29 de out de 2009

Temperatura global sobe 'mais rápido que o previsto', alerta economista


Se a temperatura média do planeta subir 3 graus centígrados, as condições climatológicas serão como as de 3 milhões de anos atrás, com flora e fauna completamente diferentes das que agora conhecemos, mas se o aumento for de 6 graus, a humanidade sofrerá "um colapso" e desaparecerá em 30 ou 40 anos.

Esse foi o alerta feito nesta quarta-feira (28) pelo economista americano Jeremy Rifkin, que já trabalhou como assessor do ex-presidente americano Bill Clinton e do ex-candidato à presidência dos EUA, Al Gore.

Por meio de videoconferência, Rifkin falou sobre o assunto nesta quarta-feira em um evento realizado em Madri (Espanha) sobre reciclagem energética.

O economista e escritor afirmou ainda que todas as previsões realizadas pelos cientistas em 2001 tornaram-se obsoletas, e que a mudança climática acontecerá de forma "infinitamente" mais rápida do que se pensava antes.

"Esperávamos o degelo do Ártico para o fim do século, e o desaparecimento da camada de gelo das montanhas para o próximo século, mas as duas coisas estão acontecendo agora", disse.

Rifkin acrescentou ainda que as pessoas "continuam a não ter a consciência do que isso significa: o fim do mundo como o conhecemos".

"Cada grau a mais na temperatura fará com que as chuvas sejam mais intensas e as secas mais prolongadas, e essas mudanças ocorrerão em apenas duas gerações, entre nós e nossos netos", advertiu.

Esperávamos o degelo do Ártico para o fim do século, e o desaparecimento da camada de gelo das montanhas para o próximo século, mas as duas coisas estão acontecendo agora" Para o economista, esses efeitos são o resultado de um modelo econômico que está baseado em combustíveis fósseis que estão se esgotando e encarecendo.

"Quando o barril de petróleo superou os US$ 147, a economia mundial entrou em crise, porque essa supervalorização foi repassada aos preços dos produtos. A inflação foi tão elevada que o motor econômico da globalização parou. Seis dias depois, a oferta de crédito caiu como consequência", disse.

Nova revolução industrial Ainda de acordo com Rifkin, chegou a hora de promover "a terceira revolução industrial", por meio de um novo modelo econômico que será a "única solução para a crise e a mudança climática"

A nova fórmula, segundo o economista, consiste em utilizar as energias renováveis "onde estiverem" e "criar uma rede integrada para compartilhá-la como já fazemos com a informação na internet", algo que "para uma geração que cresceu com as redes sociais e a sociedade da informação, não será difícil".

Rifkin explicou que o modelo não consiste em criar parques eólicos ou solares que depois tenham que distribuir essa energia, mas em construir edifícios capazes de captar a energia solar e a eólica, e de transformar seus resíduos em mais energia.

Com isso, garantiu, "pela primeira vez o grande beneficiado pode ser o Terceiro Mundo", porque o "regime econômico e energético deixará de ser insustentável e elitista", passando a ser "democrático." (Fonte: AmbienteBrasil)

Robô-gari recolhe o lixo e ajuda as pessoas


Uma sociedade na qual os robôs acompanham os idosos em viagens e os ajudam a jogar fora o lixo pode estar mais perto de se tornar uma realidade do que se poderia pensar. Pelo menos nesse segundo aspecto.

Com um financiamento de 2 milhões de euros, cientistas europeus apresentaram os primeiros protótipos de robôs assistentes cujo objetivo será ajudar as pessoas a manter as suas casas limpas.

Robôs de limpeza

O primeiro deles é o DustCart, algo como "carrinho de lixo," um robô projetado para interagir com seu dono, recolher o lixo doméstico quando for orientado a isso e colocar o lixo na lixeira externa, onde o material poderá ser recolhido pelo serviço público.

O segundo robô é o DustClean ("limpador de poeira"), que também poderá se chamar robô-gari - seu principal objetivo é fazer a limpeza de calçadas, ruas e outras áreas públicas. Ele foi montado sobre a plataforma de um SegWay, o que facilita sua mobilidade.

Além dos tradicionais sistemas de visão artificial, para permitir que os robôs identifiquem a sujeira e evitem ficar batendo nas coisas, os dois protótipos foram dotados de sensores de ozônio e monóxido de carbono, permitindo que eles emitam alertas no caso da qualidade do ar cair muito.

Segundo os pesquisadores, os dois robôs representam a melhor solução disponível para a limpeza de áreas de difícil acesso e para a limpeza e coleta de lixo na frente das residências, acima de tudo, das pessoas que têm problemas de mobilidade e dificuldades para levar seu lixo doméstico para as lixeiras externas.

Guia e vigilância

Os robôs são capazes de se orientar, navegar e se comunicar com outras máquinas, o que os torna colaboradores autônomos e multifuncionais.

Isto significa que cada robô poderá ser utilizado para limpar várias áreas, e não apenas o ambiente controlado de uma residência. Por exemplo, com base nas informações de um mapa, como os encontrados nos sistemas de navegação por GPS dos automóveis, o DustBot pode monitorar a sujeira em grandes espaços.

Sem a incumbência de limpar, o robô pode ser adaptado para atuar como guia em centros comerciais e museus, para transportar mercadorias e para ajudar as pessoas com necessidades especiais dentro e fora de suas casas.

Os robôs são apenas protótipos para testes de funcionalidades e demonstrações e não deverão ser fabricados para comercialização. (Fonte: InovaçãoTecnológica)

Congresso pode extinguir leis ambientais (PL 5367/09)


"As ONGs e alguns parlamentares estão segurando a onda como podem, mas o desmonte inacreditável da legislação ambiental brasileira caminha a passos largos e não tem estratégia de protelação que chegue. A coisa é tão grave, mas tão grave, que não vai dar pé sem uma forcinha da opinião pública. Então vamos lá. Os ruralistas resolveram instaurar uma comissão especial para aprovar a reforma da legislação ambiental. Dos 18 titulares da comissão, 10 são da turma deles. Não obstante, queriam eleger também o presidente e o relator, contra o que PV e PSOL protestaram. São vários os projetos de lei a serem avaliados, mas o favorito é o 5367/09, do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), oriundo do mesmo estado que regularizou a ocupação em áreas de preservação permanente, que por sua vez são as mesmas que estão desabando sobre as cabeças dos catarinenses. Já falei aqui que eu gosto de fazer o trabalho sujo para o qual pouca gente tem paciência. E lá fui eu ler todas as dezenas de páginas do PL. Agora conto pra vocês o resumo em linguagem de fim de semana:
- O projeto extingue todas as principais peças da legislação ambiental como a Política Nacional do Meio Ambiente, o Código Florestal, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, entre outros, e substitui tudo por uma coisa chamada Código Ambiental.
- Acaba com qualquer obrigação dos proprietários rurais de preservar mata nativa. Pode passar trator em tudo. Vegetação é coisa só para as unidades de conservação. Com exceção da mata ciliar, mas cada estado decidiria por conta própria o tamanho da faixa protegida, sem limite mínimo. E desde que ninguém queira derrubar, porque se quiser, também pode.
- Se a população quiser que sobre alguma coisa de pé em áreas privadas, o governo vai ter que pagar e só se o propriterário concordar. Nada sai de graça nessa vida, afinal, como diz o PL, o agronegócio é atividade "de interesse social". Ah tá, e o patrimônio natural não é não?
- O Conselho Nacional de meio Ambiente deixa de ter caráter deliberativo, passa a servir apenas para consulta, submetido a uma hieraquia chamada Sistema Nacional de meio Ambiente (SISNAMA), cuja autoridade máxima é Conselho de Governo, um órgão ligado ao presidente da República. Repare: quem dá a última palavra não é o Ministério do Meio Ambiente, que é muito ONG pro gosto deles.
- Todo e qualquer licenciamento ambiental teria que ser concluído em 60 dias. Depois desse prazo, o pedido de licença está automaticamente deferido, olha que beleza. - Áreas de preservação permanente, como mangues, restingas, topos de morro e várzeas passam a se chamar "áreas frágeis". O que significa que são protegidas, até que alguém queria fazer ali uma obra. Aí não é mais protegido. Para isso, rola o licenciamento por parte do órgão ambiental, aquele dos 60 dias. Preciso dizer mais alguma coisa?"


Mais informações sobre o projeto 5367/09 AQUI

Download do projeto AQUI

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28 de out de 2009

O balanço das emissões de gases do efeito estufa


A indústria foi setor que mais contribuiu com as estimativas de emissão de gases de efeito estufa entre 1994 e 2007, segundo dados divulgados hoje (27) pelo Ministério do Meio Ambiente. A indústria foi responsável por 56% das emissões totais. Entre as atividades industriais que mais poluíram o ambiente estão a indústria de produtos minerais, com 59%, seguida da química, com 55%, e a metalurgia, com 40% das emissões.

Outro setor que contribuiu muito para o aumento da estimativa de emissão de gases de efeito estufa foi o de energia, responsável por 54%. Dentro desse setor, a área de energia ampla foi a que mais eliminou gases de efeito estufa, com 85%; seguida do setor industrial, com 57%, e do setor de transportes, com 54%.

O setor de tratamento de resíduos (32%) também teve suas emissões de gases analisadas, sendo que o esgoto indústrial, com 37% das emissões, foi o maior responsável pela emissão de gases. Em seguida ficou o setor resíduos sólidos, com 34% das emissões, e por último o esgoto doméstico, com 23% das emissões.

A agropecuária foi o setor que teve a menor estimativa de emissão de gases de efeito estufa com total de 30% das emissões. Dentro desse setor, a queima de resíduos agrícolas foi a grande vilã, com 59% das emissões. Já o setor de cultivo de arroz teve queda de 37% nas emissões.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que o governo se esforçará para alcançar a meta de redução de 40% das emissões de gases de efeito estufa até 2020. No setor de agropecuária, estão previstas ações como a combinação de plantio com pecuária num mesmo espaço, a recuperação de áreas degradadas e o plantio direto.

“Com essas três medidas combinadas – lavoura, pecuária, recuperação de área degradada e plantio direto – nós reduziremos 7% das emissões globais do Brasil até 2020”, afirmou o ministro.

Também estão previstas a redução do desmatamento na Amazônia em 80%, a redução do desmatamento de outros biomas, como o cerrado e a caatinga, o maior uso de biocombustíveis no transporte e a siderurgia verde, que implica, para as indústrias, o plantio de toda a madeira que irão utilizar, sem necessidade de derrubada de árvores nativas, por exemplo. (Fonte: AmbienteBrasil)

26 de out de 2009

Sistema de Gestão Ambiental em micro e pequenas empresas


As grandes organizações têm demonstrado uma preocupação crescente com o meio ambiente e, na maioria das vezes, adotam um Sistema de Gestão Ambiental certificado por uma entidade reconhecida. Nesse contexto, sua cadeia de fornecedores também é contemplada, mas muitas dessas organizações são classificadas como micro e pequenas empresas e não podem arcar com os custos elevados da certificação ambiental. Assim, a Physis SDA vem desenvolvendo um Sistema de Gestão Ambiental baseado nas diretrizes da ISO 14001, mantendo um nível mínimo de evidência do atendimento aos requisitos na norma, auxiliando as micro, pequenas e até médias empresas a demonstrar seu compromisso com o meio ambiente de uma forma economicamente viável. Como vantagens, as empresas que adotam este sistema simplificado consegue obter uma redução de custos operacionais, melhoria do desempenho e das atividades da empresa, além de uma economia financeira significativa. Dessa maneira, tais organizações podem manter sua classificação como fornecedor qualificado das grandes empresas, garantindo a sobrevivência das mesmas no mercado. (Fonte: Vitor Inôti Yuki/Physis SDA)

Dupla inventa filtro para capturar CO2 de indústria


Dois químicos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) se uniram a uma empresa para dar um drible no risco representado pelo dióxido de carbono, gás que é o principal responsável pelo aquecimento global. Esferas de cerâmica desenvolvidas pela dupla têm potencial para filtrar a substância nas chaminés das fábricas e transformá-la em insumo industrial, dizem eles. Por enquanto, a invenção, que deve ser objeto de uma patente internacional, mostrou ser capaz de sequestrar 40% do gás carbônico emitido pela queima de combustíveis. Na segunda fase da pesquisa, recém-iniciada, a intenção é melhorar esse potencial "filtrador" de CO2 (fórmula química da substância) para algo como 60%. A nova fase do projeto deve mobilizar recursos da ordem de R$ 2,3 milhões, divididos de forma mais ou menos igual entre fundos públicos (da UFMG, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior mineira) e privados (da empresa Amatech).
Tomando a iniciativa - Aliás, num raro caso de interação entre a pesquisa universitária e o setor empresarial no país, foi o pessoal da Amatech que procurou a dupla da UFMG. "Eles vieram falar com a gente, mas ficou claro que a ideia original deles não era viável", conta Jadson Belchior, que toca o projeto ao lado de Geraldo Lima. "Eles queriam usar um material pastoso que seria complicado de trabalhar." Belchior e Lima puseram-se a imaginar uma maneira de filtrar o CO2 com um material sólido, chegando às esferas de cerâmica, cuja composição química exata não pode ser mencionada ainda por causa da necessidade de conseguir a proteção da patente antes. Eles revelam, porém, que é a estrutura microscópica das esferas que interage com o gás, fazendo com que este se combine à cerâmica (veja o quadro abaixo). "Nos experimentos, as esferas, que pesavam 10 gramas, passam a ter 14 gramas", conta Belchior. Ainda é preciso encontrar a melhor maneira de integrar as estruturas ao sistema de exaustão de uma indústria, por exemplo. O pesquisador da UFMG diz que uma analogia com tocadores de CDs pode ser útil. "Poderíamos usar algo parecido com aqueles tocadores que possuem espaço para três CDs, já que depois de um tempo a esfera perde a capacidade de absorver gás carbônico", diz. Uma vez que a "gaveta" esteja cheia, o CO2 pode ser extraído das esferas por calor ou por reações químicas, permitindo sua a reutilização e a reciclagem da substância como insumo para indústrias como a de refrigerantes, cujas borbulhas nada mais são que gás carbônico. Isso aumentaria a viabilidade econômica do processo. Hoje, o pico de eficiência da reação ocorre a cerca de 600ºC. Como diferentes indústrias - e diferentes tipos de exaustão - correspondem a temperaturas variadas, a ideia é ampliar a faixa de calor na qual a reação é otimizada. (Fonte: AmbienteBrasil)

24 de out de 2009

Projeto pioneiro poupa o desmatamento em propriedades pastoris de Rondônia


Projeto pioneiro utilizando novas tecnologias para otimizar áreas de pastos já existentes promove o aumento da produtividade em pequenas e médias propriedades pastoris de Rondônia, poupando o desmatamento na Amazônia. A experiência vem sendo implementada em 22 propriedades do estado, como apoio e recursos do MMA, por meio do Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), vinculado ao Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais no Brasil (PPG-7), do Banco de Desenvolvimento Alemão( KFW) e Cooperação Técnica Alemã (GTZ). O sistema silvopastoril, como é chamado, foi uma iniciativa experimental, de caráter demonstrativo, iniciada em junho de 2006, com encerramento previsto para o final de 2009. O trabalho conduzido pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (Fetagro/RO) demonstra que, mesmo quando o assunto é criação de gado, é viável implementar sistemas que promovam a pecuária associada à agroecologia e que gerem renda alternativa aos pequenos e médios produtores. Realizado em nove municípios próximos a Ji-Paraná, segunda maior cidade de Rondônia, o projeto demonstrativo "Agricultores Familiares promovendo o Equilíbrio Ambiental em Rondônia" desenvolveu uma pesquisa para testar e descobrir que tipos de essências florestais (espécies vegetais) poderiam ser inseridas em pastos (sistema silvopastoril), com o objetivo de melhorar o microclima, promover maior rendimento econômico e evitar novos desmatamentos na floresta. A proposta inclui ainda o reflorestamento de matas ciliares, nascentes e áreas degradadas com vegetação nativa e frutíferas, o que ajuda a recompor a cobertura vegetal original e adequar as propriedades às exigências da legislação ambiental. Entre as espécies que se adaptaram bem às pastagens com alto nível de degradação destacam-se o cajá, ipê, cedro, cerejeira, jenipapo, ingá, pata de vaca, cumaru, mogno, jamelão, sete copas, mutambo e peroba. Já os diferentes tipos de palmeira, a bandarra e a copaíba, por exemplo, não alcançaram o mesmo resultado porque demoraram a crescer. O presidente da Fetagro/RO, Lázaro Dobri, explica que o projeto é feito com a combinação de árvores, pastagem e criação de gado numa mesma área, ao mesmo tempo, com o manejo realizado de forma integrada. Outro objetivo é incrementar a produtividade por unidade de área com a preservação do meio ambiente. Atualmente, a estimativa é de que há 1,6 cabeças de gado por hectare, e o projeto pretende aumentar este índice para 5,2 animais na mesma área. Para Dobri, não há outra alternativa melhor no momento, uma vez que a pecuária está consolidada no estado. "O sistema silvopastoril ameniza os problemas e os impactos dessa atividade, melhora a saúde do gado(que demora a ganhar peso e sofre estresse térmico devido ao calor excessivo da região, apresentando alterações fisiológicas graves), as condições de pastagem e promove uma recuperação parcial do meio ambiente", explica. O método utilizado pela maioria dos agricultores rondonienses é de pastagem ostensiva, que apresenta alto nível de degradação. Dobri considera fundamental a mudança do modelo convencional para uma metodologia agroecológica. "O consórcio de pastagens é importante, mas o mais importante é a recuperação de matas ciliares", acrescenta. De acordo com o analista ambiental do PDA/MMA Bruno Machado, a intenção do programa é promover iniciativas de experimentação que possam ser replicadas e servir de exemplos para outras áreas do País. "Buscamos a inovação destes projetos, que realmente têm um prazo estabelecido", disse. O estado de Rondônia tem como principal atividade econômica a pecuária, além da agricultura. Ocupada especialmente a partir da década de 70 - quando o governo federal incentivou agricultores de todo o País a povoarem a Amazônia, com receio de perder território para outras nações que faziam fronteira com a floresta-, a região foi povoada sem planejamento por meio de desmatamento ostensivo, prática que até hoje persiste como modelo para abertura de novas fronteiras agrícolas. Um levantamento feito pelo IBGE demonstrou que, até 2004, 78% da cobertura vegetal original do estado estava desmatada. Cerca de 5 milhões de hectares estão ocupados por pastagens, e há uma forte tendência de haver aumento de desmatamento para ocupação de novas áreas para a pecuária. Captura de carbono - A criação de animais associada ao plantio de árvores em bloco ao longo das pastagens pode reduzir a erosão e melhorar a conservação da água. Também reduz a necessidade de fertilizantes minerais e ajuda a capturar e fixar o carbono. Além disso, diversifica a produção, melhora o conforto dos animais e aumenta a biodiversidade e a geração de renda dos agricultores. O sistema Voisin, aplicado na pesquisa, é um método intensivo de manejo pastoril baseado no trinômio solo-capim-gado, e consiste no piqueteamento das áreas, que são divididas entre pastos e blocos reservados para o plantio de mudas. Estes são separados por cercas elétricas, que garantem a conservação das novas espécies plantadas. O gado só entra em um piquete quando o espaço completa um período mínimo de repouso suficiente para que o capim atinja um ponto ótimo de desenvolvimento, geralmente em torno de 21 dias. A permanência dos animais em cada piquete não deve ultrapassar três dias, sendo que o tempo ideal para uso do espaço é de um dia. Quanto maior for o número de divisões, mais liberdade de ação terá o condutor do manejo. A agricultora familiar Clotilde Crepaldi, 40, avalia que o resultado superou as expectativas, pois sua produção teve um aumento de aproximadamente 15%, em menos de dois anos. Antes de adotar o sistema, ela retirava cerca de 40 litros de leite por dia, e agora este número chega a 60 litros/dia. Além de realizar o pasto rotativo, ela planta nos piquetes outros tipos de cultura, como quiabo, banana, cacau, abóbora, feijão de corda e maxixe. Só na primeira colheita, ela retirou cerca de 200 quilos de banana e 300 quilos com as outras espécies plantadas. Para implementar o projeto nos municípios, os técnicos realizaram visitas para avaliar as condições das propriedades escolhidas, algumas delas degradadas há mais de 30 anos. Os agricultores beneficiados receberam sementes e todos os materiais necessários para a instalação dos piquetes e isolamento dos blocos de plantas. Houve ainda a produção de cerca de 60 mil mudas e a instalação de viveiros em algumas propriedades. A proposta incluía a realização de atividades com aulas teóricas e práticas, e os agricultores visitaram todas as propriedades inscritas no projeto. Desta forma, os participantes trocaram experiências e métodos utilizados entre si, e esse intercâmbio estimulou os produtores a promoverem melhorias de uma forma geral nas propriedades. Resultados - A agricultora familiar Clotilde Crepaldi, 40, avalia que o resultado superou as expectativas, pois sua produção teve um aumento de aproximadamente 15%, em menos de dois anos. Antes de adotar o sistema, ela retirava cerca de 40 litros de leite por dia, e agora este número chega a 60 litros/dia. Além de realizar o pasto rotativo, ela planta nos piquetes outros tipos de cultura, como quiabo, banana, cacau, abóbora, feijão de corda e maxixe. Só na primeira colheita, ela retirou cerca de 200 quilos de banana e 300 quilos com as outras espécies plantadas. Diversificando as atividades, ela aumentou a renda familiar, já que antes o trabalho era focado apenas na criação de gado. A produção é entregue à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e também revendida nos mercados da cidade de Jaru. "Depois do piqueteamento, as vacas passaram a produzir mais leite e os bezerros estão mais saudáveis, porque os carrapatos diminuíram. As rotatividades ajudaram a eliminar as populações de insetos e parasitas que atacavam os animais", explica Clotilde. Outra preocupação também passou a fazer parte da rotina dos agricultores envolvidos: o reflorestamento de matas ciliares. A propriedade de Cirilo Cláudio Felício, 73, tem 38 hectares e está localizada no município de Presidente Médici. Ele realizou piqueteamento em 5 hectares e investiu na recomposição da mata ciliar do córrego, que hoje já tem jatobá, jenipapo, ipê amarelo, ingá e cedro. "Depois do reflorestamento, o córrego tem água boa parte do ano, e as árvores nem cresceram tando ainda", constata. Antes disso, ele insistiu na produção do café, que não se adaptou muito bem à sua propriedade. Com o piqueteamento, Felício alega que pôde ter mais qualidade na criação do gado, e que obtém maior produtividade com quase o mesmo número de animais no rebanho. Já o agricultor Celino Greco implantou o sistema em 2 hectares de suas terras. Ele percebeu que o plantio de matas ciliares melhorou a conservação da água na área, e que com o pasto rotacionado o gado se alimenta de um capim mais nutritivo. "Tudo isso ajudou a aumentar a produção do leite, e agora já aumentei a renda familiar com o resultado dos plantios nos piquetes". Desenvolvimento de pesquisa - O assessor ambiental André de Almeida Silva, um dos técnicos responsáveis pela iniciativa, explica que este é o primeiro projeto silvipastorial na Região Norte a adotar esse modelo. De acordo com ele, a Embrapa do Acre está interessada na pesquisa da Fetagro, além de outros sindicatos e associações que também pretendem implementar as técnicas utilizadas. A Embrapa/RO está acompanhando os resultados do projeto e já pesquisa outras plantas que se adaptam melhor às pastagens degradadas. Como a experiência é um processo novo na região, a definição das espécies adequadas é fundamental para o sucesso do sistema silvipastoril. Foi necessário buscar o maior número de características desejadas entre as essências florestais utilizadas: crescimento rápido, adaptação ao meio ambiente, tolerância a ataques de pragas e doenças e capacidade de fornecer sombra e abrigo. As falhas encontradas no início do processo também contribuíram para o desenvolvimento de novas experiências. Silva esclarece que, apesar do caráter demonstrativo e experimental do projeto, o período de três anos, previsto para a execução, é curto porque impossibilita uma melhor avaliação dos resultados, que começam a surtir efeito a partir de 5 anos, já que as essências florestais precisam de tempo para se desenvolverem. Ele ressalta que o processo poderia ser mais bem sucedido, mas para isso seria importante fazer primeiro uma avaliação do solo e recuperação da área degradada, além da eliminação da braqueárea (tipo de capim). Com o tempo curto não foi possível implantar estas técnicas antes, e a maior parte dos produtores está começando a perceber os benefícios agora, no final do projeto. A engenheira Débora Massara, que também participa da ação, considera que a iniciativa é um sucesso devido à demanda de agricultores, prefeituras e instituições que querem promover a metodologia em outras áreas. "Acredito que esta causa deva ser abraçada pelo governo e servir de base para a criação de uma política pública para Rondônia, que promova o desenvolvimento de mais pesquisas e novas metodologias. Ainda estamos na fase de pesquisa, que é um processo demorado". O presidente da Fetagro/RO ressalta que foi importante sensibilizar os agricultores para o replantio de matas ciliares e para a mudança de um sistema degradante para um modelo sustentável. Dobri revela que no estado há muitas propriedades pequenas que podem adotar o sistema silvipastoril, mas que é necessário o acompanhamento técnico dos produtores e mais investimentos em projetos de médio e longo prazo. "A falta de continuidade impede o avanço da pesquisa e uma melhor avaliação de resultados. Assim, as famílias envolvidas podem perder o estímulo e a unidade gestora a capacidade de acompanhar os projetos", alerta. (Fonte: AmbienteBrasil)

No Alasca, ursos polares ganham área de proteção do tamanho da França


Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (22) que criarão uma reserva no Alasca, do tamanho da França, para proteger os ursos polares, uma espécie particularmente ameaçada. "Propor uma reserva para esta espécie simbólica é um passo na direção correta para prevenir sua extinção. É também o reconhecimento de que a maior ameaça aos ursos polares passa pelo derretimento do gelo no oceano Ártico causado pelo aquecimento global", declarou Tom Strickland, encarregado de pesca, parques e fauna do departamento de Assuntos Internos. A reserva terá 520 mil km2 e incluirá uma barreira de ilhas ao longo da costa do Alasca, parte da calota polar, terras e rios costeiros. Os Estados Unidos incluíram o urso polar na lista de animais ameaçados em maio do ano passado. (Fonte: AmbienteBrasil)

23 de out de 2009

Gestão de florestas sustentável gera benefícios econômicos e sociais


A proteção das florestas é um dos temas centrais em jogo nas discussões internacionais sobre um novo acordo climático mundial, porém como isto funciona na prática? Projetos de manejo florestal comunitário do Brasil dão bom exemplo do que pode ser feito para garantir que as matas conservem a biodiversidade local ao mesmo tempo em que gerem benefícios econômicos e sociais para pessoas. No oeste do Pará, famílias integrantes da Cooperativa Mista Flona Tapajós Verde (Coomflora) vivem hoje da extração sustentável da madeira de uma área de 32 mil hectares, que é manejada por eles desde 2005. "Nos primeiros anos tivemos dificuldade para vender a madeira, pois compradores queriam só alguns tipos. Mas neste ano, vendemos 20 mil metros cúbicos, valendo 197 reais cada, o que nos rendeu R$ 3,9 milhões", comemora o presidente da Coomflora, Sérgio Pimenta Vieira. Vieira contou sua experiência nesta quarta-feira (21/10) durante mesa-redonda promovida pelo Serviço Florestal, no XIII Congresso Florestal Mundial, que ocorre em Buenos Aires. Segundo ele, a iniciativa partiu da própria comunidade, em 1991, que começou a discutir com o governo como colocar em prática a ideia. Em 2000, começaram a desenvolver o plano de manejo. O apoio financeiro inicial do Banco de Desenvolvimento Alemão (KWF) na capacitação técnica, para derrubar as árvores sem danificar outras ao redor ou abrir estradas com menor impacto possível, foi fundamental. "Se quiser a floresta em pé, o governo tem que assumir e oferecer a comunidade assistência técnica e apoio gratuitos", garante o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Antonio Carlos Hummel, que também fez parte da mesa. Para ele, este ainda é um gargalo importante a ser resolvido para desenvolver bons projetos, assim como o capital de giro inicial. Hummel disse para os cerca de 300 participantes que marcaram presença no evento, que esta experiência foi bem pensada e planejada, o que também foi uma peça-chave para o seu sucesso. Agora, a comunidade colhe os bons frutos do esforço. A Coomflora tem hoje um escritório, caminhão, 14 motosserras, energia elétrica vinda do uso de painéis solares, cinco computadores e outros bens. Muito mais que isso, os benefícios podem ser vistos na qualidade de vida das famílias. "A gente vê claramente como mudou a vida das pessoas. Nós que vivemos na floresta sabemos como é importante que ela esteja sempre verde para nós e para as futuras gerações?", afirma Vieira. (Fonte: AmbienteBrasil)

Ibama vai exigir informações sobre emissões de carbono para novos licenciamentos


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai incluir um nova exigência no licenciamento ambiental. As empresas terão que declarar nos relatórios de impacto ambiental a previsão de emissões de gases de efeito estufa do empreendimento. De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a regra valerá para os “grandes emissores”, caso de usinas termelétricas, siderúrgicas, refinarias e polos petroquímicos. A exigência será incluída no termo de referência, o documento que estabelece como deve ser feito o relatório de impacto ambiental da obra. Além de informar a quantidade de emissões, os estudos deverão apresentar as formas de compensação. Minc disse que a medida está de acordo com a legislação ambiental e vai ao encontro de posições do setor industrial, que tem cobrado do governo ações mais eficazes contra as mudanças climáticas e demonstrado disposição em apresentar voluntariamente os inventários de emissões. “Espero que agora não haja distância entre a intenção e o gesto”, disse. (Fonte: AmbienteBrasil)

Aprovados US$ 34,7 milhões para automatizar licenciamento ambiental


A consultoria jurídica do Ministério do Meio Ambiente aprovou nesta quarta-feira (21) o financiamento de 34,7 milhões de dólares para o Programa Nacional de Meio Ambiente (PNMA) - 24,3 milhões de dólares do Banco Mundial (Bird) e o restante como contrapartida do governo brasileiro. O acordo de empréstimo segue agora para a Procuradoria-Geral da União e deverá chegar ao Senado até novembro. O dinheiro será aplicado na automatização e integração dos sistemas de licenciamento ambiental em nível federal, nos estados e nos municípios. O foco principal são as grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A prioridade serão os setores de estradas, mineração, geração de energia de hidrocarbonetos, hidrelétrica, hidrovias e portos. "O Brasil está numa fase dinâmica de desenvolvimento e as pressões para licenciamento aumentam. Temos de melhorar a capacidade de responder à demanda. A melhoria vai resultar em transparência e rapidez. Tanto para os próprios governos, federal, estaduais e municipais, como para a sociedade e para as empresas interessadas nas licenças", explica Flora Cerqueira, diretora do Departamento de Coordenação do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). A diretora acredita que o primeiro desembolso do empréstimo seja liberado ainda neste ano. A previsão para 2009 é de 3 milhões de dólares. E 12 milhões de dólares devem ser liberados no ano que vem. Flora Cerqueira diz que os investimentos serão aplicados principalmente em softwares, na padronização de critérios e procedimentos de licenciamento e também na capacitação de recursos humanos. A negociação entre o governo brasileiro e o Bird durou dois anos. A secretária-executiva do MMA, Izabella Teixeira, foi a responsável para que os investimentos no PNMA se concentrassem no aperfeiçoamento do licenciamento ambiental. No governo federal, os principais órgãos beneficiados pelos recursos serão o Ibama, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Agência Nacional de Águas, Fundação Nacional do Índio, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Fundação Palmares, que participam dos processos de licenciamento. (Fonte: AmbienteBrasil)

Novos modelos de civilização


Os modelos de produção agrícola, de uso do solo e de aproveitamento dos recursos naturais que caracterizaram o século 20 não são sustentáveis e levaram a uma crise de abastecimento hídrico, graves alterações climáticas, escassez de matéria-prima e de fontes de energia tradicionais, entre outros problemas. O mundo – e o Brasil em particular – vive atualmente um momento decisivo para a escolha de novos modelos de civilização. Essa é a síntese da análise realizada por pesquisadores de diversas áreas, nesta terça-feira (20), em São Paulo, durante o seminário "Desafios Socioambientais para o Século 21", realizado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) e que homenageou o geógrafo e ambientalista Aziz Ab'Sáber. O evento foi realizado em conjunto por diversas entidades nas quais Ab’Saber atuou: IEA, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFLCH) da USP. “Há muitos anos venho refletindo sobre o Brasil e posso falar que um dos maiores problemas da nossa terra é a dificuldade que temos na socialização do conhecimento. Os políticos, de modo geral, não querem ouvir os cientistas e não estão interessados em usar o conhecimento para transformar a realidade. Os geógrafos não têm conseguido mostrar a eles a originalidade do conjunto do país, de sua territorialidade e de seus recursos fantásticos”, disse Ab’Sáber durante a sessão em sua homenagem. De acordo com o coordenador do seminário, Wagner Costa Ribeiro, pesquisador do IEA e professor do Departamento de Geografia da USP, o evento foi concebido com o objetivo de resgatar aspectos da trajetória de Ab’Saber, analisando e discutindo o tema dos desafios socioambientais. “Entre tantas virtudes do professor Ab’Saber, uma das maiores é a profunda capacidade de projetar e analisar cenários. Por isso achamos que a homenagem ideal a ele seria propor uma reflexão sobre a condição contemporânea, projetando cenários futuros e mostrando como a obra dele continua influenciando a busca de alternativas que resultem em maior inclusão social e resolução de problemas ambientais”, disse à Agência FAPESP. Segundo Ribeiro, a necessidade de optar por novos modelos agrícolas e energéticos motivou a realização do seminário. “É um momento propício para a discussão e proposição de alternativas e modelos. A sociedade brasileira precisa ter consciência de que ainda é possível pensar em modelos de desenvolvimento que sejam mais adequados às condições socioambientais do país. Mas, para isso, é importante pensar de uma maneira integrada – como sempre propôs Ab’Saber”, disse. Durante o seminário, Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas e coordenador do Programa Biota-FAPESP, apresentou palestra sobre o tema “Biodiversidade e Mudanças Climáticas: de Copenhague a Nagoya”. Segundo Joly, no Brasil as questões de conservação da biodiversidade e das mudanças climáticas estão fortemente associadas, já que a principal fonte de emissão de dióxido de carbono no país é o desmatamento e a queima de florestas. “Estamos contribuindo com o aquecimento, enquanto poderíamos estar ajudando a reduzi-lo significativamente. Se diminuirmos em 50% o desmatamento de forma sustentável, isso significaria redução total de 35% de gases de efeito estufa. Por isso, acho que a posição de negociação do Brasil na Convenção de Mudanças Climáticas tem sido muito tímida”, disse à Agência FAPESP. Para Joly, o país deveria estar na liderança das negociações sobre mudanças climáticas, principalmente porque o país tem uma matriz energética hidrelétrica e dispõe de um combustível renovável, que é o etanol. E, segundo ele, a redução brasileira de emissões de gases de efeito estufa não é um impedimento para o desenvolvimento econômico. “Em 2010 vamos ter a COP10 da Biodiversidade em Nagoya, no Japão, onde os países terão que demonstrar que cumpriram os compromissos assumidos em 2002 na convenção realizada na Holanda, como a redução de perda de biodiversidade. Se não mudarmos o modelo que está derrubando florestas para transformar em área de pecuária, não vamos chegar nem perto de cumprir essas metas”, afirmou. Segundo ele, se o governo brasileiro assumir – na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que será realizada em dezembro – metas internacionais da ordem de 40% de redução de emissão de gases de efeito estufa, isso ainda permitiria que o país continuasse com taxas de crescimento de 4,5% a 5% para a próxima década. Paisagens diferentes - Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, professora do Instituto de Biociências da USP, apresentou a palestra “Serviços ambientais, agricultura e conservação no Brasil”. Segundo ela, a o uso inadequado da terra para fins agrícolas tem causado grandes impactos na conservação da biodiversidade. “Temos trabalhos científicos que mostram como, no Mato Grosso, houve, entre 2002 e 2005, um grande surto de desmatamento. Quase um terço do Cerrado no Estado foi consumido para o agronegócio nesse período. Foi uma expansão fantástica dos negócios, mas não conseguimos conciliar a agricultura a uma paisagem sustentável. Temos que trabalhar em um novo modelo agrícola e de conservação. Mas, por enquanto, o modelo que temos à disposição se baseia em grandes extensões de plantio”, disse. Segundo Vera Lúcia, o conjunto dos estudos mostra que é preciso desenhar uma nova paisagem agrícola, mantendo áreas conservadas junto às plantações, a fim de garantir a manutenção de serviços ambientais como a polinização. “Observamos casos como o do açaí, que, ao ganhar importância econômica, estimulou pequenos agricultores de certas áreas da Amazônia a derrubar a floreta para plantá-lo. Mas, com isso, desapareceram as abelhas presentes nessas florestas, que eram responsáveis pela polinização do próprio açaí. A própria produção dependia do serviço ambiental prestado pelas abelhas”, explicou. Jose Roberto Moreira, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP, falou sobre “Desafios ambientais: a questão da energia e dos recursos hídricos”. Ele alertou para um grave problema de política internacional que envolve a questão ambiental e a produção de biocombustíveis – em particular o etanol e o biodiesel. “As nações ricas não têm possibilidade de produzir o etanol a partir da cana-de-açúcar, que é sem dúvida a melhor a fonte de produção de energia – a mais sustentável, que cria menos problemas sociais e ambientais. Esses países, portanto, estão criando barreiras técnicas para justificar e poder limitar a importação desse produto de países tropicais”, disse. Moreira apresentou estudos que vêm sendo realizados nos Estados Unidos e na União Europeia, voltados para embasar a criação de um protocolo de certificação de produtos derivados da biomassa para exportação. “Esse protocolo, feito até um determinado grau de complexidade, ajuda e estimula a produção de bioenergia, melhorando suas condições e até mesmo trazendo até vantagens para o Brasil. Mas, a partir de certo ponto, ele cria custos excessivos que podem impedir a competição internacional. Estamos preocupados em relação a essa certificação”, disse. Segundo ele, a certificação exigirá demonstração rigorosa dos impactos ambientais e sociais, com provas de que haverá retorno econômico para populações de baixa renda. “Isso é bom a princípio, mas eles estão imaginando que o fato de substituir um combustível por outro será suficiente para acabar com a miséria do mundo. Trata-se de um ponto de vista extremamente infantil. Na realidade, esses países estão usando argumentos ditos técnicos para criar barreiras para nossos produtos”, afirmou. (Fonte: AmbienteBrasil)

Política Nacional de Resíduos Sólidos


O substitutivo ao projeto de lei que prevê a criação de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos - aprovado no último dia 15 por um grupo de trabalho que analisou 79 propostas em tramitação na Câmara dos Deputados - recebeu apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), de entidades empresariais, de associações de catadores e de parlamentares em audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira (21) na Casa. O encontro foi promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e a Frente Parlamentar Ambientalista. Proposto pelo coordenador do grupo de trabalho, deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), o debate teve como objetivo buscar consenso para a votação da matéria no Plenário, ainda sem data definida. O relatório final do grupo de trabalho, que se tornou o texto do substitutivo, propõe como principal medida a proibição da disposição de resíduos ou rejeitos em rios, córregos, mares, lagos ou a céu aberto. Na prática, a proposta é acabar com os chamados "lixões", e obrigar os municípios a criar programas para lidar com os resíduos em seus territórios. De acordo com o texto, no lugar dos "lixões" serão criados aterros sanitários, que passarão por licenciamentos específicos, e serão proibidas atividades como a catação e a criação de animais nas proximidades. Da mesma forma, as habitações temporárias ou permanentes, bem como a importação de materiais nocivos ao meio ambiente e à saúde (como, por exemplo, pneus usados), serão proibidas. Avanços - Para o diretor de Ambiente Urbano do MMA, Silvano Silvério da Costa, que participou da audiência pública, o relatório traz avanços importantes em relação ao projeto de lei encaminhado pelo Executivo em 2007, que tratava sobre o tema. "Mas ainda há pequenos ajustes a fazer. Acredito que, no Plenário, eles serão feitos", disse, sem citar quais seriam os pontos da proposta que precisariam ser modificados. Na opinião de Silvério, o texto avança, entre outras coisas, ao prever responsabilidade compartilhada; logística reversa; inclusão de catadores na logística reversa; estabelecimento de planos para o setor, em cada nível da Federação; incentivos tributários a produtos reciclados; e a proibição à importação de resíduos. "Nós do governo faremos todo o esforço necessário para que a política seja aprovada na Câmara ainda neste ano", garantiu. A posição do MMA em favor da proposta foi reforçada pela secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do ministério, Samyra Crespo, que também participou da audiência, representando o ministro Carlos Minc. "É uma matéria muito importante, que precisa ser votada", disse ela. O presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), compareceu ao encontro para receber pessoalmente o texto do substitutivo. "A presidência (da Câmara) dará absoluta prioridade a esse substitutivo, para que ele seja votado o quanto antes", garantiu. "A questão dos resíduos sólidos diz respeito ao planeta. Fico feliz em presidir a Câmara no momento em que esse projeto é apresentado." Para o representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Severino Lima, o substitutivo precisa ser apreciado logo pelos deputados. "Será vergonhoso se o Brasil chegar a Copenhague, para a COP-15 (Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), sem que tenha aprovada sua política nacional de resíduos sólidos", avaliou. (Fonte: MMA)

21 de out de 2009

Em cidades paulistas, um em cada sete postos não tem licença ambiental


As maiores cidades da região de Ribeirão Preto têm, juntas, 51 postos de combustíveis sem licença ambiental da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), segundo levantamento da companhia. Isso significa riscos de vazamento de combustível e consequente contaminação do solo em pontos de Ribeirão Preto, Franca, São Carlos, Araraquara e Barretos. O número representa 14% do total de postos nessas localidades. Ribeirão lidera o ranking: de 150 postos existentes, 20 estão irregulares. Na sequência, aparece São Carlos, que tem 60 estabelecimentos, dos quais 14 não possuem licença. Já em Araraquara, são 12 postos irregulares, num universo de 64. A proporção em Franca é menor: apenas três postos, de 72, não têm a licença. Por fim, Barretos tem dois postos irregulares. Desde 2002, a Cetesb passou a licenciar postos no Estado, atendendo determinação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). A medida fiscaliza, entre outras coisas, os tanques, cuja idade não pode ultrapassar os 15 anos - segundo a Cetesb, há o risco de vazamento de combustível no solo e até mesmo no lençol freático. Para o Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), a maior dificuldade é a questão financeira. "Conseguir a licença por meio das reformas e adequações custa em torno de R$ 200 mil, e isso dificulta muito as coisas", disse Oswaldo Manaia, presidente do sindicato em Ribeirão. O Sincopetro lançou um consórcio para facilitar os gastos. Para as fiscalizações, a Cetesb priorizou os postos cujas condições indicam maiores riscos, como estabelecimentos mais antigos. "Os postos que não cumprirem as etapas estabelecidas pela Cetesb estão sujeitos a penalidades, que vão de advertência a interdição do posto", disse Marco Antonio Sanchez Artuzo, gerente da agência da Cetesb de Ribeirão. Fauze Luís Abou Haikal, dono de um posto no centro que figura na lista, disse que já fez as reformas. "Não precisei trocar os tanques, mas mesmo assim gastei R$ 60 mil", disse.

O carro de Fórmula 3 movido a chocolate

Ele chega a 220 Km/hora e é alimentado por biocombustível feito a partir de chocolate, gordura animal e óleos vegetais. O carro de fórmula 3 foi desenvolvido pela Universidade de Warwick, nos Estados Unidos, e vai dos 0 aos 100 em 3 segundos.
Toda a estrutura do carro é construída com fibras de carbono e resinas recicladas e o volante é feito a partir de cenouras.
O veículo conta com a aprovação dos pilotos Lewis Hamilton e Adam Carroll e até de Ross Brawn, fundador da equipa de F1 Brawn GP. O carro verde vai competir nos campeonatos de Formula 3 já a partir de 17 de Outubro.

20 de out de 2009

Depois dos biocombustíveis, vêm aí os biolubrificantes


Direto do Fórum Physis
Todas as máquinas que têm peças móveis, do motor do seu carro ao seu barbeador elétrico, exigem lubrificantes para funcionar de forma suave e duradoura. Hoje, a maioria dos lubrificantes é feita com o chamado "óleo base", acrescido com aditivos para melhorar o desempenho em cada uso em particular. A demanda mundial por esses aditivos está na cifra das centenas de milhões de toneladas anuais. Bioaditivos - Pesquisadores do Serviço de Pesquisas Agrícolas dos Estados Unidos anunciaram um método que pode libertar a fabricação desses aditivos da dependência dos derivados de petróleo. Os novos bioaditivos são adequados para uso na formulação de graxas, óleos de motor e fluidos hidráulicos, de transmissão e para perfuração, de acordo com Sevim Erhan, coordenadora da pesquisa. Os aditivos renováveis podem ser produzidos a partir das moléculas de gordura - triglicérides - presentes em óleos naturais de soja, milho ou canola, além de óleos extraídos de outras variedades vegetais menos conhecidas. Excede as especificações - Além de serem totalmente biodegradáveis, o que facilitará seu descarte pós-uso, os bioaditivos poderão ser utilizados tanto em lubrificantes tradicionais, à base de petróleo, como em lubrificantes também de origem vegetal. Os aditivos atenderam a todos os critérios-padrão exigidos dos aditivos, incluindo as capacidades antifricção, antidesgaste, viscosidade, liquidez, ponto de inflamação elevado e estabilidade sob temperaturas extremas. Em testes de laboratório de pequena escala, feitos para avaliar o desgaste e o atrito mediante o uso dos bioaditivos, os pesquisadores verificaram que sua formulação à base de plantas tem desempenho igual ou superior aos aditivos à base de petróleo disponíveis comercialmente. Fonte: http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=48868

15 de out de 2009

FIMAI

A FIMAI - Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade, acontecerá nos dias 4, 5 e 6 de novembro de 2009, no Pavilhão Azul, do Expo Center Norte, em São Paulo, SP.
A feira abre um leque importante de opções na área ambiental e possibilita o contato com os mais importantes especialistas e empresários atuantes no Brasil.

A feira é gratuita!!

Faça o seu credenciamento no site:

http://www.fimai.com.br/

A Physis SDA é uma empresa de consultoria ambiental que atua nas áreas de Gestão Ambiental, Licenciamento Ambiental e Educação Ambiental.

Na área da gestão ambiental, atuamos no desenvolvimento de Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) para empresas; na Gestão de Resíduos em eventos, empresas, condomínios e escolas; e na Neutralização de CO2 de atividades de empresas, eventos e empreendimentos.

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