25 de fev de 2010

Mobilização da sociedade beneficiaria catadores de recicláveis, conclui pesquisa


O incentivo das prefeituras e a participação da sociedade para promover a coleta seletiva do lixo beneficiaria catadores de materiais recicláveis, geraria economia aos cofres públicos e reduziria riscos ambientais.

A avaliação foi feita pela bióloga Jandira Aureliano de Araújo, ex-aluna do mestrado em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Pernambuco.

Ela acompanhou durante cerca de um ano a atividade de catadores da comunidade de São José do Coque, em Recife (PE), onde vivem aproximadamente 1,8 mil pessoas.

Segundo a pesquisadora, essa prática ainda não é suficientemente incentivada no Brasil. Ela acredita que se houvesse o descarte correto do lixo, com a separação do material molhado do seco, o orgânico do inorgânico, e principalmente o papel, o produto revendido pelos catadores teria seu valor comercial aumentado.

“As prefeituras economizariam com o transporte do lixo que sobraria, e a condição ambiental também teria ganhos, porque haveria redução dos casos de leptospirose, em função da proliferação dos roedores, e das enchentes, com o entupimento das galerias”, disse em entrevista à Agência Brasil.

De acordo com a bióloga, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que apenas 2% do lixo produzido no país são de fato reciclados e que somente em 8% das cidades brasileiras existe algum tipo de coleta seletiva.

Outro problema enfrentado por esses trabalhadores é a falta de estrutura para fazer a triagem do material recolhido. Segundo Jandira, é comum os catadores levarem o que coletam para dentro de suas comunidades, expondo outros moradores a riscos de contaminação.

Jandira afirma que algumas prefeituras oferecem núcleos de triagem, mas os catadores reclamam que, em geral, não contam com condições adequadas e acabam tendo que fazer outras atividades, como lavar banheiro e cuidar da limpeza do local.

“Assim, preferem levar para suas comunidades e em seguida vender diretamente a depósitos, que têm o inconveniente de pagar menos pelo material”.

Dados do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis indicam que atualmente cerca de 230 mil pessoas trabalham como catadores de material reciclável no país. (Fonte: Ambiente Brasil)

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