desenvolvem plástico capaz de se autodestruir


Cientistas nos Estados Unidos desenvolveram um plástico capaz de se autodestruir, o que poderia facilitar sua reciclagem e degradação no ambiente.

Plásticos (polímeros) são formados pela união de compostos químicos idênticos (monômeros). Scott Phillips e Wanji Seo, da UniversidadeEstadual da Pensilvânia trabalharam com polímeros de ftalaldeído, adicionando um de dois “gatilhos” químicos (éter de silil ou éter de alil) para cada molécula de ftalaldeído que compõe o polímero.

Quando um pedaço do plástico foi exposto a íons fluoreto (de flúor) em temperatura ambiente, sua parte central, onde as moléculas estavam cobertas com éter de silil, sofreram rápida despolimerização e quebraram. As partes cobertas com éter de alil permaneceram sem alterações.

A técnica poderia ser modificada para o desenvolvimento de produtos plásticos que se degradam rapidamente quando expostos a “gatilhos” no ambiente. Se uma sacola feita de um determinado plástico chega ao oceano, por exemplo, enzimas de micro-organismos na água poderiam fazer o material despolimerizar-se e desaparecer, diz Phillips.

O uso de polímeros com “gatilhos” também tem a vantagem de fornecer um método barato de reciclagem de lixo plástico. Isso porque os monômeros resultantes da quebra dos polímeros poderiam ser repolimerizados para criar novos plástico, um processo provavelmente mais barato do que separar diferentes polímeros (plásticos) antes de começar a reciclagem, opina Phillips.

Até o momento, a equipe desenvolveu polímero com “gatilhos” que reagem com íons fluoreto, paládio e peróxido de hidrogênio. Eles também esperam desenvolver polímeros que respondem a enzimas.

A equipe, porém, adverte que o resultado da pesquisa é apenas uma prova de conceito. Ainda é preciso encontrar polímeros que se quebram em substâncias mais ambientalmente corretas do que ftalaldeído. Outro problema é que os polímeros usados até agora são sensíveis a acidez; eles precisam ser mais estáveis para serem utilizáveis.

O estudo foi publicado na revista “Journal of the American Chemical Society”. (Fonte: Folha.com)

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