28 de jun de 2010

Enchentes podem se tornar um dos piores problemas de São Paulo


Chuvas mais fortes causadas pelo aquecimento global podem fazer as enchentes se tornarem o pior fenômeno natural enfrentado pela Grande São Paulo, indica um estudo publicado na terça-feira (15 de junho) por oito especialistas de cinco instituições brasileiras. Segundo a pesquisa, em um período entre 60 e 90 anos haverá uma elevação média de 2°C a 3°C na região, fazendo com que dobre o número de dias com chuvas acima de 10 milímetros – quantidade suficiente para causar enchentes e inundações graves.

A situação tende a piorar com a expansão da cidade que, de acordo com o estudo, ocorrerá também sobre várzeas e nascentes, não deixando espaço para a absorção da água. “Se for mantido o padrão de ocupação do solo, sem considerar nenhum critério ecológico, sem proteger de fato as áreas de mananciais, tudo ficará impermeabilizado”, afirma Andrea Young, do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que participou da pesquisa.

Impermeabilização – De acordo com a pesquisadora, chuvas mais intensas com solo impermeabilizado também farão com que a água corra com mais velocidade na superfície, levando lixo e entulho e entupindo as galerias fluviais, gerando mais enchentes. Além de colocar a vida das pessoas em risco, espalhar doenças e danificar construções, o acúmulo de água poderá travar ainda mais o trânsito, já que o número de carros particulares na região metropolitana tende a ser muito maior que os atuais 5,7 milhões. “Em alguns anos, com aumento da intensidade e frequência de eventos climáticos extremos, as enchentes serão responsáveis por mais danos materiais do que qualquer outro fenômeno natural”, indica trecho do estudo.

Falta de água – Apesar dos alagamentos, não sobrará água na cidade. Segundo Andrea, a impermeabilização do solo faz com que as chuvas não consigam abastecer o lençol freático, e a água potável tende a ser cada vez mais rara. Para aplacar tanto a seca quanto as enchentes, os pesquisadores sugerem mais planejamento urbano, evitando construções perto dos cursos d’água. “Uma das medidas importantes é que os planos urbanísticos deixem de ser regidos exclusivamente por decisões do setor imobiliário”, aponta a pesquisa. A expansão urbana organizada também evitaria que bairros crescessem em encostas de morro, diminuindo o problema com deslizamentos, que também tendem a se agravar com chuvas mais fortes. De acordo com o estudo, 11% das novas ocupações que ocorrerão na metrópole até 2030 poderão ser feitas em áreas de risco de deslizamento.

Transporte sobre trilhos – Para diminuir os impactos das mudanças climáticas sobre o trânsito, os cientistas sugerem investimentos em trens e metrôs, “que transportam grandes quantidades de passageiros e reduzem o número de veículos nas ruas e avenidas”, de acordo com os pesquisadores. Essa solução também colocaria freios à poluição, que tende a ser pior para a saúde durante os meses frios, caso se concretizem as previsões de climas mais secos no inverno. “Quando há muitos carros, tudo se agrava. No momento de seca, a poluição dos carros contribui para doenças. No momento de chuva, o trânsito fica paralisado”, resume Andrea.

Além de pesquisadores da Unicamp, participaram do estudo cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). (Fonte: Ambiente Brasil)

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