3 de jun de 2010

Mancha de petróleo nos EUA pode durar 9 meses

Daniel Beltra/Greenpeace/22.mai.2010/Reuters
(Foto por Daniel Beltra/Greenpeace/22.mai.2010/Reuters)

Imagem aérea mostra o petróleo negro no mar azul do golfo do México, nos Estados Unidos; mancha pode levar até 9 meses para sumir

Os milhares de litros de petróleo que vazam diariamente a 1.600 m de profundidade no golfo do México desde o último dia 21 de abril farão o setor petrolífero repensar sua tecnologia de exploração. Para o oceanógrafo Luis Soto González, da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), se o vazamento for estancado e as condições metrológicas ajudarem, a mancha ainda pode levar de seis a nove meses para desaparecer.

- Com os atuais padrões temperatura e circulação de correntes, a mancha de petróleo deve levar entre seis e nove meses para desaparecer. Mas esse é um cenário otimista, considerando que se consiga tapar o poço e estancar o vazamento.

Segundo González, que fez estudos de pós-graduação em universidades americanas, o acidente na plataforma da British Petroleum (BP) traz "sérias implicações do ponto de vista tecnológico e ambiental". Mesmo trabalhando com a "mais alta tecnologia", a BP sofre para "controlar um vazamento com pressão tão forte". O oceanógrafo aponta falhas no sistema de alerta do poço e diz que novas técnicas terão de ser desenvolvidas.

O pesquisador alerta ainda para a perfuração de poços em profundidades maiores. A exploração na camada pré-sal se dará a 5.000 m abaixo do mar.

- Pelo que conheço da Petrobrás, há alta tecnologia na exploração do petróleo e na capacitação do pessoal. Mas a exploração em águas tão profundas [como a do pré-sal] é uma decisão muito complicada. A julgar pelo que está acontecendo agora na Lousiana [com exploração a 1.600 m], é preciso fazer uma pausa [para repensar as tecnologias].

Mancha embaixo da água é novo desafio

Além do petróleo espalhado por uma superfície de 5.000 m² e da contaminação de manguezais na costa americana, González alerta para um outro impacto ambiental.

- Um efeito secundário, que é inédito, é uma mancha de petróleo que flutua a cerca de mil metros de profundidade. Isso foi identificado pela Universidade de Missouri. É preocupante do ponto de vista ambiental [já que pode afetar ainda mais a fauna e flora marítimas].

- Meus colegas americanos presumem que essa mancha subaquática é uma consequência do uso de dissolvente químico, no lugar do vazamento [que poderia estar mandando o óleo diluído para baixo d'água].

O governo dos EUA, de acordo com o jornal Washington Post, exigiu que a empresa mudasse os produtos químicos que estava utilizando para atenuar os efeitos do vazamento.

Problema não é só do governo

O oceanógrafo mexicano, cujo país corre o risco de ser atingido pela mancha, diz que "as autoridades americanas enfrentam limitações muito sérias para controlar" o desastre.

- Se o fenômeno não for controlado nos próximos meses, será preciso maior intervenção [do governo]. Esse não pode ser tratado apenas como um problema de uma companhia [BP].

González também estranha a atuação limitada da "comunidade científica dos EUA" na contenção do vazamento.

- Era de se esperar que a comunidade científica dos EUA tivesse um papel mais ativo no combate à mancha. Chama a atenção de que ninguém sabe ao certo quando de petróleo está vazando. Já foram encontradas mostras de arsênio e níquel [no litoral] e ninguém sabe de onde vem.

Segundo ele, a única embarcação científica que está na área do desastre, até o momento, é uma da Universidade do Missouri.

- Há muitas universidades e grupos de pesquisa que poderiam estar colaborando, mas parece que não foram convocados.


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