14 de set de 2010

Apoiado por Brasil, Haiti inicia plano de reflorestamento


A base militar brasileira no Haiti não tem mais só alojamentos e depósitos de armas. A mais nova benfeitoria é um viveiro que produzirá 20 mil mudas de árvores por ano para um projeto piloto de reflorestamento do Haiti -onde há 2% da cobertura vegetal original intacta.

A ideia é do haitiano Jude Brice, 38, que estudou agronomia no Rio de Janeiro e, em 2005, entrou como intérprete de creole (idioma local) nas tropas do Brasil na Minustah (missão da ONU). Desarmado, Brice acompanhou os soldados brasileiros em alguns de seus combates mais violentos. Nos intervalos das missões, usava os conhecimentos de agronomia para escrever um projeto de reflorestamento do Haiti.

O trabalho serviu de base para os governos do Brasil e da Espanha reflorestarem uma cidade do interior do país, mas Brice não pôde participar. No final do ano passado, ele encontrou na base brasileira a ajuda de que precisava para começar seu próprio projeto, dessa vez na capital, Porto Príncipe. Os militares queriam fazer uma ação ecológica para compensar as 3.000 toneladas de gás carbônico que sua base despeja por ano na atmosfera. Assim, abraçaram a ideia de Brice. Mas o projeto quase ficou no papel quando a sede da Minustah ruiu com o terremoto de 12 de janeiro, soterrando Brice. Ele foi resgatado e medicado pelos brasileiros e, no mês passado, começou a construir o viveiro.

"Vamos produzir 10 mil mudas por semestre. Pretendemos envolver a sociedade e começar a plantar perto de escolas em regiões de montanha", disse. A área a ser reflorestada por ano equivale a dez campos de futebol.

MATRIZ ENERGÉTICA

O alto índice de desmatamento no Haiti é consequência da matriz energética do país ainda ser o carvão vegetal. A meta do governo haitiano é reflorestar 10% da área do país em cinco anos. Segundo o capitão Israel Demogalski, do Exército brasileiro, o preparo do solo será feito pelos militares e o plantio, pela comunidade.

O projeto é pequeno e tem verba de R$ 34 mil. Ele reflorestará 10% do que uma ação de larga escala costuma abranger, segundo o professor Tokitika Morokawa, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Mas, diz ele, terá o mérito de testar a resistência da espécie de árvore escolhida e a aceitação da população. Esses dados poderão então ser usados em uma ação maior.

Fonte: Folha de São Paulo
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