17 de set de 2010

MUSEU


Projeto transforma estação de esgoto em espaço sobre história do saneamento



Projeto transforma estação de esgoto em espaço sobre história do saneamentoNum antigo casarão nos Campos Elíseos funciona desde 2005 o Museu da Energia, embora muita gente não saiba de sua existência. Nos próximos anos, a cidade poderá ganhar, nos mesmos moldes, um Museu do Saneamento, dedicado à memória do tratamento e abastecimento de água.

O futuro museu deverá ocupar a antiga Estação Elevatória de Esgotos da Ponte Pequena, encravada num terreno de mais de 15 mil m2 na beira da avenida do Estado.

Construída no fim do século 19, a estação funcionou durante décadas para garantir o tratamento de esgoto e o abastecimento de água a alguns dos bairros tradicionais de São Paulo --Pari, Brás e Mooca.

Com custo estimado em R$ 15,5 milhões, o projeto está sendo desenvolvido pela Fundação Saneamento e Energia (organização mantida pela Sabesp, AES Eletropaulo e Cesp), com recursos captados via Lei Rouanet.

"É um museu que deve associar os conceitos de memória, ciência e sustentabilidade", diz Marcia Pavin, gerente de documentação e projetos da fundação. A instituição é responsável por outros seis museus da energia em diferentes municípios: Itu, Jundiaí, Rio Claro, Salesópolis, Santa Rita do Passa Quatro e Brotas.

O novo e o antigo

No ano passado, a diretoria da fundação convidou alguns escritórios de arquitetura para desenvolver um projeto de recuperação histórica no local. A proposta escolhida para ser levada adiante --desenvolvida pelos sócios Renato e Lilian Dalpian-- prevê o restauro completo do complexo original e a construção de um edifício anexo que servirá como entrada para os visitantes. A interligação entre o prédio histórico e o prédio anexo é feita através de um corredor envidraçado, e os arquitetos imaginaram ainda um grande espelho d'água, servindo como uma barreira leve e natural entre o museu e a cidade.

"A construção da estação pertence à onda de infraestrutura e controle sanitário que varreu o país no fim do século 19 --como o Sanatório do Juqueri ou o quartel Tobias de Aguiar", diz Renato.

Segundo ele, o amplo levantamento histórico feito no local revelou que o prédio original era revestido com tijolo aparente --acabamento que deverá ser retomado no restauro. Renato chamou a atenção ainda para o trabalho minucioso em ferro presente na cobertura da estação --um dos detalhes mais impressionantes do conjunto histórico.

Mais do que um museu, a fundação prevê que o espaço abrigue um centro cultural com programação dinâmica, bem como um centro de pesquisa especializada em saneamento que possa comportar e disponibilizar ao público o arquivo histórico da Sabesp.

O terreno em torno, com árvores tão ou mais antigas do que a construção ali erguida, deve se transformar num parque de uso público, voltado sobretudo aos habitantes das redondezas.

Museu da Energia

Inaugurado em 2005, o Museu da Energia funciona num casarão histórico nos Campos Elíseos. O imóvel, que serviu de residência para o irmão de Santos Dumont, foi recuperado e recebe exposições interativas sobre a história da energia e a ciência. Desconhecido do grande público, o museu tem alta frequência de grupos escolares. A visita ao casarão é imperdível pela beleza arquitetônica e pela qualidade do restauro; o material exposto, nem tanto --parece faltar ali uma curadoria consistente.

Fonte: Folha.com
Related Posts with Thumbnails