3 de set de 2010

Areia é mais suja do que a água no litoral de SP


A qualidade do mar das praias do litoral de São Paulo vem melhorando, aponta estudo da Cetesb (agência ambiental do Estado). Mas não adianta fugir da água e ficar na areia para tentar se ver livre de microrganismos que provocam doenças.

É que o levantamento realizado no ano passado em oito praias do litoral norte e da Baixada Santista inclui testes também na areia, que foi "reprovada" em todos. A contaminação da areia tem origem na própria água do mar, nos rios e córregos que desembocam na orla, no lixo e na chuva que lava as ruas e chega às praias.

A Cetesb escolheu para o estudo praias muito frequentadas, como Pitangueiras (Guarujá), muito sujas, como Gonzaguinha (São Vicente), e também mais distantes da cidade e limpas, caso do Sino, em Ilhabela e do Tenório, em Ubatuba.

Embora não exista um padrão máximo de, por exemplo, coliformes na areia, em todos os testes a água tinha menores concentrações de micro-organismos nocivos. O resultado colhido neste ano repete estudos realizados 11 anos atrás, mas foram avaliados pontos diferentes e em outros períodos do ano, o que impede uma comparação precisa. O padrão não existe porque, segundo a Cetesb, não há estudos epidemiológicos que façam uma relação entre o grau de contaminação da areia e doenças.

Outra conclusão que pode fugir ao senso comum de quem frequenta praias: é mais fácil entrar em contato com essas bactérias na área seca do que na úmida. Ou seja, também não adianta procurar a parte seca, é preciso, quase sempre, se proteger e tomar banho depois de sair da praia, aconselha a bióloga Claudia Lamparelli, do setor de águas litorâneas da Cetesb.

"É claro que é mais fácil se contaminar dentro do mar, porque a pessoa pode beber a água. Mas com crianças, principalmente, é preciso ter mais cuidado", diz Claudia.

A areia esteve sempre contaminada mesmo em Pitangueiras, onde o mar era próprio para banho o ano todo em 2009, como no Indaiá, em Caraguatatuba, que ficou proibida por 19 semanas. Foi a avaliada a concentração de coliformes termotolerantes, uma bactéria proveniente de fezes, a "Escherichia coli" e os enterococos.

Na comparação entre amostras colhidas no verão e no inverno, o estudo revela que a presença dos micro-organismos variou pouco. Segundo Claudia, a areia seca fica mais suja do que a úmida porque, onde o mar avança sobre a praia, existe uma lavagem natural. Fonte: Folha de São Paulo
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