12 de abr de 2010

Fragmentos da mata atlântica absorvem menos carbono que a floresta intocada


Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e alemães revelou que depois de fragmentada, a mata atlântica, perde parte de seu potencial de absorção de gás carbônico. Os estudiosos simularam a evolução dos fragmentos florestais por até 400 anos e fizeram a comparação com as áreas que apresentam cobertura florestal mais extensa.

“A mata fragmentada é como uma criança doente, que não consegue engordar. Se a floresta não está bem, o acúmulo de gás carbônico é incompleto”, explicou o professor do Instituto de Biociências, IB, da Universidade de São Paulo, USP, Jean Paul Metzger, que cooperou com a pesquisa. O estudo foi realizado pelo Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental, UFZ, da Alemanha, em parceria com o IB.

Um terço da mata atlântica está preservada em fragmentos que chegam até um hectare, atualmente, com distância média de 1,4 quilômetros entre esses fragmentos. O bioma chegou a ocupar, originalmente, 1.300.000 quilômetros quadrados, de acordo com dados da Fundação SOS Mata Atlântica. A cobertura englobava 17 estados brasileiros além de partes do Paraguai e da Argentina. Hoje, com o desmatamento restam apenas cerca de 20% da cobertura original.

Os pesquisadores apontaram, ainda, que a redução do carbono absorvido reflete no peso da floresta. Depois de 100 anos os fragmentos que correspondem a aproximadamente 100 hectares vão apresentar 8,8% menos de biomassa.

Fragmentada, a floresta alcançaria 228 toneladas de biomassa por hectare, sendo que intocada, a mata atlântica, atinge 250 toneladas de biomassa em uma área do mesmo tamanho.

Com biomassa menor, reduzem também as variedades de espécies, que contam com menos recursos alimentares e poucos ambientes onde os animais possam habitar, de acordo com o estudo.

A perda da biomassa está associada às perturbações, que costumam ocorrer apenas nas bordas da mata, como incidência maior de luz e vento, entrada de fogo e pisoteamento causado pela criação de gado. Outro fator é o isolamento das partes centrais dos fragmentos. As plantas ficam mais vulneráveis a doenças e catástrofes naturais.

Os dados da pesquisa foram levantados a partir de um programa de computador que simulou o desenvolvimento da floresta durante 100 e 400 anos. O programa foi abastecido por um banco de dados da USP com informações de árvores e fragmentos da mata atlântica localizados nos municípios de Ibiúna, SP, e na Reserva Florestal do Morro Grande, uma área de mata com cerca de 10 mil ha em Cotia.
*Com informações da USP.

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