22 de abr de 2010

O valor da floresta em pé


O desmatamento é o “calcanhar de Aquiles” do Brasil na área ambiental. Entretanto, a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas, realizada em Bali, Indonésia, em dezembro de 2007, começou a fornecer bases (um “mapa do caminho”) para um novo acordo.

Nesse contexto, um mecanismo, conhecido como Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação (REDD), pretende se consolidar e criar valores econômicos para a chamada “floresta em pé”. Desta forma, proprietários de matas naturais que se prontificarem a proteger as florestas por 60 anos seriam pagos por isto durante este período.

Segundo o coordenador do programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho, diferente do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que não inclui as florestas naturais remanescentes, o REDD vai além de Quioto quando propõe compensações financeiras aos proprietários de matas naturais por mantê-las.

“REDD pode vir a ser uma alternativa rentável para reduzir o desmatamento e tornar-se uma versão do ‘Mercado Justo’ em MDL. O mecanismo propõe evitar queimadas e, ao manter as florestas, assegurar os serviços ambientais que estas oferecem. Representa, assim, um ótimo investimento ao proteger de maneira integral o patrimônio natural da Terra”, salientou.

* Mais sobre MDL na seção MDL - mecanismo limpo

Pesquisador da USP, Marcelo Theoto Rocha aponta que, antes de avançarmos em uma avaliação sobre REDD, é preciso entender as causas do desmatamento: “Ninguém desmata simplesmente porque quer ver as árvores caídas. Desmata porque tem atividades econômicas ligadas ao uso da terra. Assim partimos para as questões como remuneração pelos serviços ambientais e formas de financiamento da floresta em pé, incentivos aos produtores”.

De acordo com o superintendente de conservação da ONG WWF Brasil, Carlos Scaramuzza, a versão REDD da ONU pode levar de cinco a dez anos para se consolidar. Mas, a estimativa é que os mercados norte-americanos serão mais rápidos, podendo iniciar transações em três a cinco anos. “Todavia, é importante chamar a atenção para o fato de o mercado mundial voluntário já ter começado. A Noruega, por exemplo, criou um fundo, doando 500 milhões de dólares/ano para ser investido no desmatamento evitado, ou seja, em manutenção de floresta em pé”, explica.

Ele também considera que o Brasil é preparado para estabelecer um vigoroso programa de REDD. “Temos grande potencial, pois somente nas florestas amazônicas há cerca de 48 bilhões de toneladas de carbono estocadas e distribuídas em 3,3 quilômetros quadrados de florestas”, avalia.

O clima na imprensa

Dos textos sobre mudanças climáticas publicados por 50 jornais brasileiros, entre 2005 e 2007, 9,6% focalizam as estratégias de mitigação relacionadas às florestas e ao uso do solo. Destes, 37,5% abordam a recuperação florestal; 33,3%, a conservação das florestas; e, em menor proporção, 18,8%, a necessidade de redução do desmatamento.


Os custos do desmatamento

Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Ambiental Amazônica (Ipam) levantou os custos e benefícios da implementação de um programa de REDD na Amazônia brasileira.

De acordo com a pesquisa Custos e Benefícios da Redução das Emissões de Carbono do Desmatamento e da Degradação (REDD) na Amazônia Brasileira, publicada em 2008, para reduzir o desflorestamento para próximo de zero na próxima década seria necessário um investimento de 72 milhões de dólares por ano – incluindo aí capacitação das famílias que moram nos locais para a conservação da floresta, capacitação de pequenos produtores rurais e compensações aos proprietários de terra.

Em contrapartida, um programa nesse sentido duplicaria a renda de 150 mil famílias amazônicas, reduziria os custos sociais e econômicos impostos pelas queimadas e incêndios florestais, como doenças respiratórias, mortes e prejuízos agrícolas e na silvicultura, que representam gastos de até 80 milhões de dólares por ano.

Fonte: Mudanças Climáticas

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