27 de fev de 2010

Mar do Litoral Paulista está mais quente


Num ponto os pesquisadores concordam: há uma anomalia na temperatura do Atlântico Sul, que está acima da média. O reflexo desse aumento já se estendeu até a costa brasileira e, consequentemente, ao litoral de São Paulo, onde a água está 2 graus mais quente.
Na Baixada Santista e no Litoral Norte, regiões em que a temperatura do mar neste período do ano deveria ser em torno de 24 graus, chegou a 26. O que ainda não se tem certeza é até quando esse fenômeno, que teve início no Atlântico há cerca de três meses e chegou na costa em janeiro, deve durar.
Outras dúvidas são quanto aos reais impactos dessa anomalia (principalmente na atmosfera e na fauna marinha) e o que justifica tanto calor armazenado. Algumas dessas perguntas (pelo menos as que dizem respeito ao clima) podem começar a ser respondidas na próxima semana, quando acontece a reunião climática mensal do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/ Inpe), de Cachoeira Paulista, onde já há especialistas estudando os fatores.
Como há muita gente observando o fenômeno, a expectativa é que o tema domine parte das discussões. Além do Cptec/Inpe, pesquisadores de outras entidades também tentam desvendar o mistério. Especulações não faltam. Pode ser um processo natural, reflexo do aquecimento global ou da maior atividade solar desde o início do ano passado, ou ainda resultado da modificação do regime dos ventos.
Segundo o pesquisador e professor Ricardo de Camargo, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), esse é um assunto que está sendo investigado de maneira insistente, uma espécie de "coqueluche científica".
No entanto, mesmo com a quantidade de dados disponíveis, ainda é difícil fazer afirmações. "A gente tem conhecimento sobre os fenômenos, mas ainda não sabe direito como eles se combinam", resume. "A natureza não lê os livros como a gente".
Bacharel em Física, mestre em Oceanografia e doutor de Meteorologia pela USP, Camargo não descarta a possibilidade de essa anomalia estar "nos mostrando algo novo". Mesmo com tantas dúvidas, o fato é que as primeiras consequências da elevação da temperatura do mar já foram sentidas na costa e no continente.
Entre elas, as frequentes tempestades em São Paulo, e o regime reduzido de chuvas na Baixada Santista entre o final de janeiro e o início de fevereiro (nos dois casos houve influência de outros fatores associados) e a morte de mariscos no Litoral Norte. (Fonte: Jornal A Tribuna)

26 de fev de 2010

Lixo plástico forma mancha no oceano Atlântico


Cientistas da Sea Education Association (SEA, na sigla em inglês) anunciaram a descoberta de uma região no Atlântico Norte onde detritos de lixo plástico parecem se acumular.

A área está sendo comparada com a já bem documentada "grande mancha de lixo do Pacífico".

Kara Lavender Law, da SEA, disse à BBC que o tema dos resíduos plásticos vem sendo "amplamente ignorado" no Oceano Atlântico.

Ela anunciou os resultados da pesquisa, feita ao longo de duas décadas, em um encontro científico em Portland, nos Estados Unidos.

"Nós encontramos uma região mais ou menos ao norte do Oceano Atlântico onde estes resíduos parecem estar concentrados e permanecem durante longos períodos", explicou Kara Lavender Law.

"Mais de 80% dos detritos plásticos foram encontrados na região entre 22 e 38 graus norte. Ou seja, temos uma latitude onde o lixo parece se acumular", completou.

Estudo aprofundado - O estudo é o mais longo e aprofundado já feito para determinar a presença de resíduos de plástico nos oceanos.

Cientistas e estudantes da SEA coletaram plásticos e outros resíduos marinhos em redes de malha fina arrastadas pelo barco de pesquisa.

As redes permaneceram parte submersas e parte fora da água, coletando assim resíduos e pequenos organismos da superfície marítima.

Os cientistas fizeram 6,1 mil reboques na região do Caribe e do Atlântico Norte, na costa americana. Mais da metade destas expedições revelaram pedaços de plástico flutuando na superfície da água - resíduos de baixa densidade usados na fabricação de diversos produtos, inclusive sacos plásticos.

O impacto deste acúmulo de lixo no ambiente marinho ainda não é conhecido, acrescentou Kara Lavender Law.

"Mas nós sabemos que muitos organismos marinhos estão consumindo este plástico e também que isso tem um efeito adverso sobre aves marinhas em particular", disse a pesquisadora à BBC.

O estudo revelou também que os detritos plásticos são normalmente pequenos e não formam uma mancha heterogênea, ou seja, estão dispersos em uma grande área. (Fonte: Folha Online)

Programa quer sensibilizar empresários para uso responsável de sacola plástica


As empresas brasileiras também podem reduzir a quantidade de sacolas plásticas produzidas, apostando na qualidade. Sacolas mais resistentes evitam o uso de mais de uma unidade na hora de levar para casa produtos mais pesados, como uma garrafa de refrigerante ou um saco de arroz.

Divulgar ações como essa e sensibilizar os empresários para o problema é uma da metas do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, criado por organizações como o Instituto Nacional do Plástico (INP). Vários supermercados já aderiram à iniciativa, que está presente em cidades como São Paulo, Salvador, Brasília, Porto Alegre e que neste ano será expandida para mais seis cidades.

Segundo o diretor superintendente do INP, Paulo D'acolina, desde 2007, quando foi criado o programa, houve redução de cerca de 16% no consumo de sacolas. “Isso porque havia desperdício”, explica. O Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas terá aporte de R$ 19,6 milhões para investimento em comunicação e na ampliação de ações. (Fonte: Ambiente Brasil)

25 de fev de 2010

Expansão do porto de São Sebastião é paralisada


O licenciamento ambiental do projeto de expansão do porto de São Sebastião foi paralisado ontem e não tem mais prazo para ser retomado. O projeto prevê investimentos de R$ 2,5 bilhões na formação de um complexo portuário em São Paulo concorrente ao porto de Santos. A paralisação pode inviabilizar o licenciamento na atual gestão de José Serra.

A SMA (Secretaria Estadual do Meio Ambiente) e a Secretaria dos Transportes -responsável pelo empreendimento- oficializaram ontem pedido de cancelamento das duas audiências públicas convocadas pelo Ibama e marcadas para hoje e amanhã, nas cidades de Ilhabela e de São Sebastião, respectivamente. O pedido foi acatado pela agência ambiental.

A decisão de interromper o processo de licenciamento ocorreu depois de recomendação da própria SMA. A secretaria afirma que o EIA-Rima (Estudo e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente) está incompleto. Em reunião na última sexta-feira, a secretaria recomendou à pasta dos Transportes a paralisação do licenciamento e o cumprimento de duas exigências previstas na legislação estadual.

O primeiro problema está na ausência de um plano de moradias para atender populações atraídas por um investimento de tal porte. O estudo terá de apresentar alternativas para ocupação de áreas no litoral norte durante a obra e depois de concluída a construção.

O segundo problema no EIA-Rima é a falta de dados sobre a contribuição que a nova estrutura portuária dará às emissões de gases de efeito estufa em São Paulo. Pela lei estadual contra mudanças climáticas, em vigor desde novembro do ano passado, o Estado deverá reduzir em 20% o volume de emissões até o ano de 2020.
"Temos uma década para fazer isso, mas precisamos saber qual a contribuição do porto para o atual nível de emissões e saber como haverá a compensação disso", disse o secretário estadual do Meio Ambiente, Xico Graziano.

Segundo ele, um dos grandes problemas para viabilizar o porto de São Sebastião é a dependência do transporte rodoviário para acesso ao complexo. Hoje, 25% das emissões em São Paulo são provocadas pelo transporte rodoviário.

O primeiro problema para São Sebastião é o acesso. O plano da Secretaria dos Transportes de viabilizar a concessão das rodovias do litoral norte, entre as quais a ampliação da Rodovia dos Tamoios, naufragou. Por outro lado, a atual estrutura rodoviária não tem como receber um fluxo de caminhões para transporte de contêineres rumo ao porto.

Essa carência para o acesso à região é, segundo Graziano, um dos grandes entraves para a viabilidade do projeto. "Aquela é uma região muito sensível, muito delicada. É preciso ter muito cuidado ao mexer ali", disse o secretário, que não demonstra simpatia pelo empreendimento. (Fonte: Folha de São Paulo)

Mobilização da sociedade beneficiaria catadores de recicláveis, conclui pesquisa


O incentivo das prefeituras e a participação da sociedade para promover a coleta seletiva do lixo beneficiaria catadores de materiais recicláveis, geraria economia aos cofres públicos e reduziria riscos ambientais.

A avaliação foi feita pela bióloga Jandira Aureliano de Araújo, ex-aluna do mestrado em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Pernambuco.

Ela acompanhou durante cerca de um ano a atividade de catadores da comunidade de São José do Coque, em Recife (PE), onde vivem aproximadamente 1,8 mil pessoas.

Segundo a pesquisadora, essa prática ainda não é suficientemente incentivada no Brasil. Ela acredita que se houvesse o descarte correto do lixo, com a separação do material molhado do seco, o orgânico do inorgânico, e principalmente o papel, o produto revendido pelos catadores teria seu valor comercial aumentado.

“As prefeituras economizariam com o transporte do lixo que sobraria, e a condição ambiental também teria ganhos, porque haveria redução dos casos de leptospirose, em função da proliferação dos roedores, e das enchentes, com o entupimento das galerias”, disse em entrevista à Agência Brasil.

De acordo com a bióloga, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que apenas 2% do lixo produzido no país são de fato reciclados e que somente em 8% das cidades brasileiras existe algum tipo de coleta seletiva.

Outro problema enfrentado por esses trabalhadores é a falta de estrutura para fazer a triagem do material recolhido. Segundo Jandira, é comum os catadores levarem o que coletam para dentro de suas comunidades, expondo outros moradores a riscos de contaminação.

Jandira afirma que algumas prefeituras oferecem núcleos de triagem, mas os catadores reclamam que, em geral, não contam com condições adequadas e acabam tendo que fazer outras atividades, como lavar banheiro e cuidar da limpeza do local.

“Assim, preferem levar para suas comunidades e em seguida vender diretamente a depósitos, que têm o inconveniente de pagar menos pelo material”.

Dados do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis indicam que atualmente cerca de 230 mil pessoas trabalham como catadores de material reciclável no país. (Fonte: Ambiente Brasil)

24 de fev de 2010

Nova tecnologia de baterias armazenará energia na lataria dos carros


Se o estágio tecnológico atual das baterias não é suficiente para fazer deslanchar a indústria dos carros elétricos, talvez a solução esteja em transformar a carroceria dos automóveis em uma gigantesca bateria. Esta é a proposta de um grupo de engenheiros europeus que está investindo € 3,4 milhões para construir os primeiros protótipos de uma tecnologia que poderá revolucionar a concepção e a fabricação de carros híbridos e elétricos.

Bateria estrutural - Reunidos no Imperial College, de Londres, e apoiados pela fabricante Volvo, os pesquisadores estão desenvolvendo as primeiras amostras de um material capaz de armazenar e liberar energia elétrica e que também é forte e leve o suficiente para ser usado para a fabricação de peças estruturais de automóveis. Além dos automóveis, os pesquisadores acreditam que seu material inovador, ainda cercado de mistério, mas já patenteado, poderá ser usado na fabricação dos gabinetes da maioria dos equipamentos eletroeletrônicos, como telefones celulares e computadores, que não precisariam mais de uma bateria separada. Isso tornaria esses equipamentos menores, mais leves e mais portáteis.

Pneu de estepe - Na primeira etapa, os cientistas estão usando o novo material compósito para construir o piso do porta-malas do carro, onde é normalmente colocado o pneu de estepe e que hoje é feito de aço. O local foi escolhido por exigir rigidez do material mas sem comprometer qualquer aspecto de segurança. A Volvo irá usar a peça em carros de testes para avaliação. Somente depois de aprovado o material será usado em outras partes dos carros.

Bateria sem reação química - O material compósito é feito com uma mistura de fibras de carbono e uma resina polimérica e, segundo os pesquisadores, é capaz de armazenar a eletricidade e liberar grandes quantidades de energia muito mais rapidamente do que as baterias convencionais, aproximando-se do rendimento dos supercapacitores. Além disso, o material não utiliza processos químicos para armazenar a energia, o que o torna mais rápido de recarregar do que as baterias convencionais. A ausência de reações químicas reduz drasticamente a degradação do material pelos constantes ciclos de carga e descarga, o que hoje é o maior responsável pela curta vida útil das baterias.

Carros mais leves - Os carros híbridos atuais possuem um motor de combustão interna, usado principalmente quando o motorista acelera o carro, e um motor elétrico alimentado por baterias, que é acionado quando o carro está em velocidade constante ou de cruzeiro. O grande número de baterias exigido para dar uma autonomia razoável a esses carros também os torna mais pesados, o que significa que o carro consome mais energia e as baterias precisam ser recarregadas em intervalos menores. Ao formar também a parte estrutural do carro, o novo material compósito capaz de armazenar energia ajudará a reduzir o peso do veículo. Os pesquisadores calculam que seu uso permitirá uma redução de 15 por cento no peso total do carro, o que deverá melhorar significativamente a autonomia dos futuros carros híbridos. Carros do futuro armazenarão energia na lataria

Celular fino como um cartão de crédito - Na primeira fase do projeto, os cientistas estão planejando aprimorar seu material compósito para aumentar sua densidade de energia, ou seja, sua capacidade de armazenar mais energia. As propriedades mecânicas do material serão aprimoradas através do crescimento de nanotubos de carbono na superfície das fibras de carbono, o que também aumentará a área superficial do material, com um ganho adicional na sua capacidade de armazenar energia. "Estamos realmente animados com o potencial desta nova tecnologia. Acreditamos que o carro do futuro poderá extrair energia do seu teto, do capô ou até mesmo das portas, graças ao nosso novo material compósito," diz o Dr. Emile Greenhalgh, coordenador do projeto. "As aplicações futuristas para este material não param por aí - você poderá ter um celular tão fino quanto um cartão de crédito, porque ele já não precisará de uma bateria volumosa, ou um laptop que poderá extrair energia de seu próprio gabinete, podendo funcionar por mais tempo sem recarga. Estamos na primeira fase deste projeto e há um longo caminho a percorrer, mas acreditamos que o nosso material compósito é de fato promissor," conclui Greenhalgh. (Fonte: Site Inovação Tecnológica)

23 de fev de 2010

Cientista cria etanol à base de casca de fruta e jornal


As cascas de frutas, sobretudo de laranja, e o papel jornal poderiam ser usados na produção de álcool combustível (etanol), revelou um estudo publicado nesta quinta-feira (18) pelo periódico "Plant Biotechnology Journal".

Esse tipo de combustível do futuro é mais limpo que o etanol derivado do milho, que, por sua vez, é menos poluente que a gasolina, segundo as pesquisas de Henry Daniell, cientista da Universidade Central da Flórida.

Segundo Daniell, com o álcool à base de frutas e papel, seria possível "proteger o ar e o ambiente das próximas gerações".

A tecnologia para a produção do combustível, desenvolvida com financiamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, utiliza uma combinação de enzimas para transformar as cascas de laranja e outros materiais residuais em açúcar, que é fermentado para sua conversão em etanol.

Esse álcool combustível, segundo o artigo publicado, produz menos gases estufa que a gasolina ou a energia elétrica.

Material abundante - Como os resíduos usados no processo são abundantes, a produção do etanol de frutas e jornal não comprometeria a de alimentos nem provocaria um aumento nos preços destes.

Só na Flórida, segundo Daniell, seria possível produzir 200 milhões de galões (1 galão = 3,75 litros) de etanol a cada ano a partir de cascas de laranja.

O cientista esclarece que, apesar das conclusões do estudo, são necessárias mais pesquisas até o trabalho desenvolvido em laboratório chegar à indústria.

No entanto, outros cientistas que fazem pesquisas sobre biocombustíveis disseram que os resultados obtidos por Daniell são promissores.

"Trata-se de uma grande conquista", declarou Mariam Sticklen, professora de ciências da Universidade de Michigan.

Em 2008, Sticklen recebeu um prêmio internacional pelo estudo sobre uma enzima do estômago das vacas que poderia ajudar a transformar a planta do milho em combustível. (Fonte: Folha Online)

22 de fev de 2010

Site indica local mais próximo para descarte de lixo eletrônico em São Paulo


O lixo eletrônico é um dos grandes desafios da atualidade, principalmente nas grandes cidades. Em São Paulo, quem possui pilhas, baterias, celulares e carregadores para descarte, pode buscar na internet o local mais adequado para levar esse tipo de material.

O site www.e-lixo.org aponta o local mais próximo do usuário a partir do CEP, que deve ser digitado em um formulário, assim como qual o tipo de lixo eletrônico que será descartado.

O serviço é composto por um banco de dados associado à plataforma Google Maps. Novos pontos de coleta também podem ser cadastrados pelo endereço eletrônico.

O coordenador de Mobilização Comunitária do Instituto Akatu, Ricardo Oliani, aprovou a ideia. “Iniciativas como essas são muito bem vindas porque, por um lado, ajudam a impulsionar ações de consumo consciente entre os cidadãos e, por outro, evitam que materiais que poluem o meio ambiente sejam descartados de forma incorreta”, disse.

Em outubro de 2008 foi realizado o “Mutirão do Lixo Eletrônico – Recicle. Não descarte essa idéia”. O resultado surpreendente, de mais de 50 toneladas de pilhas, baterias, celulares e carregadores recolhidas em mais de 100 pontos de coleta espalhados pela Capital e em 372 municípios, deu origem ao projeto que resultou no site.

Os resíduos eletrônicos possuem substâncias tóxicas como mercúrio, chumbo, arsênio e outros elementos, que podem causar prejuízos à natureza e à saúde humana. (Fonte: Ambiente Brasil)

21 de fev de 2010

Educação ambiental poderá ser custeada por produtos descartáveis

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 6572/09, do deputado José Paulo Tóffano (PV-SP), que obriga os fabricantes de produtos com embalagens descartáveis a destinarem à educação ambiental 10% dos seus gastos com a propaganda dessas mercadorias.

Além disso, o projeto determina a aplicação em planos, programas e projetos de educação ambiental de pelo menos 20% da arrecadação das multas por descumprimento da legislação ambiental. Os recursos provenientes de ambas as medidas deverão ser depositados na carteira de educação ambiental do Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA).

O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Fonte: Ambiente Brasil)

20 de fev de 2010

LED orgânico mais barato e reciclável é criado com grafeno

O grafeno - uma folha de carbono com apenas um átomo de espessura - agora chegou aos dispositivos sólidos emissores de luz, um campo até hoje dominado pelos LEDs tradicionais e pelos LEDs orgânicos (OLEDs).

Papéis luminosos e telas de enrolar - Pesquisadores suecos e norte-americanos conseguiram produzir o primeiro dispositivo emissor de luz orgânico com grafeno - o grafeno substitui um metal raro e caro e de difícil reciclagem.

A invenção, que abre caminho para papéis de parede que se acendem e telas que podem ser enroladas, tudo feito inteiramente de plástico, foi fabricado por cientistas das universidades de Linköping e Umeå, na Suécia, e da Universidade do Estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Os OLEDs - LEDs orgânicos, que possuem carbono em sua composição, também chamados de LEDs de plástico - foram recentemente introduzidos comercialmente em celulares, câmeras digitais e TVs super finas.

Um OLED consiste de uma camada de plástico, contendo compostos emissores de luz, colocada entre dois eletrodos, um dos quais deve ser transparente, para que a luz passe.

Apesar de terem vantagens suficientes para já estarem no mercado, os OLEDs têm uma desvantagem - o eletrodo transparente é feito com a liga metálica óxido de estanho-índio. O índio é um metal raro e caro e, além disso é muito difícil de ser reciclado.

LEC - O que os pesquisadores conseguiram agora foi construir uma alternativa aos OLEDs, que eles chamaram de LEC - Light-emitting Electrochemical Cell, células eletroquímicas emissoras de luz.

A nova célula usa um eletrodo de grafeno quase totalmente transparente em substituição ao índio. Por decorrência, o novo componente emissor de luz fica muito mais barato e pode ser facilmente reciclado.

Por usar carbono, o LEC também é orgânico, assemelhando-se mais aos OLEDs do que aos LEDs. OLEC certamente seria uma sigla mais adequada, ainda que é de se esperar que outros pesquisadores questionem a criação de uma categoria nova para os "OLEDs de grafeno".

Iluminação orgânica - "Este é um grande passo no desenvolvimento de componentes orgânicos para iluminação, tanto do ponto de vista tecnológico quanto ambiental. Espera-se que os componentes eletrônicos orgânicos tornem-se extremamente comuns em novas aplicações no futuro, mas isto pode criar problemas sérios de reciclagem. Usando o grafeno, em vez dos eletrodos de metal convencional, os componentes do futuro serão muito mais fáceis de reciclar," diz Nathaniel Robinson, um dos criadores do OLEC.

Pesquisadores de todo o mundo têm tentado substituir o óxido de índio e estanho dos LEDs há anos. O índio está cada vez mais escasso e a liga tem um ciclo de vida complicado. A matéria-prima para os LECs, por outro lado, essencialmente carbono, é inesgotável e pode ser totalmente reciclada.

Impressão de componentes eletrônicos - Todas as partes dos LECs podem ser produzidas a partir de soluções líquidas, como já acontece com os OLEDs, tornando possível fabricá-los também pelo processo industrial contínuo conhecido como roll-to- roll, um processo parecido com a impressão, que torna os componentes individuais muito baratos.

"Isso permitirá a produção de componentes de iluminação inteiramente de plástico, de baixo custo e sob a forma de grandes folhas flexíveis. Esse tipo de iluminação, ou de tela, poderá ser enrolada ou ser aplicada como papel de parede ou nos tetos," diz Ludvig Edman, outro membro da equipe.

No processo de fabricação dos LECs, o grafeno é depositado na forma de uma solução de óxido de grafeno. (Fonte: Site Inovação Tecnológica)

19 de fev de 2010

Dados florestais reunidos em livro estão disponíveis para download


A área das florestas naturais, plantadas e de unidades de conservação, além de taxas de desmatamento e características dos biomas são algumas das informações reunidas no minilivro Florestas do Brasil em Resumo.

A publicação, com quase 60 tabelas e 20 mapas, foi compilada pela equipe do Serviço Florestal Brasileiro e está disponível para download no site do Serviço Florestal - www.florestal.gov.br, http://www.florestal.gov.br, nas versões em português e inglês.

A obra traz um panorama do setor florestal no Brasil que começa com a explicação de conceitos básicos, como, por exemplo, o que é floresta, e mostra que a riqueza florestal ainda deixa o país como o segundo do mundo em extensão de florestas. Há, também, explicações sobre a gestão florestal e papel dos órgãos federais, como MMA, Serviço Florestal, Ibama e ICMBio.

No que se refere ao mercado, o livro mostra que o setor de base florestal gera cerca de US$ 37 bilhões e participa com cerca de 3,5% do PIB nacional. Só em 2007, a extração de madeira em tora ultrapassou os 270 milhões de metros cúbicos.

Este modelo de minilivro é produzido por órgãos florestais de outros países como Austrália, Finlândia, Chile, Estados Unidos e Canadá e, na avaliação do diretor-geral do Serviço Florestal, Antônio Carlos Hummel, será de grande utilidade para todos os atores interessados na conservação e o manejo dos recursos florestais do Brasil. (Fonte: MMA)

18 de fev de 2010

Amazônia terá torre de pesquisa de 320 m


Uma torre de 320 metros de altura (quase o dobro do Edifício Itália, um dos mais altos de São Paulo) será construída na Amazônia para monitorar a atmosfera e os gases-estufa. Com a torre, os cientistas esperam ter condições de fazer projeções mais confiáveis sobre os impactos das mudanças climáticas globais na Amazônia para os próximos 30 anos.
A construção da estação de pesquisa, uma parceria entre Brasil e Alemanha, deve terminar no final do próximo ano e terá investimentos de R$ 24 milhões. No projeto Atto (sigla em inglês para Observatório Amazônico de Torre Alta), os cientistas farão as pesquisas 270 metros acima das copas das árvores. Hoje, as maiores torres usadas para pesquisas na região têm 67 metros.

"A grande função das torres será mostrar com dados científicos a importância da floresta amazônica em termos de serviços ambientais e, com isso, incentivar as políticas públicas e desenvolver instrumentos para combater o desmatamento", diz Jochen Schöngart, pesquisador do Instituto Max Planck de Química, da Alemanha, que participa do projeto. Pelo Brasil, coordenam o projeto o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e a Universidade Estadual do Amazonas.

O Atto terá a maior torre de observação atmosférica da América Latina. Outras quatro torres de 80 metros serão erguidas no entorno da principal. O complexo será construído dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, em Presidente Figueiredo (133 km de Manaus). A comunidade ribeirinha que mora na reserva autorizou o projeto.

Segundo o físico Antônio Manzi, do Inpa, as torres serão erguidas sem derrubar árvores. "A floresta sempre tem uma série de clareiras naturais. A ideia é identificarmos o lugar menos perturbado possível."

Ao longo da torre maior serão instalados radares e perfiladores atmosféricos de temperatura, umidade, aerossóis e sensores de medidas de concentração e fluxos de gases. Do alto, cientistas de diversas áreas vão monitorar fenômenos a mais de 1.000 km -usando equipamentos como um sensor que mede a concentração de gás carbônico no ar.

"Em campanhas intensivas de coleta de dados, que deveremos organizar, poderemos ter algumas dezenas de pesquisadores trabalhando ao mesmo tempo no sítio experimental, ou seja, estarão por perto dos equipamentos", explica Manzi. (Fonte: Folha de São Paulo)

17 de fev de 2010

Novo projeto de Educação Ambiental em Unidades de Conservação


A Physis SDA em parceria com a FaunaPro desenvolveu um novo projeto de Educação Ambiental voltado para Unidades de Conservação. O projeto objetiva atingir um público leigo, interessado em sentir de perto as sensações que a natureza preservada proporciona. Dentre as inúmeras atividades desenvolvidas nas Unidades de Conservação, estão os passeios por trilhas, identificação de aves, mamíferos e outros animais, identificação de espécies vegetais, entre outras.

Estamos buscando parcerias com diversas Unidades de Conservação do Estado de São Paulo, e esperamos em breve já dispor dos espaços necessários para a execução deste novo trabalho. As visitas serão monitoradas, e as atividades poderão durar de 1 dia a 2 semanas! No caso de atividades mais complexas e longas, serão organizados grupos limitados para melhor aproveitamento do conteúdo. Além disso, serão disponibilizados cursos, treinamentos e palestras dentro das Unidades de Conservação para o público em geral.

O trabalho foi desenvolvido com o objetivo de apresentar ao público por meio da Educação Ambiental as inúmeras riquezas naturais das Unidades de Conservação, tentando tocar e sensibilizar as pessoas que a visitarem de sua importância, valor e necessidade de preservação.

15 de fev de 2010

O Lixo de São Paulo: parte II


A Prefeitura de São Paulo informou estar negociando com os órgãos públicos que ultrapassam o limite máximo de lixo diário permitido para que contratem uma empresa privada que colete seus resíduos. A administração disse ainda contar com 32 fiscais que fazem diariamente inspeções em estabelecimentos. A função desses agentes é verificar documentos que comprovem que os locais estão cadastrados na Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana) como grandes geradores de lixo. Também são vistoriados o destino dos resíduos e se o transporte é feito por uma empresa privada.

Estabelecimentos que não tiverem cadastro, não contarem com coleta própria ou descartarem nos caminhões municipais um volume acima do permitido, estão sujeitos a multa de R$ 1.000. E, se a irregularidade permanecer, são aplicadas novas sanções.

Entre janeiro e agosto do ano passado, a Limpurb afirma ter realizado 2.250 vistorias. Segundo o órgão, é possível constatar a irregularidade em apenas uma visita, mas, se houver dúvidas, os agentes fazem até três vistorias no mesmo local. A Limpurb afirma ainda que apura possíveis irregularidades por parte da fiscalização. Moradores vizinhos a estabelecimentos que geram muito lixo contam que há casos em que o proprietário paga propina aos fiscais para não ser enquadrado como grande produtor de lixo, se desobrigando, assim, de contratar uma empresa de coleta. O departamento recebe em média, 200 notificações por mês das concessionárias Loga e Ecourbis sobre locais que descartam lixo acima do limite.

O Detran informou ser um órgão misto, com departamentos municipais, e que vai verificar com a prefeitura as formas de se adequar à legislação. O Instituto Dante Pazzanese informou que está em processo de contratação de uma empresa de coleta, o que deve ocorrer nos próximos 60 dias -até lá, a prefeitura concordou em manter a coleta municipal. Procurados desde anteontem pela reportagem, o Instituto Biológico e a USP não responderam sobre o assunto.

A lei não faz distinção entre órgão públicos e privados, mas, segundo Fabio Pierdomienico, diretor técnico do departamento de limpeza urbana da Limpurb entre 2002 e 2004 (gestão Marta), no caso das instâncias municipais, vale o bom senso. "Não faz muito sentido a prefeitura pagar por um serviço do qual detém a concessão." (Fonte: Folha de São Paulo)

14 de fev de 2010

O Lixo de São Paulo: parte I


A Prefeitura de São Paulo tem recolhido de graça lixo de estabelecimentos que, por lei, deveriam pagar pelo serviço.
Imóveis não-residenciais que produzem mais de 200 litros de resíduos por dia, o equivalente a dois sacos grandes, devem contratar uma empresa particular para fazer a coleta.

Loga e Ecourbis, concessionárias pagas pelo município, admitem, no entanto, que têm recolhido resíduos de quem está acima do limite. Pelo contrato, elas são responsáveis pela coleta de lixo hospitalar, de residências e de estabelecimentos que produzem menos de 200 litros por dia, apenas.

A gestão Gilberto Kassab (DEM) também admite o problema e afirma que tem notificado quem utiliza irregularmente o serviço municipal. De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, se a legislação fosse seguida à risca, a coleta na capital se tornaria mais ágil e barata, uma vez que, o montante a ser recolhido pelas ruas do município seria menor. O lixo espalhado pelas ruas é um dos agravantes das recorrentes enchentes de São Paulo.

Flagrantes

Instituições como a USP, o Detran, o Instituto Dante Pazzanese e o Instituto Biológico, além de bares, restaurantes e colégios, estão entre os que têm entregado aos caminhões das concessionárias um volume de resíduos acima do permitido. No Detran (centro), o veículo adentra os portões para retirar o lixo. O mesmo ocorre no Dante Pazzanese (zona sul). Já na USP (zona oeste), os resíduos são acomodados em compartimentos e ficam à espera do caminhão da concessionária.

Pela lei, até órgãos públicos, como o Detran e a USP, têm de pagar pelo serviço de coleta. De acordo com duas empresas cadastradas pela Limpurb ouvidas pela Folha, o preço da coleta de lixo privada varia de acordo com a quantidade de resíduos e a frequência do serviço. Em geral, segundo as empresas consultadas, a coleta privada de lixo custa para estabelecimentos algo entre R$ 245 a R$ 800 por mês. Já a multa para o imóvel que dribla a lei é de R$ 1.000.

Em Moema (zona sul) e na Vila Madalena (zona oeste), onde há concentração de bares e restaurantes, a Folha encontrou amontoados de lixo que ultrapassavam o limite. Loga e Ecourbis afirmam que recolhem o montante extra porque, por exigência do contrato, precisam de uma autorização da prefeitura para deixar de fazer isso. Segundo elas, já foram feitas centenas de solicitações de dispensa de coleta, mas a análise leva até 90 dias. Sem o aval da prefeitura, as empresas são obrigadas a manter a coleta nesses locais. O documento enviado pelas concessionárias inclui foto do volume descartado, mas é preciso que fiscais municipais comprovem a irregularidade. (Fonte: Folha de São Paulo)

13 de fev de 2010

Kassab se irrita com sujeira em piscinões


O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), depois de visita a um dos piscinões da cidade na zona leste se irritou com a sujeira e deu prazo até terça-feira para que todos os 19 piscinões da cidade estejam completamente limpos.

No piscinão Aricanduva 3, em São Mateus, Kassab reclamou que os funcionários da empresa Anastacio, contratada para a limpeza, não estavam trabalhando. Ele disse que o problema das chuvas é o principal vivido pela cidade e que era "inadmissível" que o serviço não estivesse sendo realizado. "Chove há 45 dias seguidos. Aí, para dois dias de chover e a empresa não trabalha. Então eu não sei para que serve a empresa. Se é para limpar em abril, maio, quando não chove, não precisamos dela", disse Kassab.

A Anastacio é responsável pela limpeza de dez piscinões na cidade. A Folha não conseguiu contato com representantes da empresa ontem à tarde para falar sobre o assunto. Kassab afirmou que na terça-feira vai sobrevoar todos os 19 piscinões e verificar a situação deles. "Se não estiver tudo limpo, eu vou romper o contrato atual e fazer contrato emergencial para limpar tudo."

O piscinão Aricanduva 3 tem capacidade para armazenar 320 mil m3 de água e faz parte do projeto de drenagem que, segundo a prefeitura, acabou com as enchentes na bacia do rio Aricanduva, na zona leste. A Folha visitou o piscinão no dia 8 de janeiro e não havia ninguém trabalhando na limpeza. Um dos funcionários, operador de máquinas, informou que a limpeza não era realizada desde o início de dezembro porque não parava de chover. Segundo ele, seria necessário que parasse de chover por vários dias para que as máquinas fizessem a retirada do lixo acumulado no piscinão. A única área que é limpa rotineiramente, segundo ele, era o chamado paliteiro, uma espécie de peneira que "segura" peças maiores que a chuva leva pelo córrego, como pneus e sofás.

A Anastacio recebeu R$ 36,4 milhões entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010 por serviços realizados para a prefeitura- limpeza de galerias, canais e piscinões, locação de máquinas e conservação de vias. No dia 15 de janeiro, a Folha pediu um relatório da situação dos piscinões. Segundo a Secretaria das Subprefeituras, o Aricanduva 3 estava com 85% de sua capacidade livre -o restante era ocupado por lixo. Ontem, de acordo com a pasta, a capacidade era de 90%. (Fonte: Folha de São Paulo)

12 de fev de 2010

Biocombustível empurra boi para a mata


Ao aumentar a produção de biocombustíveis para substituir o petróleo, o Brasil pode dar grande contribuição para o mundo reduzir as emissões de gases-estufa, mas essa política pode acabar sendo um tiro pela culatra, indica um novo estudo. Se a tendência atual de mudanças no uso da terra continuar, plantações de cana-de-açúcar e soja tomarão o lugar de pastagens, e estas serão empurradas para áreas de floresta, desmatando e emitindo carbono.

Isso é o que indica uma projeção feita pelo ecólogo paulista David Lapola, da Universidade de Kassel (Alemanha), autor principal de um estudo publicado na edição de hoje da revista "PNAS". Segundo ele e seus coautores, se o Brasil cumprir seu objetivo para 2020 -aumentar em 35 bilhões de litros a produção de álcool e em 4 bilhões de litros a de biodiesel de soja- essas duas culturas empurrariam as pastagens para cerca de 60 mil km2 de floresta, desmatando uma área maior do que a Paraíba. Segundo os cientistas, a troca de petróleo por biocombustível levaria 250 anos para compensar as emissões desse desmate.

As conclusões de Lapola e seus colegas saíram da projeção de uma tendência que já se verifica. "Identificamos quais seriam as mudanças diretas de uso da terra, e a maioria era biocombustível tomando lugar de pasto", explica Lapola. "As mudanças indiretas eram o gado que estava naquele espaço sendo realocado em outras regiões, sobretudo Amazônia e cerrado." Mais de 90% da expansão da soja na Amazônia em 2006, por exemplo, ocorreu sobre áreas de pastagem.

Especialistas afirmam que o estudo do ecólogo é consistente, mas sua conclusão é polêmica. Para o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, especialista em política energética e membro do conselho editorial da Folha, o artigo tenta "assegurar que na distribuição internacional do trabalho [agricultura] o Brasil se mantenha como produtor de alimento barato". "Se esse alerta pretende criar desconfiança em relação a nossos produtos, acho ruim, principalmente agora que os EUA acabam de reconhecer o etanol brasileiro como um combustível avançado", diz Suzana Kahn Ribeiro, secretária nacional de Mudança Climática.

Lapola explica que seu trabalho não deve ser visto como uma profecia incontornável, mas como um dado a partir do qual planejar ação. Segundo ele, por exemplo, se a produtividade do gado tiver um pequeno aumento de intensidade -de 0,09 cabeças por hectare para 0,13- o problema poderia ser contornado. A recuperação de pastos degradados e abandonados também ajudaria.

Para Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, essas mudanças já estão acontecendo. "Nos últimos 20 anos a área de pastagem diminuiu, e a produção de carne aumentou." Lapola, porém, defende que o governo atue para fomentar a produção intensiva. "Muitos subsídios hoje vão para aquisição de animais, manutenção da infraestrutura e várias outras coisas, mas pouco vai para incentivar o aumento da intensidade da criação ou a recuperação das pastagens degradadas." (Fonte: Folha de São Paulo)

11 de fev de 2010

Telhados brancos reduzem temperatura de cidades


Pintar de branco os telhados e lajes de edifícios pode reduzir significativamente a temperatura de cidades e mitigar alguns impactos do aquecimento global.

A conclusão é de cientistas do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos (NCAR, na sigla em inglês).

No estudo, modelos computacionais simularam os impactos de coberturas brancas na temperatura de áreas urbanas. O secretário (equivalente a ministro) de energia dos EUA, Steven Chu , já defendeu o recurso como uma importante ferramenta para ajudar a sociedade a ajustar-se à mudança climática.

“Nossa pesquisa demonstra que telhados brancos, ao menos em teoria, podem ser um método efetivo na redução do calor urbano”, disse Keith Oleson, principal autor do estudo, que será publicado no periódico especializado “Geophysical Research Letters”.

Vias asfaltadas, pavimentos cobertos por resinas impermeabilizantes e outras “superfícies artificiais” absorvem calor, elevando as temperaturas nas cidades entre 1°C e 3°C em relação às áreas circundantes não urbanizadas.

As simulações de Oleson e equipe indicam uma redução de 33% da temperatura com todas as coberturas possíveis e imagináveis pintadas de branco.

Mas não é para sair pintando tudo: dependendo do clima local, habitantes de cidades mais frescas aumentariam o consumo de energia para aquecimento de ambientes internos. Sistemas de condicionamento de ar que usam gás ou carvão (combustíveis fósseis vilões do aquecimento global) tornariam todo o esforço absolutamente inútil.

O modelo computacional desenvolvido por Oleson avalia o impacto de fatores como a influência de telhados, paredes e áreas verdes nas temperaturas locais. Mas o sistema ainda não é capaz de replicar arquitetura, plano urbanístico etc. de cidades específicas. Em vez disso, foram criadas metrópoles abstratas, com diversos parâmetros de densidade populacional e padrões de uso do solo.

“É fundamental compreender como a mudança climática vai afetar áreas urbanas vulneráveis, o lar da maior parte da população mundial”, afirmou Gordon Bonan, coautor do estudo. (Fonte: G1)

9 de fev de 2010

Produtores rurais adotam medidas para reduzir impacto de gases emitidos por rebanhos


Os produtores rurais do estado de São Paulo estão adotando medidas para reduzir o impacto das emissões de metano pelos animais. O metano é um dos gases causadores do efeito estufa.

A utilização de técnicas adequadas, como a melhoria na qualidade da alimentação dos rebanhos, manejo das pastagens e uso de aditivos alimentares, podem contribuir para a minimização das emissões, segundo estudo publicado por Claiton André Zotti e Valdinei Tadeu Paulino, do curso da área de produção animal sustentável do curso de pós-graduação do Instituto de Zootecnia, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

O trabalho "Metano na produção animal: emissão e minimização de seu impacto", apresentou técnicas de medição de metano ruminal, gerado pela digestão dos animais, e as vantagens econômicas e ambientais da redução desses gases.

Foram apontados, ainda, os fatores que influenciam na emissão de metano pelo gado e consideradas estratégias que poderiam ser adotadas para que os níveis dos gases sejam diminuídos.

Segundo os pesquisadores, muitas dessas estratégias são adotadas pelos produtores com objetivo de otimizar a produção, reduzindo a idade de abate."Para isso, torna-se fundamental a adoção de pesquisas que possibilitem ao setor produtivo manter a sua expansão sobre uma base de melhor intensidade tecnológica, gerando benefícios econômicos e ambientais à pecuária", destacaram. (Fonte: Ambiente Brasil)

6 de fev de 2010

Ibama concede licença ambiental para Hidrelétrica de Belo Monte

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu neste dia 1° a licença prévia para a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). O documento, assinado pelo presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, lista 40 condicionantes que terão de ser cumpridas para que o empreendedor receba autorização para as obras.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que, junto com o combate ao desmatamento na Amazônia, o licenciamento ambiental de Belo Monte era um dos grandes desafios de sua gestão. “Belo Monte tem simbolismo muito forte, é a maior obra do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], a mais polêmica, é a terceira hidrelétrica do mundo, gera polêmica há mais de 20 anos”, avaliou.

Segundo Minc, a licença prevê investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão para mitigar os impactos ambientais e sociais da chegada do contingente que irá trabalhar na construção da usina. “São mitigações, contrapartidas e compensações ambientais.”

Maior empreendimento energético do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Belo Monte terá potência instalada de 11 mil megawatts, a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, que tem 14 mil megawatts.

Hoje, Minc lembrou o histórico polêmico do licenciamento da hidrelétrica, que chegou a ser suspenso pela Justiça e reconheceu que a área foi alvo de pressões do setor energético e de ambientalistas.

“Tem pressões e contra-pressões, faz parte da democracia. O Messias fica imprensado com flechas sorrateiras de todos os lados: ou para fazer de qualquer jeito que está ou para não fazer de jeito nenhum”, disse.

A pressão para autorizar as obras de Belo Monte desencadeou a saída do diretor de Licenciamento do Ibama, Sebastião Custódio Pires e do coordenador-geral de Infraestrutura de Energia do instituto, Leozildo Tabajara.

A construção da barragem, prevista desde a década de 1970, é alvo de críticas de comunidades tradicionais, lideranças indígenas e organizações ambientalistas.

A emissão da licença prévia autoriza o Ministério de Minas e Energia a marcar a data do leilão da usina, que será realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, chegou a dizer que estava “mendigando” a licença para a área ambiental.

A Empresa de Pesquisas Energética (EPE) estima o custo do empreendimento em pelo menos R$ 16 bilhões. O governo deverá ter participação em todos os consórcios que participem do leilão. Até agora, três das maiores empreiteiras do país demonstraram interesse em construir Belo Monte: Camargo Corrêa, Odebrecht e Andrade Gutierrez.

A licença prévia é a primeira das três licenças que fazem parte do processo de licenciamento ambiental. Se cumpridas as condicionantes, a próxima etapa é a licença de operação, que autoriza o início das obras. A última, a de operação, autoriza o funcionamento do empreendimento.
(Fonte: Agência Brasil)

5 de fev de 2010

Mudanças no cotidiano podem evitar escassez de água



A escassez de água no planeta já não é novidade para ninguém. De toda a água de nosso planeta, cerca de 3% é doce, o que não se mostra suficiente para toda a população. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem 11,6% de toda a água doce do planeta. Em pesquisa feita pela Agência Nacional de Águas (ANA), mostra-se que a demanda de água nas regiões metropolitanas é maior que a produção atual dos recursos.

Para impedir problemas com a falta de água nos próximos 15 anos, será necessário um investimento de R$ 27,7 bilhões em produção, tratamento, fornecimento de águas e tratamento de esgotos.

Para evitar que o mundo chegue a essa situação, várias medidas podem ser tomadas, entre elas está o reuso da água, que já vem sendo utilizado por muitas empresas para diminuir seus gastos e também colaborar com o meio ambiente. No Brasil, 80% do esgoto coletado vai parar em cursos d'água sem receber nenhum tratamento.

A população também pode contribuir evitando o desperdício de água com pequenas mudanças no cotidiano em suas casas, propriedades, estabelecimentos comerciais, etc. No Brasil gasta-se cerca de cinco vezes mais água do que o necessário. Nosso consumo é de cerca de 200 litros por dia por pessoa, sendo que a OMS recomenda gastos de 40 litros por dia por pessoa. Este desperdício todo preocupa - afinal, o ser humano é capaz de ficar 60 dias sem comer, mas só resiste cinco sem água.

Vários países têm adotado programas de conscientização e medidas específicas para diminuir o desperdício de água. No Japão, por exemplo, os orientais aproveitam a água depois de tratada em processos industriais. A água quem vem dos ralos do box ou das banheiras também pode seguir por um cano até chegar a um pequeno reservatório e assim reabastecer os vasos sanitários de condomínios, hotéis, hospitais, clínicas, etc.

Na cidade do México, o governo substituiu três milhões e meio de válvulas por vasos sanitários com caixa acoplada, de 6 litros por descarga, resultando numa redução de consumo de 5 mil litros de água por segundo.

Nos Estados Unidos, além de ser obrigatório o limite de 6 litros para a descarga, a legislação também limitou a vazão de chuveiros e torneiras em 9 litros de água por minuto, o que resultou numa redução de 30% no consumo de água.

O problema da escassez de água é urgente. Para Sérgio Belleza, gerente da Divisão Tratamento de Águas da Argal Química "programas de conscientização são necessários em curto prazo. O uso racional da água tem que ser visto como fator urgente e prioritário. Além disso, as empresas têm que estar atentas à implantação dos modernos sistemas de reuso de água", finaliza o executivo. (Fonte: AmbienteBrasil)

4 de fev de 2010

Bactérias despontam na produção de biocombustíveis


Duas pesquisas independentes, que acabam de ser divulgadas nos Estados Unidos, mostram que as bactérias geneticamente modificadas logo poderão ser mais importantes do que as plantas usadas para a produção de biocombustíveis.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia modificaram geneticamente uma cianobactéria para fazê-la consumir dióxido de carbono e produzir o combustível líquido isobutanol, que tem grande potencial como alternativa à gasolina.

Para completar esse quadro, que até parece bom demais para ser verdade, a reação química para produção do combustível é alimentada diretamente por energia solar, através da fotossíntese.

O processo tem duas vantagens para a meta global de longo prazo de se alcançar uma economia sustentável, que utilize energia mais limpa e menos danosa ao meio ambiente.

Em primeiro lugar, ele recicla o dióxido de carbono, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima dos combustíveis fósseis.

Em segundo lugar, ele usa energia solar para converter o dióxido de carbono em um combustível líquido que pode ser usado na infraestrutura de energia já existente, inclusive na maioria dos automóveis.

Desconstrução da biomassa - As atuais alternativas à gasolina, o que inclui os biocombustíveis derivados de plantas ou de algas, exigem várias etapas intermediárias antes de gerar os combustíveis utilizáveis.

"Esta nova abordagem evita a necessidade de desconstrução da biomassa, quer no caso da biomassa celulósica, quer na biomassa de algas, algo que representa uma grande barreira econômica para a produção de biocombustíveis hoje", disse o líder da equipa James C. Liao. "Portanto, [nossa biotecnologia] é potencialmente muito mais eficiente e menos dispendiosa do que as abordagens atuais."

Transformando CO2 em combustível - Usando a cianobactéria Synechoccus elongatus, os pesquisadores primeiro aumentaram geneticamente a quantidade da enzima RuBisCo, uma fixadora de dióxido de carbono. A seguir, eles juntaram genes de outros microrganismos para gerar uma cepa de bactérias que usa dióxido de carbono e luz solar para produzir o gás isobutiraldeído.

O baixo ponto de ebulição e a alta pressão de vapor do gás permitem que ele seja facilmente recolhido do sistema.

As bactérias geneticamente modificadas podem produzir isobutanol diretamente, mas os pesquisadores afirmam que atualmente é mais fácil usar um processo de catálise já existente e relativamente barato para converter o gás isobutiraldeído para isobutanol, assim como para vários outros produtos úteis à base de petróleo.

Segundo os pesquisadores, uma futura usina produtora de biocombustível baseada em suas bactérias geneticamente modificadas poderia ser instalada próxima a usinas que emitem dióxido de carbono - as termelétricas, por exemplo. Isto permitiria que o gás de efeito estufa fosse capturado e reciclado diretamente em combustível líquido. Para que isso se torne uma realidade prática, os pesquisadores precisam aumentar a produtividade das bactérias e diminuir o custo do biorreator.(Fonte: AmbienteBrasil)

3 de fev de 2010

Pesquisas mostram que plantas reagem aos perigos externos

Sensibilidade ao ambiente inclui sinais químicos de pedido de socorro. 'Elas reagem a dicas táteis e escutam sinais químicos', diz pesquisadora. Do 'New York Times'.



Foto: JIM DAMASKE/NYT

Algumas das barreiras que as plantas geram em resposta à mastigação de insetos são elementos químicos voláteis que servem como pedidos de socorro (Foto: JIM DAMASKE/NYT)



Parei de comer carne de porco há cerca de oito anos. Alguns anos depois, parei de comer qualquer carne de mamíferos. No entanto, ainda como peixe e aves, e derramo gemada em meu café. Minhas decisões alimentares são arbitrárias e inconsistentes.

Quando amigos me perguntam por que estou disposta a abandonar o pato, mas não o carneiro, não tenho uma boa resposta. Escolhas alimentares são muitas vezes assim: difíceis de articular, mas vigorosamente mantidas. Ultimamente, discussões sobre escolhas de alimentos têm reluzido com especial veemência.

Em seu novo livro, "Eating Animals," o romancista Jonathan Safran Foer descreve sua transformação gradual de onívoro, um distraído preguiçoso que "passeava entre um número de dietas", para um "vegetariano comprometido" .

  • Aspas As plantas reagem a dicas táteis, reconhecem diferentes comprimentos de onda de luz, escutam sinais químicos, elas podem até mesmo falar através de sinais químicos. "
No mês passado, Gary Steiner, filósofo da Universidade Bucknell, argumentou no "New York Times" que as pessoas deveriam lutar para serem "vegetarianos rigorosamente éticos" como ele próprio, evitando qualquer produto derivado de animais, incluindo lã e seda. Matar animais por comidas e roupas humanas é nada menos que um "absoluto assassinato" , disse ele.

Porém, antes de cedermos toda a cobertura moral a "vegetarianos comprometidos" e "vegetarianos de forte ética", podemos considerar que as plantas não aspiram ser cozidas numa panela mais do que um porco quer virar comida de Natal. Isto não pretende ser um argumento banal ou uma piadinha. As plantas são seres vivos e planejam continuar dessa forma.

Sensibilidade aguçada
Quanto mais os cientistas aprendem sobre a complexidade das plantas – sua aguçada sensibilidade ao ambiente, a velocidade com que reagem a mudanças no ambiente e o extraordinário número de truques que elas empregam para combater atacantes e solicitar ajuda de longe –, mais impressionados eles ficam.

Quando biólogos de plantas falam de seus assuntos, usam verbos ativos e imagens vívidas. As plantas "buscam" recursos como luz e nutrientes do solo, e "preveem" momentos ruins e oportunidades.

Ao analisar a proporção de luz vermelha e luz vermelha distante caindo em suas folhas, por exemplo, elas podem pressentir a presença de outros concorrentes clorofilados por perto, e tentar crescer para outro lado. Suas raízes percorrem a "rizosfera" subterrânea e empregam trocas interculturais e microbiais.


As plantas não aspiram ser cozidas numa panela mais do que um porco quer virar comida de Natal

"As plantas não são estáticas ou tolas", disse Monika Hilker, do Instituto de Biologia da Universidade Livre de Berlim. "Elas reagem a dicas táteis, reconhecem diferentes comprimentos de onda de luz, escutam sinais químicos, elas podem até mesmo falar" através de sinais químicos. Tato, visão, audição, fala. "Essas são modalidades sensoriais e habilidades que normalmente ligamos apenas a animais", disse Hilker.

Plantas não podem correr de uma ameaça, mas podem defender seu território. "Elas são muito boas em evitar serem comidas", disse Linda Walling, da Universidade da Califórnia, em Riverside. "Insetos conseguirem sobrepujar essas defesas é uma situação incomum".

  • Aspas As plantas não são estáticas ou tolas "
À menor mordiscada em suas folhas, células especializadas na superfície da planta liberam elementos químicos para irritar o predador, ou uma substância pegajosa para prendê-lo. Genes no DNA da planta são ativados para travar guerras químicas em todo o sistema, a versão da planta para uma reação imunológica. Nós precisamos de terpenos, alcaloides, fenólicos – vamos nos mexer.

"Estou surpreso com a rapidez com que essas coisas acontecem", disse Consuelo de Moraes, da Universidade Estadual da Pensilvânia. De Moraes e seus colegas realizaram experimentos para cronometrar a reação de uma planta e descobriu que, em menos de 20 minutos do momento em que a lagarta começou a se alimentar de suas folhas, a planta havia puxado carbono do ar e construído barreiras defensivas do zero.

Só porque nós, humanos, não as ouvimos, não significa que as plantas não uivem. Algumas das barreiras que as plantas geram em resposta à mastigação de insetos são elementos químicos voláteis que servem como pedidos de socorro.

Foto: Joanne Rathe/NYT

Plantas não podem correr de uma ameaça, mas podem defender seu território com o uso de recursos como a liberação de elementos químicos para irritar o predador (Foto: Joanne Rathe/NYT)

Socorro
Tais alarmes aerotransportados provaram atrair grandes insetos predatórios como libélulas, que se deleitam com carne de lagartas, além de pequenos insetos parasitas, que podem infectar uma lagarta e destruí-la de dentro para fora.

Os inimigos dos inimigos das plantas não são os únicos sintonizados na transmissão de emergência. "Algumas dessas dicas, alguns desses elementos voláteis que são liberados quando uma planta focal é danificada", disse Richard Karban, da Universidade da Califórnia, em Davis, "fazem com que outras plantas da mesma espécie, ou mesmo de outras espécies, também se tornem mais resistentes a herbívoros".

Hilker e seus colegas, assim como outras equipes de pesquisadores, descobriram que certas plantas sentem quando ovos de insetos foram depositados em suas folhas, e agirão imediatamente para se livrar da ameaça incubada. Elas podem desenvolver tapetes de neoplasmas parecidos com tumores para derrubar os ovos, ou secretar inseticida para matá-los.

  • Aspas Mesmo se você já tem um conhecimento considerável sobre as plantas ainda é surpreendente ver como elas podem ser sofisticadas "
Em artigo no "The Proceedings of the National Academy of Sciences", Hilker e seus colegas determinaram que quando uma borboleta fêmea põe seus ovos sobre uma couve de Bruxelas e prende seus tesouros às folhas com pequenas gotas de cola, o vegetal detecta a presença de um simples aditivo da cola, cianureto de benzil.

Avisada pelo aditivo, a planta rapidamente altera a química da superfície de sua folha para chamar vespas parasitas fêmeas. Ao ver o prêmio ancorado, a vespa fêmea injeta seus próprios ovos dentro, as vespas em gestação se alimentam das borboletas em gestação, e o problema da planta está resolvido.

O cianureto de benzil foi doada à borboleta fêmea pelo macho, durante o acasalamento. "É um feromônio anti-afrodisí aco, para que a fêmea não acasale novamente", explicou Hilker. "O macho está tentando assegurar sua paternidade, mas acaba pondo em risco sua própria descendência" .

As plantas espiam umas às outras de forma benigna e maligna. Conforme descreveram em "Science" e outros jornais, De Moraes e seus colegas descobriram que mudas de cuscuta, uma erva daninha parasítica parente das flores chamadas de "morning glory", podem detectar químicos voláteis liberados por plantas hospedeiras em potencial, como o tomate.

A jovem cuscuta, então, cresce inexoravelmente na direção do hospedeiro, até conseguir circundar o caule da vítima e começar a sugar sua seiva. A parasita pode até distinguir perfumes de pés de tomate mais saudáveis ou fracos, e se dirigir ao mais conveniente.

"Mesmo se você já tem um conhecimento considerável sobre as plantas", disse De Moraes, "ainda é surpreendente ver como elas podem ser sofisticadas" .
É uma pequena tragédia diária que nós, animais, precisemos matar para continuar vivos.

As plantas são os autotrófitos éticos aqui, aqueles que retiram suas refeições do sol. Não espere que elas se vangloriem: elas estão ocupadas demais lutando pela sobrevivência. (Fonte: G1)
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